O vinho está mudando — e talvez nunca tenha sido tão urgente falar disso com honestidade. Neste episódio do SommCast, Paulo Brammer compartilha uma trajetória que passa longe do glamour e se aproxima do que realmente sustenta o setor: trabalho de base, educação, visão de negócio e capacidade de adaptação.Da formação no Reino Unido à criação da Inocultura, Paulo construiu uma leitura rara sobre o vinho como indústria cultural, econômica e social. A conversa avança para temas centrais do nosso tempo: queda global do consumo, demonização do álcool, mudanças de comportamento, pressão da indústria farmacêutica e o desafio de manter o vinho relevante sem recorrer a discursos ultrapassados.Mais do que um episódio sobre carreira, este é um papo sobre futuro. Sobre como o vinho precisa sair do pedestal, voltar à mesa, ao convívio, à vida real — e como educação, comunicação e estratégia podem definir quem sobrevive (e quem fica para trás) nos próximos anos.Destaques🍇 Uma entrada nada romantizada no vinhoPaulo começa desmontando o mito da “origem nobre”: sua primeira memória com vinho envolve garrafão, gelo e excesso. O ponto não é a anedota — é mostrar como a cultura do vinho no Brasil nasce distante, improvisada e sem repertório, e como isso molda gerações inteiras de consumidores.🇬🇧 O Reino Unido como escola prática de mercadoLondres aparece como um divisor de águas. Um ambiente meritocrático, profissional e altamente competitivo, onde Paulo passa por todas as camadas da hospitalidade — da operação ao nível executivo — construindo uma visão pragmática sobre bebidas, consumo e gestão.🍸 Do bar ao vinho: sensibilidade treinadaAntes do vinho, vieram os destilados, a coquetelaria e o treino sensorial intenso. Essa base influencia diretamente sua leitura de vinho, menos dogmática e mais conectada à experiência, ao prazer e à percepção real do consumidor.🎓 Eno Cultura e a virada educacional no BrasilA escola nasce com uma proposta clara: comunicação mais leve, design, metodologia moderna e foco no aluno — não no professor ou no título. A vitória como Educador do Ano pela WSET simboliza uma mudança de paradigma no ensino do vinho no país.🧠 Educação além do diplomaPaulo provoca: educação não pode existir apenas para certificar pessoas. Ela precisa impactar negócios, consumo, cultura e sustentabilidade da cadeia. O vinho não se sustenta apenas com experts — precisa de gente engajada, curiosa e conectada.📉 A crise global do consumo de vinhoDados, contexto e leitura estratégica: queda histórica em mercados maduros, retração na China, pressão nos EUA e campanhas governamentais para erradicação de vinhedos na Europa. O consumo caiu — e isso muda tudo.💊 Demonização do álcool e novas disputas culturaisA conversa entra em temas sensíveis: lobby farmacêutico, cannabis, novos hábitos de relaxamento e a mudança na relação das pessoas com o álcool. O vinho disputa atenção em um cenário completamente diferente do passado.🍽️ O vinho como elemento social, não medicinalSai o discurso do “faz bem para a saúde”, entra o vinho como ferramenta de convivência, prazer, celebração e saúde mental coletiva. Voltar o vinho para a mesa é mais estratégico do que qualquer argumento científico isolado.🇧🇷 Brasil: crescimento, mas com base frágilApesar de ser um dos poucos países que cresce em consumo, o Brasil ainda tem um mercado pequeno, altamente taxado e pouco acessível. Preço inibitório, falta de política pública e distância do cotidiano seguem como entraves centrais.📊 Impostos, preço e acessoO episódio aprofunda como a carga tributária impede o vinho de se tornar um produto cotidiano. Não é só cultura — é estrutura econômica que limita o alcance do vinho no país.🚀 O futuro do vinho passa por estratégiaPara Paulo, o próximo ciclo do vinho exige menos romantização e mais inteligência: educação aplicada, comunicação eficiente, visão de longo prazo e coragem para repensar modelos que já não funcionam.