Emaranhada

MaJú Mendes

Olá, eu sou Majú Mendes, uma jornalista de 40 anos, em uma nova jornada de reconexão com as minhas emoções por meio da escrita… Sou apenas uma pessoa comum, com pensamentos e sentimentos comuns. Por isso, não crie expectativas. Não espero público, mas se chegou até aqui e irá me fazer mais visitas: agradeço a companhia.

Episodes

  1. 09/10/2023

    A alegria de receber alta

    Sim, meus amigos e amigas, recebi a tão sonhada alta do psiquiatra. O burnout, a ansiedade generalizada, o stress e tudo mais que me afligiu por meses… tudo isso, se tornou página virada na minha vida. Um mês após tomar a decisão de pedir demissão, de compreender o quanto era necessário não retornar ao ambiente e as situações que me adoeceram, de entender a leveza que essa libertação me trouxe, cheguei ao consultório do meu psiquiatra e recebi os parabéns e a alta. Realmente foi incrível e perceptível a minha melhora ao desfazer os nós dos meus emaranhados. Até mesmo a psicóloga me liberou da terapia. O desmame dos remédios aconteceu de forma natural, não tive grandes problemas. Não vou mentir: quando a venlafaxina estava saindo de vez do meu organismo, que era o meu remédio do dia, eu senti a diferença, ou melhor, senti falta do ânimo que a medicação me dava. Acho que é nessa hora que algumas pessoas têm recaída ou acabam se tornando dependentes. Mas eu tinha sido bem orientada pelos profissionais que me acompanhavam, eu sabia que o momento ocorreria e estava recuperada o suficiente para ter toda essa compreensão. Então, resisti e segui. Não precisei mais dos remédios noturnos, nem para dormir, nem para diminuir a ansiedade que gerava os pesadelos. Até passei a ter sonhos bonitinhos e acordo me sentindo descansada. A vida seguiu o seu fluxo natural e o meu único desejo de ano novo realizou-se: recuperei a minha saúde mental. Sabe, nesse mesmo período do ano passado, o meu corpo já dava vários sinais claros que não estava mais suportando, minha mente já tinha verbalizado para a direção o sentimento que meu tempo na empresa estava chegando ao fim. Eu sei que poderia ter pedido demissão naquele momento. Era o que eu queria ter feito desde o início de 2022, sempre falava isso para a minha equipe. Durante um tempo, joguei a culpa da minha insistência de continuar em desculpas que quis criar como justificativa. Mas hoje entendo que eu não tinha saúde mental, naquele momento, para transformar a decisão em um fato. A verdade é que eu já tinha passado do meu limite, já estava emaranhada demais nas minhas emoções e só iria parar se acontecesse o que aconteceu. Eu nunca irei me esquecer daquela última sexta-feira de setembro. Da sensação de pavor sufocante. Mas, mesmo assustada, eu fui trabalhar no dia seguinte. Se não fosse a crise de pânico na segunda-feira e a insistência do meu marido em aferir minha pressão, talvez o susto teria sido pior. Eu tive apoio, amparo, acompanhamento profissional e tudo isso contribuiu para cada pequena vitória que resultou na minha alta. Mesmo nos dias de agonias solitárias, de medos silenciosos, de julgamentos, eu fui amparada por uma força chamada fé. As minhas orações eram sempre para que Deus aumentasse a minha fé e que ela me sustentasse. Eu posso testemunhar que tive a minha fé renovada e fortificada. Os dias de glória chegaram e Deus me honrou. E não falo somente com relação a saúde, mas isso é um assunto para outro momento. Estou de volta. E não poderia reiniciar esse espaço sem comunicar a minha alta médica. Afinal, este blog/podcast foi criado por conta do meu diagnóstico, por isso, nada mais justo do que começar dizendo que venci... de poder responder de coração que estou ótima. Muitas coisas aconteceram nesses meses de sumiço. 2023 tem sido um ano novo e surpreendente, e prometo compartilhar esse emaranhado de surpresas da vida por aqui. Eu tive sorte, eu tive fé e uma bagagem psicológica que me oportunizaram já ter conquistado a minha alta. Mas sei que tem muitas pessoas por aí que não têm a mesma sorte ou a mesma bagagem ou o mesmo amparo e, principalmente, o recurso financeiro necessário para ter os mesmos cuidados.  Desejo que você também consiga vencer o seu momento, porque você também é capaz. Deus também irá te honrar. Creia e lute por você!

    A alegria de receber alta
  2. 03/01/2023

    Você me inspira!

    "Você me inspira!" Você pode até nunca ter escutado essa frase na sua vida, mas acredite, alguém já se sentiu ou se sente inspirado por você. Afinal, somos seres incríveis. Ao longo da minha vida, tive o privilégio de conhecer muitas pessoas inspiradoras. Na época em que cursava a faculdade, enquanto apurava mais uma matéria para o jornal laboratório sobre o trabalho realizado pelo Abrigo Esperança de Governador Valadares - aliás, abraços para a Zélia, fundadora da instituição - conheci um senhor que estava lutando contra o câncer. Não me recordo do seu nome, mas lembro bem da expressão do rosto sereno, dele levantando a barra da calça - todo risonho - para provar que tinha perdido todo o pelo do corpo, exceto o farto e brilhante cabelo branco… e aquela fala mansa, de quem descobriu que a vida é rara demais para termos pressa. Em todo o momento da nossa conversa, aquele senhor se concentrou em me contar coisas positivas, como os momentos felizes que passou com sua família e amigos. A sua alegria e esperança, mesmo vivendo um momento tão difícil, foram os elementos perfeitos para uma das conversas mais inspiradoras da minha vida. Atenção: não são apenas as pessoas que enfrentam grandes desafios ou fazem grandes feitos que inspiram outras. Às vezes, a simples bondade ou atitude de alguém pode nos tocar profundamente. No ano passado, cheguei à secretaria do meu local de trabalho e presenciei uma amiga, a Romênya, realizando um atendimento. Naquele dia, ao vê-la passar as informações com a sua doçura e presteza, me senti inspirada a continuar melhorando o meu trabalho como comunicadora. Sim, todos nós temos o potencial de ser uma fonte de inspiração para alguém. Outro dia, o Diego Dunga, também jornalista, disse que se sentiu inspirado a voltar a escrever em seu blog “Conversas sobre filmes” por causa do Emaranhada… o meu Emaranhada. Eu fiquei até sem palavras, sério. Mas sabe, nem sempre as pessoas falam isso abertamente e, com isso, não temos noção do quanto cada um de nós é um ser importante e especial. Quantas vezes deixamos de expressar a nossa admiração para alguém, de dizer o quanto aquela pessoa nos inspira?! Olha, eu faço isso diariamente. Preciso confessar: fiz isso com a Romênya. Ela vai saber que me inspirou aqui. Eu sei que as pessoas podem parecer emaranhadas, frias ou confusas, - eu mesmo sou a emaranhada em pessoa - mas se olharmos de perto, podemos ver que cada uma contribui de alguma forma para nos inspirar e motivar, nos dando a força necessária para seguirmos em frente em nossas jornadas. Você é uma pessoa inspiradora. Neste exato momento, alguma ação sua, está motivando alguém, acredite. Você pode não saber quem é essa pessoa ou onde ela está, mas tenha certeza de que ela ou elas existem. Por isso, continue seguindo seu caminho e fazendo o que você ama. Continue escrevendo, dançando, cozinhando, cantando, estudando, correndo, treinando, levando alegria aos hospitais, ajudando os animais abandonados… enfim, continue… só continue. E se puder, tire um minutinho para dizer para quem te inspira sobre a sua admiração, talvez ela esteja precisando dessa motivação.

    Você me inspira!
  3. 12/06/2022

    Papo de pet: 3 cachorras e 1 apartamento!

    Três cachorras e um apartamento… Sim, você não leu errado. Parece loucura, mas juro que não é. A primogênita é a Lulu, uma shitzu de 10 anos, com temperamento único, um pouco ácido, mas dócil. Antes da chegada das “irmãs”, ela se bastava. Meu marido e eu brincávamos que a Lulu era uma cachorra de enfeite, quase inexistente, pois não latia, só nos dava atenção quando queria e só expressava uma emoção maior quando percebia que iria dar um passeio na rua… basta balançar a coleira, que ela fica toda ofegante de felicidade. No início deste ano, a Mel chegou. Uma golden retriever, a mais feliz, atrapalhada, curiosa e destruidora que conheço. Uma gigante filhote de agora 10 meses e que no momento pesa um pouco mais de 25 quilos. A ideia é que ela fizesse companhia para a Lulu, mas não funcionou bem assim, pelo ao menos no começo. A Lulu até demonstrava uma certa preocupação quando observava a Mel nadar no rio e teve seu momento de cuidar da nossa louca filhote, quando a mesma fraturou e precisou operar uma das pernas. Mas a nossa velhinha se irritava com as brincadeiras e não aceitava os carinhos da Mel. Então, meu marido decidiu que a gente precisava da Chica. Sim, ele escolheu o nome antes de encontrar o novo filhote e antes de me convencer a aceitar mais uma dog no nosso apartamento. Demorou, ele precisou insistir bastante, mas aceitei. E que bom que aceitei. A Chica é a filhotinha de border collie mais atrevida, corajosa e golpista fofa que existe. Em pouco tempo, a nova integrante da família conseguiu mudar toda a configuração. A Chica se transformou em uma ponte entre a Mel e a Lulu. Com muita insistência fofa, ela dobrou a nossa velhinha e ganhou o coração de todo mundo. Juntas, elas são o trio que enche esse apartamento, ou melhor, enche as nossas vidas de alegrias. Minhas mini grandiosas terapeutas, que me transformaram naquilo que eu mais temia: a quarentona mãe de dogs. Mas como não amar as carinhas da Mel, os olhares esnobes da Lulu e a cara de sapeca da Chica? Impossível! Animais fazem parte das minhas primeiras lembranças. Meus pais amavam todo tipo de bichinho. Até pato e um galo nós tivemos. Foram muitos gatos e cachorros, mas uma única maritaca. A Camile foi a minha última dog, ou quase, pois teve a Pantera que, infelizmente, só tive como companhia por dois meses… a leishmaniose a levou e meio que tranquei meu coração. Não suportava a ideia de ter outro bichinho e vê-lo partir. A Lulu já era do meu marido, já a conheci com três ou quatro anos. A partir do momento que passamos a dividir o mesmo teto durante a pandemia e, principalmente, após me mudar definitivamente para cá no início do ano e assinarmos nossa união estável, assumi o meu papel de madrasta na vida na Lulu. Quando a Mel chegou, eu pude reviver a alegria de cuidar de uma filhotinha, de ensinar a fazer as coisas, de passar raiva com as teimosias. A Chica já me pegou mais treinada e encontrou meu marido mais protetor e paciente. Tanto que quando chamo a atenção de alguma, todas correm para os pés dele, porque ele sempre mima e fala que preciso entendê-las. Três cachorras e um apartamento… Sim, são três cachorras em um apartamento, dá trabalho… com certeza! Mas isso me faz feliz, pois sem elas seriam só paredes e móveis, além dos meus fios emaranhados de sentimentos e pensamentos. Com elas eu encontro carinho, paz e companhia, uma terapia diária com base no amor e no cuidado, que me ajuda a seguir acreditando na vida. E você?! Tem ou já teve algum pet que era o seu suporte emocional? Eu tenho três: três cachorras e um apartamento!

    Papo de pet: 3 cachorras e 1 apartamento!
  4. 11/23/2022

    Eu quero que você faça terapia!

    “Eu quero que faça terapia.” O pedido do meu médico foi mais que uma indicação, soou para mim como uma ordem,  quase um apelo. Ele é meu clínico geral já tem mais de 5 anos, mas aquela era a primeira vez que a consulta abrangia a sua outra especialidade: a psiquiatria. O nome dessa profissão, não deveria, mas assusta né?! O jugo comum a intitulou como “médico para doido”. Você já deve ter ouvido ou até mesmo proferido algo nesse  sentido: “Ir no psiquiatra para quê? Não estou maluca!” Como já disse, por mais que o termo saúde mental tenha saído do armário e invadido o mundo, infelizmente os estigmas ainda existem - firmes - na nossa cultura.  Mas, como eu não sou especialista da área, não falarei sobre termos, diagnósticos e tratamentos. Não, esse não é meu objetivo. Meu objetivo é simplesmente compartilhar a minha vivência para encontrar conforto nas minhas palavras e, se por acaso, o que escrevo e narro tocar alguém, é apenas reflexo desse mundo em que nos calamos e nos emaranhamos nas emoções. “Eu quero que faça terapia.” Aquela indicação não chegou aos meus ouvidos como novidade. Acredito na terapia, fiz em outros momentos da minha vida e acredito que todo mundo deveria fazer. Esse ato de sentar em um cadeira ou poltrona ou deitar em um divã e contar para outra pessoa - que você nunca viu na vida - sobre suas vivências, sentimentos e emoções. Tenho vivido esses momentos de forma semanal e por horas. E, ao mesmo tempo que faço meus relatos, me ouço. É um confronto, um reconhecer, um momento de atentar para situações que deixei passar, que fingi não ter acontecido. Revisito momentos do passado para buscar a compreensão do agora, para entender as mudanças, como estou e como cheguei até aqui. Para mim, terapia é movimentar a mente, bagunçar as caixas de sentimentos para organizar, repensar ou jogar fora. A minha terapia foge das paredes do consultório… é também o meu ato de deixar no papel os ajustes, as lembranças e os sentimentos dessa movimentação.  O processo de desemaranhar me confronta e traz dores, ao mesmo tempo que me conforta e traz alegrias e alívios. “Eu quero que faça terapia.” Uma das fases que esse emaranhado da vida me trouxe e que sei que não estou sozinha… tudo passa, nós passaremos e seguiremos ainda mais firmes!

    Eu quero que você faça terapia!
  5. 11/13/2022

    Apenas duas gotas!

    "Apenas duas gotas!" Essa foi a frase que determinou em minha mente que eu, realmente, precisava de ajuda e que, também, estava iniciando o processo de ser ajudada. Quem nunca se sentiu emaranhada nas próprias emoções e pensamentos, que atire a primeira pedra. O mundo pós-pandemia é um mundo sem freios… de muitas intensidades e quereres desmedidos. Falta a humanidade que se prega, falta a concretização dos belos discursos sobre empatia. A velocidade da instantaneidade, aumentou.  Vivemos um tempo em que o planejamento é o agora, sem medir palavras, efeitos e consequências. Nesse percurso de expectativas e responsabilidades, eu tropecei. Me emaranhei nas vésperas da maturidade dos meus jovens 40 anos… deve ser por isso que consegui perceber que dessa vez eu não daria conta de me levantar sozinha, porque já estava fazendo isso há muito tempo. Me vesti da coragem que muitas vezes nos falta e bati na porta do meu médico para entender o quê a minha pele, sono, cabeça, estômago, enfim, o quê o meu corpo estava tentando me dizer. O veredito: eu precisava de pausa, pois no ritmo em que eu estava, não iria durar os 120 anos que pretendo, nem chegaria perto da metade disso. Por que é tão difícil respeitar o nosso próprio tempo? Por que é tão fácil entender o repouso para curar um resfriado, mas é inaceitável darmos a mesma  atenção à nossa mente? Saúde mental é pauta constante nos noticiários, nas rodas de conversas, em todos os ambientes de lazer e trabalho. Então por que ainda é tão estigmatizada a ponto de nós mesmos recusarmos um CID que aponte uma depressão, stress, ansiedade, dentre outros diagnósticos? Se já nos tornamos “especialistas” no assunto, acredito que precisamos começar a levar o entendimento sobre saúde mental para o campo das ações concretas, sem julgamentos e preconceitos. Bem, ao menos eu penso assim. Apenas duas gotas de um tarja preta, mais alguns remédios, muita terapia e aceitação do meu momento de pausa… stress e ansiedade não são um resfriado e precisa da sua atenção. Se você tem algum diagnóstico no campo da saúde mental, é hora de aceitar que precisa de ajuda e se permitir ser ajudada. Você é a pessoa mais importante da sua vida!

    Apenas duas gotas!
  6. 11/03/2022

    Tire suas emoções do abstrado!

    Sabe quando você para, em silêncio, com o olhar perdido ou centrado em absolutamente nada… e fica assim, apenas escutando a própria mente…? Essa sou eu… dona de uma mente que não é muito boa de emitir voz externa, mas que não cala a boca em nenhum segundo do dia. De fato, nunca fui de conversar muito. Não falo das conversas corriqueiras e brincadeiras cotidianas… mas sim do ato de conversar, o diálogo em si, a ação de falar e se abrir. Eu, realmente, nunca fui muito boa nisso, acredite. “Tire as suas emoções do abstrato e as passe para o concreto." Quantas vezes você já ouviu esse conselho? Eu ouvi inúmeras vezes. Acho que foi por isso que o Jornalismo se tornou opção quando a vida me oportunizou o curso superior. Escrever é dar a voz à minha alma, sempre foi assim, desde pequena. Uma forma de me perder entre as palavras e, ao mesmo tempo, me encontrar em meio às frases. Não sei você, mas é assim que consigo concretizar os sentimentos e alinhar meus pensamentos. Por isso percebi que a casa estava bagunçada demais (hoje completa um mês que estou de licença por ansiedade e estresse), porque parei de falar por meio da escrita. Agora, mais uma vez e de mansinho, tento retornar ao meu refúgio. Um dia de cada vez, pois foi pela pressa das responsabilidades cotidianas que me emaranhei nas emoções. E nesse emaranhado em que me encontro, busco voltar a escutar os conselhos que saem da minha escrita e que talvez valham para você: Reduza a velocidade, observe a vida pela janela - por aqui, a chuva cai fria, mansa e constante - respire bem fundo e siga no seu tempo! Eu estou seguindo…

    Tire suas emoções do abstrado!

About

Olá, eu sou Majú Mendes, uma jornalista de 40 anos, em uma nova jornada de reconexão com as minhas emoções por meio da escrita… Sou apenas uma pessoa comum, com pensamentos e sentimentos comuns. Por isso, não crie expectativas. Não espero público, mas se chegou até aqui e irá me fazer mais visitas: agradeço a companhia.