Logon Podcast

Rosacruz Áurea

Logon é a revista online da Escola da Rosacruz Áurea. LOGON explora uma nova perspectiva do desenvolvimento do ser humano e das mudanças na sociedade do século 21, que emergem na arte, na ciência e na religião. Visite nosso site: www.logon.media/pt-br

  1. 3D AGO

    #210 O novo pensamento

    O Novo Pensamento Os pensamentos nascidos de consciências e realidades de existência diferentes, como os daqueles com referências ou orientação espirituais, às vezes parecem completamente ilógicos do ponto de vista da nossa consciência egocêntrica. Eles se baseiam no Amor e na Verdade que irradiam em seu ser a partir do princípio espiritual crescente dentro deles e constroem padrões inteiramente novos e imperecíveis. O Novo Pensamento Para a ciência esotérica, pensamentos são seres vivos, as chamadas formas-pensamento. Essas estruturas circulam no campo energético que envolve cada indivíduo, por meio de seus sentimentos e desejos. Ao mesmo tempo que se conectam a eles, os influenciam. Se um indivíduo deixa de pensar em uma determinada direção, ele para de alimentar a forma-pensamento correspondente. Consequentemente, esta começa a perder energia e “desmaia”. Isso faz com que ela tente influenciar seu criador e “forçá-lo” a pensar novamente naquela direção. Por outro lado, quanto mais se pensa em coisas consideradas importantes, mais fortes se tornam as formas-pensamento correspondentes. Em certo ponto, elas se tornam tão fortes que exercem uma influência irresistível sobre seu criador, os chamados “pensamentos obsessivos”, dos quais é tão difícil se libertar. A tarefa é ainda mais difícil pelo fato de que as formas-pensamento de um indivíduo estão conectadas, em um nível energético, à formas-pensamento semelhantes de todas as outras pessoas. Desse modo, elas se nutrem mutuamente e se agrupam, podendo acumular uma energia enorme. O apoio mútuo dos pensamentos torna muito difícil a tarefa do pensamento puro, pelo qual as pessoas de orientação espiritual se esforçam e que é incomum para muitos.  Por isso é que se diz que, além de superar a si mesmo, é preciso também superar o mundo. É também por isso que, se os pensamentos das pessoas de orientação espiritual são puros e dedicados ao seu trabalho pelo mundo e pela humanidade, tais pensamentos têm um efeito tão curativo. Por meio deles, a nuvem de energia dos pensamentos inferiores perde gradualmente seu poder e se purifica. Além disso, o campo energético criado por esses pensamentos puros tem o poder de apoiar os indivíduos em seu caminho espiritual. Os seres humanos constroem padrões de pensamento que os ajudam a alcançar diversos objetivos e a realizar intenções e desejos. Esses padrões são baseados no que percebemos com nossos sentidos, mas a maneira como percebemos e processamos as informações é influenciada principalmente pelo nosso estado de consciência. Sabemos que em nossa consciência somos o centro da realidade do nosso ser, o aspecto mais importante.  Nossa consciência é centrada em nós próprios, ou seja, é egocêntrica. Em outras palavras, a autopreservação é o padrão de comportamento lógico e natural do ego de cada um de nós e dá origem a pensamentos correspondentes. É natural que, às vezes, nos sacrifiquemos por nossos entes queridos ou por nossos ideais. No entanto, por exemplo, como nossos parentes estão ligados a nós por laços sanguíneos, se nos sacrificarmos apenas por ideais ou pessoas que selecionamos, isso não é muito diferente de uma forma oculta de autopreservação. O verdadeiro Amor não exclui ninguém. Além da consciência egocêntrica que nos é familiar, as Sagradas Escrituras de todos os povos testemunham, ainda que muitas vezes de forma velada, a existência de outra consciência ainda não manifesta, latente, nos seres humanos. Um exemplo vem de diversos trechos da Bíblia, em que é mencionado que o Reino de Deus está dentro de nós. Isso se refere precisamente ao ser espiritual (divino) que habita em nós, portador dessa consciência. Essa consciência, adormecida, é a consciência onipresente, que vem a ser o oposto exato da consciência egocêntrica, pois sua definição mais simples é que ela está presente em tudo e em todos os lugares. Para despertar essa consciência, as pessoas com orientação espiritual podem aprender a compreender e seguir a voz do silêncio interior, como a denomina Helena Petrovna Blavatsky.  A voz dessa consciência que desperta gradualmente e que não se comunica por meio de sons, mas de imagens, impulsos e sentimentos pode ser chamada intuição. Guiados por essa intuição superior, aprendemos a mudar a direção de nossas vidas diárias e a nos orientar para o espiritual. Aprendemos também a compreender e aceitar todas as pessoas e a nós mesmos como somos, sem críticas ou julgamentos, removendo assim as barreiras construídas pela consciência egocêntrica. Isso cria espaço para que o princípio espiritual desperto amadureça, cresça e irradie, sem ser perturbado pela persona que cada um de nós é.  Esse comportamento, contudo, só pode ser baseado no princípio espiritual ativo e não pode ser forçado com base na consciência egocêntrica, pois a imposição cria tensão, que eventualmente terá que ser liberada da maneira usual, por meio de explosões emocionais. Em última análise, o que aqueles com consciência onipresente ativa percebem é a unidade com o Todo, com tudo e todos. Essas pessoas não precisam de laços sanguíneos para sentir sua afinidade orgânica com os outros. Elas vivem conectadas ao Todo e não podem fazer nada além de trabalhar para o Todo.  É por isso que, voltando à frase que abre esse texto, os pensamentos nascidos de uma consciência e realidade de existência diferentes, como dos candidatos espirituais, parecem completamente ilógicos do ponto de vista da consciência egocêntrica. Eles são baseados no Amor e na Verdade, que irradiam em seu ser a partir do princípio espiritual crescente dentro deles e constroem padrões inteiramente novos e imperecíveis. Assim, uma nova Sabedoria gradualmente surge, sabedoria que percebe o Universo de uma maneira totalmente nova e com sentidos completamente novos.  É tarefa do ser humano iluminado trazer os impulsos e ideias divinas abstratas para a realidade em seu cotidiano. Em última análise, esse trabalho em Amor e Verdade conduzirá a uma transformação interior fundamental que beneficiará a todos e o Todo. Foto: sidath-vimukthi-9wiN3h6lBZ4-unsplash

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  2. FEB 4

    #208 A lenda do velho homem inabalável e um pequeno galho

    A LENDA DO VELHO HOMEM INABALÁVEL E UM PEQUENO GALHO A liberdade não reside na pureza, mas na aceitação completa de qualquer vento, qualquer galho e qualquer caos sem resistência interna ou preferência pessoal. Ouvi essa parábola pela primeira vez há alguns anos e, desde então, gosto de contá-la para amigos e entes queridos. Ela é frequentemente atribuída a Bodhidharma (Damo), o primeiro Patriarca da Escola Chan, que trouxe da Índia para a China o ensinamento da visão direta da essência do ser, no século VI. Quando, recentemente, ela me veio à mente mais uma vez, decidi trazê-la para o conhecimento de mais pessoas. Seu tema é a provação final e a mais difícil em nosso caminho.   PARTE UM Ladrões - O Primeiro Teste Em um dos vales montanhosos da China vivia um homem idoso. Dizia-se que sua mente era tão calma quanto a superfície de um lago de montanha. Nenhuma tempestade conseguia perturbar o reflexo do céu em suas profundezas. Ele não era mestre, não tinha discípulos e não buscava fama. Simplesmente vivia, como fazem aqueles que não têm pressa para chegar a lugar nenhum. Certa noite, ladrões invadiram sua casa. O homem, sentado em meditação, observou-os calmamente enquanto levavam seus parcos pertences. “Levem tudo”, disse ele em voz calma e tranquila. “Só não façam muito barulho.” Impressionados e confusos com seu distanciamento, os ladrões partiram.   Traição - O Segundo Teste Um dia, ao voltar para casa, o idoso encontrou a esposa com seu vizinho. Ele apenas acenou levemente com a cabeça, sem alterar sua expressão. “Perdoe-me por perturbar sua paz”, disse e saiu, como se tivesse entrado pela porta errada.   Exílio - O Terceiro Teste Seus filhos, para quem honra e status significavam tudo, declararam: “Você é fraco, envergonha nossa família. Vá embora.” “Como quiserem, meus filhos”, respondeu o senhor calmamente. Fazendo uma reverência, pegou seu cajado e sua tigela de esmolas e partiu para as montanhas.   No Mosteiro Quando chegou no destino ao mosteiro, o homem foi recebido, abrigado e incumbido da tarefa de varrer o pátio. Ele passava os dias varrendo o quintal, limpando folhas e poeira, com movimentos medidos e familiares. A varrição tornou-se uma meditação em ação. Ele não varria pedras, mas a própria mente, e a cada movimento ela se tornava mais vazia e luminosa. Em seu tempo livre, ele se retirava para o fundo do pátio, sentava-se sob uma árvore e meditava, observando a respiração e os movimentos da mente. E nessa calma, nesse silêncio que parecia durar para sempre, o velho homem começou a perceber leves sussurros e movimentos sutis ao seu redor. Sombras se acumulavam onde jamais houvera qualquer pensamento de ansiedade. Imagens surgiam, quase imperceptíveis na luz bruxuleante. Eram os primeiros presságios dos Maras. No budismo, assim como na mitologia europeia e eslava, Maras são demônios que se alimentam dos apegos humanos.   O Ataque dos Maras Os Maras começaram a se manifestar com mais clareza, tentando distrair o velho senhor de seu trabalho e meditação. Assumiam formas aterrorizantes e sussurravam sobre o passado. O homem apenas suspirava baixinho, como de costume, a cada varrida da vassoura. Então, mudaram de aparência, surgindo em esplendor radiante e proclamando que estavam diante do maior santo de todos os tempos. Queriam despertar nele o orgulho e a sede de reconhecimento. Mas ele apenas sorriu interiormente e continuou varrendo. Certo dia, quando tinha acabado de limpar o pátio, ele sentou-se sob um antigo pinheiro. Uma brisa suave agitou um galho e um pequeno graveto seco caiu sobre uma pedra próxima a seus pés. Uma sombra cruzou o rosto do velho: uma leve irritação, uma preferência quase imperceptível por ordem e limpeza. Os Maras uivaram em triunfo: não encontraram nele paixão nem medo, mas identificaram uma preferência sutil, seu apego secreto. Naquele exato momento, desencadearam uma tempestade furiosa sobre o pátio, levantando agulhas de pinheiro, poeira e detritos em um vórtice violento, profanando em questão de segundos a obra impecável de limpeza que ele fizera. O homem, então, deu um passo à frente, erguendo as mãos em silencioso desespero. A harmonia interior se quebrou – não maior que um pequeno galho caído! O homem identificou o que estava acontecendo. Ele havia perdido.   PARTE DOIS - Significado Esta história não trata da derrota de Bodhidharma pois, segundo a tradição, o Patriarca alcançou seu objetivo. Ela revela as armadilhas finais no caminho para a liberdade. É precisamente essa derrota que expõe as correntes mais frágeis que prendem o nosso "eu" e é por isso que ela importa. Vamos examinar isso mais de perto.   1. Filhos e esposa são o apego ao Mundo das Formas Os filhos personificam o ego social: reputação, status, família, honra, opinião pública. O velho se desapega disso facilmente pois vê esses valores como meros rótulos, não como essência. Seu exílio é um ato de completa renúncia aos contratos sociais. A esposa e o vizinho simbolizam o apego sensual, a posse e o ciúme. O idoso não se identifica com o corpo nem com os relacionamentos em seu sentido comum e mundano. 2. Os demônios (Maras) são a Personificação da Mente Ego Estes não são entidades externas, mas representam forças da própria ignorância, tais como: ·         Medo, repulsa e raiva (demônios inferiores), que são os primeiros obstáculos que um buscador supera. ·         Orgulho, desejo de reconhecimento e arrogância espiritual, que são  inimigos mais sutis. O velho passa nesse teste, mostrando que até mesmo a ideia da própria santidade é uma ilusão. ·         Hábitos da mente, que são preferências mecânicas, quase inconscientes – são o demônio final e mais esquivo. 3. “O Pequeno Galho” é a âncora final do Eu O último apego é quase imperceptível. É uma minúscula armadilha da consciência. Mesmo depois de abandonar família, riqueza, medo e orgulho, a mente se contrai em um ponto microscópico de identificação. Pode assumir a forma de: ●      Apego à limpeza e à ordem. ●      O prazer secreto por seu próprio desapego. ●      Uma leve irritação causada com um som, uma entonação ou o clima. ●      Uma preferência imperceptível pelo conforto, como o silêncio, sabores e rituais. Este "galho" é perigoso porque aparenta inocência ou até mesmo virtude. Nele se esconde a faísca final do dualismo: "Eu existo aqui, e isto – este galho, esta desordem – não deveria existir no meu mundo". 4. Furacão — a vida como ela é A vida é imprevisível, incontrolável e constantemente causa estragos em nossos mundos interior e exterior.  O teste final não é manter a paz e a calma em condições ideais, mas permanecer sereno quando a realidade interfere na ordem e, assim, ser verdadeiramente livre.   Conclusão A história termina não em vitória, mas em derrota. Contudo, essa derrota é a maior mestra, e clama: “Permaneçam vigilantes até o fim. Não olhem para as tempestades, mas escutem o sussurro quase inaudível dentro de suas próprias almas. A liberdade não reside na pureza, mas na aceitação completa de qualquer vento, qualquer galho, qualquer caos – sem resistência interna ou preferência pessoal.” Você já sabe onde está escondido o seu pequeno galho? Photo:Kamo Bagdasaryan (Rússia)

    11 min
  3. JAN 21

    #206 Agir sem agir

    Agir sem agir O Bhagavad Gita é uma escritura sagrada do hinduísmo que preconiza uma ação espontânea, até mesmo intuitiva, no presente – uma ação que nasce de si mesma e dissolve a separação entre objeto e sujeito. Isso é possível? E se é, como? Mahatma Gandhi expressou sua admiração pela Bhagavad Gita da seguinte forma: “Na Bhagavad Gita, encontro consolo […] Às vezes, o desapontamento me encara de frente e, quando, abandonado, não vejo nenhum raio de luz, recorro à Bhagavad Gita. Então, encontro um verso aqui e outro ali e imediatamente começo a sorrir em meio a todas as esmagadoras tragédias – e minha vida tem sido cheia de tragédias externas. Se todas elas não me deixaram nenhuma ferida visível, nenhuma ferida indelével, devo isso aos ensinamentos da Bhagavad Gita.” [1] A Bíblia e a Bhagavad Gita são os livros mais amplamente distribuídos e lidos no mundo, de acordo com Bede Griffiths. A Bhagavad Gita faz parte do Mahabharata, grande epopeia indiana. Documenta um diálogo entre a encarnação de Vishnu, na forma de Krishna, e o príncipe indiano Arjuna, que se prepara para travar uma guerra com seus parentes por seu trono. A seguir, reflito sobre minha própria experiência de um dos princípios da Bhagavad Gita, o ‘agir sem agir’, a respeito do qual Krishna fala a Arjuna. Como muitos buscadores nas décadas de 60 e 70, e ainda hoje, eu me apaixonei pela Bhagavad Gita na juventude. Não era apenas um interesse intelectual – que naquela época talvez fosse moda entre os hippies e os filhos das flores – mas uma experiência interior e intuitiva de que havia naquele livro mais do que apenas um sistema religioso e filosófico com pistas para a vida em tempos contraditórios e turbulentos. O princípio de ‘agir sem agir’ me fascinou e me acompanha desde então. Mas o que é, na verdade, esse ‘agir sem agir’? O Bhagavad Gita diz: “Aquele que vê a inação na ação e a ação na inação é sábio entre os homens; ele é um iogue e executor de todas as ações.” [2] O Bhagavad Gita oferece alguns princípios para resolver ou explicar esse paradoxo: Renuncie aos frutos da ação: não se apegue aos resultados de suas ações.Não tenha expectativas: não espere nada (positivo ou negativo) das ações que realiza.Seja frugal e não dependente: viva com simplicidade e não se apegue a bens materiais.Seja contente e equânime: mantenha a serenidade diante do sucesso ou do fracasso.Veja todas as ações como oferendas: considere todos os seus atos como oferendas a Krishna/Vishnu. Assim, eles se transformam em conhecimento espiritual.“Sabe que os sábios que realizaram a verdade te instruirão nesse conhecimento por meio de longa prostração, súplica e serviço. Sabendo disso, tu não serás, ó Arjuna, novamente iludido como agora; e por isso, tu verás todos os seres em ti mesmo e em mim.” [3] Se nós nos observamos com esse pano de fundo, percebemos que todo o nosso pensamento, desejos, sentimentos e ações pressupõem que queremos alcançar e esperar algo. Todas as nossas ações são, portanto, especulativamente direcionadas para o futuro. Por outro lado, a Bhagavad Gita preconiza uma ação espontânea, até mesmo intuitiva, no presente – uma ação que nasce de si mesma e dissolve a separação entre objeto e sujeito para alcançar a unidade entre objeto e sujeito. Se isso é possível, como? Krishna aponta claramente que ninguém pode ficar inativo nem por um momento, e aconselha Arjuna: “Portanto, sem apego, execute sempre as ações que devem ser feitas; pois, ao executar ações sem apego, alcança-se o Supremo.” [4] Se pudermos implementar o conselho de Krishna em nossas vidas, poderemos nos libertar do pensamento especulativo e das expectativas do futuro, estarmos livres dos sucessos ou fracassos de nossas ações. Isso dissolve toda a especulação sobre o futuro, que se expressa em ansiedade, preocupação e medo. Podemos então, de forma espontânea e alegre, cumprir o dever que nos é imposto e ter em mente o bem da humanidade. Catharose de Petri, a Grã-Mestra da Rosacruz Áurea, expressa isso da seguinte forma: “É absolutamente possível, durante sua rotina diária comum, quaisquer que sejam as atividades que precise realizar, manter perfeitamente a força central e seu princípio no fundo do seu ser, e deixá-la irradiar através de tudo, em seu coração, sua cabeça e sua alma.” [5] Nós, então, praticamente vivemos duas vidas: uma em conexão com o mundo comum e a outra que não é deste mundo, que vive na e da força de Krishna ou do Cristo. [6] Isso nos dá distância dos problemas, conflitos e adversidades deste mundo, porque: “Aqueles que me amam são queridos para mim, e eu estou neles, e eles estão em mim. Eles vêm a mim e terão paz eterna.” [7] Podemos, então, ver o mundo dos opostos como observadores e, ao mesmo tempo, por meio da força da alma e do conhecimento dentro de nós, podemos nos concentrar sem dificuldades em um mundo que não é deste mundo. Mesmo nas maiores turbulências de nossas vidas, podemos permanecer calmos e serenos. Nossas ações, então, se tornam espontâneas e não calculadas, intuitivas e não guiadas por visões positivas ou negativas do futuro. Podemos verdadeiramente viver no presente. É isso que Mahatma Gandhi quer expressar na citação usada na abertura dessa reflexão. Onde estou hoje? O conceito de ‘agir sem agir’ me acompanhou ao longo de toda a minha vida. Uma das primeiras e fundamentais percepções foi e é: ‘Tudo é relativo’! Já que nada é absoluto, não vou da alegria ao desespero, mas permaneço em um estado de certa calma, uma serenidade muitas vezes tranquila. Isso não significa indiferença, especialmente em relação ao mundo e à humanidade, mas significa manter o foco no quadro geral e me perguntar repetidamente se as palavras de Krishna são uma realidade em mim: eu estou Nele e Ele está em mim? Pois Krishna diz na Bhagavad Gita: “Todas as coisas estão em Mim – essa é a base de nossa existência”. E ele continua: “mas Eu não estou nelas.” [8] Este é o objetivo de nosso caminho espiritual: despertá-Lo em nós. Krishna continua a dizer a Arjuna: “Aquele que me vê em todos os lugares e vê tudo em Mim nunca se separa de Mim, nem eu dele.” [9] “Execute seu dever imposto, pois a ação é superior à inação, e mesmo a manutenção do corpo não seria possível para ti por meio da inação.” [10] Por um lado, tenho a consciência parcialmente viva da rotina diária comum por estar em nosso mundo. Por outro lado, tenho a experiência de um estado de ser que não é deste mundo e que, ao mesmo tempo, é um alicerce que me dá uma serenidade alegre para aceitar e processar as exigências da vida comum. Quando experimento conscientemente essa serenidade alegre, sou um ator e, simultaneamente, um observador no mundo, sem ser absorvido por ele. Experimento repetidamente que essa orientação me eleva da agitação da vida cotidiana (às vezes, apenas por alguns momentos), e experimento a serenidade alegre que me preenche, a serenidade da alma. Isso pode ser ‘tornar-se uno com Krishna?’ Se formos honestos conosco, encontraremos a resposta em nós mesmos e abandonaremos considerações intelectuais, perguntas e dúvidas.   [1] Mohandas Karamchand Gândhi (Mahatma Gandhi), in: Young India 1925, p. 1078) [2] Bhagavad Gita, Ved Vyas Foundation, 2024 (e-book) Bhagavad Gita.io: (Chapter IV, verse 18). [3] Idem: Chapter IV,Verse 34,35 [4] Idem: Chapter III,Verse 19 [5] Tradução de: Catharose de Petri, Das Lebende Wort, Haarlem 1990, S. 300 [6] Tradução de: Jan van Rijckenborgh, Die große Umwälzung, 3. Auflage, Haarlem 1992, Kapitel VII: Das Mysterium des Krishna [7] Idem: Chapter IX, versos 29, 31 [8] Idem: Chapter IX, verso 4 [9] Idem: Chapter VI, verso 30 [10] Idem: Chapter III, verso 9 Foto: ai-generated-Bild von Pete Linforth auf Pixabay CCO

    10 min
  4. JAN 14

    #205 O que está acontecendo?

    O que está acontecendo? Você está pronto? A fotografia de uma obra de arte inspiradora foi compartilhada comigo e alguns conhecidos idosos para avaliação.A primeira reação foi de perplexidade e leve confusão.  O que é isso? Algumas sugestões surgiram. Para muitos, a imagem parecia representar a Terra, mas o quê exatamente? Após reflexões, comentou-se que talvez estivéssemos vendo a mesma coisa, mas com perspectivas diferentes. O neto de um dos participantes acrescentou o que ele percebeu como uma correlação óbvia. “É um círculo”. Sob esses diferentes pontos de vista, podia muito bem ser a Terra. No entanto, na pintura havia uma conexão, uma linha circular branca com pontos interligados. O artista estava presente e incentivou o grupo ao sugerir que todos que contemplam uma obra de arte contribuem, em última análise, com mais informações sobre o que o artista pretendia apresentar. A pintura continha um círculo, como foi notado, e tal círculo poderia estar circundando a Terra. A Terra, em si, também era um círculo. Círculos não têm começo nem fim. Cada círculo simplesmente é. Ele abrange perspectivas infinitas, movimento infinito, mudança infinita. Nosso grupo de velhos conhecidos podia ser considerado também um tipo de círculo onde cada um constituía uma fonte dessa mudança infinita, contribuindo para ela. Os componentes de um círculo são sua potencial oportunidade de mudança. Um círculo não pode mudar a menos que seus componentes mudem.  A conversa passou a girar em torno das mudanças em nosso planeta. Ele está passando por uma transformação vasta e interminável e isso já acontece há muito tempo, muito mais do que podemos imaginar. Mas você já percebeu isso, realmente percebeu conscientemente?  Estamos tão ocupados que, provavelmente, até agora pouquíssimos de nós reconhecemos qualquer mudança significativa. E se reconhecemos e comentamos, especulamos ou reagimos a ela, podemos ter sido ridicularizados, ignorados ou alvo de risos. Como nosso bom, estável e tranquilo planeta poderia mudar? Por que precisaria mudar?  Mas olhe ao redor, ele está mudando e tem mudado desde que nos lembramos! Durante a maior parte desse tempo, considerou-se arriscado demais interferir neste processo, efetuar qualquer mudança e, de qualquer maneira, não seríamos capazes de fazê-lo. Por que considerar tais coisas? – era o que se perguntava.  Apesar das transformações evidentes do planeta, as pessoas questionaram e ainda questionam a necessidade de mudança, embora essa questão tenha se tornado urgente nos tempos atuais. Não é mais uma questão para o futuro, é uma questão para o agora. As mudanças estão acontecendo muito intensamente agora. Por quê? O que está acontecendo?  Houve um tempo em que começamos a fazer essa pergunta, mas não com urgência, porque ela sempre se referia ao futuro. Sim, as pessoas admitiam que uma mudança era necessária, “mas não agora, vamos deixar para depois”. Mas quando seria esse depois? Ninguém sabia ao certo. “Se você quer mudar o mundo, mude a si mesmo” é uma frase que ouvimos com cada vez mais frequência hoje em dia, quando o futuro, o “agora”, já está claramente presente. Estamos no agora, contribuímos para ele, o criamos. E somos os únicos que podem efetuar uma mudança, pois fazemos parte dele e sempre fizemos. E podemos fazer isso! Não como no passado, não por meio de tentativas intermináveis ​​de mudar o que nos rodeia, nossa realidade externa, mas por uma abordagem completamente diferente, tomando uma direção integralmente nova.  Podemos efetuar essa mudança, mas não tentando construir sobre o que já se provou ineficaz ou mesmo relativamente eficaz por um curto período. Não olhando para o exterior, onde o caos e a confusão se tornam cada vez mais desenfreados a cada dia. Agora, nossa tarefa é olhar profundamente para dentro de nós mesmos, mas também para tudo o que vemos ao nosso redor, fora de nós, em nossa comunidade, nosso mundo, nosso habitat. Não individualmente, mas como um conjunto. Como almas afins. Quando conseguirmos fazer isso, quando alcançarmos esse ponto, individual e globalmente, é que algo poderá acontecer, é que a compreensão e as perspectivas poderão mudar. Só então poderemos fazer parte do círculo que envolve a Terra, o que nos levará para uma nova direção. Podemos até indagar: “O que está acontecendo?!”  Mas você está pronto? Foto: by Nadine Marfurt on Unsplash CC0

    7 min
  5. JAN 7

    #204 A garça refletida na água

    A garça refletida na água A pessoa em quem o Tao reside conhece a unidade de todas as coisas. Ela permite que a vida a envolva, dando-lhe espaço em seu coração. Os antigos sábios taoístas faziam uma distinção clara entre a consciência cotidiana de uma pessoa e a consciência imbuída do Tao. Eles tinham uma imagem simples, mas muito marcante, para isso: Uma garça sobrevoa um lago. Por um instante, seu reflexo na água é perfeito, em toda a sua glória. A cena descreve um estado muito especial do coração. Os taoístas partiam do princípio de que a pessoa comum não está ocupada pelo seu ‘centro’, o seu coração. Isso significa que o seu coração não está livre para a atuação do Tao. O coração está repleto de desejos, objetivos, hábitos e reações. Contudo, se o coração de uma pessoa estiver livre, ou seja, se for um centro aberto e receptivo onde não há vontade própria, a situação de vida presente no momento pode ser refletida no Tao. Isso pode, em princípio, acontecer num momento de contemplação interior ou de devoção altruísta ao Tao. Os desejos e anseios pessoais ficam de lado, dando lugar a uma eficácia muito maior. Então, a garça se reflete plenamente no lago. A garça pode ser interpretada como representação da vida, sua unidade no Tao. Podemos vê-la claramente como toda a diversidade de uma situação, com seus problemas, relações e interdependências, fundindo-se em uma única percepção, em uma única impressão na quietude do coração. O incompleto foi refletido no Tao, foi tornado reconhecível pelo Tao, foi absorvido pelo Tao. Assim, o Tao foi posto em ação efetiva. Novos pensamentos e sentimentos podem ter surgido; uma solução pode ter aparecido repentinamente em uma situação aparentemente sem esperança; um livro ou uma passagem pode ter nos dado uma pista decisiva, ou um encontro inesperado pode ter ocorrido. Pode ser também que uma força ou alegria tenha surgido para encarar e aceitar uma situação fatídica como ela é. Normalmente, em qualquer situação, reage-se tentando fazer algo para moldá-la, mudá-la ou classificá-la de acordo com nossas ideias e vontade. Na maioria das vezes, queremos nos livrar de algo ou se apegar a algo. A pessoa em quem o Tao atua, por outro lado, inicialmente não faz nada. Ela pratica o não-agir. Não intervém no nível das “dez mil coisas”, como Lao Tzu as chama. Ela não quer pegar o pássaro, espantá-lo ou correr atrás dele com um espelho ou uma câmera. Em vez disso, deixa o “grou livre” e não faz nenhum julgamento sobre qualquer aspecto de seu comportamento. Ela remove completamente sua própria vontade da situação e permite que o que está acontecendo, aconteça. Uma pessoa assim não tira nada e não acrescenta nada. Ela conhece a unidade do Tao. Dentro de si, experimenta que a vida aparentemente fragmentada é, na verdade, uma unidade. Ela permite que a situação a envolva da forma mais plena e completa possível e, em seu coração, dá espaço para que ela se integre completamente ao Tao. Ao fazer isso, permite que o profundo anseio pela conexão curativa com o Tao flua para a sua realidade vivenciada. Essa atitude de deixar as coisas acontecerem, baseada na disposição de não resistir ao curso natural das coisas, é expressa na literatura chinesa por outra imagem: o pinheiro e o salgueiro na neve. O galho de pinheiro é rígido e quebra sob o peso, enquanto o galho de salgueiro cede, permitindo que a neve deslize. O pinheiro representa a consciência egoísta e inflexível, que age com resistência e luta. O salgueiro, por outro lado, cede e se adapta com flexibilidade. Ele representa a pessoa taoísta, que observa a si mesma e à sua vida da forma mais neutra e objetiva possível. É alguém que permite que as coisas se desenrolem e se revelem a partir de sua essência interior. Aceita as aparentes derrotas tanto quanto os sucessos, pois sabe que os dois polos pertencem um ao outro. Yin e yang são interdependentes. Por saber que está conectado à unidade do Tao, ele vive a alegria da liberdade interior, independentemente do que aconteça em sua vida exterior. Contudo, essa ação interior por meio da ‘não intervenção’ não necessariamente parece sublime. Muitas vezes, é precisamente nessa situação que os medos, a tristeza, a raiva e a própria inadequação se tornam tangíveis. Mas ao sentir-se impotente e ao reconhecer a própria insignificância é que a entrega à sabedoria e ao poder do Tao pode ocorrer. Agora, os poderes do Tao podem fluir. Ocorre uma mudança do centro interior da ação, do ego para o Tao. A vontade e a inteligência do Tao permitem que a possível solução brilhe. E não só isso. No coração da pessoa em quem o Tao atua, as coisas se reconectam com sua própria fonte interior. O impulso para uma profunda transformação interior pode se tornar efetivo. É por isso que os taoístas na China antiga eram conhecidos por serem particularmente alegres e serenos. Eles não se levavam muito a sério, desapegavam-se até de si mesmos. Wu-Wei não significa simplesmente sentar e esperar que o Tao resolva todas as situações. É claro que o ‘mundo das dez mil coisas’ também exige ação externa. No entanto, está alinhado com um significado de vida mais elevado, com os impulsos do Tao. É a arte de estar no lugar certo, no momento certo, para fazer a coisa certa. Isso não pode ser desejado ou forçado. Em vez disso, acontece naturalmente quando uma pessoa está em ‘movimento’ com o seu centro livre. O Tao, criador de toda a vida, e a situação perceptível da vida se tocam mutuamente. A profundidade insondável do ser-criador-origem, encontra a criação, a manifestação no coração humano. Ocorre uma fusão, um despertar mútuo. O significado transparece. Fortes impulsos transformadores e evolutivos são desencadeados, muito significativos tanto para o indivíduo quanto para a humanidade e a natureza como um todo. Nossa consciência cotidiana é como um lago cheio de águas inquietas e turbulentas. Ela só consegue refletir a garça de forma fragmentada, como “dez mil coisas”. Aqui não encontramos paz, nenhuma compreensão mais profunda das inter-relações, nenhuma unidade. O caminho para a unidade é o caminho do coração. Libertar nosso centro ocupado para trilhar esse caminho significa ser verdadeiramente humano. ‘Crie em ti o vazio em seu grau máximo! Mantenha a serenidade em sua plenitude! Então, tudo pode elevar-se simultaneamente. Observe como elas se transformam. Todas as coisas, em sua diversidade, retornam à sua raiz. Retornar à raiz significa quietude.’ Lao Tzu – Tao Te King, capítulo 16 Foto: Selfcreated_Dreams_Ruth_Alice_Kosnick CCO

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  6. #203 A paz é uma experiência humana?

    12/31/2025

    #203 A paz é uma experiência humana?

    A PAZ É UMA EXPERIÊNCIA HUMANA? Há alguns anos, foi publicado um atlas diferente dos tradicionais. Ao invés de lugares, ele situa a imaginação, pensamentos e sentimentos em 23 mapas de experiências (1). É o Atlas da Experiência Humana– Cartografia do Mundo Interior.  À primeira vista, parecem mapas comuns, com geografia, cidades, florestas, rios, mares, estradas, ferrovias, ruas, pontes e também construções importantes. Porém, ao explorarmos a cidade chamada Caos, por exemplo, encontramos o lago Águas Agitadas, uma Válvula de Escape situada no cume da Exasperação, Ervas Daninhas e Pânico Descontrolado na área Proliferação, a Torre de Babel, os territórios Miscelânia, Estrago, Confusão, Lixo, Cacos etc... É um retrato da experiência de caos que conhecemos bem.  Eu estava muito interessado na paz por causa do cenário de tantos conflitos no mundo e, por isso, tirei o livro da estante e procurei pela paz. Não achei.  Será que a paz não é uma experiência humana? A Paz no Tao A despeito de não encontrar um mapa da paz, há uma referência a ela no capítulo do Atlas que trata do Vácuo. A compreensão da paz como uma experiência que ultrapassa o comum está em um poema do Tao Te Ching.  Eis o que diz: Leve o vazio ao seu limite extremo,  Mantenha a paz no caminho.  As dez mil coisas lado a lado aparecem  E por meio disso eu as vejo retornar.  Cada qual retorna às suas origens.  A isso se chama paz.  Paz: isto significa retomar o seu destino.  Retomar o seu destino é ser eterno.  Conhecer a eternidade é ter sabedoria.  Não conhecer a eternidade é ser selvagem e imprudente.  Quando você é selvagem e imprudente, seus atos o levarão à ruína. Ele orienta a levarmos “o vazio ao seu limite extremo” e a “manter a paz no caminho”. O vazio, aqui, é espaço aberto, receptividade total. É onde não há nada mais a tirar. É o estado interior em que cessam as distrações, os apegos e as turbulências. Nele é possível permanecer em paz sem esforço, como modo de estar em sintonia com o fluxo da vida.  É diferente de quando eu sou eu, você é você, e há um vácuo, um vazio entre nós. Aqui o espaço separa. Na receptividade total somos ligados a tudo, não há conflito. Cada um existe no vazio de si mesmo e como relacionamento com os outros, com o planeta, com o todo. Há multiplicidade na existência. Todos os seres, movimentos e transformações do mundo - as “dez mil coisas” que aparecem lado a lado - tudo faz parte de mim. Tudo faz parte de todos.  E tudo retorna ao seu ponto de origem, apesar das diferenças.  O retorno – retomarmos nosso próprio destino, nos conectarmos com a eternidade – é o que se chama paz.  Ao conhecer essa eternidade, o ser humano age em harmonia, não contra o fluxo. Alinha-se ao Tao e encontra a sabedoria que preserva a vida. Nesse sentido, paz é reconciliação com a vida. É a consciência de que cada coisa segue o seu curso e, ao final, retorna ao mesmo mistério do qual brotou. Paz, portanto, é aceitar esse ciclo, compreender que o destino de tudo é voltar ao Todo. Nesse ensinamento, a paz é tanto experiência interior quanto lei universal. É serenidade pessoal e, ao mesmo tempo, princípio que sustenta todas as coisas Mas, será que isso ainda está no limite de uma experiência humana? Palavras da Paz Em teste nada científico, um grupo de trabalho foi provocado a pensar quais são as palavras e termos que se relacionam com a paz. A proposta tocou profundamente os participantes. A resposta foi uma chuva torrencial de palavras que  descrevem um lugar que ninguém experimentou, mas mora na intuição ou em uma memória coletiva. Criou-se um lugar em que todos queriam viver. Não parece mero acaso que a paz não conste no Atlas da Experiência Humana. Esta falta insinua que a verdadeira paz dorme em um vazio cujo acesso é uma experiência supra-humana. O caminho da paz não é um mapa externo, mas interno, onde uma essência profunda nos aponta o norte verdadeiro. Referência:  [1] Swaaij, Louise Van; KLARE, Jea; [tradução Celso de Campos Júnior e  Isa Mara Landol]. Atlas da Experiência Humana - Cartografia do mundo interior.. São Paulo: Publifolha, 2004. Basel, Switzerland de Luca Upper (@lucaupper) unsplash.com

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