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passagens é o canal de podcast do @ibabcidade. neste espaço vamos produzir conversas sobre novas formas de pensar as interfaces entre religião, teologia, igreja e política, sociedade e cultura. queremos pensar a religião e as teologias de forma crítica e criativa, para além de seus tapumes confessionais e de suas lógicas dogmáticas, fundamentalistas e privatizantes. fazer uma passagem por dentro e através daquilo que está sendo debatido no presente. uma travessia transdisciplinar por assuntos complexos do nosso tempo, sempre considerando as perspectivas das religiões e das teologias.

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  1. 04/30/2021

    #08. juventudes, igreja e missão | passagens

    juventudes, igreja e vocação pelo menos desde da década de 60 até bem pouco tempo atrás, as juventudes eram acreditadas como uma das principais forças de transformação social existentes. as juventudes provocavam revoluções políticas, estéticas e comportamentais, mudavam radicalmente os horizontes de relacionamentos e os limites morais de suas épocas. considerando esse poder de gerar resistência, contradição, provocação, rebeldia, esse poder de contra-discursividade e de contra-normatividade, esse jeito-jovem de intervir no mundo e, na verdade, de colocá-lo em movimento, os partidos criavam organizações de juventudes, as igrejas criavam organizações de juventudes, as instituições da sociedade civil criavam suas próprias representações jovens: juventude católica, juventude do partido x, juventudes evangélicas, juventudes batistas, metodistas, ecumênicas, enfim… o que se esperava com isso? a realização daquele sonho utópico de que os jovens fariam e trariam a transformação da realidade. sonhava-se que as juventudes realizassem todos os seus potenciais de revolução cultural, social e política; que elas não fossem apenas meras repetidoras das crenças cínicas do mundo dos adultos, adultecidos e adulterados na visão. mas, que, pelo menos ali entre eles, se fomentasse um outro mundo (im)possível para o futuro.   o problema é que as juventudes ficaram reacionárias de um tempo para cá! no brasil, desde 2014, pelo menos, perderam forças ou desapareceram as contra-culturas e todas as formas de contestação e crítica produzidas pelas juventudes? os jovens viraram anarco-capitalistas, se filiaram ao MBL, foram formados politicamente por um sujeito cujo branding é "Mamãe Falei" ou passaram a adotar um jeito sapatênis de ser gente: neutro e sem graça.   onde estão as bandas de rock, a molecada nova do rap pautando racismo, violência de Estado e desigualdade? onde estão as vocações proféticas das juventudes evangélicas?  tudo parece pairar como que num “grande acordo, com supremo, com juventudes, com tudo” para conservar o Brasil. pastores jovens com estéticas progressistas se unem aos velhos coronéis da fé para jantarem à mesa do presidente. os grandes ajuntamentos de juventude religiosa no brasil levam governantes fascistas, genocidas, racistas, homofóbicos e sexistas para se pronunciarem do palco e logo em seguida anunciam “avivamento espiritual”. a igreja da “nova geração” se uniu ao pior do “clero religioso das últimas gerações”. o projeto reacionário é o mesmo. eles se amam. tudo muda no branding ministerial, nada muda no ethos político e social. são os jovens [hoje] os mais reacionários, homofóbicos, racistas e fascistas? são os jovens [hoje] uma das maiores forças conservadoras do status quo? são os jovens [hoje] os mais comprometidos com o cinismo e com a falência do sistema?   graças a Deus tem muita gente que tem feito um caminho oposto ao chamado recrusdecimento do fundamentalismo e do fascismo religioso brasileiro. muitos e muitas inclusive estão, tal como o profeta Daniel ou como a juíza Débora, personagens bíblicas, deixando de comer dos “manjares do rei’ para estar entre os que sentem, sofrem, choram, lutam por dignidade humana, pastoreando, cuidando, ensinando, servindo. há gente que ainda vive por amor e pelas transformações que ele pode causar. é o caso do nossos convidad@s nesta próxima série que começa hoje: Juventudes, Igreja e Missão.  nosso primeiro convidado é o jovem pastor Victor Azevedo. corre aí, dá play neste episódio e vem sonhar o futuro junto com a gente!

    #08. juventudes, igreja e missão | passagens
  2. 04/24/2021

    #07. "passar a boiada" é sacrificar a Terra | passagens

    "passar a boiada" é sacrificar a Terra A fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de que era preciso "aproveitar" a pandemia para "ir passando a boiada" de desregulamentações marcou a reunião interministerial que expôs a crise que é o governo de Jair Bolsonaro um ano atrás, 21.04.2020. Neste um ano desde então, o governo não apenas obteve sucesso em fazer com que diversas áreas do governo criassem normas e portarias que diminuíram o controle ambiental, como conseguiu colocar aliados negacionistas em órgãos ambientais na Câmara dos Deputados — o que pode levar a mudanças legislativas, mais difíceis de reverter do que despachos e decisões ministeriais. ou seja, a boiada passou, infelizmente. e, pior, se não fizermos nada rápido, corre o risco de continuar passando.  Ações de Salles trazem recordes de desmatamento e queimadas, grilagem, garimpo e invasão de terras indígenas. Estamos testemunhando uma verdadeira devastação ambiental. O governo bolsonaro está sacrificando a criação, sacrificando a terra.  O Brasil está sofrendo: amazônia desmatada, pantanal incendiado, mata atlântica invadida, animais carbonizados, praias e oceanos poluídos, biodiversidade devastada. A terra-brasil está gemendo com dores profundas. A necropolítica bolsonarista afeta também o ambiente, a natureza, os cosmos brasileiros, nossas terras e povos tradicionais. Nossa terra está colonizada pela morte.   no episódio de hoje, vamos conversar sobre as interfaces entre as políticas ambientais e discursos religiosos implicados nesta crise global. fizemos um overview na realidade global, para entender as dinâmicas geológicas, geopolíticas e filosóficas da crise; depois imergimos no contexto brasileiro para ressaltar as principais violências ambientais que tem sido colocadas em prática pelo governo; e, por fim, nos perguntamos como as tradições religiosas e espirituais nos ajudam a encontrar saídas e soluções aos problemas que este tempo de catástrofes nos apresenta. vamos junt@s!

    #07. "passar a boiada" é sacrificar a Terra | passagens
  3. 04/09/2021

    #05. teocracia evangélica & liberdade religiosa | passagens

    Na véspera da Páscoa, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, liberou a realização de missas e cultos religiosos em todo Brasil. A decisão liminar (provisória) seguiu no sentido de acolher as argumentações da ANAJURE, na qual argumentava que direitos fundamentais (liberdade de crença) estavam sendo descumpridos. Ontem, 08.04, mais precisamente quando o Brasil chegava à casa das 400 mil mortes em decorrência da COVID-19, o STF formou maioria no julgamento da ação proposta pelo PSD no sentido de declarar constitucional decretos que proíbam aglomerações em decorrência de reuniões, entre elas, missas e cultos. No programa desta semana debatemos a polêmica relação entre religião e política em torno dessas decisões do STF e analisamos o discurso do Advogado Geral da União em defesa de que igrejas cristãs tenham o direito de manter seus templos e reuniões abertas, mesmo no período mais dramático e letal da pandemia de COVID-19 no Brasil até hoje. A sustenção oral do AGU foi lamentável. Mesmo numa reunião plenária de um espaço público como o STF, sua participação mais se assemelhou a uma aula de escola bíblica dominical. Aula rasa, diga-se de passagem. O doutor advogado, um pastor presbiteriano que já foi ministro da justiça do atual governo, chegou a dizer que “não existe cristianismo sem casa de Deus”, se referindo aos templos religiosos. Isso mesmo que você ouviu: em pleno 2021, uma cristão protestante chamando templo de casa de Deus.  Em um estado democrático de direito, ousamos deixar umas perguntas para futuras reflexões e debates: estamos às vésperas de testemunhar uma teocracia evangélica? A tese de que nossa liberdade religiosa está ameaçada pelo STF tem alguma probabilidade? Enfim, vivemos uma ameaça à democracia e à laicidade do Estado ou estamos perdendo nossa liberdade religiosa? Qual tese faz mais sentido neste nosso Brasil catastrófico? Vamos conversar?

    #05. teocracia evangélica & liberdade religiosa | passagens
  4. 03/19/2021

    #03. a bíblia: entre o fetiche e a idolatria | passagens

    Nas palavras do poeta e pintor Inglês William Blake, "A bíblia é o grande código da cultura ocidental". Com todo seu poder performativo, profundidade estética e relevância ética para a formação de subjetividades e culturas, no entanto, a bíblia pode ser apreendida e tratada de forma fetichista e idolátrica, produzindo violências dos mais variados tipo. Em nome de Deus e de sua Palavra, muitos eventos sinistros, bizarros, grotescos e trágicos já foram produzidos neste mesmo horizonte ocidental. Então, se a Bíblia é capaz de despertar desejos tão contraditórios, questionamos: Como libertar a leitura da bíblia dessas lógicas violentas Como gerar leituras de libertação e esperança? Como encontrar beleza, graça, liberdade e amor ao invés de opressões, intolerâncias e ódios a partir da leitura desses textos e tradições? Como fazer uma experiência espiritual com este texto que não passe pelas violências geradas pelo fetichismo e pela idolatria para com a própria Bíblia? Neste episódio, passeamos pela história, pelas memórias, pelas tradições, pelos gêneros literários e por diversas metodologias de leitura da bíblia para oferecer a vocês caminhos libertadores e atraentes de imersão neste texto tão importante para a construção da nossa experiência humana e social. Recebemos o amigo e professor Dr. Kenner Terra para nos auxiliar nesta jornada de fé e conhecimento!

    #03. a bíblia: entre o fetiche e a idolatria | passagens

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