Núcleo Experimental De Butô

Núcleo Experimental de Butô

O podcast do Núcleo Experimental de Butô é um projeto em parceria com diversos artistas pesquisadores do Brasil, com o intuito de promover diálogos acerca do que há de mais atual sobre o Ankoku Butô, manifestação artística criada por Tatsumi Hijikata em Tóquio ao fim dos anos 1950. Nesta série, o Núcleo se debruça sobre "The Routeledge Companion to Butoh Performance" editado por Bruce Baird e Rosemary Candelario, que trazem nesta obra 56 artigos escritos pelas pessoas (críticos, artistas, biógrafos, pesquisadores) que mais contribuíram para as pesquisas acerca do butô pelo mundo. O Núcleo Experimental de Butô é um laboratório político-performático brasileiro existente desde 2014, que busca por meio de três frentes – pesquisa, criação e formação – um processo investigativo afinado às proposições reflexivas de Tatsumi Hijikata, em busca de portas de acesso em direção a um fazer político-artístico afinado aos princípios e procedimentos de criação de Hijikata após mais de trinta anos de seu falecimento, em outro contexto histórico, cultural e geográfico. Ciente da impossibilidade de acessar a densidade e profundidade do projeto via o extenso material fílmico e fotográfico presente na Internet, o Núcleo tem como objetivo deslocar a percepção daqueles que ainda se inquietam com o Ankoku Butô em direção a mídias reflexivas, atualizadas e atentas aos princípios iniciais do projeto, objetivando um porvir para além da ideia de dançar butô, focado em um jogo de revolução através da dança, libertando-se dos sistemas de poderes que sitiam a vida, reiterando toda a densidade, intensidade e potencialidade da vida.

Episodes

  1. 09/07/2022

    #Encanteria2 O que os Yōkais nos ensinam sobre dança? (com Daniel Aleixo)

    Esta ação é parte do projeto ENCANTERIA, do Núcleo Experimental de Butô, contemplado pelo EDITAL DE APOIO A PROJETOS CULTURAIS DESCENTRALIZADOS DE MÚLTIPLASLINGUAGENS da Secretaria Municipal de Cultura. Uma interlocução entre os estudos de Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino acerca daquilo que nomearam como Ciência Encantada das Macumbas e o Ankoku Butô, projeto político-artístico desenvolvido pelo dançrino japonês Tatsumi Hijikata em Tóquio ao fim do anos 1950. O intuito é apresentar pistas de como os procedimentos de criação deste artista oferecem estratégias para a desestabilização das necropolíticas presentes no Brasil desde 1500, desenvolvidas pelo projeto colonial e aprimoradas pelo neoliberalismo. Aqueles que dançam butô no Brasil com olhos atentos às lutas propostas por Hijikata desde o início do movimento, acabam por descobrir poderosos ingredientes para temperar a farofa que será entregue na encruzilhada. Não trata de uma criação subserviente a uma noção substantiva de cultura brasileira ou japonesa, inserindo elementos típicos destes países, mas de apresentar os ricos e complexos fluxos que elaboram-se a partir das singularidades de cada subjetividade e do contexto em que vivemos. A partir do cruzamento de matrizes poéticas da dança butô com os cncantados da umbanda, os estudos teóricos apresentação 7 pistas: O  objeto é trazer à tona as existências constantemente soterradas pelas ordenações civilizatórias, pela biopolítica e por tudo aquilo a serviço de despotencializar e controlar a vida. As inquietações de Hijikata transpassaram as décadas e permanecem relevantes à contemporaneidade. A busca pelo combate aos biopoderes é assunto atual e intenso nos campos artístico e político, permeando discussões filosóficas, étnicas, linguísticas, de gênero, de condições físicas, de condições psíquicas e tantas outras. Diante dos colapsos econômicos, sociais e ambientais a qual se está submetido em níveis nacionais e planetários, é momento de focar em um pertinente ponto do legado de Hijikata: butô é uma técnica de dança, mas ao mesmo tempo extrapola esta definição, podendo ser trabalhado como um dispositivo micropolítico do corpo que, a partir do exercício de repensar as singularidades dos seres, converte estados de vulnerabilidade em potencial campo de resistência, transformação e combate. A partir de práticas criativas de cuidado de si, microativismos, artivismos, terrorismo poéticos, oficinas e laboratórios de dança e performance, projetos que investigam o Ankoku Butô a partir de sua perspectiva política e (po)ética são capazes de operar mudanças que contribuam para a conquista de melhores condições de existência.

    2h 30m
  2. 06/12/2022

    #Encanteria1 O que os encantados de umbanda nos ensinam sobre dança? (com Thiago Abel)

    Esta ação é parte do projeto ENCANTERIA, do Núcleo Experimental de Butô, contemplado pelo EDITAL DE APOIO A PROJETOS CULTURAIS DESCENTRALIZADOS DE MÚLTIPLASLINGUAGENS da Secretaria Municipal de Cultura. Uma interlocução entre os estudos de Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino acerca daquilo que nomearam como Ciência Encantada das Macumbas e o Ankoku Butô, projeto político-artístico desenvolvido pelo dançrino japonês Tatsumi Hijikata em Tóquio ao fim do anos 1950. O intuito é apresentar pistas de como os procedimentos de criação deste artista oferecem estratégias para a desestabilização das necropolíticas presentes no Brasil desde 1500, desenvolvidas pelo projeto colonial e aprimoradas pelo neoliberalismo. Aqueles que dançam butô no Brasil com olhos atentos às lutas propostas por Hijikata desde o início do movimento, acabam por descobrir poderosos ingredientes para temperar a farofa que será entregue na encruzilhada. Não trata de uma criação subserviente a uma noção substantiva de cultura brasileira ou japonesa, inserindo elementos típicos destes  países, mas de apresentar os ricos e complexos fluxos que elaboram-se a partir das singularidades de cada subjetividade e do contexto em que vivemos. A partir do cruzamento de matrizes poéticas da dança butô com os cncantados da umbanda, os estudos teóricos apresentação 7 pistas:  - Exu: princípio do movimento e da alteridade - Pomba-Gira: libertação de corpos e desejos - Preto-Velho: dançar a Grande-Saúde - Caboclo: aprender a ouvir pedras, rios e cobras-corais - Erê: criança como insurreição permanente  - Marinheiro: improvisações, derivas e cartografias - Boiadeiro: saber da terra, cultivar de terreiros O  objeto é trazer à tona as existências constantemente soterradas pelas ordenações civilizatórias, pela biopolítica e por tudo aquilo a serviço de despotencializar e controlar a vida. As inquietações de Hijikata transpassaram as décadas e permanecem relevantes à contemporaneidade. A busca pelo combate aos biopoderes é assunto atual e intenso nos campos artístico e político, permeando discussões filosóficas, étnicas, linguísticas, de gênero, de condições físicas, de condições psíquicas e tantas outras.  Diante dos colapsos econômicos, sociais e ambientais a qual se está submetido em níveis nacionais e planetários, é momento de focar em um pertinente ponto do legado de Hijikata: butô é uma técnica de dança, mas ao mesmo tempo extrapola esta definição, podendo ser trabalhado como um dispositivo micropolítico do corpo que, a partir do exercício de repensar as singularidades dos seres, converte estados de vulnerabilidade em potencial campo de resistência, transformação e combate. A partir de práticas criativas de cuidado de si, microativismos, artivismos, terrorismo poéticos, oficinas e laboratórios de dança e performance, projetos que investigam o Ankoku Butô a partir de sua perspectiva política e (po)ética são capazes de operar mudanças que contribuam para a conquista de melhores condições de existência.

    1h 43m

About

O podcast do Núcleo Experimental de Butô é um projeto em parceria com diversos artistas pesquisadores do Brasil, com o intuito de promover diálogos acerca do que há de mais atual sobre o Ankoku Butô, manifestação artística criada por Tatsumi Hijikata em Tóquio ao fim dos anos 1950. Nesta série, o Núcleo se debruça sobre "The Routeledge Companion to Butoh Performance" editado por Bruce Baird e Rosemary Candelario, que trazem nesta obra 56 artigos escritos pelas pessoas (críticos, artistas, biógrafos, pesquisadores) que mais contribuíram para as pesquisas acerca do butô pelo mundo. O Núcleo Experimental de Butô é um laboratório político-performático brasileiro existente desde 2014, que busca por meio de três frentes – pesquisa, criação e formação – um processo investigativo afinado às proposições reflexivas de Tatsumi Hijikata, em busca de portas de acesso em direção a um fazer político-artístico afinado aos princípios e procedimentos de criação de Hijikata após mais de trinta anos de seu falecimento, em outro contexto histórico, cultural e geográfico. Ciente da impossibilidade de acessar a densidade e profundidade do projeto via o extenso material fílmico e fotográfico presente na Internet, o Núcleo tem como objetivo deslocar a percepção daqueles que ainda se inquietam com o Ankoku Butô em direção a mídias reflexivas, atualizadas e atentas aos princípios iniciais do projeto, objetivando um porvir para além da ideia de dançar butô, focado em um jogo de revolução através da dança, libertando-se dos sistemas de poderes que sitiam a vida, reiterando toda a densidade, intensidade e potencialidade da vida.