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Francisco Mendes

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  1. 07/07/2022

    Saramago contra a utopia

    Uma nova visão do conceito de utopia Tenho uma má notícia para lhes dar. A má notícia que tenho a vos dar,  sobretudo depois de ter escutado os nossos amigos que falaram antes de  mim, é que eu não sou utopista. E a pior notícia ainda é que considero a  utopia, ou o conceito de utopia, não só inútil como também tão negativo  como a idéia de que, quando morrermos, todos, vamos ao paraíso. A utopia, segundo se diz, começou com Thomas Moore, com seu livro A  Utopia, publicado em 1516. E aí se coloca o nascimento de uma palavra,  de uma idéia, mas poderíamos ir muito mais atrás. Poderíamos ir a  Platão. No fundo, a utopia nasce sem nome e talvez seja o que está ainda  a atrapalhar aqui, tudo isso, seja o nome. Porque, a rigor, tudo o que  foi dito antes poderia ter sido dito com igual rigor, com igual  propriedade, com igual pertinência, sem a intenção da palavra utopia. Demonstrarei, ou pelo menos tentarei demonstrar mais adiante, por que há  uma questão que é indissociável, da utopia, ou do pensamento utópico,  ou do anseio do ser humano por melhorar a vida, e não só no sentido  material de melhorá-la, mas também numa outra dimensão: na dimensão  espiritual, na dimensão ética, na dimensão moral. Está  indissociavelmente ligado, e parece que não, à revitalização e, se  quiserem, à reinvenção da democracia. Mas vamos primeiramente a Dom Quixote. Mas, antes de falar de Dom  Quixote, queria dizer que os 5 bilhões de pessoas que vivem na miséria,  conforme nos declarou Ignacio Ramonet (que havia falado na palestra  antes de Saramago), na palavra utopia não significam rigorosamente nada.  Os 5 bilhões de pessoas que vivem na miséria, esses a quem se referiu  Ignacio Ramonet, no conceito da palavra, nas sílabas, no som de utopia,  repito, não significa nada. E também não significará muito depois de que  tenham suas necessidades essenciais satisfeitas, que passem também a  usar ou a divulgar ou a utilizar um discurso mais ou menos emotivo da  palavra utopia, como se isso viesse a acrescentar algo àquilo que foi  conquistado com trabalho, com luta.

  2. 04/01/2022

    Josef Stálin anúncia a vitória sobtre os nazista (9.5.1945)

    Camaradas! Caros e caras  compatriotas! Chegou o grande  dia da vitória sobre a Alemanha. Os fascistas  alemães, forçados à rendição pelo  Exército Vermelho e pelas tropas de  nossos aliados, reconheceram a derrota e  anunciaram sua capitulação  incondicional. A 7 de maio foi  assinado na cidade de Reims o protocolo preliminar  de rendição. A 8 de maio, os  representantes do alto comando alemão, na  presença dos representantes do Alto  Comando das tropas aliadas e do  Comando Supremo das tropas soviéticas,  assinaram em Berlim a ata final  de rendição, que iria entrar em vigor à  meia-noite. Cientes dos  hábitos ferinos dos figurões alemães, que veem  tratados e acordos como letra  morta, não temos razões para crer apenas  em suas palavras. Porém, desde hoje de  manhã, as tropas alemãs, em  cumprimento à ata de  rendição, começaram em massa a depor armas e se  entregar a nossas tropas. Isso não  é mais letra morta, mas uma  capitulação autêntica das forças armadas da  Alemanha. É verdade que um  grupo de tropas alemãs nos arredores da Tchecoslováquia  continua  resistindo a se render. Mas espero que o Exército Vermelho consiga lhe   impor a realidade. Agora podemos  com toda razão declarar que chegou o dia histórico  da derrota final da  Alemanha, o dia da grande vitória de nosso povo  sobre o imperialismo alemão. Os grandes  sacrifícios que fizemos em nome da liberdade e  independência de nossa Pátria,  as incontáveis privações e sofrimentos  por que passou nosso povo durante a guerra,  o intenso trabalho no front e  na  retaguarda consagrado no altar da Pátria, não ficaram por menos e  culminaram na  vitória total sobre o inimigo. A luta secular dos povos  eslavos por sua  existência e independência terminou na vitória sobre os  agressores alemães e sua  tirania. Doravante sobre  a Europa tremulará a grande bandeira da liberdade dos povos e da paz entre  eles. Três anos atrás  Hitler declarou publicamente que entre suas  tarefas estava desmembrar a União  Soviética e arrancar dela o Cáucaso, a  Ucrânia, a Bielo-Rússia, os Bálticos e  outras regiões. Ele disse  claramente: “Destruiremos a Rússia de forma que nunca  mais possa se  reerguer”. Isso faz três anos. Mas as ideias malucas de Hitler  não  tinham como se realizar, e o curso da guerra as reduziu a pó. Na prática   ocorreu algo claramente contrário aos delírios dos hitleristas: a  Alemanha  sofreu uma derrota completa. As tropas alemãs estão  capitulando, e a União  Soviética celebrando a vitória, embora não  tencione nem desmembrar, nem destruir  a Alemanha. Camaradas! A  Grande Guerra Patriótica terminou com nossa vitória total.  Acabou a época da  guerra na Europa, começou um tempo de evolução  pacífica. Parabéns pela  vitória, meus caros e caras compatriotas! Glória a nosso  heroico Exército Vermelho, que defendeu a independência de nossa Pátria e  alcançou a vitória sobre o inimigo! Glória a nosso  grande povo, o povo vencedor! Glória eterna  aos heróis que pereceram combatendo o inimigo e  consagraram sua vida pela  liberdade e felicidade de nosso povo!

    Josef Stálin anúncia a vitória sobtre os nazista (9.5.1945)
  3. 11/17/2021

    Why Marx was right (Terry Eagleton)

    Terry Eagleton is Distinguished Professor of English Literature at Lancaster University. He is the author of more than fifty books spanning the fields of literary theory, post-modernism, politics, ideology and religion. His most recent titles—Reason, Faith, and Revolution, On Evil, The Event of Literature, How to Read Literature, Hope Without Optimism, Culture and the Death of God, Culture, Materialism and Radical Sacrifice—are published by Yale. Published with assistance from the Louis Stern Memorial Fund. Copyright © 2011, 2018 Yale University Preface This book had its origin in a single, striking thought: What if all the most familiar objections to Marx’s work are mistaken? Or at least, if not totally wrongheaded, mostly so? This is not to suggest that Marx never put a foot wrong. I am not of that leftist breed that piously proclaims that everything is open to criticism, and then, when asked to produce three major criticisms of Marx, lapses into truculent silence. That I have my own doubts about some of his ideas should be clear enough from this book. But he was right enough of the time about enough important issues to make calling oneself a Marxist a reasonable self-description. No Freudian imagines that Freud never blundered, just as no fan of Alfred Hitchcock defends the master’s every shot and line of screenplay. I am out to present Marx’s ideas not as perfect but as plausible. To demonstrate this, I take in this book ten of the most standard criticisms of Marx, in no particular order of importance, and try to refute them one by one. In the process, I also aim to provide a clear, accessible introduction to his thought for those unfamiliar with his work. The Communist Manifesto has been described as “without doubt the single most influential text written in the nineteenth century.”1 Very few thinkers, as opposed to statesmen, scientists, soldiers, religious figures and the like, have changed the course of actual history as decisively as its author. There are no Cartesian governments, Platonist guerrilla fighters or Hegelian trade unions. Not even Marx’s most implacable critics would deny that he transformed our understanding of human history. The antisocialist thinker Ludwig von Mises described socialism as “the most powerful reform movement that history has ever known, the first ideological trend not limited to a section of mankind but supported by people of all races, nations, religions and civilisations.”2 Yet there is a curious notion abroad that Marx and his theories can now be safely buried—and this in the wake of one of the most devastating crises of capitalism on historical record. Marxism, for long the most theoretically rich, politically uncompromising critique of that system, is now complacently consigned to the primeval past.

    Why Marx was right (Terry Eagleton)

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