Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à nona frente estratégica: saúde. Além de ser essencial para a qualidade de vida, o setor se tornou uma importante infraestrutura econômica, capaz de movimentar empregos qualificados, pesquisa, inovação, investimentos e produção industrial. O envelhecimento da população e a incorporação de novas tecnologias ampliam ainda mais esse potencial. Pernambuco reúne ativos importantes para avançar nessa direção. O Estado possui um dos principais polos médicos do país, universidades, centros de pesquisa, hospitais, empresas especializadas e um ecossistema de inovação representado pelo Porto Digital. A integração entre esses setores pode fortalecer um Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) de alcance regional, ampliando a produção local e reduzindo vulnerabilidades em cadeias estratégicas. Essa integração também pode aproximar a saúde da indústria pernambucana. O polo têxtil de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, por exemplo, possui potencial para ampliar a fabricação de EPIs, vestuário hospitalar, tecidos técnicos e outros insumos. Ao mesmo tempo, a formação de profissionais em engenharia clínica, saúde digital, automação hospitalar e tecnologias biomédicas pode ampliar a autonomia tecnológica das unidades de saúde do interior. A inovação é outro eixo central dessa estratégia. O estudo prevê a atração de investimentos em biotecnologia, indústria farmacêutica, dispositivos médicos e medicina digital, além da criação de uma plataforma estadual integrando prontuários, regulação, telemedicina, inteligência artificial e monitoramento remoto. A proposta também contempla redes de cuidados continuados e reabilitação, acompanhando as transformações demográficas e o aumento das doenças crônicas. Com a articulação entre assistência, indústria, ciência, tecnologia e formação profissional, Pernambuco pode fortalecer sua capacidade de desenvolver soluções próprias e ampliar sua inserção nas cadeias de inovação em saúde. A criação de um observatório estadual do CEIS ajudaria a acompanhar investimentos, produção, pesquisa, empregos e competitividade, transformando a saúde em uma frente estratégica para o desenvolvimento regional.