Amazônia Latitude | Humanidades Ambientais

Amazônia Latitude

Podcast da Amazônia Latitude, uma revista digital independente, produzida em colaboração por estudantes de pós-graduação, professores e pesquisadores de várias instituições do Brasil e do mundo. Situada no campo das Humanidades Ambientais, somos uma plataforma crítica, que cultiva uma leitura interdisciplinar da Amazônia e da Pan-Amazônia em seus processos históricos, socioculturais e políticos, com o propósito de examinar e demonstrar o desenvolvimento de uma violência lenta sobre as culturas e territórios da região, assim como pensar outras possibilidades para a floresta e seus povos.

  1. 4d ago

    Utopias Amazônicas #09 | José Ángel Quintero Weir — Filosofia da chave da água para um novo horizonte ético

    Ao navegar, o povo Añuu ensina que não há caminho pré-traçado pela frente: há apenas a bruma que as embarcações desenham sobre as águas e a memória ancestral que deixamos atrás de nós. O futuro não é o que vem, é o que resgatamos para sustentar o presente. No nono episódio da série especial Utopias Amazônicas: Conversas com os Autores, o LatitudeCast recebe o professor, escritor e pensador indígena José Ángel Quintero Weir, membro do povo Añuu — habitantes originários do Grande Lago de Maracaibo e seus afluentes, na Venezuela. Doutor em Estudos Latino-Americanos pela UNAM e docente aposentado da Universidade de Zulia, Quintero Weir impulsiona iniciativas de educação intercultural e autônoma na região. No livro Utopias Amazônicas, o professor assina o ensaio “Fazer Utopia: filosofia da chave da água para um novo horizonte ético”. A partir do sentir-pensar añuu, o texto desconstrói a utopia ocidental como um “não lugar” abstrato e propõe a potência do Fazertopia — a prática comunitária e cotidiana de produzir e reproduzir o território. Conversamos sobre o conceito de Eirare (o lugar de ver com a totalidade do corpo e do espírito), a força vital do Aryuu que brota do coração da Terra, a relacionalidade ensinada por Carlos Walter Porto-Gonçalves, e a experiência da Universidade Autônoma Indígena baseada no Wainjirawa (“o que fazemos com o nosso coração”). Utopia não é um sonho abstrato para o amanhã. É a certeza de que a vida se afirma no ato concreto de cuidar do território e manter a teia da vida de pé hoje. 📚 Utopias Amazônicas — Ateliê Editorial → shorturl.at/wxijK 🎙️ Produção e direção: Marcos Colón 📝 Roteiro: Marcos Colón e Lucas Monteiro 🎧 Edição de som: Lucas Monteiro 🌿 www.amazonialatitude.com

    Utopias Amazônicas #09 | José Ángel Quintero Weir — Filosofia da chave da água para um novo horizonte ético
  2. Aug 3

    Utopías Amazónicas #08 | Alberto Acosta — El Buen Vivir y la Trampa del Progreso

    Há palavras que o poder aprendeu a tolerar: sustentabilidade, transição, economia verde. Ele as repete em cúpulas climáticas, as imprime em relatórios corporativos e as financia com mercados de carbono. Enquanto isso, a Amazônia arde. No oitavo episódio da série Utopias Amazônicas: Conversas com os Autores, o LatitudeCast recebe o economista e ativista equatoriano Alberto Acosta. Ex-ministro de Energia e Minas e ex-presidente da Assembleia Constitinte do Equador — onde contribuiu para inscrever, pela primeira vez na história, os Direitos da Natureza em uma Constituição —, Acosta é autor de uma das obras mais influentes do pensamento latino-americano contemporâneo: O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. No livro Utopias Amazônicas, Acosta assina o ensaio “A Amazônia na armadilha do progresso: violência, resistência, transformações, utopias”, abrindo seu texto com o anjo da história de Walter Benjamin para mostrar que o progresso não é uma promessa, mas uma catástrofe que acumula ruínas. Conversamos sobre a ilusão do desenvolvimento sustentável, o extrativismo que sobrevivera a governos neoliberais e progressistas, a violência como condição estrutural do capital, a proposta Waorani e Kichwa do Kawsak Sacha (Selva Viva) e a urgência de "yasunizar" o mundo para desmercantilizar a vida. Utopia não é um sonho distante. É a coragem de incomodar o poder, abandonar a religião do crescimento econômico e construir alternativas reais de existência em harmonia com a Terra. 📚 Utopias Amazônicas — Ateliê Editorial → shorturl.at/wxijK 🎙️ Produção e roteiro: Marcos Colón e Lucas Monteiro 🎧 Edição de som: Lucas Monteiro 🌿 www.amazonialatitude.com

    Utopías Amazónicas #08 | Alberto Acosta — El Buen Vivir y la Trampa del Progreso
  3. Jul 3

    Utopias Amazônicas #07 | Aurélio Michiles — O Esperançar das Descobertas e o Cinema Decolonial

    Nascido em Manaus, o cineasta e documentarista Aurélio Michiles construiu uma obra consagrada e centrada na memória, no território e nos conflitos históricos da Amazônia, tendo se formado pelo Instituto de Artes e Arquitetura da Universidade de Brasília e pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É diretor de obras fundamentais como Que Viva Glauber (1991), Lina Bo Bardi (1993), O Cineasta da Selva (1997), Segredos do Putumayo (2020) e Honestino (2025). No livro Utopias Amazônicas, o diretor assina o ensaio “Amazônia, Utopia pra quem?”, um texto que parte de suas memórias de infância em Manaus para desmontar séculos de invenção colonial e questionar, sem hesitar, a quem servem as projeções que o mundo ocidental deposita sobre a maior floresta tropical do planeta. Conversamos sobre a infância colonizada, a imagem como testemunho palpável e segunda pele da humanidade, a crueza da invasão petrolífera e o apocalipse no território Sateré-Mawé durante a ditadura militar, a farsa do progresso sob a lógica da terra arrasada e o cinema como um ato político de rebeldia. Utopia não é o lugar que não existe. É a esperança da descoberta, o compromisso ético com a memória coletiva e a teimosia comunitária que se recusa a aceitar a destruição como destino. 📚 Utopias Amazônicas — Ateliê Editorial → shorturl.at/wxijK 🌿 www.amazonialatitude.com

    Utopias Amazônicas #07 | Aurélio Michiles — O Esperançar das Descobertas e o Cinema Decolonial
  4. Jun 11

    Utopias Amazônicas #05 | Edna Castro — Epistemologias da floresta e o combate ao colonialismo verde

    Pensar o amanhã possível exige a coragem de nomear o presente pelo que ele é. A professora Edna Castro passou as últimas décadas provando que as respostas para adiar o fim do mundo não virão dos mercados de carbono, mas das racionalidades milenares que o poder colonial tentou apagar. No quinto episódio da série Utopias Amazônicas: Conversas com os Autores, o LatitudeCast recebe a socióloga Edna Castro, professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), doutora pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais em Paris, com pós-doutorado no Centro Nacional da Pesquisa Científica (CNRS). No livro Utopias Amazônicas, a professora assina o artigo “Utopias Amazônicas: para ser possível amanhã”, um ensaio contundente que desconstrói as narrativas sedutoras do capitalismo verde para propor outras formas de imaginar o futuro a partir do chão da floresta. Conversamos sobre as temporalidades em disputa, o avanço do neoextrativismo 4.0, a captura mercadológica da bioeconomia de escala e a urgência de uma ciência pública e política capaz de decodificar o poder pós-COP30. Utopia não é o lugar que não existe. É o lugar que o poder colonial tentou apagar, e que os povos da Amazônia, em sua tecelagem milenar de reexistências, nunca deixaram de habitar. 📚 Utopias Amazônicas — Ateliê Editorial → shorturl.at/wxijK 🌿 www.amazonialatitude.com

    Utopias Amazônicas #05 | Edna Castro — Epistemologias da floresta e o combate ao colonialismo verde

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