São Paulo Isolada

São Paulo Isolada

Projeto documental sobre os reflexos da pandemia na cidade de São Paulo. Toda segunda, quarta e sexta-feira um paulista fala sobre o que pensa, o que sente e o que quer para o futuro. Criado por Isabella Yoshimura.

  1. 10/01/2021

    #053: "Eu quero um futuro democrático"

    "Quero um futuro democrático. Que seja de esquerda, que seja de direita, mas que seja democrático. Eu acho que com a pessoa minimamente digna no poder e não esse cara que a gente elegeu, sabe? É isso e que, principalmente, além dessa pessoa melhor no poder - que acho que qualquer pessoa que entrasse agora ia ser melhor -, eu queria sei lá uma consciência no Brasil assim. Acho que é até clichêzão falar isso, de tipo, votaram, olha tudo que aconteceu. É isso mesmo? A gente vai continuar com isso? Olha tudo que aconteceu e olha para frente. Eu tenho medo desse cara ser reeleito por exemplo no nosso país, porque uma coisa que eu percebi muito é que hoje nosso país é um país muito preconceituoso. É um país muito homofóbico. A gente vê um presidente lá que tem claramente discursos racistas, homofóbicos, preconceituosos. Eu acho que isso é um pouco o reflexo da gente, porque se a gente não fosse diferente disso, talvez a gente não aceitaria uma voz dessa governando o nosso país. É sério que esse cara falou essa frase hoje? Ou sério que ele se comportou dessa maneira? Sério que aconteceu tudo o que a gente sabe que tá acontecendo desde que ele entrou, e principalmente na pandemia? Então que eu quero do Brasil do futuro é isso que você perguntou, mão na consciência. E pensamento no coletivo eu acho. Escolher alguém que, talvez não vai ser o melhor cara para você, mas você é só você assim, sabe? Olha ao redor, se conecta com as pessoas do seu lado, entende que a gente é uma coisa muito maior. A gente não é só gente assim, sabe?" JOSÉ MIGUEL NETO, 28 anos, em conversa no dia 24 de julho de 2021.

    20 min
  2. 09/21/2021

    #049: "Nós já estamos dentro de uma nova cultura"

    "Eu gosto de observar como é que vão sendo as coisas. Na minha área mesmo, por exemplo, você tá vendo aqui na sala que tem divã, e no online não tem divã. Então são novos o que a gente chama de 'settings', são novos settings que vão ter que ser criados. A pessoa não liga a câmera, ela tá atrás da câmera, atrás da tela ou não tá? Ou mesmo por exemplo pessoas que abrem a cam e estão de pijama, tão deitadas na cama e estão numa classe. É errado, é certo? Não, não tem um errado é certo, mas dentro desse contexto, por exemplo, o que que leva uma pessoa a se mostrar em público - nós estamos numa sala de aula, mesmo online, ela tá em público -, de uma maneira tão íntima? Será que pessoalmente ela iria de pijama para a aula? Mas por que que no online ela vai? Então o que que motiva isso? Que consequências isso pode ter, isso futuro vai mostrar para gente. Eu poderia tá elucubrando aqui, mas eu também não sei exatamente quais seriam as consequências disso. Porque nós estamos ainda vivendo isso. E mesmo pós-pandemia, eu acredito que a gente vai ter que um bom tempo de observação, porque se formou uma nova cultura. Nós já estamos dentro de uma nova cultura que eu estou acompanhando e vendo, dentro da minha área e tentando ver dentro de outras áreas, como é que as pessoas estão se costurando, como é que elas estão pensando, ou como é que elas estão agindo, o que que levou a agir deste jeito, né. Então eu continuo observando". ANTONIO GERALDO DE ABREU FILHO, 68 anos, em conversa no dia 5 de junho de 2021. Transcrição da conversa: https://saopauloisolada.com.br/?p=639

    29 min
  3. #048: "Quem que vai poder comemorar isso?"

    09/20/2021

    #048: "Quem que vai poder comemorar isso?"

    "Porque eu acho que existe uma narrativa que é muito do retorno, né? A gente foi privado de uma tanta coisa, [durante] tanto tempo, e aí beleza, agora tá tudo bem. Vai ser meio aquele momento de tipo fogos de artifício assim, todo mundo tipo: 'Nossa, finalmente!'. Só que de novo, isso para quem? Quem que vai poder comemorar isso? Cara, quem perdeu parente não vai comemorar isso do mesmo jeito, né? Enfim, por mais que as coisas queiram que a gente chama de "normal", cara, não é normal o que vai acontecer agora na volta. Não é normal o que está passando. Não sei se a gente vai conseguir normalizar essa situação. Tá todo mundo meio que em ebulição assim né? Tudo vai voltar àquele ritmo louco assim, mas com essa tragédia no nosso retrovisor assim bem pertinho da gente, né? Como que isso tudo vai se converter pra gente eu não tenho a menor ideia, mas de novo, eu espero que isso seja um crescimento. Espero que a gente lembre, leve os aprendizados para isso: 'Ó, esse aqui é o preço que se paga quando a gente faz escolhas burras', achando que uma pessoa que já tinham sinalizado para gente que não defende a ciência, que tipo é preconceita, homofóbica, racista, machista, incompetente, corrupta. Você põe uma pessoa dessa para gerenciar um país achando que o que vai acontecer é… Um milagre, né? Só pode". ADAUTO BRAZ, 24 anos, em conversa no dia 4 de julho de 2021. Transcrição da conversa: https://saopauloisolada.com.br/2021/09/20/quem-que-vai-poder-comemorar-isso/

    35 min

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