InterD - música e cultura

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  1. Jul 9

    Chinaina defende uso criativo da inteligência artificial e critica domínio dos algoritmos na música #70

    A inteligência artificial pode ampliar as possibilidades criativas dos artistas, desde que seja utilizada com critério e sensibilidade. Essa é a avaliação do cantor, compositor e apresentador Chinaina, que falou sobre o tema em entrevista ao InterD, programa apresentado por AD Luna* e veiculado pela Universitária FM do Recife. Durante a conversa, que foi ao ar na quarta (08/7/2026), ele apresentou detalhes sobre seu novo projeto na televisão, o Caça Joia Clipes, que estreou em maio de 2026 no Canal Futura e está disponível gratuitamente na Globoplay. Segundo Chinaina, o programa nasceu da percepção de que a produção audiovisual da música independente brasileira cresceu de forma expressiva nos últimos anos, sem que surgissem espaços proporcionais para sua divulgação. "Eu só via a produção de clipe independente aumentar toda hora e não via lugar para essa produção. Vivendo no reinado do algoritmo, fica muito difícil as pessoas descobrirem novos artistas", afirmou. A proposta do Caça Joia Clipes, explica, é justamente funcionar como uma vitrine para essa produção que muitas vezes permanece invisível nas plataformas digitais. O compromisso com essa ideia começou ainda na seleção dos participantes. Chinaina conta que ele e a diretora do programa, Pamela Gachido, assistiram pessoalmente a mais de quatro mil videoclipes inscritos. "Quando eu mando o meu material para alguém, eu espero que essa pessoa escute. Isso é uma forma de respeitar a música e o tempo desse artista. Então foi uma curadoria feita como os antigos faziam. A gente sentou e assistiu aos quatro mil clipes." Além da qualidade artística, a equipe buscou representar a diversidade da música brasileira. "Era importante ter cuidado com a questão de gênero, contemplar diversos estilos musicais e mapear a música brasileira como um todo. Acho que todos os estados estão representados nessa primeira edição." Para ele, a criatividade também teve peso decisivo. "A cena independente brasileira faz coisas de tremenda qualidade. Muitas vezes, com pouquíssima grana, a galera consegue fazer um material superinteressante." Essa postura também se reflete na forma como o programa lida com os critérios de seleção. Enquanto as plataformas digitais priorizam métricas de engajamento, Chinaina diz que o Caça Joia Clipes ignora completamente esses indicadores. "A gente descarta essa lógica do algoritmo fazendo o que tem que fazer: assistindo a tudo, sendo muito curioso, pesquisando, indo atrás das coisas." E completa: "A última coisa que a gente analisa — na verdade, nem analisa — são os números de players ou de seguidores. Sinceramente, a gente está cagando para esse tipo de coisa. O que importa é o talento, a inventividade e a criatividade. Os números a gente deixa para os matemáticos." Ao comentar o avanço da inteligência artificial, Chinaina adotou uma posição equilibrada, distante tanto do entusiasmo irrestrito quanto do pessimismo. Para ele, a IA é mais uma ferramenta disponível aos artistas. "Eu vejo que a IA está aí e a gente tem que saber usar. Toda tecnologia traz uma coisa boa e uma coisa ruim." Embora reconheça que já exista "uma quantidade de música ruim feita por IA" e "músicas sem alma", ele acredita que isso não define o potencial da tecnologia. "Sabendo usar bem a IA, ela pode ser uma ferramenta." Como exemplo, citou o trabalho recente de Lúcio Maia. "O Lúcio Maia acabou de lançar um disco e os clipes dele foram todos feitos em IA. Tem um resultado muito legal e um desses clipes está no Caça Joia Clipes." Chinaina também lembrou de um videoclipe da cantora e instrumentista Lívia Matos. "Ela fez um clipe incrível usando IA, mas isso é feito com muito bom gosto." Na visão do apresentador, o diferencial está justamente na forma como a tecnologia é empregada. "Se for para ser só uma cópia do que já existe, do que é a própria lógica da IA, saindo roubando um pouquinho de todo conceito artístico para criar um pastiche, aí perde o sentido. Mas eu acho que tem como usar a IA de uma forma inteligente." A entrevista também abordou as transformações na carreira dos músicos independentes. Chinaina observa que, por um lado, os artistas de hoje chegam mais preparados para lidar com direitos autorais, distribuição digital e gestão da própria carreira do que sua geração, que começou nos anos 1990. Por outro lado, afirma que o volume de tarefas aumentou significativamente. "Hoje, o artista não lança só um disco. Tem que produzir conteúdo para as redes, fazer videoclipes, performar na internet. É muito cansativo." Mesmo diante desse cenário, ele defende que o processo de criação continue sendo respeitado. "Eu demoro tempo para fazer disco. Não entro nessa de lançar um single atrás do outro. Acho que a música tem esse processo artesanal e é muito importante respeitar esse processo." Ao mesmo tempo, reconhece que os artistas precisam lidar com as exigências do mercado atual. "É um sinal dos tempos. Não dá mais para simplesmente lançar um disco e não cuidar dessa outra parte." Para Chinaina, apesar dos desafios impostos pelos algoritmos e pelas novas tecnologias, a criatividade continua sendo o principal diferencial da produção artística. E, se utilizada com consciência, a inteligência artificial pode ocupar um lugar importante nesse processo, sem substituir o que considera essencial: a inventividade humana. Acesse: www.interd.net.br CONTRIBUA COM O TRABALHO DO INTERD! MANDE UM PIX DE R$ 10 OU MAIS PARA: INTERDCONTATO@GMAIL.COM O InterD - música e cultura é um portal de jornalismo cultural dedicado à música em suas diversas expressões, com foco nas cenas locais e independentes. O projeto aborda a indústria musical, a produção artística e as relações entre música, sociedade, história, política e outras artes, oferecendo análises, entrevistas, críticas e cobertura de eventos. O projeto integra mídias escrita e audiovisual (site, rádio e vídeo). Na rádio, o programa vai ao ar todas as quartas, às 20h, na Rádio Universitária FM do Recife e nas principais plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music, Google Podcasts, YouTube, entre outras).  No site, são publicados textos, entrevistas, reportagens e versões escritas das edições da rádio, além de áudios integrais e conteúdos em vídeo.  Visite: www.interd.net.br O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica

    Chinaina defende uso criativo da inteligência artificial e critica domínio dos algoritmos na música #70
  2. May 20

    A história por trás de “A Feira de Caruaru” e a importância da gravadora Rosenblit #69

    O compositor Onildo Almeida e a cantora e produtora Kira Derne participaram, nesta quarta (20), do programa InterD, apresentado pelo músico e jornalista AD Luna, na rádio da Universidade Federal de Pernambuco. Durante a entrevista, os artistas falaram sobre o relançamento da versão original de “A Feira de Caruaru”, gravada em 1956, além da preservação da memória da música nordestina e do legado da gravadora Rosenblit. A versão original de “A Feira de Caruaru” foi lançada nas plataformas de streaming no último dia 8 de maio, como parte das comemorações pelos 70 anos da canção. O registro histórico, originalmente gravado em disco de 78 rotações nos estúdios da antiga Rosenblit, no Recife, passou por um processo de restauração e remasterização. A música se tornou um dos maiores símbolos culturais de Pernambuco após ganhar projeção nacional na voz de Luiz Gonzaga. No entanto, a gravação agora disponibilizada traz a interpretação original do próprio compositor, atualmente com 98 anos. A responsável pelo relançamento é Kira Derne, integrante da banda Diablo Angel. Segundo ela, o projeto nasceu do desejo de recuperar uma versão considerada histórica da música. “Era um desejo pessoal meu de ter essa música, essa versão especialíssima na voz de Onildo”, afirmou. “É uma canção que significa muito para a nossa cultura, para Caruaru, para Pernambuco e para a cultura brasileira.” Além do trabalho de restauração do áudio, o projeto incluiu pesquisa sobre os registros originais e o desenvolvimento de uma nova identidade visual para o lançamento. Durante a entrevista, Onildo Almeida relembrou como a composição chegou a Luiz Gonzaga. Segundo o compositor, Gonzaga ouviu a música quando passou por Caruaru e decidiu gravá-la posteriormente. “Ele chegou a ouvir e achou a música importante. Aí me procurou. ‘Se eu quero gravar essa música’, ele disse. ‘Pode gravar’. Aí gravou e aconteceu, né? Até hoje”, contou Onildo. O compositor também relembrou sua trajetória no rádio pernambucano, marcada por programas de auditório e críticas musicais irreverentes. Ele afirmou que costumava quebrar discos ao vivo quando considerava uma música ruim, prática que ajudou a consolidar sua audiência. As celebrações pelos 70 anos de “A Feira de Caruaru” incluem ainda um show especial de Onildo Almeida no São João de Caruaru, previsto para o dia 19 de junho, no Polo Camarão. Segundo Kira Derne, será a primeira apresentação dedicada exclusivamente à obra do compositor, reunindo 13 de seus maiores sucessos. Outro projeto relacionado ao artista foi o relançamento digital do disco “Forrock”, ocorrido em outubro de 2025. O álbum também contou com produção de Kira Derne e marcou a chegada da obra fonográfica de Onildo Almeida às plataformas digitais. A produtora relatou que o processo de recuperação e liberação do acervo da Rosenblit levou mais de um ano e enfrentou dificuldades até chegar ao produtor Hélio Rosenblit, responsável por viabilizar o lançamento. Durante a entrevista, Onildo Almeida destacou a importância histórica da gravadora pernambucana para a música nordestina. Segundo ele, a Rosenblit teve papel fundamental na preservação e circulação do forró em um período em que as grandes gravadoras do eixo Rio-São Paulo dominavam o mercado fonográfico brasileiro. Acesse: www.interd.net.br O InterD - música e cultura é um portal de jornalismo cultural dedicado à música em suas diversas expressões, com foco nas cenas locais e independentes. O projeto aborda a indústria musical, a produção artística e as relações entre música, sociedade, história, política e outras artes, oferecendo análises, entrevistas, críticas e cobertura de eventos. O projeto integra mídias escrita e audiovisual (site, rádio e vídeo). Na rádio, o programa vai ao ar todas as quartas, às 20h, na Rádio Universitária FM do Recife e nas principais plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music, Google Podcasts, YouTube, entre outras).  No site, são publicados textos, entrevistas, reportagens e versões escritas das edições da rádio, além de áudios integrais e conteúdos em vídeo.  Visite: www.interd.net.br O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica

    A história por trás de “A Feira de Caruaru” e a importância da gravadora Rosenblit  #69
  3. Mar 11

    Cannibal relembra origem da Devotos e o poder social do punk #68

    Marconi dos Santos Souza é uma figura da cultura pernambucana. Mais conhecido como Cannibal, ele está à frente de uma das bandas mais emblemáticas do universo punk e hardcore de Pernambuco e do país. Formada em 1988, a Devotos foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife em 2024 pela Câmara Municipal. Nesses quase 40 anos de vida, o baixista e vocalista, junto com os amigos e companheiros  Celo Brown (bateria) e Neilton (guitarra), transformou experiências vividas no Alto e observações aguçadas sobre a realidade social em música.  Na série Minha História, do programa InterD – ciência e cultura, o músico relembrou como o movimento punk mudou sua visão de mundo e levou à criação da banda. Cannibal conta que sua relação com a música começou de forma indireta. Na adolescência, ele se dedicava ao futebol e chegou a jogar nas categorias de base do Santa Cruz, chegando ao limiar de integrar a equipe de juniores do tradicional clube pernambucano. A virada ocorreu em meados dos anos 1980, quando entrou em contato com uma das inúmeras vertentes do rock.“Entrei nesse universo da música através do movimento punk, em 1984. Ali comecei a ver o mundo de outra forma”, afirma.  Roteiro e apresentação: AD Luna  Acesse: www.interd.net.br  @portal.interd Colabore com o trabalho do InterD por meio do PIX: interdcontato@gmail.com  O InterD - música e cultura é um portal de jornalismo cultural dedicado à música em suas diversas expressões, com foco nas cenas locais e independentes. O projeto aborda a indústria musical, a produção artística e as relações entre música, sociedade, história, política e outras artes, oferecendo análises, entrevistas, críticas e cobertura de eventos. O projeto integra mídias escrita e audiovisual (site, rádio e vídeo). Na rádio, o programa vai ao ar todas as quartas, às 20h, na Rádio Universitária FM do Recife e nas principais plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music, Google Podcasts, YouTube, entre outras).  No site, são publicados textos, entrevistas, reportagens e versões escritas das edições da rádio, além de áudios integrais e conteúdos em vídeo.  Visite: www.interd.net.br O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica

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  4. Feb 4

    Cássio Cunha, professor e baterista que acompanha Alceu Valença há quase 30 anos é destaque no InterD #67

    O programa InterD – ciência e cultura, veiculado pela 99.9 Universitária FM do Recife, recebe nesta edição o baterista, músico e professor Cássio Cunha, convidado do quadro Minha História. Vinculada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a atração também pode ser acompanhada pelo site www.interd.net.br e nas plataformas de streaming. Cássio Cunha é conhecido por seu trabalho ao lado de Alceu Valença, além de uma carreira marcada por parcerias com diferentes artistas e pela atuação na formação de novos músicos. Durante a entrevista, o baterista relembra o início de sua relação com a música e fala sobre os elementos que despertaram seu interesse ainda jovem, abrindo caminho para uma carreira profissional consolidada. Ao longo da conversa, Cássio destaca pessoas, experiências e lugares que foram decisivos em sua formação artística, além de refletir sobre vivências acumuladas em diferentes momentos da carreira, incluindo o trabalho com Alceu Valença. O músico também aborda seu papel como professor, comentando os princípios que orientam sua prática pedagógica e o que considera fundamental ao transmitir conhecimentos técnicos e artísticos.  Apresentação: AD Luna Acesse: www.interd.net.br  O InterD - música e cultura é um portal de jornalismo cultural dedicado à música em suas diversas expressões, com foco nas cenas locais e independentes. O projeto aborda a indústria musical, a produção artística e as relações entre música, sociedade, história, política e outras artes, oferecendo análises, entrevistas, críticas e cobertura de eventos. O projeto integra mídias escrita e audiovisual (site, rádio e vídeo). Na rádio, o programa vai ao ar todas as quartas, às 20h, na Rádio Universitária FM do Recife e nas principais plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music, Google Podcasts, YouTube, entre outras).  No site, são publicados textos, entrevistas, reportagens e versões escritas das edições da rádio, além de áudios integrais e conteúdos em vídeo.  Visite: www.interd.net.br O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica

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  5. 09/19/2025

    Sérgio Cassiano: 20 anos de Ciência da Festa e reflexões sobre a música e a sociedade #65

    O programa InterD – ciência e cultura, transmitido às quartas-feiras, às 20h, na Universitária FM do Recife e disponível nas plataformas digitais, trouxe na série Minha História a trajetória do músico, cantor e compositor Sérgio Cassiano, integrante da histórica banda pernambucana Mestre Ambrósio e professor do Conservatório Pernambucano de Música. Cassiano relembrou sua formação, o impacto da música em sua vida e falou sobre os desafios e transformações da indústria musical ao longo das últimas décadas, especialmente a partir do lançamento de seu primeiro disco solo, Ciência da Festa, que em 2024 completou 20 anos. Primeiros passos: a música como criação Desde a infância, Cassiano se via como um criador. A curiosidade que o movia na escola e nas brincadeiras logo desembocou nas artes, especialmente na música. Sua mãe foi a primeira influência decisiva: além de cantar em casa, foi ela quem lhe apresentou os primeiros discos e o ensinou a manusear o toca-discos com cuidado. “Aos poucos, ela foi financiando minha discoteca. Cada novo álbum me proporcionava novidades, que eu não apenas ouvia, mas também analisava”, relembra. Outras figuras marcaram essa formação, como Naná Vasconcelos, que expandiu sua visão musical a partir da percussão, e Mauro Schiappetta, professor que o orientou no Conservatório Pernambucano de Música, onde Cassiano hoje leciona percussão popular. “A percussão foi minha porta de entrada para a criação”, resume. Ciência da Festa: 20 anos de um disco singular Gravado e lançado em 2004, o álbum Ciência da Festa completou 20 anos em 2024. O título expressa a ideia de que a ciência deve ser um vetor de felicidade e renovação, ao mesmo tempo em que pode gerar riscos se usada de forma inconsciente. Cassiano associa o processo criativo a um fluxo contínuo, no qual consciente e inconsciente dialogam. “Quando você está aberto para a criação, ela vem. Às vezes, a ideia do próximo disco já surgia no meio da gravação do anterior. Isso não era algo planejado, mas fruto desse inconsciente que trabalha em paralelo”, explica. Ele também destaca como a infância continua a influenciar seu modo de fazer música. “Eu me imaginava tocando todos os instrumentos que ouvia em uma canção. Essa liberdade imaginativa da criança é algo que levo até hoje.” A indústria musical e a mudança da atenção Comparando o cenário de 2004 com o de 2024, Cassiano observa mudanças profundas na forma de consumo musical. Se antes o vinil e o CD eram predominantes, hoje o streaming ocupa o centro, ao lado de um ressurgimento dos discos de vinil. No entanto, para ele, a principal mudança está na atenção. “O espaço para uma audição contemplativa e consistente tem ficado raro. A humanidade mudou muito nesse aspecto. É um desafio estimular uma escuta atenta em tempos de dispersão constante”, afirma. Futuro da música: espaços e políticas culturais O músico defende a criação de mais espaços democráticos e orgânicos para a música acontecer em Pernambuco e no Brasil. Para ele, há uma negligência estrutural no tratamento dado aos artistas, o que reduz a visibilidade e as possibilidades criativas no país. “O Estado e o país tratam muito mal os artistas. É preciso olhar para isso com realismo e buscar soluções, que passam tanto por atitudes políticas quanto individuais”, argumenta. Cassiano critica a ideia de que a arte está livre de influências políticas. “É uma ilusão dizer que não há interferência política na música e na cultura. O sistema já exerce esse poder — o que precisamos é discutir como essa interferência pode ser positiva.” Entre criação e crítica Com sua trajetória marcada pela experimentação, Sérgio Cassiano continua a refletir sobre o papel da música na sociedade. Entre a memória de sua formação, a celebração dos 20 anos de Ciência da Festa e as críticas à indústria cultural, ele reforça a importância da arte como espaço de criação, crítica e renovação. “Assim como a ciência, a música nos ajuda a reinventar o mundo. Mas é preciso garantir condições para que ela floresça de forma plural e democrática”, conclui. Visite: www.interd.net.br O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica O InterD - música e cultura é um portal de jornalismo cultural dedicado à música em suas diversas expressões, com foco nas cenas locais e independentes. O projeto aborda a indústria musical, a produção artística e as relações entre música, sociedade, história, política e outras artes, oferecendo análises, entrevistas, críticas e cobertura de eventos. O projeto integra mídias escrita e audiovisual (site, rádio e vídeo). 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    Sérgio Cassiano: 20 anos de Ciência da Festa e reflexões sobre a música e a sociedade  #65
  6. 09/19/2025

    Paixão pelo conhecimento: a trajetória científica de Washington Soares Ferreira Júnior, da UPE e Resiclima - #64

    O programa InterD – ciência e cultura, veiculado todas as quartas-feiras, às 20h, na Universitária FM do Recife e nas principais plataformas digitais, trouxe em sua série Minha História o professor Washington Soares Ferreira Júnior, docente da Universidade de Pernambuco (UPE) e coordenador-geral da Rede Resiclima. Conhecido entre colegas como “Wash”, o pesquisador compartilhou seu percurso acadêmico, reflexões sobre ciência e sua relação com a arte. Fascínio pela ciência desde a adolescência Washington relembra que sua curiosidade científica começou ainda no ensino médio. O hábito intenso de leitura o levou a se interessar por biologia e, mais tarde, a ingressar no curso de Ciências Biológicas na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). “Eu ficava muito fascinado com as formas que a gente tem de entender o mundo, a natureza, e a capacidade de formular perguntas e obter respostas”, contou. Durante a graduação, o contato com professores foi determinante. Em especial, o professor José Geraldo Marques apresentou a etnoecologia e a etnobiologia, áreas que integram aspectos biológicos, ecológicos e culturais. Essa experiência definiu a escolha de Washington pela pós-graduação e abriu caminho para sua atuação no Laboratório de Ecologia e Evolução de Sistemas Socioecológicos (LEA), vinculado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ali, encontrou um ambiente colaborativo que marcou sua formação e consolidou sua visão interdisciplinar. “Foi um espaço decisivo, que moldou basicamente tudo o que eu faço hoje”, destacou. Pesquisa e interdisciplinaridade No LEA, Washington desenvolveu o hábito de pensar “fora da caixa” e de buscar constantemente o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Para ele, integrar visões é fundamental para avançar na compreensão das relações humanas com o ambiente. Atualmente, suas pesquisas se concentram em como diferentes grupos sociais percebem sintomas de doenças, identificam causas e selecionam estratégias terapêuticas — seja por meio de plantas medicinais, práticas tradicionais ou biomedicina. O objetivo é entender como o conhecimento, as crenças e o comportamento relacionados à saúde se articulam em contextos diversos. Rede Resiclima e mudanças climáticas Washington também coordena a Rede Resiclima, que reúne pesquisadores do Brasil e de outros países para investigar os efeitos das mudanças climáticas sobre sociedades humanas, outras espécies e os ambientes naturais. Um dos focos do grupo é analisar como as pessoas percebem os riscos climáticos e de que forma essas percepções influenciam comportamentos e engajamento em estratégias de adaptação. “Tentamos entender como as mudanças climáticas impactam o conhecimento, a percepção de doenças e até a disponibilidade de espécies usadas em tratamentos”, explicou. Desejos para o futuro da ciência no Brasil O professor ressalta a necessidade de maior valorização da ciência no país e defende o fortalecimento da comunicação científica. Para ele, é essencial atingir públicos diversos e despertar o interesse das novas gerações. “Precisamos repensar com muito carinho como estamos formando cientistas. É importante criar estratégias para encantar jovens e manter a ciência como esse espaço de curiosidade, rigor e criatividade”, afirmou. A ponte com a arte Embora não seja artista, Washington destaca a música como uma inspiração constante. Bandas que inovaram ao longo de suas trajetórias, como Chico Science e os Beatles, o lembram da importância da criatividade também na ciência. “Assim como na arte, precisamos sair da zona de conforto para criar coisas novas. A ciência exige rigor, mas também precisa de abertura para novas ideias”, disse. Para ele, a sensibilidade — essencial tanto para lidar com dados quanto com pessoas em pesquisas de campo — aproxima arte e ciência. Um olhar integrador Entre lembranças da adolescência, a formação acadêmica marcada pela interdisciplinaridade e as atuais responsabilidades na Rede Resiclima, Washington Soares Ferreira Júnior defende uma ciência colaborativa, criativa e conectada à sociedade. Sua história mostra que o encantamento inicial pela leitura e pela biologia se transformou em uma trajetória comprometida com os grandes desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, sem perder de vista o valor humano e cultural que sustenta o fazer científico. Visite: www.interd.net.br www.resiclima.com.br  O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica O InterD - música e cultura é um portal de jornalismo cultural dedicado à música em suas diversas expressões, com foco nas cenas locais e independentes. O projeto aborda a indústria musical, a produção artística e as relações entre música, sociedade, história, política e outras artes, oferecendo análises, entrevistas, críticas e cobertura de eventos. O projeto integra mídias escrita e audiovisual (site, rádio e vídeo). Na rádio, o programa vai ao ar todas as quartas, às 20h, na Rádio Universitária FM do Recife e nas principais plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music, Google Podcasts, YouTube, entre outras).  No site, são publicados textos, entrevistas, reportagens e versões escritas das edições da rádio, além de áudios integrais e conteúdos em vídeo.  Visite: www.interd.net.br O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica

    Paixão pelo conhecimento: a trajetória científica de Washington Soares Ferreira Júnior, da UPE e Resiclima - #64
  7. 09/04/2025

    InterD Minha História: conheça a cientista e cantora Isabel Lima #63

    A ciência e a música, universos que antes pareciam distintos, se entrelaçam na trajetória de Isabel Lima – cientista, cantora e produtora cultural. Conheça sua um pouco da sua jornada no episódio "Minha História" do projeto InterD, disponível nas plataformas digitais e transmitido pela Universitária FM do Recife, no dia 3 de setembro de 2025, com apresentação do músico e jornalista AD Luna. Isa Lima, a versão cantora da cientista, encontrou na biologia seu primeiro caminho de descobertas. Desde a graduação na UFPE, mergulhou na biologia molecular e foi marcada pela influência de orientadores como José Eduardo Garcia e José Maurício Barbanti Duarte, que a levaram a experiências intensas em campo, como o Projeto Rondon e uma expedição de cinco meses pela Caatinga. Essas vivências moldaram sua percepção sobre a importância da prática científica e da valorização do trabalho de campo na construção do conhecimento acadêmico. Hoje, Isabel coordena a ConBioNE, rede de pesquisadores dedicada à biodiversidade do Nordeste, e defende que a ciência deve ser respeitada e integrada à formação humana em todas as fases da vida. Leia o perfil completo, adquirindo o ebook: "Minha história: Isabel Lima, cientista e cantora", por apenas R$ 5,00  Conheça o InterD - ciência e cultura: www.interd.net.br O InterD - música e cultura é um portal de jornalismo cultural dedicado à música em suas diversas expressões, com foco nas cenas locais e independentes. O projeto aborda a indústria musical, a produção artística e as relações entre música, sociedade, história, política e outras artes, oferecendo análises, entrevistas, críticas e cobertura de eventos. O projeto integra mídias escrita e audiovisual (site, rádio e vídeo). Na rádio, o programa vai ao ar todas as quartas, às 20h, na Rádio Universitária FM do Recife e nas principais plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music, Google Podcasts, YouTube, entre outras).  No site, são publicados textos, entrevistas, reportagens e versões escritas das edições da rádio, além de áudios integrais e conteúdos em vídeo.  Visite: www.interd.net.br O InterD é uma produção da InterD Comunicação @interdcomunica

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