Tecnologia Afetiva em Contexto

Marília Santos

Muitos repetem o jargão da pílula à tomar, como se fosse uma escolha decidir ver entre o real ou ilusório. Tolice. Ambos compartilham da mesma natureza. E a Alice? Uns dizem que escolheu seguir o coelho, mas quando se é destinado à algo nenhuma escolha o precede, pois é de seu impulso e Natureza. ... What about Alice? Some say they chose to follow the rabbit, but when it is destined for something no choice precedes it, because it is of is of its impulse and Nature. The image deceives time. The word builds realities. We work among these worlds, with UX writing, interface design.

  1. Sep 4

    #155 - Existe Qualia entre nós

    Decompondo a imagem-símbolo: humano, máquina e construção de significado Neste episódio, damos continuidade à pesquisa sobre a relação entre preferência humana, interface digital e construção de significado na interação humano-máquina. A proposta é decompor a imagem-símbolo que representa este estudo: não apenas como uma composição visual, mas como uma manifestação capaz de condensar as camadas conceituais que atravessam o trabalho. O ponto de partida é o Protocolo MTA — Mapear, Traduzir e Agir, aplicado à investigação da tecnologia afetiva em contexto. Estamos mapeando o comportamento de diferentes modelos de inteligência artificial diante da interface e buscando compreender o que acontece quando uma experiência que historicamente foi construída pela percepção humana passa a ser mediada — e também produzida — por máquinas. Existe um gap fundamental nessa transição. Durante a minha formação em História da Arte, entrei em contato com uma vasta literatura sobre subjetividade, percepção e materialização da experiência humana: da arquitetura às manifestações mais primitivas, como as pinturas rupestres. A historiografia da arte é, em grande medida, uma historiografia da relação humana com aquilo que o próprio humano produz para representar, interpretar e transformar o mundo. Mas esse paradigma mudou. A máquina deixou de ocupar apenas o lugar de ferramenta. Cinema, fotografia, computador e sistemas algorítmicos passaram a participar da própria construção da experiência subjetiva. Essa discussão atravessa também o meu primeiro livro, Os Mecanismos Tecnológicos por Trajetória da Arte, no qual proponho pensar o mecanismo tecnológico como manifestação artística e como parte dessa trajetória de construção da percepção. Depois de mais de 150 episódios investigando essas relações, a pergunta permanece aberta: o que acontece quando as pessoas se tornam cada vez mais condicionadas por mecanismos e as máquinas, cada vez mais capazes de produzir comportamentos que reconhecemos como humanos? Aqui, máquina é compreendida em um sentido mais amplo: aquilo que é programado, condicionado por uma rotina ou submetido a uma construção de sentido limitada por fatores externos. A imagem-símbolo deste estudo nasce justamente desse tensionamento. Decompô-la é, portanto, decompor o próprio problema: entender quais elementos constituem a nossa percepção diante da interface, quais significados atribuímos às máquinas e em que momento a tecnologia deixa de ser apenas meio para se tornar parte ativa da experiência humana. Tecnologia Afetiva em Contexto — Episódio 155. Protocolo MTA: Mapear. Traduzir. Agir.

    #155 - Existe Qualia entre nós
  2. Aug 26

    #154 - Mapeando a Nuvem

    Mapeando a Nuvem ☁️🩷 A nuvem nunca foi exatamente uma nuvem. Ela tem território, energia, cabos, servidores, água, capital e cidades. Neste episódio do Tecnologia Afetiva em Contexto, partimos do Mapa de Datacenters do Brasil para investigar o que acontece quando a infraestrutura necessária para a inteligência artificial deixa de ser invisível e começa a ocupar o território. São 169 data centers mapeados, 132 em operação e 6.917 MW de capacidade total, segundo a atualização apresentada no mapa em 13 de agosto de 2026. O Rio AI City entra nessa investigação como um caso emblemático: o momento em que data centers deixam de ser apenas infraestrutura tecnológica e passam a integrar uma estratégia urbana, econômica e territorial. A partir daí, o episódio propõe uma pergunta: qual é o nome do fenômeno que acontece quando a nuvem começa a reorganizar as cidades? É nesse espaço que surgem os anticorpos culturais — nossas respostas diante de tecnologias que passam a produzir efeitos materiais sobre território, energia, conectividade, investimento e desenvolvimento. Pelo Protocolo MTA — Mapear, Traduzir, Agir, a proposta é tornar essa infraestrutura visível, traduzir seus impactos e criar condições para uma ação mais consciente. Porque a inteligência artificial não acontece apenas na tela. A nuvem tem chão.
Tem energia.
Tem cidade.
E, cada vez mais, tem impacto. #TecnologiaAfetivaEmContexto #Maliarte #ProtocoloMTA #RioAICity #DataCenters #InteligenciaArtificial #TecnologiaDeImpacto #InfraestruturaDigital #AnticorposCulturais

    #154 - Mapeando a Nuvem
  3. Aug 10

    #152 - Jogue as Cascas para a IA e a Semente para os Humanos

    A IA é Primitiva. E Nós Também Depois de uma semana intensa de eventos, inovação e tecnologia no Rio de Janeiro, uma entrevista inesperada me levou para um território muito além da tecnologia. Ao encontrar o Pajé, fui atravessada por uma pergunta simples: “Por que você deveria dar sua entrevista para mim?” A partir desse encontro, tecnologia, ancestralidade, oralidade, corpo, natureza e inteligência artificial passaram a ocupar o mesmo espaço de reflexão. O Pajé carrega uma linguagem que antecede as interfaces digitais: marcas de urucum na pele, elementos naturais, memória, oralidade e conhecimento transmitido pela experiência. Uma linguagem materializada no corpo. E isso me levou diretamente àquilo que venho pesquisando: Qualia-Centered AI e Human Experience Intelligence — HXI. Se a inteligência artificial consegue processar, reconhecer padrões, gerar imagens, produzir textos e simular conversas, ainda existe uma pergunta fundamental: onde está a experiência? É nesse espaço que nasce a Tecnologia Afetiva em Contexto. Neste episódio, também apresento o conceito de Bárbaros Tecnológicos: pessoas que atravessam a tecnologia antes que a própria linguagem técnica consiga definir completamente o que está acontecendo. Não somos apenas consumidores da tecnologia. Estamos participando da sua evolução. E os modelos de IA também são primitivos. Não porque sejam ruins, mas porque ainda estão no início de uma transformação que também está transformando a nós mesmos. É nesse território que entra o Protocolo MTA — Mapear, Traduzir e Agir: uma proposta de alfabetização digital que não pretende transformar todo mundo em especialista, mas criar autonomia para que qualquer pessoa possa compreender, questionar e participar da construção do futuro. Entre o ancestral e o digital, entre o corpo e a máquina, entre o sentir e o processar, uma pergunta permanece: como podemos transmitir aquilo que sabemos sem perder aquilo que sentimos? E uma frase atravessa todo este episódio: “Jogue as cascas para a IA e a semente para os humanos.” A máquina pode carregar o processamento. Mas a semente — aquilo que possui significado, experiência, vínculo e possibilidade de transformação — precisa continuar sendo humana. Tecnologia Afetiva em Contexto. Porque a tecnologia pode evoluir. Mas o futuro ainda precisa ser nosso.

    #152 - Jogue as Cascas para a IA e a Semente para os Humanos
  4. Jul 30

    #150 - Tokenmaxxing

    Você já teve a sensação de que estava desperdiçando tempo por não estar usando Inteligência Artificial o suficiente? E se essa sensação não fosse apenas sua? Neste episódio, exploramos o Tokenmaxxing, um comportamento emergente da era da IA em que o consumo de tokens deixa de ser apenas uma métrica computacional e passa a representar produtividade, pertencimento e reconhecimento social. Partindo de uma cena cotidiana no Vale do Silício, investigamos como unidades técnicas podem se transformar em símbolos culturais, assim como aconteceu com curtidas, seguidores e tempo de tela. Ao longo da conversa, discutimos: • O que é Tokenmaxxing e por que esse termo começou a surgir nos ecossistemas de IA; • Como a inteligência está sendo gamificada; • O novo FOMO da Inteligência Artificial; • A transformação dos tokens em uma métrica simbólica de desempenho; • O paradoxo da promessa tecnológica: quando ganhar tempo nos faz sentir que nunca podemos parar; • E por que a atenção humana continua sendo o recurso mais escasso da era digital. Pela perspectiva da Tecnologia Afetiva em Contexto, este episódio propõe uma reflexão que vai além da tecnologia: quando uma unidade computacional passa a medir valor humano, não estamos apenas diante de uma inovação técnica, mas de uma mudança cultural. Porque a pergunta nunca foi apenas o que a tecnologia faz. A verdadeira questão é: o que ela passa a significar para nós? 🎙️ Tecnologia Afetiva em Contexto é um podcast por Marilia Santos do Tecnologia Afetiva que investiga como inteligência artificial, cultura digital e comportamento humano se transformam mutuamente, traduzindo fenômenos emergentes da internet em reflexões sobre a experiência humana.

    #150 - Tokenmaxxing

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Muitos repetem o jargão da pílula à tomar, como se fosse uma escolha decidir ver entre o real ou ilusório. Tolice. Ambos compartilham da mesma natureza. E a Alice? Uns dizem que escolheu seguir o coelho, mas quando se é destinado à algo nenhuma escolha o precede, pois é de seu impulso e Natureza. ... What about Alice? Some say they chose to follow the rabbit, but when it is destined for something no choice precedes it, because it is of is of its impulse and Nature. The image deceives time. The word builds realities. We work among these worlds, with UX writing, interface design.