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Podcast by Minuto Leitura

  1. Minuto Leitura: O Senhor Das Moscas

    06/01/2021

    Minuto Leitura: O Senhor Das Moscas

    MINUTO LEITURA: O Senhor das Moscas Durante uma evacuação em momento de guerra, um grupo de garotos entre os cinco e 14 anos sofre um acidente de avião e acabam isolados em uma ilha deserta. Sem contar com quase nenhum tipo de material, os jovens precisam sobreviver contando apenas com suas habilidades enquanto tomam decisões a respeito de como se organizar nessa “nova vida”. Essa é a história de “O senhor das moscas”, escrito pelo inglês William Golding em 1954 e foi, também, um dos principais motivos de o autor ter sido agraciado pelo prêmio Nobel de Literatura em 1983. Com uma escrita direta, esse primeiro romance de William Golding nos apresenta a um cenário de extremos, ficando de um lado a beleza de uma ilha paradisíaca intocada pelo ser humano e, do outro, o terror de ter um grupo de garotos perdendo gradativamente a inocência na medida em que os acontecimentos forçam tomadas de decisões e discordâncias sobre como devem agir ou quais suas prioridades no momento. O autor brinca com um tema aventuresco para mostrar como os conflitos surgem das diferenças e podem acabam causando consequências desastrosas pela falta de reflexão. É como se, mesmo no paraíso, a falta de uma ordem social maior e atuante fosse levando a vaidade e o egoísmo dos homens a gradativamente abandonar as antigas noções de civilidade, dando lugar à selvageria. Apesar do enredo forte, com ponderações sobre a vida em comunidade, a narrativa deixa para o leitor a missão de pensar sobre os motivos que nos tornam civilizados e o que aconteceria caso essas amarras sociais fossem rompidas. Essa é uma leitura curta, porém, de uma profundidade e delicadeza impressionantes, que merece ser feita mais de uma vez.

    2 min
  2. MINUTO LEITURA  O Aparicionista

    05/09/2021

    MINUTO LEITURA O Aparicionista

    MINUTO LEITURA: O Aparicionista “Um tolo e seu dinheiro sempre se separam”. Essa é uma frase conhecida, embora não seja possível descobrir seu real autor. E a citação tem muito a ver com a história “O Aparicionista”, escrita pelo célebre dramaturgo alemão, Friedrich Schiller, em 1787. O romance apresenta uma história no estilo da literatura gótica, recém iniciado na época, e nos faz mergulhar nas reviravoltas vivenciadas por um príncipe alemão na cidade de Veneza, na Itália. Suas desventuras são marcadas por acontecimentos estranhos, figuras misteriosas e intrigas políticas envolvendo sociedades secretas. A narrativa é feita primeiro na forma do diário de memórias de um conde, amigo do príncipe e que o acompanha no começo dos acontecimentos. Depois, a história toma forma de um romance epistolar, por meio de cartas escritas por um barão que faz parte da comitiva do príncipe e fica encarregado de relatar os ocorridos ao conde - que precisou retornar à Alemanha. Nesse contexto ficamos sabendo que mesmo sendo uma pessoa prudente e reservada, o príncipe acaba ficando sem dinheiro por ser alvo de golpistas e falsos amigos que o arrastam aos prazeres carnais desmedidos noite após noite. Por todo o romance, Friedrich Schiller conta a respeito de conspirações, mistérios e ocultismo misturados a reflexões sobre o elitismo da sociedade na época. Com sua forma de escrita retórica e, por vezes rebuscada, é possível fechar os olhos e imaginar cada cena descrita pelo alemão como um momento vívido. Porém, é preciso esclarecer que apesar de uma obra muito bem elaborada, o livro ficou inacabado por conta da morte precoce do autor, que planejava ainda outras duas partes para sua história. Apesar de não revelar os desdobramentos das desgraças na vida do príncipe, a segunda parte da história encerra o livro de forma satisfatória e sem prejuízos à boa leitura.

    3 min
  3. MINUTO LEITURA- O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

    04/02/2021

    MINUTO LEITURA- O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

    Duas gerações de amores ardentes, paixões avassaladoras e um sentimento de ódio tão profundo que parece ser capaz de ultrapassar as barreiras da morte. Acrescente a esse misto de emoções, ciúmes viscerais e uma grande dose de egoísmo. Talvez só assim seja possível descrever as situações narradas em o “Morro dos Ventos Uivantes”, escrito por Emily Brontë no ano de 1847. A história é contada por dois personagens, sendo a empregada e um viajante que ouve atentamente todos os detalhes das intrigas que levam duas famílias a quase se destruírem pelas mãos de um homem que vem de fora. Nascida na Inglaterra, Emily Brontë descreve belas paisagens e reflexões angustiantes em seu único romance. A autora, que morreu de tuberculose aos trinta anos e apenas um ano depois de publicar o livro, é considerada um dos pilares da literatura feminina. Na obra, tudo começa quando um pai viúvo volta para casa trazendo um pequeno órfão que encontrara na cidade e, que dali em diante, passaria a ser criado junto aos seus filhos. Aqui é importante ressaltar que mesmo se tratando de um romance, com o amor como tema central, em quase 300 páginas o livro aborda assuntos como a escravidão, subserviência, agressão contra a mulher, violência infantil e o funesto desejo de vingança. A obra apresenta uma escrita simples, mas com floreios poéticos que retratam pequenos prazeres da vida bucólica no campo. Um clássico da literatura que evoca no leitor sentimentos como raiva e compaixão.

    2 min
  4. Minuto Leitura: O Alforje

    08/18/2020

    Minuto Leitura: O Alforje

    MINUTO LEITURA: O Alforje De forma mais racional a se pensar, um presságio pode ser encarado como uma análise de sinais ou pela leitura de indícios que se apresentaram em tempo oportuno. Mas se considerarmos as forças invisíveis que regem e sustentam o misticismo e a fé, um presságio pode ser compreendido como uma premonição, profecia ou mesmo por uma forte intuição. E uma vez que esse augúrio toca o coração de uma pessoa, ali se instala uma inquietude que chega até as profundezas da alma. Um sentimento que cresce no peito e clama por mudança, para a evolução. E é disso que se trata o livro “O Alforje”, da escritora iraniana Bahiyyih Nakhjavani e publicado ano 2000. A autora trabalhou como professora, mas atualmente dedica sua carreira profissional na escrita de ensaios e romances. Por todo o livro, podemos perceber a inspiração calcada na cultura do Oriente Médio, com sua história e personagens célebres, o que revela o engajamento com as questões de sua terra natal. Em especial, o Alforje é carregado de uma filosofia religiosa que vai se abrindo aos poucos, com prenúncios auspiciosos à respeito da vida e os sinais que ela nos dá sobre como seguir os caminhos futuros. A escrita é leve, direta e vai gradualmente crescendo em ritmo e discurso até um ápice. O que a literatura de Nakhjavani nos demonstra, também, é a força em não aceitar sem questionar, para que se possa ascender em conhecimento, evoluir em defesa da igualdade racial e a harmonia espiritual entre toda humanidade. Em “O Alforje”, a história se abre ao mesmo tempo em que desnuda a vida e os pensamentos de cada um dos personagens, mostrando suas qualidades e defeitos. Com a filosofia servindo como guia para cada desfecho durante a narração, há muito o que se aprender com as palavras contidas ali. Uma leitura rápida, reflexiva e arrebatadora!

    3 min
  5. Minuto Leitura - Artigo 353 Do Código Penal

    06/22/2020

    Minuto Leitura - Artigo 353 Do Código Penal

    MINUTO LEITURA: Artigo 353 do código Penal Em frente ao juiz, sentado em uma sala simples, mas adequada para que um homem possa descrever os pormenores que o levaram a cometer assassinato e a maneira como consumou o crime. Desta forma se inicia o romance “Artigo 353 do Código Penal”, escrito pelo francês Tanguy Viel. Nele, o personagem Kermeur está narrando os acontecimentos que o incriminam da morte de um empresário, de maneira calma e de modo simples como um interiorano. Assim percorremos uma história de mistério que vai sendo elucidada a medida em que uma investigação transcorre, baseada em uma confissão surpreendente. O livro foi lançado em 2018 e depois publicado no Brasil por meio de incentivo à cultura por parte da embaixada da França no Brasil e do apoio do Ministério francês da Europa e das Relações Exteriores. Com ele é possível acompanhar uma história moderna, com seus dramas e narrativa de reviravoltas, feita por um autor contemporâneo mas já reconhecido e premiado como autor revelação e como um dos escritores mais lidos na França. Sua história cativa pela conversa direta, que vai envolvendo cada importante passo ao longo dos últimos anos da vida de Kermuer. Apesar da linguagem fugaz, o personagem é tomado por momentos de reflexão a respeito de uma série de acontecimentos completamente banais, mas que foram gradualmente tomando conta do seu dia a dia até não ser mais possível viver aquela situação. Quando vista na perspectiva de quem passou pelo desgaste nas relações familiares com a ex-mulher e o filho, o relato mostra toda a dor de quem se sente oprimido e torturado pela fragilidade em ter de tomar decisões e conviver com suas consequências. Desta forma, ao analisar o passado, Tanguy Viel nos convida a refletir a existência do presente.

    2 min
  6. MINUTO LEITURA- O Homem - Abelha De Orn

    06/14/2020

    MINUTO LEITURA- O Homem - Abelha De Orn

    MINUTO LEITURA: O Homem-Abelha de Orn Uma simples pergunta, e bastou apenas ela, para surpreender e projetar sombras repentinas sobre um coração já velho e acostumado com toda uma vida. É possível que o velho nunca tenha refletido sobre o assunto até ser questionado por um viajante sobre o motivo de ter sido transformado. A partir daquele momento, a informação perturbou a mente do idoso a ponto de fazê-lo abandonar sua humilde rotina para iniciar uma viagem que revelasse sua verdadeira origem. Esse é o início da aventura de “O Homem-Abelha de Orn”, publicado em 1887 pelo norte-americano Frank Richard Stockton. Toda a aventura se passa no fantástico país de Orn, um lugar onde a fantasia fica mais evidente em detalhes e na peculiar interação entre as criaturas místicas que aparecem durante a saga do Homem-Abelha. Mesmo sendo feio, desarrumado, encarquilhado, marrom, pobre e parecer que as abelhas eram suas únicas amigas, o velho era feliz. Apesar disso, abandona a tranquilidade e parte em busca da sua verdadeira origem e, porventura, de toda uma outra vida que seja diferente da sua. E esta jornada é feita de encontros inusitados com um que impulsiona o desenrolar da viagem. Assim o país é percorrido desde sua extrema beleza ao local das mais horríveis criaturas, enquanto o idoso pensa e observa. O norte-americano foi jornalista, escritor e humorista de carreira consolidada por uma coletânea de contos de fadas à época considerados modernos e inovadores para adultos e crianças. A escrita de Frank Richard Stockton é agradável e influenciada pela ficção científica e literatura gótica do século XIX. “O Homem-Abelha de Orn” pode ser encarado como uma versão norte-americana para as fantasias produzidas pela Era Vitoriana na Europa. Como um convite para uma profunda reflexão sobre a forma como enxergamos a sociedade, essa obra pode ser, também, apenas uma bela ironia social

    3 min

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