História de Salto

Elton Zanoni

História e memória da cidade de Salto/SP

  1. Apr 24

    O caso Alfredo Rosa: de linchado a santo popular em Salto

    Neste episódio, mergulhamos em um dos capítulos mais dramáticos e nebulosos da história de Salto: o caso de Alfredo Rosa. Em julho de 1911, uma onda de roubos de cavalos atemorizava a pacata cidade, que contava com cerca de cinco mil habitantes. A tragédia teve início quando Alfredo Rosa, possivelmente um lavrador da região, aguardava próximo ao armazém de Marcos Milani. Assustado com os olhares desconfiados de operários da tecelagem Ítalo-Americana, ele tentou fugir a cavalo, o que desencadeou uma perseguição implacável por cerca de dois quilômetros aos gritos de "pega-ladrão". Acuado próximo a uma ponte no córrego do Ajudante, Rosa clamou inocência, mas acabou morto a tiros por populares, tendo seu corpo arrastado até a delegacia. Neste debate, discutimos os desdobramentos chocantes e as contradições dessa história: A culpa e a santificação: Tempos depois do linchamento, os verdadeiros ladrões foram capturados, provando que a cidade trucidara um inocente. Movidos pelo remorso, os saltenses transformaram Alfredo Rosa em um milagreiro venerado, erguendo uma capela no local de sua morte que existiu até o ano de 1973.A versão do inquérito policial: Apresentamos também o outro lado da moeda a partir de documentos guardados no Museu Republicano de Itu. A versão oficial relata que a polícia local havia recebido um telegrama alertando sobre um ladrão de cavalos e que, durante a perseguição, o fugitivo chegou a balear um dos populares na coxa antes de ser morto. Com ele, foram encontrados um revólver, uma faca e uma carta assinada como "Arfredo Rosa".Dê o play para entender como o medo coletivo e a justiça com as próprias mãos geraram uma tragédia trucidante, e como a memória de uma cidade lidou com a culpa forjando a figura de um santo popular!

    O caso Alfredo Rosa: de linchado a santo popular em Salto
  2. Apr 24

    O enigma do fundador: quem realmente foi Antônio Vieira Tavares?

    Neste episódio, mergulhamos nas raízes profundas da cidade de Salto para um debate revelador sobre a figura do seu fundador oficial, o capitão Antônio Vieira Tavares. A fundação da cidade teria sido apenas um ato de devoção de um homem doente, ou há outras camadas nessa história de colonização? Discutimos as verdadeiras motivações de Tavares que, vivendo no Sítio Cachoeira desde 1690, solicitou a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora do Monte Serrat alegando sofrer de uma grave moléstia e não ter como atravessar o rio Tietê para ir às missas em Itu. A bênção desse templo, em 16 de junho de 1698, tornou-se o "marco zero" da cidade. Neste debate, colocamos em pauta tópicos essenciais para compreender a formação de Salto: A Doação Condicional: Analisamos a escritura de 1700, na qual Tavares e sua esposa, Maria Leite, doaram o sítio à capela — incluindo a casa e os escravos indígenas ("gentio da terra") e africanos —, impondo a condição irrevogável de que a construção permanecesse naquele exato local para sempre.O Passado Apagado: Relembramos que, muito antes do capitão, o território era ocupado por aldeamentos de índios guaianás (tupi-guaranis), que batizaram a aldeia de Paraná-Ytu e a grande cachoeira de Ytu Guaçu, antes de serem repelidos pelas bandeiras paulistas.O Resgate da Memória: Descubra como os detalhes sobre o fundador ficaram obscuros por séculos, até serem resgatados pelo imenso esforço do historiador autodidata Luiz Castellari, que vasculhou antigos manuscritos coloniais guiado pela premissa de que "um povo sem história é um povo morto".Dê o play e venha entender como a fé, o domínio territorial e a memória histórica se cruzam nas margens do rio Tietê para forjar a identidade de Salto! Produzido por Elton Frias Zanoni História de Salto/SP

    O enigma do fundador: quem realmente foi Antônio Vieira Tavares?
  3. Apr 23

    Anselmo Duarte - depoimento ao MIS-SP (1986)

    Nascido em Salto/SP, no dia 21 de abril de 1920, Anselmo Duarte consolidou-se como uma das figuras mais emblemáticas da história do cinema brasileiro. Sua trajetória, marcada por uma origem humilde, teve início em uma esquina próxima à Igreja Matriz de sua cidade natal, onde seu pai mantinha a "Venda da Capivara". Sétimo filho de Dona Olympia Duarte, Anselmo foi criado pelos esforços da mãe, que trabalhava como costureira após ser abandonada pelo marido. Em Salto, frequentou o atual Grupo Escolar Tancredo do Amaral e, desde cedo, inseriu-se no universo cinematográfico como "molhador de tela" no Cine Pavilhão, onde seu irmão atuava como projecionista. Aos 14 anos, Anselmo partiu para São Paulo, exercendo funções de datilógrafo e contabilista antes de seguir para o Rio de Janeiro. Sua entrada definitiva no cinema ocorreu em 1942, participando como ator no filme inacabado de Orson Welles, It's All True. Durante as décadas de 1940 e 1950, tornou-se o maior galã do país, estrelando produções de estúdios renomados como Cinédia, Atlântida e Vera Cruz. Entre suas atuações mais memoráveis desse período estão os sucessos de bilheteria Carnaval no Fogo e Aviso aos Navegantes, além de interpretações elogiadas pela crítica em Sinhá Moça e como Zequinha de Abreu em Tico-Tico no Fubá. A transição para a direção revelou um talento técnico excepcional. Sua estreia atrás das câmeras ocorreu em 1957 com Absolutamente Certo. Contudo, o ápice de sua carreira e um marco histórico para a cultura nacional aconteceu em 1962 com O Pagador de Promessas. Ao dirigir a obra, Anselmo Duarte conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, superando gigantes do cinema mundial como Michelangelo Antonioni e Luis Buñuel. Este feito permanece, até hoje, como a única Palma de Ouro recebida por um longa-metragem brasileiro. Apesar da glória internacional, o prêmio trouxe a Anselmo uma série de tensões com os integrantes do movimento Cinema Novo. Sua filmografia como diretor estendeu-se até o fim dos anos 1970, incluindo obras que demandam reavaliação histórica, como Vereda da Salvação e Quelé do Pajeú. Ao todo, Anselmo somou mais de quarenta participações em filmes, seja atuando ou dirigindo. Faleceu em São Paulo em 7 de novembro de 2009 e foi sepultado em sua terra natal, Salto, atendendo a um desejo pessoal. Em sua sepultura, o epitáfio resume com sensibilidade sua jornada: "Eis aqui a última história de um contador de histórias". Sua vida e obra não são apenas um registro biográfico, mas confundem-se com a própria evolução da arte cinematográfica no Brasil. Nota técnica: O registro de história oral de Anselmo Duarte , identificado pelo número de item 00251MVC00131AD e registro FA01254/86 , integra a coleção Memória Vera Cruz do Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Gravada em 13 de agosto de 1986 sob a coordenação de Renato Consorte , a entrevista possui duração de 170 minutos e encontra-se armazenada em suporte DVD data , apresentando acesso restrito para consulta, embora com divulgação virtual autorizada.Leia mais neste link.

    Anselmo Duarte - depoimento ao MIS-SP (1986)
  4. Apr 23

    Maestro Gaó - depoimento ao MIS-SP (1987)

    Odmar do Amaral Gurgel, imortalizado no cenário artístico como Maestro Gaó, foi um prodígio saltense que iniciou sua jornada musical sob a influência de seus pais, professores e músicos na cidade de Salto. Já aos onze anos, regia orquestras de salão e adaptava trilhas sonoras para o cinema mudo local, talento que o levou a diplomar-se como concertista no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em 1927. Ao longo de sua vasta carreira, atuou como pianista, arranjador e diretor em grandes rádios e gravadoras, como a Gazeta e a Columbia, tornando-se uma figura de relevo no cenário artístico paulistano e internacional, sendo inclusive apelidado de "embaixador do samba" durante os vinte anos em que residiu nos Estados Unidos. A biografia de Gaó é marcada por uma versatilidade impressionante, que vai desde a direção da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo até a composição dos logotons originais da Turma da Mônica. Em 1987, época do depoimento que será compartilhado, o maestro já acumulava décadas de experiência na música popular e erudita, tendo retornado ao Brasil para radicar-se em Mogi das Cruzes. Seu vínculo com a terra natal permaneceu vivo até o fim de sua vida, simbolizado por sua última apresentação em Salto, em 1991, e pelo júri que presidiu no primeiro Festival de Música Popular de Salto, reafirmando seu papel como um dos maiores pilares da memória musical da região. Nota técnica:Esta entrevista com o Maestro Gaó, gravada em 03 de fevereiro de 1987 no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) , é um registro fundamental da história oral brasileira preservado na coleção Memória do Piano Brasileiro sob o número de item 00376MPN00031AD. Com duração de 01 hora, 19 minutos e 18 segundos , o depoimento em português traz o músico compartilhando sua trajetória como pianista, compositor e arranjador de música popular brasileira. Para fins de catalogação e direitos, o material está registrado sob o código FA00963/87 e sua divulgação é destinada ao ambiente virtual, mantendo viva a memória das apresentações e concertos do maestro. Leia mais sobre Gaó neste link.

    Maestro Gaó - depoimento ao MIS-SP (1987)

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