SOBRE O THE BRIEF O THE BRIEF foi criado para tornar o multilateralismo, a diplomacia, as políticas de tecnologia e a governança global mais fáceis de acompanhar — com contexto, entrevistas e análises feitas com as pessoas que estão moldando essa agenda. As nossas entrevistas destacam diplomatas, funcionários das Nações Unidas, servidores internacionais, economistas, líderes em tecnologia, cientistas, figuras culturais e especialistas em políticas públicas que atuam em Genebra, Nova York, Bruxelas e além. Se você está nos lendo pela primeira vez, comece aqui: Assista às entrevistas e vídeos do THE BRIEF no YouTube:https://youtube.com/@The_Policy_Brief/videos Explore todo o arquivo do Substack:https://theunbrief.substack.com/archive Ouça os episódios do podcast THE BRIEF no Substack:https://theunbrief.substack.com/podcast Entre as publicações recentes e de arquivo estão coberturas sobre a escolha do novo Secretário-Geral da ONU, governança da inteligência artificial, cibersegurança, crises humanitárias, clima, comércio, diplomacia, diplomacia cultural e entrevistas com representantes do sistema ONU, OMC, UIT, UNICEF, Paris Peace Forum, GESDA, além de líderes globais da diplomacia, negócios, ciência e artes. O THE BRIEF é independente, baseado em Genebra, e focado nas questões que moldam a cooperação internacional em um momento em que o sistema multilateral enfrenta crescente pressão. Assine, assista, ouça e compartilhe com colegas que acompanham diplomacia, relações internacionais, Nações Unidas, políticas de tecnologia e governança global. #THEBRIEF #Diplomacia #Multilateralismo #GovernançaGlobal #PolíticaTecnológica #GovernançaDaIA #Genebra #PolíticaExterna #RelaçõesInternacionais Vaticano: IA Deve Servir Para o Desenvolvimento Econômico Global e Incluir as Pessoas Mais Vulneráveis A encíclica Magnifica Humanitas, a primeira do Papa Leão XIV, coloca a questão do futuro da humanidade, a justiça social, e o avanço econômico dos países em desenvolvimento na era da inteligência artificial. O documento parte da ideia de que a humanidade está diante de uma escolha moral: construir uma nova “torre de Babel”, marcada por poder, uniformização, lucro e dominação tecnológica, ou reconstruir uma “Jerusalém” simbólica, baseada em responsabilidade comum, dignidade humana, justiça e comunhão. A tese principal é que a tecnologia não é neutra. Ela carrega os interesses de quem a concebe, financia, regula e utiliza. O documento afirma que a IA deve ser julgada à luz da dignidade humana, do bem comum, da justiça social, da subsidiariedade e da solidariedade. A encíclica critica a concentração de infraestrutura digital, dados, plataformas e capacidade computacional nas mãos de poucos atores privados globais, porque isso pode gerar novas formas de dependência, exclusão, manipulação e desigualdade. Esta encíclica trata da IA como transformação histórica comparável à questão de política industrial e às tensões entre capital e trabalho levantadas pelo Papa Leo XIII na sua encíclica Rerum Novarum, publicada em maio de 1891. Participação da Anthropic Christopher Olah, cofundador da Anthropic e chefe de pesquisa em interpretabilidade de IA, foi um dos palestrantes oficiais na apresentação da encíclica, ao lado de cardeais, teólogos e acadêmicos. Vatican Press A função pública de Olah foi a de interlocutor técnico e moralmente significativa: um representante de uma empresa líder em IA que reconheceu, diante do Vaticano, que os laboratórios de fronteira operam sob pressões comerciais, geopolíticas e pessoais que podem entrar em conflito com o bem comum. Olah destacou três desafios: a responsabilidade diante dos pobres e da desigualdade global; a necessidade de repensar o florescimento humano e familiar num mundo mediado por IA; e o discernimento ético dos próprios criadores de modelos de IA. EWTN Vatican A importância da Anthropic, portanto, é simbólica e estratégica. O Vaticano não convidou apenas reguladores ou teólogos; colocou no centro do lançamento um ator de dentro da indústria de IA. Isso reforça a mensagem da encíclica: a governança da IA não pode ser deixada apenas aos laboratórios, aos mercados ou aos Estados, mas precisa envolver comunidades religiosas, sociedade civil, governos, pesquisadores, educadores e pessoas afetadas pela tecnologia. Oficialmente, a encíclica foi assinada em 15 de maio de 2026, no 135º aniversário da promulgação de Rerum Novarum, do Papa Leo XIII em 15 de maio de 1891, e apresentada em 25 de maio de 2026, na Aula do Sínodo, na presença do Papa Leo XIV. Leão XIV afirmou que Magnifica Humanitas “nasceu da escuta”: escuta de cientistas e engenheiros, líderes políticos, servidores públicos, pais, professores, vítimas de exclusão algorítmica e preocupações com armas autônomas. Essa explicação oficial enquadra o processo de criação como um exercício de escuta pastoral, teológica e social, não como um relatório técnico. Qual é a função de uma encíclica Uma encíclica é uma carta papal de alto peso doutrinal e pastoral. Não é um simples artigo de opinião, nem um regulamento técnico. A sua função é orientar a Igreja — e “todas as pessoas de boa vontade” — sobre temas morais, espirituais, sociais e políticos relevantes para uma época. No caso de Magnifica Humanitas, a função é inserir a IA dentro da tradição da doutrina de justiça social da Igreja. O próprio documento afirma que não pretende oferecer um tratado técnico sobre IA, mas inserir critérios essenciais de discernimento moral e social no discurso global. Em linguagem prática: a encíclica não diz qual algoritmo usar, que lei específica aprovar ou qual arquitetura técnica adotar. Ela oferece uma moldura normativa: dignidade humana, responsabilidade, transparência, controle público, justiça social, paz, proteção dos vulneráveis e oposição à lógica de dominação tecnológica. Houve antes uma encíclica focada em tecnologia? Não exatamente neste formato. Houveram encíclicas sociais anteriores que trataram de transformações técnicas, econômicas e industriais, mas Magnifica Humanitas parece ser a primeira encíclica papal dedicada de forma sistemática à inteligência artificial. O antecedente mais importante é Rerum Novarum de Leão XIII, de 1891, que respondeu à questão operária e à transformação industrial. Laudato si’, de Francisco, também criticou o “paradigma tecnocrático” e abordou ciência, tecnologia e ecologia, mas não era uma encíclica especificamente sobre IA. A própria Magnifica Humanitas cita documentos anteriores recentes sobre IA, incluindo a nota Antiqua et nova de 2025, mensagens de Francisco sobre IA e comunicações, e discursos sobre IA no G7, mas esses não eram encíclicas centradas exclusivamente no tema. A força política do documento está em deslocar a discussão sobre IA de um debate de inovação para um debate de poder. A encíclica não se limita a perguntar se a IA será eficiente, produtiva ou competitiva. Ela pergunta: quem controla essa tecnologia, quem lucra com ela, quem fica vulnerável, quem é excluído e que tipo de humanidade está sendo construída. A presença de Christopher Olah, da Anthropic, torna o lançamento mais relevante porque dá ao texto uma ponte direta com a indústria de IA de fronteira. Mas também cria tensão: a encíclica critica justamente o poder concentrado de atores privados transnacionais, enquanto convida um líder de uma dessas empresas para validar a necessidade de discernimento externo. Essa tensão é provavelmente deliberada. O Vaticano está dizendo que a IA não pode ser governada sem os seus criadores, mas tampouco pode ser governada apenas por eles. Assine a THE BRIEF Para saber mais: Vaticano: Papa Leão XIV provoca debate público sobre inteligência artificial Embora outros Papas já tenham feito referências ao impacto da tecnologia sobre a humanidade, esta é a primeira encíclica que aborda a inteligência artificial de forma direta e sistemática. Alguns dos principais precedentes são: João Paulo II — Redemptor Hominis, 1979.João Paulo II perguntou explicitamente se o progresso tecnológ… This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit theunbrief.substack.com/subscribe