FILOSOFIA CLÍNICA - Diálogos Transversais

Ana Rita de Calazans Perine / Instituto ORIOR

Clínica filosófica em dialógica com outras áreas do conhecimento e expressões humanas. Momentos de atravessamentos e conexões, onde minhas inquietudes talvez encontrem as de vocês e possamos avançar juntos... Por Ana Rita de Calazans Perine / Instituto ORIOR orior.com.br/ana-rita

  1. 6d ago

    Microviolências Cotidianas

    Abordamos dois movimentos pensados para atuar sobre as microviolências cotidianas, tanto aquelas dirigidas a nós mesmos e aos outros como a vida como um todo. O que nos reconecta para além das fraturas sociais? Elas que, sem pedir licença, invadem nossas mentes, alteram nossas emoções e marcam nossos corpos... Como perceber e ultrapassar pressas, desesperanças, apatias, ódios e cansaços? Como detectar tempos e modos que nos são próprios e exercitá-los na dinamicidade por vezes barulhenta dos redesenhos circunstanciais? O exercício demanda confiança, entrega e disposição para ler cenários internos e externos, flexibilizando as verdades que trazem, sem dogmatizar, universalizar e tomar como prontas e acabadas as narrativas. Se nem sempre é tarefa fácil vivenciar escuta, respeito, empatia, dignidade e amor em espaços humanizados, onde se abraça o não saber e se suspende juízos para acolher, o que dizer da transposição desses valores para zonas de choque, como habitualmente são as sociedades e as relações... Nesses espaços as microviolências são geradas, o silenciamento é imposto, o corpo controlado, a alma fragmentada e as perspectivas invisibilizadas. Nesse contexto surgem os encontros do "Círculo de Mulheres" e do "Coexistências e Conexões"... O Círculo de Mulheres, pensado exclusivamente para mulheres, onde juntas possamos levantar questões sistematicamente silenciadas, nomear o que nos liberta, exercitando autossuficiência, como sujeitos da experiência que somos. O Coexistências e Conexões, pensado para homens e mulheres. Desafios cotidianos podem ser facilitados pelo exercício da interdependência, movimento coletivo e interconectado que nos remete a pulsar e construir juntos, possibilitando expressões e expansões mútuas. Quando liberdade passa a experiência coletiva: em fluxo, ajustes, potência e coesão. Ana Rita de Calazans Perine orior.com.br/ana-rita

  2. Feb 28

    Percepção e Presença

    "Percepção e Presença são temas marcantes na Filosofia, com destaque para a tradição fenomenológica, tendo Edmund Husserl como expoente, coloca o corpo e a experiência vivida no centro da compreensão do ser no mundo. Destaco, ainda, Merleau-Ponty (rejeita a separação intelectualista entre corpo e mente), Heidegger (o “ser aí”, dimensão espaço temporal onde o ser se encontra e exercita seu modo de questionar a existência e ir, por meio dela, se tornando) e Jacques Derrida (questiona a metafísica da presença, regatando o papel da ausência, da diferença e do devir). Fenomenologia, estudo do fenômeno: como as coisas se mostram à consciência, pela consciência que se tem das coisas, com percepção e presença. Fenômeno como algo que se mostra e é aprendido. É necessário não saber para ver. Para capturar o inédito se faz necessário uma abertura ao novo de todo dia. Envolve “EPOQUÉ”, suspensão de juízo. Em alguns momentos é preciso esquecer para lembrar e ser atravessado como a primeira vez diante do germinar da semente, do pôr de sol, do olhar da pessoa amada, da luz e da sombra nos dias e em nós... Percepção não é apenas ver, é ser tocado pelo mundo através do corpo. Dos sentidos que geram sensações, que provocam sentimentos, que mobilizam pensamento e ação. Presença não é apenas estar presente, é engajamento pleno do sujeito, com sua história e corporeidade. Não é só estar junto, é ser junto, habitando espaços relacionais. Presença enraíza consciência no mundo e na intersubjetividade, na relação com o mundo, de fora e de dentro. Quer sejam pensados ou vividos, nossos corpos são eminentemente relacionais. Pensemos na respiração: inspiramos oxigênio, liberado das plantas e expiramos gás carbônico, matéria-prima da fotossíntese. No fenômeno e em cada um de nós a pluridimensionalidade existe em uma sucessão de agoras... Trazendo Lacan, transitaríamos cotidianamente entre real (impossível de ser nomeado), simbólico (linguagem e significantes) e imaginário (imagens, sentido e noção de eu). Trazendo Platão, que difundiu a visão grega clássica, revisitado por Jung, a realidade seria uma amálgama entre os planos inteligível (mundo arquetípico, das ideias) e sensível (mundo concreto, dos fatos). Diante destas pequenas observações nota-se estar a percepção também ligada ao repertório, contido na especificidade do sujeito, que dita sua capacidade de absorver o objeto, de legitimar a vida, de exercitar empatia, de respeitar diferenças e crescer com elas, sem deixar de custodiar dignidades, impondo limites sempre que necessários para que estas (dignidades) não sucumbam." Quanto ao documentário mencionado: “MICROCOSMOS – O Povo da Relva” / França, 1996. Direção: Claude Nuridsany e Marie Perennou. Produção: Jacques Perrin. Trilha Sonora; Bruno Coulais. Grande Prêmio Técnico / Cannes, 1996. Melhor fotografia, som, edição, música original e produtor / César, 1997. Ana Rita de Calazans Perine orior.com.br/ana-rita

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