O Poder do Feminino na Liderança da Cultura Popular Maranhense: História, Memória e Legado

Simone Ferro

Este é um projeto de pesquisa sobre comunidades tradicionais e ancestralidade africana – a posição da mulher e do feminino em religiosidades de matriz africana e cultura popular no Maranhão aonde eu entrevisto líderes comunitárias que fazem a diferença neste estado. É conduzido pelas Professoras Dra Marilande Martins Abreu, do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão e Simone Ferro do Departamento de Dança na Universidade do Wisconsin em Milwaukee nos Estados Unidos e tem apoio da Fulbright Brasil, UFMA, e UWM.

  1. May 19

    Marcia Guajajara Podcast

    Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho a grande alegria de entrevistar a educadora indígena, gestora escolar, líder comunitária e voz inspiradora na construção da educação em seu território, Márcia Regina Souza Guajajara. Márcia Guajajara nasceu em 19 de novembro de 1976, na Terra Indígena Rio Pindaré, onde vive até hoje e de onde afirma não querer sair. Criada em comunidade, teve uma infância marcada pelo trabalho coletivo, pela convivência com a natureza e pelos aprendizados do cotidiano ao lado dos pais — entre a roça, o lago e as brincadeiras simples, em um tempo anterior às tecnologias atuais. Mãe de cinco filhos e atualmente avó de oito netos, Márcia constituiu família ainda jovem, como é comum em muitas aldeias. É casada com Flauberth Rodrigues Sousa Guajajara. Após um período afastada dos estudos, retomou sua formação já adulta, enfrentando desafios como a distância e o acesso à educação fora da comunidade. Concluiu o ensino fundamental, formou-se no magistério e graduou-se em Pedagogia pela Faculdade de Ciências Wenceslau Braz (FACIBRA). Também possui especializações em Gestão Escolar, pela Faculdade Arthur Thomas, e em Educação Especial e Inclusiva, pela Faculdade Evangélica de Salvador (FACESA). Sua trajetória profissional começou como auxiliar de turma e evoluiu para a docência, a presidência da associação de pais e mestres e, posteriormente, a gestão escolar. Márcia integra uma geração de educadores indígenas que contribuíram para fortalecer a educação nas comunidades após a atuação da FUNAI. Sua história é marcada pela perseverança, pelo compromisso com sua comunidade e pelo desejo de aprender e ensinar, mantendo vivas as raízes culturais enquanto constrói novos caminhos na educação.

    48 min
  2. 11/14/2025

    Rosa Tremembé Podcast

    Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o grande privilegio de entrevistar a ativista, líder comunitária e defensora dos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais, Rosa Tünycwyj Tremembé. Rosa nasceu em Acaraú, no Ceará, filha e neta de cearenses do povo Tremembé — um povo indígena tradicionalmente andante, com forte presença no litoral do Nordeste, entre o Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão e até o Amazonas. Sua família sempre manteve vínculos com o Maranhão, especialmente nas regiões de Raposa e Cumbique. Desde criança, Rosa vivenciou a luta do seu povo por território e dignidade. Seus pais migraram entre Ceará e Maranhão fugindo de conflitos fundiários e da seca, mantendo viva a tradição de resistência. Criada em ambiente simples, Rosa aprendeu com os pais e avós os costumes Tremembé: a alimentação tradicional, os remédios caseiros, os rituais do Torém e o valor da terra como espaço sagrado. Em Fortaleza, viveu parte da juventude, estudou e trabalhou como professora. Foi também nesse período que se aproximou das Comunidades Eclesiais de Base e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). A partir dessa vivência, reencontrou suas origens e fortaleceu seu engajamento nas lutas pela visibilidade e pelos direitos dos povos indígenas. Inspirada em mulheres como sua avó Rosa e Chica da Lagoa Seca — guardiãs da memória e do Torém —, assumiu sua identidade com orgulho e coragem, transformando sua trajetória pessoal em um ato político e coletivo. No Maranhão, Rosa consolidou seu compromisso com a causa Tremembé, participando da articulação de núcleos de apoio, da defesa territorial e da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão. Sua trajetória representa a força feminina e a resistência contínua de um povo que, apesar das perseguições e do silenciamento histórico, insiste em existir, falar e celebrar a vida em comunhão com a natureza.

    1h 15m
  3. 09/10/2025

    Celia Cantanhede Podcast

    Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o grande prazer de entrevistar a empreendedora cultural, guardiã da cultural afro-maranhense e coreira, Celia Cantanhede. Nascida em 16 de abril de 1960, na comunidade Beira de Campo, em Floresta (MA), Celia Cantanhede cresceu imersa na cultura popular maranhense, especialmente no Tambor de Crioula. Desde a infância, acompanhava as festas de pagamento de promessa organizadas por seu pai, devoto de São Benedito, e logo o Tambor de Crioula e o Forró de Caixa passaram a fazer parte do seu sangue e identidade. Na vida adulta, viveu por mais de 20 anos em Brasília, onde se distanciou das raízes culturais. No entanto, ao retornar ao Maranhão, redescobriu sua paixão e compromisso com a cultura popular. Em 2004, já morando na cidade de Central do Maranhão, fundou com outros parceiros uma associação cultural dedicada ao resgate e à valorização das manifestações tradicionais da região, como o Tambor de Crioula, o Forró de Baixa e o Bumba Meu Boi. Em 2005, criou o Grupo de Tambor de Crioula Raiz Africana, um dos pioneiros do município com estrutura para apresentações formais. Desde então, segue à frente do grupo, trabalhando incansavelmente para preservar, ensinar e difundir o Tambor de Crioula nas comunidades do interior maranhense, onde essa expressão cultural corre o risco de desaparecer com o passar das gerações. Com mais de 60 anos, Dona Celia continua sendo uma guardiã incansável da cultura afro-maranhense, mantendo viva a herança que recebeu na infância e lutando para que as futuras gerações também possam reconhecê-la como parte fundamental de sua identidade.

    48 min
  4. Maria de Jesus Conçeição Podcast

    02/24/2025

    Maria de Jesus Conçeição Podcast

    Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o prazer de entrevistar a líder comunitária Maria de Jesus Conceição. Nascida no dia 9 de maio de 1965 em São Luis, Maria é técnica de enfermagem, faz parte da guarda municipal de São Luís e é filha-de-santo do Terreiro Pedra de Encantaria, do Pai José Itaparandi, localizado no bairro do Maiobão, na grande São Luís. Maria nasceu e cresceu no ambiente do terreiro, pois a sua avó paterna, Margarida Mota, tinha um terreiro que ficava no Lira, atrás do cemitério do Gavião, e sua mãe era filha de santo de Mãe Mundica da Vila Passos. Crescendo em Terreiros de Mina, ela conviveu desde cedo com José Itaparandi que no futuro se tornaria filho de Santo de Mãe Mundica.   A sua mediunidade começou cedo, quando aos 13 anos caiu no santo. No entanto a sua mãe não queria que a filha fosse iniciada na Mina, uma vez que queria priorizar os estudos da filha. Foi desta forma que ela conseguiu que suspendessem a corrente de Maria até que ela completasse 18 anos. E assim foi.  Continuando a sua vida acadêmica, Maria se graduou como Bacharel em Contabilidade pela UEMA, agregando uma Licenciatura em Matemática pela FACAM, o que permitiu que ela tivesse a oportunidade de trabalhar em diversas escolas. Além disso, ela obteve nível técnico em enfermagem e, em 1991, ela passou para a Guarda Municipal de São Luís. Após a inauguração da Casa da Mulher Brasileira em 2017, localizada no bairro do Jaracaty em São Luís, Maria foi selecionada para trabalhar na Delegacia Especial da Mulher, onde até hoje ajuda mulheres que sofrem violência domestica através de medidas protetivas e colabora com diversos programas elaborados com o intuito de promover o empoderamento das mulheres. Naquele mesmo ano, Maria se tornou filha do terreiro Pedra de Encantaria, e continuou o seu aprimoramento espiritual como filha de santo de Pai Itaparandi. Em 2020, ela foi iniciada no seu santo. A trajetória de Maria, como mulher preta dedicada à espiritualidade e também ao bem-estar das inúmeras mulheres com quem ela interage diariamente, fazem dela uma pessoa altruísta cujas ações traduzem valores humanos, respeito e solidariedade para com o próximo. Bem-vinda Maria.

    50 min
  5. 11/08/2023

    Dra Mundicarmo Ferretti Podcast

    Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho a honra de estar entrevistando a Doutora e Mestre em Antropologia e Mestre em Administração Pública, Professora Emérita da Universidade Federal do Maranhão e da Universidade Estadual do Maranhão, Dra. Mundicarmo Maria Rocha Ferretti. Conhecida nacionalmente por suas pesquisas sobre religiões de matriz Africana e do rico folclore maranhense, Dra. Mundicarmo nasceu em Pau dos Ferros, no sertão do Rio Grande do Norte, chegando ao Maranhão com onze anos. Estudou no Colégio Santa Teresa em São Luiz e fazendo graduação em Filosofia na Universidade Federal do Maranhão e Mestrado em Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas. Mais tarde realizou um segundo mestrado, com ênfase em Antropologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte tendo como foco a música de Luiz Gonzaga. Concluiu sua formação acadêmica na Universidade de São Paulo, realizando doutorado em Antropologia defendendo a tese O caboclo no Tambor de Mina na dinâmica de um terreiro de São Luís: a casa Fanti-Ashanti. Entre 1991 e 2010 foi secretária administrativa do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira (INTECAB-MA). Desde 1992, é membro da Comissão Maranhense de Folclore e membro titular da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Professora Emérita e Titular da Universidade Estadual do Maranhão; Professora e Colaboradora da Pós-Graduação em Políticas Públicas e em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão onde é vice coordenadora do Grupo de pesquisa em religião e cultura popular GPMINA, e da Universidade Estadual do Maranhão. Dra. Mundicarmo possui vários trabalhos premiados for órgãos de cultura locais e nacionais e alguns também divulgados no exterior. Foi companheira de muitas décadas do saudoso antropólogo Prof. Sergio Ferretti.

    1h 34m
  6. 07/21/2023

    Cintia Guajajara Podcast

    Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o grande prazer de entrevistar a ativista, líder comunitária, escritora, cantora, guardiã e defensora dos direitos indígenas, Cintia Tenetehára, mais conhecida como Cintia Guajajara. Nascida de uma união entre a cultura indígena e a do homem branco, na Aldeia Lagoa Quieta, localizada na Terra Indígena Arariboia, na região sul do Maranhão, Cintia cresceu em uma família de liderança, sempre tendo uma relação íntima com a Mãe Terra. Estudou em Campo Formoso, indo para a cidade grande muito cedo. A partir de 1992, começou a ensinar a língua indígena na aldeia a pedido do seu Pajé.  Cintia é formada em Ciência da Educação pela Universidade Federal de Goiás, e é a primeira mulher mestre em linguística Guajajara, observando uma pedagogia progressista ensinando o método Freiriano. O estudo e a imersão no meio acadêmico ampliou a importância da sua reivindicação das identidades étnicas. Em sua longa jornada como ativista, ela abraça a causa das mulheres indígenas visando o seu empoderamento e autonomia e incluindo sua participação na politica. Foi candidata à vereadora de Amarante do Maranhão, quando levantou discussões em torno das espiritualidades indígenas relacionando-as a saúde e cura desses povos, além de reconhecer a importância das questões relacionadas ao meio ambiente.  Cintia articulou a criação da AMIMA (Articulação das Mulheres Indígenas do Maranhão), onde hoje é Vice Coordenadora, e é presidente do conselho da UMIAB (União das Mulheres Indígenas da Amazonia Brasileira).  Ela luta pelo movimento indígena, memória dos seus antepassados, e sua força espiritual auxilia na luta contra o racismo e o preconceito. Cintia acredita no protagonismo das mulheres nos movimentos sociais. Ela é prima de Sonia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    33 min

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Este é um projeto de pesquisa sobre comunidades tradicionais e ancestralidade africana – a posição da mulher e do feminino em religiosidades de matriz africana e cultura popular no Maranhão aonde eu entrevisto líderes comunitárias que fazem a diferença neste estado. É conduzido pelas Professoras Dra Marilande Martins Abreu, do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão e Simone Ferro do Departamento de Dança na Universidade do Wisconsin em Milwaukee nos Estados Unidos e tem apoio da Fulbright Brasil, UFMA, e UWM.