Coluna Atílio Bari

Atilio Bari

Coluna Atílio Bari

  1. 3d ago

    “Feliz ano velho” ganha versão musical nos palcos

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta “Feliz ano velho – O musical”, em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca até 22 de novembro. A montagem, dirigida por Gustavo Barchilon e adaptada por Marilia Toledo, parte do livro lançado por Marcelo Rubens Paiva em 1982 para revisitar a trajetória do autor após o acidente que o deixou tetraplégico, em 1979. A obra também recupera lembranças dos amores, da participação política e de outros momentos da juventude do filho do deputado Rubens Paiva, sendo um deles quando o pai foi assassinado durante a ditadura militar em 1971 e dado como desaparecido até 1996, quando a mãe de Marcelo, Eunice Paiva, recebeu a certidão de óbito de seu marido. No palco, a história coloca frente a frente o Marcelo jovem (Hugo Bonémer) e o Marcelo adulto (Bruno Garcia), mais de 45 anos após o acidente, para abordar as transformações que permitiram ao escritor se reinventar. O musical “Feliz ano velho” incorpora recursos audiovisuais e é sonorizado ao vivo, por uma banda que executa sucessos do rock brasileiro dos anos 1980, incluindo músicas de Cazuza, Legião Urbana, Rita Lee e Barão Vermelho. Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

    “Feliz ano velho” ganha versão musical nos palcos
  2. Sep 9

    “Boca a boca” leva a fúria de Gregório ao palco

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo “Boca a boca – um solo para Gregório”, que apresenta a obra de Gregório de Matos, poeta barroco baiano conhecido como “Boca do Inferno”. Advogado de formação e considerado o primeiro grande poeta do Brasil colonial, Gregório ficou marcado por seus versos satíricos contra autoridades, religiosos, ricos e os costumes da sociedade de seu tempo. A crítica de Gregório de Matos não poupava sequer a população diante da exploração e dos maus-tratos que marcavam a Bahia colonial. Em um de seus poemas, questionava: “De que pode servir o calar de quem cala, / Nunca se há de falar, o que se sente?”. A postura combativa lhe rendeu perseguições, prisões e, posteriormente, o exílio em Angola. Expulso da Bahia, ele retornou ao Brasil sob a condição de não voltar a Salvador e morreu em Recife. Seus poemas só seriam publicados cerca de um século depois de sua morte, preservados principalmente por meio de cópias feitas por admiradores. No espetáculo, o ator baiano Ricardo Bittencourt leva ao palco a fúria, o sarcasmo, o lirismo, a religiosidade e o erotismo do poeta. Segundo Bari, Bittencourt “explode em cena os poemas do Boca do Inferno”, explorando a sonoridade dos versos e transitando entre as sátiras, os textos religiosos e os poemas eróticos. Com direção de Bittencourt e João Sanches e trilha sonora ao vivo de Adriano Salhab, que reúne nomes como Ramones, Nirvana, Gilberto Gil e Caetano Veloso, “Boca a boca” encerra sua curta temporada neste domingo, no Sesc Belenzinho.

    “Boca a boca” leva a fúria de Gregório ao palco
  3. Jul 1

    Espetáculo em cartaz no Sesc Pompeia evidencia a dramaturgia minimalista de Samuel Beckett

    Na coluna desta quarta-feira (01), Atílio Bari comenta o espetáculo “Dias felizes”, montagem da Armazém Companhia de Teatro com direção de Paulo de Moraes. A peça é um dos textos mais emblemáticos de Samuel Beckett, dramaturgo irlandês que viveu em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, onde colaborou com a resistência francesa. A experiência marcou profundamente sua obra, que passou a explorar o absurdo da existência por meio de situações repetitivas e aparentemente sem sentido. Em “Dias felizes”, Patricia Selonk interpreta Winnie, uma mulher enterrada até a cintura. Ela passa os dias presa ao mesmo espaço, se apoiando apenas em pequenos objetos guardados na bolsa e na rotina entre o despertar e o anoitecer. Ao seu lado está Willie, personagem lacônico que pouco responde às longas falas da protagonista. Na segunda parte, ela surge ainda mais soterrada, com apenas a cabeça para fora da terra, mas continua aguardando, sem questionar sua situação, que um dia consiga se libertar. A peça sintetiza características presentes em toda a dramaturgia de Beckett: personagens presos à espera, à repetição e à incomunicabilidade, em cenários minimalistas que revelam, de forma poética, os medos, as esperanças e as contradições da condição humana. Como observa Atílio Bari, "Beckett nos traz inquietações, nos desestabiliza, nos mexe por dentro". Em cartaz no Sesc Pompeia até 19 de julho, “Dias felizes” reafirma a atualidade de um autor que transformou o absurdo em reflexão.

    Espetáculo em cartaz no Sesc Pompeia evidencia a dramaturgia minimalista de Samuel Beckett
  4. Jun 24

    Juízes, poder e privilégios em clássico de Martins Pena

    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta as transformações na imagem pública dos magistrados brasileiros. Ele recorda uma época em que juízes, especialmente os ministros do Supremo Tribunal Federal, mantinham-se distantes dos holofotes e eram conhecidos apenas por suas decisões judiciais. Segundo ele, esse cenário mudou radicalmente: “Hoje os juízes do Supremo tornaram se presença constante nas mídias, estão a toda hora concedendo entrevistas, aparecendo na TV”. A reflexão conduz o leitor ao universo do teatro, onde a figura do juiz há séculos é retratada de forma satírica. Bari destaca que magistrados vaidosos, corruptos ou excessivamente poderosos aparecem com frequência na dramaturgia popular e cita como exemplo a comédia “O Juiz de paz na roça”, escrita por Martins Pena (1815-1848) quando tinha apenas 18 anos. Considerada uma das obras fundadoras do teatro brasileiro, a peça acompanha um juiz do interior encarregado de resolver disputas triviais, mas que frequentemente age em benefício próprio, chegando a ficar com um leitão disputado por moradores da cidade. Para o colunista, a obra permanece atual ao expor privilégios, favorecimentos e distorções no exercício do poder. Ele observa que o personagem principal “não hesita em aceitar presentes” e utiliza interpretações convenientes da lei para atender a interesses particulares. Ao relacionar a sátira do século XIX ao Brasil contemporâneo, Bari argumenta que a obra oferece um retrato ainda reconhecível da realidade nacional e conclui que o texto permanece relevante por mostrar “o teatro falando de coisas sérias, mesmo quando nos faz rir”.

    Juízes, poder e privilégios em clássico de Martins Pena
  5. Jun 17

    “Os gigantes da montanha” e a força da imaginação

    Na coluna desta quarta-feira (17), Atílio Bari comenta o espetáculo “Os gigantes da montanha”, última obra de Luigi Pirandello, em cartaz no Teatro Zona Franca, em São Paulo. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1934, o dramaturgo italiano deixou a peça inacabada ao morrer, em 1936, mas revelou seu desfecho ao filho Stefano na noite anterior à morte. Considerada seu testamento poético, a obra acompanha uma trupe teatral liderada pela Condessa Ilse, determinada a encenar “A fábula do filho trocado”, texto escrito especialmente para ela por um poeta suicida e rejeitado pelos teatros. A história se desenvolve quando os artistas chegam a uma vila mágica governada pelo Mago Cotrone, cujos habitantes vivem entre o sonho e a fantasia. O mago tenta convencer a Condessa e seus atores a abandonar o mundo real e permanecer naquele universo de imaginação, mas ela insiste em levar sua peça ao público. Como alternativa, Cotrone sugere que o grupo se apresente aos gigantes da montanha, descritos como um povo rico, poderoso e indiferente à arte. “Os chamados gigantes não o são pela estatura, mas pelo poder que exercem e pela riqueza que possuem”, representando uma sociedade voltada para a produção, o consumo e os valores materiais. Ao discutir o papel da arte em uma sociedade cada vez mais pragmática, Pirandello questiona a sobrevivência da poesia, da imaginação e do teatro diante da indiferença cultural. “Não sabem os gigantes da montanha que ela sobreviverá a tudo isso, porque o sonho e a imaginação são necessidades intrínsecas do ser humano.” Sob a direção de Kiko Marques e com um elenco de 13 atores, a montagem reforça a atualidade da reflexão proposta pelo autor, lembrando a importância de produzir, difundir e defender a cultura em tempos de estímulos rápidos e consumo imediato. Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

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