Um azulejo fora do sítio

Capela de Santa Marta — Paulo Ramos

Na capela do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, existe um painel de azulejos que desafia qualquer padrão previsível. Pode um azulejo fora do sítio ser pretexto para um vínculo entre padrões desencontrados?

Episodes

  1. 5. José Frazão Correia, sj – Categoria e matrizes: uma conversa sobre formas eclesiais – Um azulejo fora do sítio.

    06/28/2025

    5. José Frazão Correia, sj – Categoria e matrizes: uma conversa sobre formas eclesiais – Um azulejo fora do sítio.

    As 'categorias', enquanto ferramentas conceptuais que utilizamos para organizar e dar sentido à realidade, fornecem estrutura e clareza ao discurso teológico: reflectem as tentativas humanas para articular o divino, muito embora, em última análise, se revelem insuficientes para apreender completamente o mistério de Deus. A 'forma' representa os meios por intermédio dos quais as realidades divinas se manifestam e se tornam tangíveis no mundo. A 'forma' litúrgica é disso um bom exemplo: o ritual e o símbolo incorporam o transcendente ao mesmo tempo que convidam à participação no mistério de Deus; permitem um encontro tangível com o divino, mas gesticulam sempre para além de si mesmos, apontando para uma realidade que ultrapassa a compreensão humana. A forma não pode ser, por isso mesmo, estática, mas dinâmica, relacional e transformadora.  O que fazer, porém, quando uma 'forma' se absolutiza e sobrepõe a sua linguagem ao dinamismo da realidade? O que fazer quando a razão mais profunda dos gestos, das palavras, das convenções, das sensibilidades e dos códigos nos é alheia e impede de viver autenticamente o Evangelho? Não continuaremos nós, a sessenta anos do Vaticano II, a pensar de acordo com a forma tridentina?  Eis uma boa conversa com o pe. José Frazão Correia, sj sobre Categorias e Formas, mudanças e inquietações, sobre a necessidade, enfim, de pensarmos a nossa fé a partir das categorias de quem nos escuta. Um podcast da Capela de Santa Marta (Lisboa), com a assinatura de Paulo Ramos. Siga-nos no canal WhatsApp e no instagram. © Pascal Comelade, El Pianista del Antifaz (Because Music, 2013) – Spinoza Was a Soul Garagist.

    1h 31m
  2. 4. Sónia Monteiro – Amputações e cicatrizes: uma conversa sobre o perdão – Um azulejo fora do sítio

    05/24/2025

    4. Sónia Monteiro – Amputações e cicatrizes: uma conversa sobre o perdão – Um azulejo fora do sítio

    O perdão, na sua essência, é um ato de graça — uma dádiva de reconciliação diante da transgressão: promete libertação, não apenas para o infractor, mas sobretudo para a vítima, vergada pelo peso do ressentimento ou da tristeza. Por trás desta aparente simplicidade, no entanto, palpita um profundo paradoxo, pois o perdão, enquanto acto absoluto e incondicional, parece impossível. No cerne da impossibilidade do perdão, jaz a irreversibilidade do dano. Perdoar não significa elidir, mas testemunhar aquilo que foi feito — aquele erro que alterou permanentemente a existência. O tempo não cura feridas; cobre-as com sedimentos de memória. A cicatriz permanece e, com ela, o lembrete de que o passado não pode ser desfeito. O perdão, portanto, não absolve; apenas nos permite coexistir com uma realidade imutável. Como pode, então, alguém perdoar um acto que recompôs totalmente os contornos da sua vida? A própria ideia de perdão parece frágil diante da permanência inflexível de certos danos. Será o perdão uma vertigem, um salto? Atracção pelo abismo ou mergulho? Atiramo-nos juntos? Deixem as braçadeiras em casa e saltemos, pois, para as águas fundas do perdão... Tentaremos umas braçadas em mar alto, sob o olhar vigilante da Sónia Monteiro, com quem – por entre sandálias e o Pequod, amputações e Jankélévitch – tentaremos perceber, chegando ao areal, a que sabem as alfarrobas dos porcos. Um podcast da Capela de Santa Marta (Lisboa), com a assinatura de Paulo Ramos. Siga-nos no canal WhatsApp e no instagram. © Pascal Comelade, El Pianista del Antifaz (Because Music, 2013) – Spinoza Was a Soul Garagist.

    1h 26m
  3. Amputações e cicatrizes. Uma conversa sobre o perdão, com Sónia Monteiro.

    TRAILER

    Amputações e cicatrizes. Uma conversa sobre o perdão, com Sónia Monteiro.

    O perdão, na sua essência, é um ato de graça — uma dádiva de reconciliação diante da transgressão. Promete libertação, não apenas para o infractor, mas sobretudo para a vítima, sobrecarregada pelo peso do ressentimento ou da tristeza. Por trás da sua aparente simplicidade, no entanto, palpita um profundo paradoxo: o perdão, enquanto acto absoluto e incondicional, parece impossível. No cerne da impossibilidade do perdão palpita a irreversibilidade do dano. Perdoar não significa apagar, mas testemunhar o que foi feito — um erro que altera permanentemente a existência. O tempo não cura feridas; limita-se a cobri-las com sedimentos de memória. A cicatriz permanece, e com ela, o lembrete de que o passado não pode ser desfeito. O perdão, portanto, não absolve; apenas coexiste com uma realidade imutável. Como pode, então, alguém perdoar um ato que remodelou fundamentalmente os contornos de uma vida? A própria ideia de perdão parece frágil diante da permanência inflexível de certos danos. Será o perdão uma vertigem ou um salto? Atracção pelo abismo ou um mergulho? Para aprofundar estas questões nada como, no dia 24 de Maio, às 15h, aparecer na Capela de Santa Marta e partilhar a presença da Sónia Monteiro, com quem - por entre sandálias, baleeiros, amputações e regressos - tentaremos perceber a que sabem as alfarrobas dos porcos. Um podcast da Capela de Santa Marta (Lisboa), com a assinatura de Paulo Ramos. Siga-nos no canal WhatsApp e no instagram. © Pascal Comelade, El Pianista del Antifaz (Because Music, 2013) – Spinoza Was a Soul Garagist.

    3 min

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