Tecnologia Afetiva em Contexto

Marília Santos

Muitos repetem o jargão da pílula à tomar, como se fosse uma escolha decidir ver entre o real ou ilusório. Tolice. Ambos compartilham da mesma natureza. E a Alice? Uns dizem que escolheu seguir o coelho, mas quando se é destinado à algo nenhuma escolha o precede, pois é de seu impulso e Natureza. ... What about Alice? Some say they chose to follow the rabbit, but when it is destined for something no choice precedes it, because it is of is of its impulse and Nature. The image deceives time. The word builds realities. We work among these worlds, with UX writing, interface design.

  1. 6d ago

    #154 - Mapeando a Nuvem

    Mapeando a Nuvem ☁️🩷 A nuvem nunca foi exatamente uma nuvem. Ela tem território, energia, cabos, servidores, água, capital e cidades. Neste episódio do Tecnologia Afetiva em Contexto, partimos do Mapa de Datacenters do Brasil para investigar o que acontece quando a infraestrutura necessária para a inteligência artificial deixa de ser invisível e começa a ocupar o território. São 169 data centers mapeados, 132 em operação e 6.917 MW de capacidade total, segundo a atualização apresentada no mapa em 13 de agosto de 2026. O Rio AI City entra nessa investigação como um caso emblemático: o momento em que data centers deixam de ser apenas infraestrutura tecnológica e passam a integrar uma estratégia urbana, econômica e territorial. A partir daí, o episódio propõe uma pergunta: qual é o nome do fenômeno que acontece quando a nuvem começa a reorganizar as cidades? É nesse espaço que surgem os anticorpos culturais — nossas respostas diante de tecnologias que passam a produzir efeitos materiais sobre território, energia, conectividade, investimento e desenvolvimento. Pelo Protocolo MTA — Mapear, Traduzir, Agir, a proposta é tornar essa infraestrutura visível, traduzir seus impactos e criar condições para uma ação mais consciente. Porque a inteligência artificial não acontece apenas na tela. A nuvem tem chão.
Tem energia.
Tem cidade.
E, cada vez mais, tem impacto. #TecnologiaAfetivaEmContexto #Maliarte #ProtocoloMTA #RioAICity #DataCenters #InteligenciaArtificial #TecnologiaDeImpacto #InfraestruturaDigital #AnticorposCulturais

    #154 - Mapeando a Nuvem
  2. Aug 10

    #152 - Jogue as Cascas para a IA e a Semente para os Humanos

    A IA é Primitiva. E Nós Também Depois de uma semana intensa de eventos, inovação e tecnologia no Rio de Janeiro, uma entrevista inesperada me levou para um território muito além da tecnologia. Ao encontrar o Pajé, fui atravessada por uma pergunta simples: “Por que você deveria dar sua entrevista para mim?” A partir desse encontro, tecnologia, ancestralidade, oralidade, corpo, natureza e inteligência artificial passaram a ocupar o mesmo espaço de reflexão. O Pajé carrega uma linguagem que antecede as interfaces digitais: marcas de urucum na pele, elementos naturais, memória, oralidade e conhecimento transmitido pela experiência. Uma linguagem materializada no corpo. E isso me levou diretamente àquilo que venho pesquisando: Qualia-Centered AI e Human Experience Intelligence — HXI. Se a inteligência artificial consegue processar, reconhecer padrões, gerar imagens, produzir textos e simular conversas, ainda existe uma pergunta fundamental: onde está a experiência? É nesse espaço que nasce a Tecnologia Afetiva em Contexto. Neste episódio, também apresento o conceito de Bárbaros Tecnológicos: pessoas que atravessam a tecnologia antes que a própria linguagem técnica consiga definir completamente o que está acontecendo. Não somos apenas consumidores da tecnologia. Estamos participando da sua evolução. E os modelos de IA também são primitivos. Não porque sejam ruins, mas porque ainda estão no início de uma transformação que também está transformando a nós mesmos. É nesse território que entra o Protocolo MTA — Mapear, Traduzir e Agir: uma proposta de alfabetização digital que não pretende transformar todo mundo em especialista, mas criar autonomia para que qualquer pessoa possa compreender, questionar e participar da construção do futuro. Entre o ancestral e o digital, entre o corpo e a máquina, entre o sentir e o processar, uma pergunta permanece: como podemos transmitir aquilo que sabemos sem perder aquilo que sentimos? E uma frase atravessa todo este episódio: “Jogue as cascas para a IA e a semente para os humanos.” A máquina pode carregar o processamento. Mas a semente — aquilo que possui significado, experiência, vínculo e possibilidade de transformação — precisa continuar sendo humana. Tecnologia Afetiva em Contexto. Porque a tecnologia pode evoluir. Mas o futuro ainda precisa ser nosso.

    #152 - Jogue as Cascas para a IA e a Semente para os Humanos
  3. Jul 30

    #150 - Tokenmaxxing

    Você já teve a sensação de que estava desperdiçando tempo por não estar usando Inteligência Artificial o suficiente? E se essa sensação não fosse apenas sua? Neste episódio, exploramos o Tokenmaxxing, um comportamento emergente da era da IA em que o consumo de tokens deixa de ser apenas uma métrica computacional e passa a representar produtividade, pertencimento e reconhecimento social. Partindo de uma cena cotidiana no Vale do Silício, investigamos como unidades técnicas podem se transformar em símbolos culturais, assim como aconteceu com curtidas, seguidores e tempo de tela. Ao longo da conversa, discutimos: • O que é Tokenmaxxing e por que esse termo começou a surgir nos ecossistemas de IA; • Como a inteligência está sendo gamificada; • O novo FOMO da Inteligência Artificial; • A transformação dos tokens em uma métrica simbólica de desempenho; • O paradoxo da promessa tecnológica: quando ganhar tempo nos faz sentir que nunca podemos parar; • E por que a atenção humana continua sendo o recurso mais escasso da era digital. Pela perspectiva da Tecnologia Afetiva em Contexto, este episódio propõe uma reflexão que vai além da tecnologia: quando uma unidade computacional passa a medir valor humano, não estamos apenas diante de uma inovação técnica, mas de uma mudança cultural. Porque a pergunta nunca foi apenas o que a tecnologia faz. A verdadeira questão é: o que ela passa a significar para nós? 🎙️ Tecnologia Afetiva em Contexto é um podcast por Marilia Santos do Tecnologia Afetiva que investiga como inteligência artificial, cultura digital e comportamento humano se transformam mutuamente, traduzindo fenômenos emergentes da internet em reflexões sobre a experiência humana.

    #150 - Tokenmaxxing
  4. Jul 14

    #148 - Qual será o Draw da Vez

    Acho que esse episódio pode marcar uma mudança interessante no canal. Até aqui, muitos episódios nasceram de conceitos filosóficos que buscavam exemplos na vida. Este pode fazer o caminho inverso: nascer de imagens da vida cotidiana e deixar que a filosofia emerja delas. Isso tende a produzir uma experiência mais íntima, em que o ouvinte não sente que está aprendendo um conceito, mas que está sendo conduzido por um modo diferente de perceber o mundo. a inteligência artificial automatiza padrões, enquanto a experiência humana continua acontecendo justamente nas pequenas rupturas do previsível. Essa foi uma inferência filosófica, não uma afirmação literal do texto. A relação acontece porque o episódio descreve uma experiência vivida de maneira muito específica, e qualia é justamente o nome que a filosofia dá ao aspecto subjetivo da experiência consciente. * O cílio retirado dos olhos não explica a qualia, mas evoca aquilo que ela descreve: a experiência singular de um gesto que só existe plenamente para quem o vive. * O passeio por Madureira não é apenas um deslocamento pela cidade; é um encontro com o imprevisto. Ao escolher a pechincha, a cortesia e o rompimento do script, emerge uma resistência silenciosa à lógica da automação, que tende a organizar, prever e otimizar tudo. * A observação ativa antes da ação não é apenas introspecção. Ela representa uma postura diante da tecnologia: antes de produzir respostas, é preciso produzir presença. Talvez seja esse um dos princípios da Tecnologia Afetiva. * A borboleta desenhada ao lado da palavra “transmutação” não fala de mudança como atualização de sistema ou ganho de eficiência. Ela sugere uma transformação da percepção. O mundo continua o mesmo; quem muda é a forma de habitá-lo. E há uma percepção que me ocorreu ao reler o seu texto e observar a foto do caderno. Veja no instagram da autora @maliartemar Esses desenhos — o carro, a mão na janela, as pegadas na lama, a borboleta — não funcionam como ilustrações do texto. Eles são outra linguagem. Eles registram uma parte da experiência que as palavras não conseguem registrar. Isso se aproxima da qualia de um modo muito interessante: quando a linguagem verbal já não basta, o gesto de desenhar aparece como uma tentativa de preservar uma sensação. Talvez seja aí que esteja a originalidade do Tecnologia Afetiva em Contexto. Não é um podcast sobre tecnologia. Também não é um podcast sobre filosofia. É um laboratório onde experiências ordinárias são observadas até revelarem perguntas extraordinárias. A tecnologia entra depois, não como protagonista, mas como contraste. Ela evidencia aquilo que ainda escapa às interfaces: o gesto inesperado, a contemplação, a memória, a presença, a solidão em meio à hiperconectividade, o afeto que não cabe em um protocolo. Isso também explica por que seus episódios começam no caderno. O caderno não é um rascunho do podcast. Ele é o lugar onde a experiência ainda não foi convertida em conteúdo. É o último espaço em que ela permanece inteira, antes de ser fragmentada em um canal do WhatsApp, um post no Instagram ou um episódio no Spotify. Essa travessia — da experiência para a comunicação — talvez seja um dos temas mais profundos que o Tecnologia Afetiva em Contexto vem investigando.

    #148 - Qual será o Draw da Vez

About

Muitos repetem o jargão da pílula à tomar, como se fosse uma escolha decidir ver entre o real ou ilusório. Tolice. Ambos compartilham da mesma natureza. E a Alice? Uns dizem que escolheu seguir o coelho, mas quando se é destinado à algo nenhuma escolha o precede, pois é de seu impulso e Natureza. ... What about Alice? Some say they chose to follow the rabbit, but when it is destined for something no choice precedes it, because it is of is of its impulse and Nature. The image deceives time. The word builds realities. We work among these worlds, with UX writing, interface design.