Olá, eu sou Leo Lopes e num oferecimento da Auphonic - seu piloto automático de áudio, está de volta o Pod Notícias, o podcast que traz até você um resumo de tudo o que acontece de mais importante no mercado de podcasts no Brasil e no mundo! Hoje é segunda-feira, dia 05 de outubro de 2026, e esta é a nossa 38ª edição! Antes da nossa manchete eu quero anunciar que a partir de agora o Pod Notícias tem também uma Newsletter, enviada diretamente para o seu e-mail 3x por semana, sempre às 9 da manhã, pra você acompanhar de perto toda a movimentação do nosso mercado, que cresce a cada dia. Na edição de segunda você recebe o resumo do episódio da semana com os links pra ouvir no seu agregador preferido, e na quarta e na sexta você recebe as principais notícias dos últimos dias, que não necessariamente vão entrar no podcast. Então se você é ouvinte, podcaster, trabalha em produtora, agência ou representa alguma marca, ou atua em qualquer etapa da cadeia produtiva de podcasts, não deixe de assinar a nova Newsletter agora mesmo em podnoticias.com.br! 1. Netflix já é a terceira maior porta de entrada pro podcast nos Estados Unidos A Sounds Profitable soltou a primeira parte do Podcast Landscape 2026, o raio-x anual de como os americanos consomem podcast, e o dado mais chamativo desta edição não é um crescimento . O alcance geral ficou estável: 74% dos adultos americanos já ouviram algum podcast e 55% ouviram no último mês, tudo dentro de um ponto percentual em relação a 2025, mas, por dentro dessa estabilidade, a composição das plataformas mudou bastante. O YouTube continua líder absoluto, com 63%, o Spotify vem em segundo lugar, com 33%, e, olha só, quem aparece em terceiro lugar, já na frente do Apple Podcasts, é o Netflix, com 21% - isso no primeiro ano em que a plataforma passou a hospedar podcast de verdade. O Tom Webster, da própria Sounds Profitable, fez um alerta que eu assino embaixo: todo mundo reclama que YouTube e Spotify são jardins murados, mas o Netflix é o jardim murado de verdade, porque quase ninguém entra lá, e quem entra corre o risco de ser cancelado se não der lucro rápido. Pra ele, colocar seu programa no Netflix pode até ser um acordo com o capeta, porque no fim das contas você não importa pra eles. E a própria Netflix parece estar se organizando por dentro pra sustentar esse crescimento: segundo a newsletter Like & Subscribe, do Ankler, a empresa está contratando um Head of Podcasts, que vai responder direto pro Brandon Riegg, vice-presidente de conteúdo não-ficção e esportes. A vaga ainda nem foi publicada oficialmente, mas já é um sinal de que a Netflix quer subir o nível de atenção que dá pro formato. Pode ser cedo pra cravar que existe uma estratégia robusta de podcast original vindo por aí, mas contratar gente de peso pra cuidar do assunto costuma ser o primeiro sinal de que uma empresa grande resolveu levar isso a sério. Eu confesso que fico na dúvida se o alerta do Tom Webster vai ser ouvido a tempo, porque o apetite por distribuição em qualquer tela continua maior do que o medo de depender de uma plataforma fechada. Fonte: Sounds Profitable 2. Podcast Movement estreou em Nova York sem Apple, Spotify e YouTube, e com o RSS no centro do palco O Podcast Movement trocou o salão de hotel pelo Terminal 5, uma casa de shows, pra sua estreia em Nova York, nos dias 17 e 18 de setembro - já uma pista de que o evento queria sinalizar autocrítica do setor. E olha que curioso: as três plataformas que mais definem como um programa é descoberto e consumido hoje, Apple Podcasts, Spotify e YouTube, nem montaram estande. James Cridland resumiu o clima com uma frase seca: “não deixem ninguém tirar o RSS de vocês”, batendo na tecla de que a abertura do podcast precisa de defesa enquanto as plataformas grandes insistem em fechar o jardim murado. Do lado prático, Bruce Chamoff recomendou título de episódio com menos de sete palavras pra SEO no Google, apontou o Reddit como decisivo pra aparecer em resposta de ferramenta de IA, e indicou Speechify e Otter.ai como opção gratuita de transcrição. O Tom Webster trouxe um dado que eu gostei: 15% dos adultos americanos não têm nenhuma conexão social com podcast, ou seja, ainda sobra bastante público pra crescer. E teve climão também: o pessoal saiu chamando conteúdo gerado por IA de “a pior coisa do planeta”, porque o público sente na hora quando falta gente de verdade do outro lado do microfone. Pra quem não teve orçamento (ou visto) pra ir até Nova York, vale lembrar que, pelo Dia Internacional do Podcast, o próprio Podcast Movement liberou de graça as 82 sessões gravadas no evento, cobrindo todos os palcos, e já dá pra assistir direto no YouTube. Fonte: CastNews 3. Disney+ e Hulu vão dobrar a quantidade de “podcasts” no catálogo A Disney também quer uma fatia desse bolo e vai dobrar o número de “podcasts” disponíveis no Disney+ e no Hulu. Dois programas novos da Headgum, Best Friends e Perfect Person, vão estrear com uma semana de vantagem nessas plataformas antes de chegarem a qualquer outro lugar, e um “podcast” da ABC News já estreou com exclusividade por lá. O próprio Podnews fez questão de colocar a palavra podcast entre aspas ao comentar a notícia, e eu concordo com a ressalva: conteúdo em vídeo pensado para estrear direto num serviço de streaming fechado, sem RSS, sem feed aberto e sem possibilidade de ouvir no seu agregador de áudio preferido, não é exatamente a mesma coisa que o formato que a gente conhece. Mas o movimento importa de qualquer jeito: mais um gigante do streaming decidindo que vale a pena usar o rótulo podcast pra atrair público e reter assinante, mesmo distorcendo um pouco a definição pelo caminho. Fonte: Podnews AINDA EM NOTÍCIAS DA SEMANA 4. Guy Raz recompra o “How I Built This” da NPR e fecha com a Vox Media pra fazer vídeo Guy Raz, apresentador do How I Built This, recomprou a propriedade total do seu podcast junto à NPR; o programa, que já tinha sido licenciado pra Amazon Music e Wondery em 2022, volta a ser dele. E a novidade não para aí: ele fechou uma parceria com a Vox Media pra lançar episódios em vídeo ainda neste outono americano, de olho em YouTube e redes sociais, com o dobro de episódios por semana a partir do ano que vem. Não ficou claro no anúncio o que acontece com a versão em rádio, que roda desde 2016. Pra mim, é mais um apresentador consagrado decidindo que compensa mais ser dono do próprio negócio do que empregado de uma rede, e essa tendência só cresce: quem construiu audiência e confiança ao longo de anos não quer mais dividir o controle da própria marca com ninguém. Fonte: Hollywood Reporter 5. Depois de admitir que a “fábrica de podcast com IA” era propaganda, o mercado recebe outro balde de água fria sobre apresentador de inteligência artificial A Inception Point AI, empresa que ficou conhecida (e criticada) por produzir milhares de podcasts gerados por inteligência artificial em série, agora admite que parte disso pode ter sido puro jogo de marketing. Em entrevista ao podcast Lead Balloon, do próprio Podnews, a CEO Jeanine Wright reconheceu que parte da publicidade era estratégia pra chamar atenção. A rede Quiet Please, que já teve milhares de programas ativos, hoje tem só 300 no ar, e a empresa nem tenta mais monetizar boa parte deles; aliás, ela já se rebatizou de Liquid Studios e passou a se vender como quem transforma conteúdo existente, em vez de gerar do zero. Eu fico com o pé atrás quando o discurso muda tão rápido assim, porque geralmente não é epifania ética, é a estratégia anterior que parou de dar resultado. E uma pesquisa recente da Edison Research ajuda a explicar por que ela parou de dar resultado: 66% dos ouvintes semanais de podcast reagiram negativamente à ideia de ter um apresentador de inteligência artificial no lugar de uma pessoa de verdade, e a maioria descreveu o sentimento com uma palavra forte - traição. O ouvinte de podcast busca justamente a conexão humana com quem fala, e isso não dá pra terceirizar pra um modelo de linguagem sem pagar um preço de confiança. Fonte: Podnews 6. O apresentador continua sendo o maior trunfo de publicidade do podcast Saiu o The Podcast Study 2026, com 1.205 consumidores de podcast nos Estados Unidos ouvidos pela Point-To-Point Marketing e pela Strategic Solutions Research, com patrocínio de Crooked Media, NPR e PRX, e dado calibrado pelo Censo americano. E o resultado confirma o que quem está nessa mídia há tempo já sentia na pele: 82% dizem que o apresentador é parte grande ou a única razão de ouvir o programa, e 56% abandonariam ou pensariam seriamente em abandonar se o apresentador saísse. Do lado da publicidade, o dado que interessa direto ao seu bolso: anúncio lido pelo apresentador tem 48% mais influência percebida do que o pré-gravado, e 57% lembram melhor da marca quando é o host que endossa o produto. É exatamente esse ponto que o Dan Granger, CEO da Oxford Road, reforçou numa conversa recente com o Bryan Barletta, da Sounds Profitable: pra ele, a força de venda genuína do apresentador, falando com a própria voz sobre um produto que ele realmente usa, ainda pesa mais do que qualquer posicionamento programático de anúncio, não importa o CPM que a compra automatizada ofereça. E ele faz um alerta importante: quando o volume de anúncio por episódio sobe demais, geralmente o motivo não é a demanda do público, é o custo de um contrato caro demais fechado com um nome grande. Quem ouve podcast não está comprando anúncio, está comprando a confiança que depositou em quem fala, e essa confiança não se recria da noite pro dia trocando de apresentador. Fonte: CastNews / Podnews 7. Compra programática de an