No episódio 24 do PalliPapers Podcast, Claudia Inhaia conversa com Ana Cláudia Mesquita Garcia, enfermeira, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Alfenas, sobre o potencial das terapias assistidas por psicodélicos no cuidado de pessoas com doenças graves. Embora os cuidados paliativos reconheçam o sofrimento em suas dimensões física, psicológica, social e espiritual, nossa prática — e grande parte da produção científica — ainda se concentra nos sintomas físicos. Diante do sofrimento existencial, da desmoralização, do medo da morte e da perda de sentido, profissionais e equipes frequentemente se deparam com limites terapêuticos e com a própria sensação de impotência. É nesse território que as terapias assistidas por psicodélicos vêm sendo investigadas. Falamos sobre substâncias como psilocibina, LSD e DMT sobre a diferença entre o uso isolado de uma substância e uma intervenção terapêutica estruturada e sobre os três momentos que habitualmente compõem essa abordagem: * preparação; * sessão de dosagem acompanhada; * integração da experiência. A substância não atua sozinha. O vínculo terapêutico, a comunicação compassiva, o preparo do ambiente (set and setting), a seleção criteriosa e a elaboração posterior da experiência são partes essenciais do processo. Os estudos disponíveis sugerem possíveis benefícios sobre ansiedade, depressão, desmoralização, medo da morte e sofrimento existencial. Entretanto, as evidências ainda são limitadas, os protocolos são heterogêneos e os resultados não ocorrem em todas as pessoas. Não se trata de uma solução milagrosa nem de uma recomendação para uso autônomo ou fora de contextos legalmente autorizados. Talvez seu potencial mais instigante não esteja em “apagar” o sofrimento, mas em permitir que ele seja atravessado, simbolizado, metabolizado e integrado à narrativa da vida. Em algumas experiências, a doença permanece, mas a história que a pessoa conta a si mesma sobre a doença, a morte e a própria existência pode se transformar. O episódio também apresenta o conceito de paliadélicos, substâncias ou terapias apoiadas por substâncias capazes de favorecer estados ampliados de consciência que possam mitigar ou atenuar o sofrimento diante da morte. A criação do termo busca dar identidade e visibilidade a um campo científico emergente. Artigos mencionados no episódio: Maia LO, Beaussant Y, Garcia ACM. The therapeutic potential of psychedelic-assisted therapies for symptom control in patients diagnosed with serious illness: a systematic review. J Pain Symptom Manage. 2022;63. doi: 10.1016/j.jpainsymman.2022.01.024. Garcia ACM, Maia LO, Reed PG. Exploring psychedelics for alleviating existential and spiritual suffering in people with serious illnesses: links to the Theory of Self-Transcendence. J Holist Nurs. 2025;43(3):303-315. doi: 10.1177/08980101241257836. Garcia ACM, Bonifácio MCAC, Maia LO. Contributions of the compassionate care approach to psychedelic-assisted therapies in hospice and palliative care. Prog Palliat Care. 2024;32(4). doi: 10.1080/09699260.2024.2374602. Garcia ACM, Teixeira F, Maia LO. Integrating holistic communication into psychedelic-assisted therapies in hospice and palliative care: an approach based on Peplau’s Theory. J Holist Nurs.2025. doi: 10.1177/08980101251374371. Garcia ACM, Isidoro GM, Silva CP. Psychedelic experiences and finitude in serious illness: a qualitative synthesis. J Pain Symptom Manage.2026;72(1). doi: 10.1016/j.jpainsymman.2026.03.012. Vinasco Barco JA, Garcia ACM. Palliadelic: a neologism that refers to the use of psychedelics in hospice and palliative care settings. *Prog Palliat Care.2025. #CuidadosPaliativos #Psicodélicos #SofrimentoExistencial #Espiritualidade #PalliativeCare #PsychedelicAssistedTherapy #ExistentialDistress #Palliadelics #PalliPapers