Nesta primeira mensagem da série expositiva sobre o livro de Judas, o Pastor Fabricio Corrêa apresentou Judas 1.1-4, carta escrita para uma igreja atacada por falsos mestres que se infiltraram dissimuladamente. O pastor contextualizou que, desde o primeiro século, a igreja é chamada a batalhar pela fé — tanto Jesus quanto Paulo (em Atos 20) e João alertaram sobre falsos ensinos — e que, sempre que a igreja baixa a guarda contra o erro, sofre prejuízo. Na identificação do autor, esclareceu que este Judas não é Judas Iscariotes nem Judas Tadeu (filho de Tiago), mas sim irmão de Jesus e de Tiago (Marcos 6, Mateus 13): embora os irmãos de Jesus não cressem nele durante o ministério terreno (João 7.5), reconheceram sua divindade após a ressurreição (1 Coríntios 15, Atos 1), razão pela qual Judas se intitula humildemente “servo” (doulos) e não irmão. O ponto central da introdução é que, antes de tratar dos falsos mestres, Judas estabelece a identidade do crente em três palavras: chamados (ação soberana de Deus no passado, que nos tirou das trevas e nos inseriu numa nova família — motivo de alegria diária), amados por Deus Pai (realidade presente de um amor incondicional e paternal) e guardados por Jesus Cristo (segurança presente e futura, pois é o próprio Cristo que sustenta nossa fé e impede que caiamos). Esse fundamento é o que nos capacita a batalhar: ninguém luta por aquilo que não conhece nem ama. Na aplicação, o pastor fez um extenso paralelo com o liberalismo teológico (surgido no século XIX a partir do iluminismo e do racionalismo), que, ao tentar adaptar o cristianismo à razão, tratou a Bíblia como mito, negou os milagres, a ressurreição corpórea e o nascimento virginal, e substituiu a salvação pela obra de Cristo por uma mera transformação social — colocando o homem no lugar de Deus. Citando o livro “Cristianismo e Liberalismo” (1923), de J. Gresham Machen, afirmou que o liberalismo não é cristianismo, mas outra religião, e que seus pregadores aprenderam o linguajar da fé sem crer nela. O pastor exortou a desconfiar do moralismo sem cruz, do evangelho terapêutico focado só no homem, e da rejeição à doutrina, lembrando que conhecer a verdade é o que protege do erro (como o caixa que identifica a nota falsa por conhecer bem a verdadeira). Alertou que o falso ensino sempre desvia para a libertinagem ou para o legalismo — como um avião que erra um grau nas coordenadas e termina longe do destino —, pois o evangelho não precisa de acréscimos: Cristo cumpriu a lei perfeitamente e somos salvos pela graça, mediante a fé. Por fim, emendou a mensagem com a Ceia do Senhor, explicando-a como memória visível do evangelho em três direções: olhar para trás (o sacrifício da cruz), para o presente (somos guardados por Cristo, com alegria e contrição) e para frente (prelúdio do banquete das bodas do Cordeiro), celebrada com alegria e temor.Pregador: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: Judas 1.1-4