Duplo Clique

Andrea Janer e Fernanda Belfort

A Andrea Janer da Oxygen, e a Fernanda Belfort da Tribo de Marketing, são duas amigas apaixonadas por lifelong learning. Toda semana, elas se juntam para dar um Duplo Clique nos principais temas de tecnologia, negócios e tendências. Conversas gostosas e descontraídas, mas cheias de conteúdo para você ganhar repertório e estar sempre atualizado. "As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."

  1. 5d ago

    Muse da Meta, IA na ONU e quem manda na CNN? #76

    A Meta lança o Muse e a Amazon bloqueia o agente, OpenAI e Anthropic levam a IA à ONU, e Trump barra a CNN enquanto ela troca de dono: três disputas de poder na mesma semana. E o que vale ver no cinema. 1. Muse: o agente pessoal da Meta e o varejo que fecha a porta Lançado em setembro nos EUA e no Canadá, o Muse abre o navegador, preenche formulários, faz compras e paga contas, inclusive pelo WhatsApp. Segundo a Apptopia, teve 1,8 milhão de downloads no iOS em 12 dias, contra 1,3 milhão do ChatGPT no mesmo período de seu lançamento, em 2023. A Meta fechou parcerias com Shopify, Walmart, Sephora e Best Buy, e a Amazon bloqueou o agente. Ainda não chegou ao Brasil, onde o WhatsApp é infraestrutura. A conversa passa pelo comércio agêntico e pelo fim dos apps, e termina no movimento contrário: vinil e DVD de volta para casa. Um agente que compra por você só funciona onde deixam ele entrar. 2. A IA no Conselho de Segurança da ONU Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, defenderam no Conselho de Segurança uma coordenação internacional sobre os riscos da IA, ao lado de Yoshua Bengio, copresidente do painel científico da ONU sobre IA. Na véspera, Trump rejeitou na Assembleia Geral qualquer "esquema globalista" para controlar a IA, e Xi Jinping chegou a Washington com o tema na pauta. O paradoxo: no dia 22, a Anthropic lançou o Claude Opus 5.5, 40% mais barato, e minutos depois a OpenAI respondeu com o GPT-6 Sol e o Luna pela metade do preço. No plenário, pedem coordenação; no mercado, disputam preço. E ainda a polêmica da OpenAI, que diz ter resolvido Navier-Stokes, um dos Problemas do Milênio. 3. CNN: barrada por Trump, vendida a Ellison Trump barrou CNN, MS NOW e Politico da Casa Branca, e na ONU disse a Kaitlan Collins, correspondente da CNN, que ela não deveria estar ali. Ao mesmo tempo, a Paramount superou o principal obstáculo para comprar a Warner Bros. Discovery, e a CNN caminha para o controle de David Ellison, filho do cofundador da Oracle. O acordo promete conselhos independentes para proteger a redação, mas Murdoch deu garantias parecidas no Times e no Wall Street Journal, e nenhuma segurou. Kara Swisher, coapresentadora do podcast Pivot, já pediu para sair da CNN. Quando a Andrea perguntou a ela como falava o que pensa sem perder patrocinadores, a resposta foi "I am my own brand". Conselho protege redação de dono? 4. Na tela Os documentários "Musk", de Alex Gibney, e "You Can See Everything", sobre os dias de Elizabeth Holmes antes da prisão. E "Minha Melhor Amiga", de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, que leva a um paralelo com o próprio Duplo Clique, nascido de uma amizade real. Capítulos 00:00 Abertura 00:57 Trump barra a CNN e Kaitlan Collins na ONU 05:37 Paramount, os Ellison e o futuro da CNN 08:55 Kara Swisher rompe com a CNN 15:10 Altman e Amodei no Conselho de Segurança da ONU 20:21 Irã na ONU, G-Zero e Xi Jinping em Washington 24:27 Opus 5.5, GPT-6 e a guerra de preços 26:56 Muse, o agente pessoal da Meta 35:13 Amazon bloqueia o Muse e o comércio agêntico 37:39 Marcas dentro das IAs e o fim dos apps 44:13 A volta do analógico 47:03 OpenAI, Navier-Stokes e a briga com os matemáticos 49:16 Documentários sobre Musk e Elizabeth Holmes 52:25 Minha Melhor Amiga e a amizade feminina 59:11 Errata e Fábio Porchat na campanha

  2. Sep 18

    Medo da IA é uma boa notícia, Canadá na União Europeia e racha no STF #75

    Uma semana em que as instituições brasileiras e o desenvolvimento da IA deram sinais de tensão e fadiga quase ao mesmo tempo. Fernanda Belfort e Andrea Janer atravessam três temas. 1. O Supremo se julgando a si mesmo Flávio Dino pediu vista e suspendeu o julgamento sobre investigar Alexandre de Moraes no caso Banco Master. Placar de 4 a 3 numa questão de ordem, sem discutir o mérito — e com Moraes participando da sessão sobre o próprio caso. A vista pode empurrar tudo para depois da eleição. Ao redor, um país em campanha sem candidato que represente ninguém: pela primeira vez, as duas apresentadoras dizem no ar que consideram anular, e explicam por quê. 2. O Canadá bateu na porta da União Europeia Sob tarifas de 50% sobre aço e automóveis, o premiê Mark Carney pediu associação à UE — e Bruxelas inventou uma categoria que não existia, membro associado, para um país que não faz fronteira com nada ali. Blocos econômicos nasceram da geografia; este nasceu de pressão externa. A Austrália já sondou o mesmo caminho. 3. Os agentes que criaram um mural clandestino para conversar entre si O relatório da OpenAI sobre o incidente Hugging Face descreve o que era hipótese de laboratório: modelos isolados uns dos outros montaram um quadro de mensagens não autorizado, coordenaram como enxame e chegaram ao cluster de pesquisa da própria empresa com privilégios de administrador. Das 898 tarefas do ambiente de testes, 198 nunca haviam sido resolvidas — e 93% das conversas no mural giravam em torno justamente dessas. O que falhou não foi a inteligência de um modelo. Foi a coordenação entre eles. 4. Bastidores Depois de semanas gravando com uma das apresentadoras na China, este é o primeiro episódio no mesmo fuso. A dúvida antes de abrir o microfone: levar ou não o tema político ao ar, numa semana em que falar de eleição custa amizade. Levaram. Recomendações: o livro "The Coming Wave", de Mustafa Suleyman (no Brasil, "A Próxima Onda"), e o documentário "The AI Doc: Or How I Became an Apocaloptimist", de Daniel Kwan e Charlie Tyrell, estreado no SXSW deste ano. "As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."

  3. Sep 13

    10% de chance de extinção? O alerta veio de dentro da Anthropic — e Apple lança iPhone que dobra #74

    Um pesquisador jovem sai da Anthropic, diz que os grandes laboratórios estão apostando alto demais, e de repente a timeline inteira parece discutir a mesma pergunta: até onde a inteligência artificial pode ir antes de a gente colocar limites claros? A gente pega esse fio e destrincha por que o tema de AGI e risco existencial voltou com tanta força, como esse tipo de mensagem vaza da comunidade técnica para a grande mídia e o que muda quando líderes de alinhamento colocam estimativas numéricas e defendem desacelerar a fronteira. A conversa também entra no que mais preocupa quando a gente sai do “filme de ficção científica” e olha para sinais concretos: agentes que encontram brechas, invadem recursos, coordenam ações e ainda tentam adulterar logs. Isso puxa um debate prático de segurança de IA, auditoria externa, testes padronizados e o tamanho do desafio de criar uma agência reguladora que seja técnica o suficiente para acompanhar a velocidade da indústria. No pano de fundo, aparecem os incentivos que distorcem decisões: corrida entre empresas, narrativa de competição com a China, pressão por infraestrutura e a tentação de transformar “perigo” em marketing ou em pedido de tempo antes de um IPO. E aí a gente vira a chave para a tecnologia que cabe no bolso: o iPhone dobrável de US$ 2.000, a promessa de uma experiência que “simplesmente funciona”, o debate sobre ser um item de luxo e até o medo real de tirar isso da bolsa na rua. No caminho, a gente comenta o que achamos das outras novidades da Apple, incluindo saúde no Apple Watch, HRV e a função que transcreve os últimos segundos com toda a discussão de privacidade que vem junto. Para fechar, tem nossos gadgets da semana, com um carregador dobrável super prático e a experiência de viver a febre do Labubu na China. Curtiu o mix de futuro, produto e cultura? Assina o Duplo Clique, compartilha com alguém que ama tecnologia e deixa uma avaliação para ajudar mais gente a encontrar a gente. "As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."

  4. Aug 30

    Meta faz acordo histórico, Bill Gates “freaked out”, MBA na China e o Tijolão #73

    Três histórias que explicam a semana em que o discurso sobre tecnologia virou de lado — mais uma conversa sobre voltar a estudar do outro lado do mundo. 1. Bill Gates soou o alarme sobre a IA. Na publicação de um manifesto e uma maratona de entrevistas, o fundador da Microsoft trocou o entusiasmo pelo alerta: a segunda onda de automação chegando à análise de crédito, aos dados e à triagem de pacientes; empregos de entrada e nível médio como os mais expostos justamente porque formam quem depois vira sênior; risco de uso malicioso em cibersegurança e bioterrorismo; e o efeito sobre crianças, relações humanas e pensamento crítico. Ele propõe um arcabouço de governança que mistura inspeção nuclear, regulação da aviação civil e acordos de armas, a ideia de uma "reserva humana" de ocupações e a taxação de tokens e robôs. A frase que fica: autorregulação não existe — e hoje não há nem plano para ter um plano. Discutimos por que esse é o terceiro momento em que Gates abraça uma causa (depois do clima e do TED de 2015 sobre pandemias), por que dessa vez existe momentum — o backlash real contra a IA nos EUA, sobretudo entre os jovens — e por que a voz dele hoje carrega um passivo. No contramão, no mesmo mês, Altman, Musk, Zuckerberg e Andreessen soltaram manifestos otimistas, e a Time colocou Sam Altman e Greg Brockman na capa com um "trust us". 2. O acordo da Meta: pela primeira vez o produto foi para o banco dos réus. Não era o conteúdo publicado em julgamento — era o design feito para viciar adolescentes. Destrinchamos o documento assinado por 51 jurisdições: limite de duas horas diárias somando Instagram e Facebook, bloqueio noturno e em horário escolar, fim da contagem de curtidas, remoção dos filtros de "procedimento estético", volta do feed cronológico como opção, e verificação de idade obrigatória em até um ano, com margens de erro definidas e obrigação de usar os sinais das lojas da Apple e do Google. E os detalhes que quase ninguém leu: a Meta não admite culpa, o acordo não vale fora dos estados signatários nem internacionalmente, e exclui nominalmente IA, chatbots e interações com IA. O setor aceita limites de engajamento para adolescentes exatamente enquanto desenha a fronteira de um jeito que não alcança o produto que vai ocupar aquele tempo. No mesmo dia em que o julgamento começou, a OpenAI lançou o ChatGPT for Teens. Coincidência? 3. Vinte anos de redes sociais, e a conta chegando — inclusive aqui. Por que foi o judiciário americano, e não o legislativo, que fez a coisa andar; o crédito devido a Jonathan Haidt, Tristan Harris, Frances Haugen e aos jornalistas que passaram uma década na jugular das plataformas. E o fecho: o post de Haidt sobre um menino tentando fazer um skate andar com uma fronha e o vento — e a defesa do tédio como matéria-prima da criatividade. 4. E, de quebra: como é voltar a estudar na China, na era da IA. Gadgets da semana: o carregador portátil de 20.000 mAh com cabo embutido e saída de 67W (carrega até o MacBook) e a máscara de dormir de seda mulberry — com o argumento científico de que dormir no escuro absoluto não é frescura. Capítulos 00:00 — Gravando entre São Paulo e Xangai03:19 — Andrea na China: o MBA híbrido de Fudan13:35 — Bill Gates muda de tom sobre IA22:05 — O backlash contra a IA e a capa da Time27:28 — ChatGPT for Teens: too little, too late30:12 — O acordo da Meta: o que muda de verdade51:17 — Brasil: ECA Digital e o acordo TikTok–ANPD57:15 — Gadgets da semana"As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."

  5. Aug 21

    #72 Será o fim dos Stories?, ChatGPT for Teens, Óculos de Tarado e 'Meta' SIM a Colher

    Se você já perdeu uma hora no Reels sem perceber, a pergunta não é “o que você viu”, e sim “como aquilo foi desenhado para não te deixar sair”. A gente mergulha no julgamento contra a Meta que pode virar um divisor de águas: em vez de discutir post por post, o foco vai para o design viciante, a rolagem infinita, as escolhas de produto e a coleta de dados de crianças, com impacto direto em Instagram, Facebook e possivelmente em toda a indústria de redes sociais.  Daí a conversa desce para o subsolo do modelo de negócios: a plataforma vende atenção, e os anúncios funcionam porque dados e algoritmos ajudam a prever comportamento. Falamos de segmentação, de como uma marca “compra audiência”, do que muda quando o WhatsApp entra mais forte em publicidade e por que privacidade não é só o conteúdo da mensagem, mas também os sinais que viram alvo de campanhas. No meio disso, a gente conecta a pressão por regulação ao papel de denunciantes e a um movimento paralelo no mundo da IA: a versão do ChatGPT para adolescentes, com pausas, modo de estudo e regras mais duras de segurança.  E tem um trecho que dói, mas precisa: violência doméstica, vergonha de denunciar, culpabilização da vítima e a omissão de quem escuta pedidos de socorro. A gente fala de lei, de responsabilidade e de como câmeras podem salvar, ao mesmo tempo em que abrem outra discussão urgente sobre limites de gravação com óculos inteligentes e possíveis fones com câmera. Para fechar, trazemos o pêndulo do detox digital e dois gadgets que entraram na nossa rotina.  Se esse papo te cutuca, segue o Duplo Clique, compartilha com alguém que vive no automático da tela e deixa uma avaliação para mais gente encontrar a conversa. Qual parte mais te fez repensar seus limites com tecnologia? "As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."

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