Escuta Matricial

Ana Taboada

Este é um espaço de partilha simples. Um espaço onde voltamos ao corpo, para escutar antes de agir, antes de decidir, antes de pedir. Aqui não encontras métodos, nem respostas prontas. Encontras pausas. Encontras perguntas simples, que ajudam a reconhecer o que está vivo no momento. Cada episódio parte de algo real, uma experiência, um tema, um movimento do campo, e termina com uma microprática de escuta. Não para resolver. Mas para sentir com mais precisão. A escuta matricial não procura significado. Procura presença. E quando há presença, o gesto certo começa a emergir… sem esforço.

  1. 1d ago

    Acompanhar a morte e o luto

    O que significa acompanhar alguém diante da morte, da perda ou de um momento profundamente exigente? Nos últimos dias, enquanto cuido da recuperação da minha gata Luna, dei por mim a dizer à médica veterinária uma frase muito simples: «Preciso de me sentir acompanhada.» Esta experiência, juntamente com a morte de um cão que testemunhei recentemente no hospital veterinário e com as perdas familiares que vivi no ano passado, levou-me a regressar a uma reflexão que me acompanha há muito tempo: acompanhar não é controlar, acelerar ou resolver a experiência do outro. Neste episódio partilho a forma como a minha relação com a morte se transformou, a importância de acompanhar e de ser acompanhada, um sonho marcante com a imagem de uma vela e aquilo que tenho vindo a compreender através da Escuta Matricial. Conversamos também sobre o luto e as suas diferentes expressões, a culpa, a empatia, a importância da escuta, os pequenos gestos do quotidiano e a possibilidade de continuar a viver sem precisar de apagar a memória de quem partiu. Há ainda espaço para contemplar a linguagem simbólica do Tzolkin, em particular Kimi, e a forma como os símbolos podem acompanhar a nossa reflexão sobre a vida e a morte, sem determinar os acontecimentos. No final, partilho uma pequena prática de escuta: «O que significa acompanhar, hoje?» Não há uma forma universalmente correta de viver o luto. E acompanhar não significa ter sempre uma resposta. Escuta Matricial: sessões individuais de acompanhamento https://www.anataboada.com/_sessoes_individuais_2 Estudos Mayas e Tzolkin https://www.anataboada.com/_astrologia_maya_5 Obrigada por estares desse lado. www.anataboada.com #EscutaMatricial #Luto #Morte #Acompanhamento #Tzolkin #EstudosMayas

    Acompanhar a morte e o luto
  2. Oct 18

    Sexualidade: entre a liberdade, a culpa e o medo

    Ao longo da vida, podemos encontrar formas muito diferentes de compreender a sexualidade. Algumas visões associam o desejo ao pecado ou à necessidade de contenção. Outras apresentam a liberdade sexual como expressão de evolução espiritual. E há ainda abordagens que sugerem que, através da intimidade, sobretudo as mulheres absorvem energias, memórias ou características dos seus antigos parceiros. Mas o que acontece quando estas ideias começam a determinar a forma como nos relacionamos com a nossa própria história?Neste episódio, partilho algumas dimensões do meu percurso pessoal, desde a influência da religião na infância até às experiências que vivi em diferentes contextos espirituais, entre a contenção sexual, a procura de liberdade e o medo de carregar aquilo que pertence ao outro. Questiono a ideia de que a mulher precisa de se purificar das suas relações anteriores e exploro uma distinção essencial:  sermos profundamente afetados por uma experiência não significa absorvermos literalmente a identidade de outra pessoa.Conversamos também sobre desejo, monogamia, diferentes formas de viver a intimidade, limites, consentimento e responsabilidade. Como podemos reconhecer as consequências das nossas escolhas sem as transformar num castigo? E será possível viver a sexualidade com mais leveza, sem retirar-lhe a profundidade, o cuidado e o respeito?Uma conversa sobre a possibilidade de escutar a nossa história íntima sem precisar de a apagar, justificar ou purificar. Acompanhamento individual de Escuta Matricial Se alguma destas questões tocar a tua própria experiência, podes explorá-la num espaço individual, privado e confidencial. Não precisas de chegar com um problema definido. Podemos partir daquilo que está vivo nas tuas relações, na intimidade ou nas exigências da vida quotidiana. https://www.anataboada.com/_sessoes_individuais_2 www.anataboada.com

    Sexualidade: entre a liberdade, a culpa e o medo
  3. Oct 10

    Sexualidade: quando deixamos de procurar a forma certa

    Durante muitos anos, explorei e ensinei a sexualidade através de diferentes práticas e linguagens: polaridade masculina e feminina, energia sexual, alquimia, presença, entrega, cura e transformação.Algumas dessas experiências foram importantes no meu percurso. Mas, ao longo do tempo, começaram também a surgir perguntas que já não encontravam resposta dentro das mesmas referências. Porque é que uma sexualidade mais lenta seria necessariamente mais profunda?Porque é que a intensidade teria de significar menos presença?Porque é que associamos determinadas formas de desejo ao masculino e outras ao feminino?E porque é que tantas vezes interpretamos aquilo que uma pessoa não deseja ou não consegue viver como algo que precisa de ser curado?Neste episódio da Escuta Matricial, regresso ao tema da sexualidade a partir de uma perspetiva que tem vindo a ganhar forma no meu trabalho e, mais recentemente, no curso Habitar a Diferença na Intimidade Matricial. Conversamos sobre as hierarquias invisíveis da sexualidade, os limites da linguagem da polaridade, a procura de experiências espiritualmente mais elevadas, o prazer, a intensidade, a descarga orgásmica, a diferença de ritmos, o desejo, os limites e o consentimento. Não para substituir uma teoria por outra, mas para abrir espaço a uma pergunta: E se a sexualidade não precisasse de nos conduzir a um estado ideal para poder ser uma experiência significativa?Ao longo do episódio, partilho também uma pequena microprática de Escuta Matricial, um convite a observar as ideias que aprendemos sobre como a sexualidade deveria ser e aquilo que acontece quando sentimos que precisamos de lhes corresponder. Este episódio não pretende encerrar o tema. Pelo contrário, sinto que há ainda muito por explorar. Talvez esta conversa possa continuar, mais adiante, em encontros ou sessões de grupo, com espaço para perguntas, experiências e diferentes perspetivas. E tu? Que ideias sobre a sexualidade tens vindo a questionar? Gostarias de aprofundar estas questões num encontro de grupo?Podes partilhar comigo aquilo que esta conversa despertou em ti. www.anataboada.com

    Sexualidade: quando deixamos de procurar a forma certa
  4. Sep 11

    Intimidade não é fusão: Proximidade, diferença e presença na relação

    Durante muito tempo, aprendemos a imaginar o amor através da ideia de união: duas pessoas que se aproximam tanto que parecem tornar-se uma. Esta imagem pode conter beleza. Podemos viver momentos de enorme proximidade, entrega, sintonia e comunhão. Mas o que acontece quando transformamos a fusão num ideal da relação? Neste episódio de Escuta Matricial, proponho uma reflexão sobre intimidade e diferença: O que acontece quando amar começa a significar querer o mesmo, sentir o mesmo ou precisar da mesma quantidade de proximidade? Quando compreender o outro nos leva a deixar de reconhecer aquilo de que necessitamos? Quando adaptação e desaparecimento começam a confundir-se? Somos profundamente afetados pelas pessoas com quem nos relacionamos. Mas ser afetados não significa deixarmos de existir como experiência própria. Falamos também de sexualidade, desejo, ritmos diferentes, limites, adaptação e da possibilidade de proximidade e distância participarem ambas de uma relação íntima. Porque adaptar-me não significa necessariamente abandonar-me. Compreender-te não exige concordar contigo. E sentir algo no meu corpo não me oferece automaticamente uma verdade sobre ti ou sobre a relação. No final, proponho uma pequena microprática para observar uma diferença presente numa relação importante, sem precisar corrigi-la, explicá-la ou decidir imediatamente quem tem razão. Talvez intimidade não seja tornarmo-nos um. Talvez seja permitir que a proximidade exista sem retirar dignidade à diferença. www.anataboada.com

    Intimidade não é fusão: Proximidade, diferença e presença na relação
  5. Sep 1

    Como vivemos com aquilo que somos?

    A aprendizagem de habitar a diferença. Durante muito tempo, muitas diferenças não tinham nome. Eram frequentemente interpretadas como incapacidade, inadequação, timidez excessiva, dificuldade ou falha. Hoje vivemos outro momento. Temos diagnósticos, investigação, maior reconhecimento e novas possibilidades de acompanhamento. Para muitas pessoas, encontrar um nome para aquilo que vivem pode trazer compreensão, acesso a cuidados e o reconhecimento de uma experiência que durante anos permaneceu invisível. Mas talvez exista uma aprendizagem que começa depois: sabemos habitar aquilo que aprendemos a reconhecer? Neste episódio parto também da minha própria infância, sem procurar reinterpretar retrospetivamente aquela criança através de um diagnóstico: da dificuldade em socializar, da solidão, do medo na escola e da mudança que aconteceu quando encontrei outras condições relacionais. Partilho sobre a diferença entre reconhecer uma condição e transformar essa condição numa identidade, sobre adaptação e autoabandono, segurança, contexto e sistema nervoso, e sobre a possibilidade de deixarmos de perguntar apenas “o que tenho?” para começarmos também a perguntar: “Como posso habitar aquilo que faz parte da minha experiência?” No final, partilho uma breve microprática de Escuta Matricial para entrar em relação com uma diferença sem precisar imediatamente de a corrigir ou definir. Este episódio abre também algumas das questões que atravessam o percurso Habitar a Diferença na Intimidade Matricial. www.anataboada.com

    Como vivemos com aquilo que somos?
  6. Aug 13

    Se a vida já ensina, será que precisamos de aprender a viver?

    Se a vida é a grande mestra, para que serve um curso? Para que serve uma sessão ou um acompanhamento? E será que a escuta também se aprende? Neste episódio parto de uma experiência recente num curso de Autoconstelação Interna na Água, onde as perguntas e vivências das participantes me levaram novamente a uma questão aparentemente simples: o que significa realmente permanecer no corpo? Permanecer no corpo não significa deixar de pensar. Nem afastar emoções, memórias ou imagens. A sensação pode oferecer-nos chão, mas não precisa tornar-se o limite da experiência. Falamos sobre o movimento de nos perdermos e regressarmos, sobre a possibilidade de transformarmos até o corpo numa nova forma de controlo e sobre a diferença entre mudar um comportamento e conhecer a relação que construímos com este. A partir daí, abro uma pergunta maior: se é a própria vida que oferece continuamente a matéria da aprendizagem, qual pode ser o lugar de um curso? Talvez não seja ensinar-nos a viver, nem oferecer respostas para aquilo que a vida nos apresenta. Talvez seja criar condições onde possamos praticar, acompanhadas, uma outra qualidade de relação com a experiência. Falo também sobre aquilo que eu própria continuo a aprender nos cursos que facilito: através das perguntas, das diferenças, das experiências que não correspondem necessariamente à minha e dos lugares onde a linguagem precisa continuar a ganhar precisão. E chegamos finalmente à relação e à intimidade: o que acontece quando já não estamos apenas diante da nossa experiência, mas também diante de alguém que sente, deseja, necessita ou vê de maneira diferente? Uma reflexão sobre corpo, presença, aprendizagem, relação e aquilo que talvez signifique, afinal, aprender a habitar. No final do episódio, partilho também um pouco sobre o próximo curso, Habitar a Diferença na Intimidade Matricial.

    Se a vida já ensina, será que precisamos de aprender a viver?
  7. Aug 7

    Quando deixamos de prever e começamos a viver

    Depois do episódio sobre alta sensibilidade e estratégias de sobrevivência, esta reflexão aprofunda uma pergunta: - O que fazemos com a nossa sensibilidade quando deixamos de a usar para antecipar a vida? Ao longo deste episódio, partilho experiências recentes e muito concretas: uma conversa difícil na relação, uma crítica ao meu trabalho, o desaparecimento temporário do meu gato, a conclusão dum trabalho manual que não ficou exatamente como imaginava e a aprendizagem de permanecer diante daquilo que não consigo controlar. Falamos sobre a necessidade de prever, interpretar e ler sinais como formas de procurar segurança. Sobre a diferença entre intuição e vigilância. Sobre o excesso de análise, tanto racional como simbólica. E sobre a possibilidade de confiar mais na experiência do que na antecipação. Talvez a serenidade não venha de saber o que vai acontecer. Talvez venha de reconhecer que podemos encontrar-nos dentro da experiência quando esta chega. Neste episódio, exploramos: — a falsa segurança da previsão;— a sensibilidade ao serviço da vigilância;— a diferença entre agir e controlar;— a capacidade de sustentar experiências contraditórias;— o corpo como lugar de presença;— o símbolo depois da experiência;— a simplicidade como profundidade;— a confiança na vida sem garantias. No final, deixo também um convite ao novo curso: Habitar a Diferença na Intimidade Matricial Um percurso de quatro encontros vivenciais dedicado à relação, à proximidade, aos limites e à possibilidade de permanecer diante da diferença sem nos abandonarmos nem tentarmos mudar o outro. Início: 13 de setembroValor promocional até: 15 de agosto https://www.anataboada.com/_habitar-a-diferenca-na-intimidade-matricial Talvez a vida não precisa de ser antecipada para poder ser escutada.

    Quando deixamos de prever e começamos a viver

About

Este é um espaço de partilha simples. Um espaço onde voltamos ao corpo, para escutar antes de agir, antes de decidir, antes de pedir. Aqui não encontras métodos, nem respostas prontas. Encontras pausas. Encontras perguntas simples, que ajudam a reconhecer o que está vivo no momento. Cada episódio parte de algo real, uma experiência, um tema, um movimento do campo, e termina com uma microprática de escuta. Não para resolver. Mas para sentir com mais precisão. A escuta matricial não procura significado. Procura presença. E quando há presença, o gesto certo começa a emergir… sem esforço.