Um Papo sobre Som

Pedro Schwarcz

Curiosidades e análises sobre som feitas por um não músico. Eu sou Pedro Schwarcz, um completo louco. Produção: Baioque Conteúdo | Roteiro e apresentação: Pedro Schwarcz | Direção: Newman Costa | Edição: Felipe Caldo | Redes: Luiz Fujita e Tainah Medeiros | Arte: Juliana Barbosa

  1. #23 | Gang of Four e o pós-punk cerebral, visceral e disruptivo

    11/24/2023

    #23 | Gang of Four e o pós-punk cerebral, visceral e disruptivo

    Olá, pessoal! Neste episódio vamos falar de um disco muito querido do podcaster: Entertainment (1979)! ‌Em 1976, formava-se uma das bandas que, em meio ao cenário punk, iriam definir a sonoridade - ou uma das muitas sonoridades - do universo do pós-punk. O Gang of Four lançou seu primeiro álbum, Entertainment, em 79, já dois ou três anos depois das estreias de Sex Pistols, The Clash, Ramones e do Blank Generation de Richard Hell and the Voivoids. Também mais de 5 ou 6 anos depois de New York Dolls e do Glam, alguns anos depois de Horses da Patti Smith e mais de 10 anos depois das bandas do proto-punk, como The Stooges, Velvet Underground e MC5 sacudirem o mundo do #rock e nublarem o mundo colorido dos anos 60.‌ Mesmo anos depois de tudo isso, junto com Fear of Music (do Talking Heads de David Byrne), Metal Box PiL (de Johnny Rotten, ex-Sex Pistols), ou mesmo Y (do The Pop Group, banda experimental representante inglesa da chamada No Wave), Entertainmen revolucionou o rock e o punk, colocando outros estilos como funk, disco, dub e dance no caldo do punk. Foi um dos discos definidores de uma das muitas sonoridades do pós-punk subsequente. Influenciou muitas cenas posteriores, de Red Hot Chilli Peppers a U2, Nirvana, Fugazi a INXX, Franz Ferdinand, Rage Against the Machine. No Brasil, Titãs, Paralamas, Legião ou mesmo bandas do cenário mais underground do pós-punk, como Smack. Muitas bandas bem diferentes em seus estilos manifestaram essa influência. O caldo, o creme do podcast está na análise das letras e da poética fina da banda. Fina e punk, sofisticada e punk. Gang of Four mostrou que isso é possível. Suas letras eram politizadas, mas não recheadas de citações a história e invocações à luta como o The Clash, nem cuspindo impropérios contra a monarquia e o status quo, como o Sex Pistols e sua fúria anarquista. O Gang of Four sempre esteve mais interessado em colocar a política sob um verniz menos direto, mas ao mesmo tempo escancarado em uma poética que refletia uma sociedade do espetáculo doente, em que o fetichismo exacerbado da indústria cultural e do entretenimento criavam uma espécie de disfuncionalidade nas relações afetivas, pessoais e amorosas. Bora dar o play! Segue a gente lá no insta: @umpaposobresom Produção: Baioque Conteúdo Roteiro e apresentação: Pedro Schwarcz Direção: Newman Costa Edição: Felipe Caldo Redação: Luiz Fujita e Paulo Borgia Arte: CRIO.LAH

    26 min
  2. #22 | Billie Holiday, a fruta estranha

    10/20/2023

    #22 | Billie Holiday, a fruta estranha

    Na voz de Billie Holiday em 1939, essa icônica canção e poema de três estrofes de Abel Merpool, um professor judeu americano e compositor filiado ao partido comunista,  ganhou destaque como uma das maiores bofetadas contra o racismo, a canção modelo que praticamente inspirou boa parte das canções de protesto americanas que vieram depois. A primeira versão foi na voz da também cantora de jazz Laura Duncan, mas foi Holiday que de fato a fez virar uma canção símbolo da luta antirracista. A canção se tornou tão significativa que mereceu uma bela biografia do jornalista David Margolick, “Strange Fruit: Billie Holiday e a biografia de uma canção”. Os versos descrevem através da dura e bela metáfora “fruto estranho” as práticas de linchamento e assassinato de corpos negros que eram pendurados em árvores. Leonard Feather, crítico importante de jazz, considera a primeira canção de protesto relevante na história da música, "o primeiro clamor não emudecido contra o racismo”. Margolick, autor do livro, cita como a música vivia em uma espécie de “quarentena artística”. Não era seguro cantá-la e mesmo nos lugares onde conseguiam executá-la ela podia ser recebida negativamente . Ele fala do contraste entre uma cantora negra que cantava com profundo sentimento uma canção trágica de protesto sobre linchamentos e uma plateia branca que saía para se divertir, dar umas risadas, encher a cara e, no fim, ficava em choque. Aperta o play! Músicas Strange Fruit (Billie Holliday)Strange Fruit (Nina Simone)Strange Fruit (Mal Waldrom)Strange Fruit (Sidney Bechet)Strange Fruit (Wynthon Marsalis quinte & Richard Galliano)Strange Fruit (Sting e Gill Evans)Strange Fruit (Cocteau Twins)Strange Fruit (Siouxie and the Banshes)Produção: Baioque Conteúdo Roteiro e apresentação: Pedro Schwarcz Direção: Newman Costa Edição: Felipe Caldo Redação: Luiz Fujita e Paulo Borgia Arte: CRIO.LAH Segue a gente lá no insta: @umpaposobresom Produção: Baioque Conteúdo Roteiro e apresentação: Pedro Schwarcz Direção: Newman Costa Edição: Felipe Caldo Redação: Luiz Fujita e Paulo Borgia Arte: CRIO.LAH

    27 min

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Curiosidades e análises sobre som feitas por um não músico. Eu sou Pedro Schwarcz, um completo louco. Produção: Baioque Conteúdo | Roteiro e apresentação: Pedro Schwarcz | Direção: Newman Costa | Edição: Felipe Caldo | Redes: Luiz Fujita e Tainah Medeiros | Arte: Juliana Barbosa