Como honrar mais de 150 anos de história sem transformar a tradição em uma fórmula engessada? Neste episódio do SommCast, Tomás Muñoz, enólogo-chefe dos Viñedos Familia Chadwick, mostra que a resposta está no aprendizado constante. Formado em Agronomia e apaixonado pela união entre enologia e sustentabilidade, ele construiu uma trajetória que passou por Chile, Estados Unidos e Nova Zelândia antes de assumir a responsabilidade técnica por alguns dos vinhos mais emblemáticos do país. A conversa percorre as diferentes identidades de Viñedo Chadwick, Seña, Arboleda, Caliterra e Viña Errázuriz, além da impressionante diversidade do Vale do Aconcágua. Tomás explica como poucos quilômetros podem transformar completamente um vinho, como as brisas do Pacífico preservam frescor e acidez e por que provar safras antigas é uma das ferramentas mais poderosas para evoluir. O histórico Don Maximiano aparece como uma verdadeira linha do tempo do vinho chileno, revelando mudanças nas variedades, no uso da madeira, na maturação e na busca por equilíbrio. Mais do que falar sobre grandes rótulos, o episódio questiona antigas ideias sobre qualidade. Um vinho precisa ser alcoólico, concentrado e marcado pela barrica para envelhecer bem? Para Tomás, a verdadeira coluna vertebral da guarda é a acidez. Entre mudanças climáticas, uso responsável da água, inteligência artificial e sensibilidade humana, o papo revela uma indústria que precisa olhar para o futuro sem perder a conexão com o campo. Destaques 🍷 Uma trajetória construída pela curiosidade Tomás conta como um curso de enologia mudou sua direção profissional e o levou a experiências em diferentes países, culturas e estilos de produção antes de chegar à Família Chadwick. 🏛️ Tradição não significa repetição Em uma empresa centenária, respeitar a história não é continuar fazendo tudo da mesma maneira. É aprender com cada safra, testar novos caminhos e entender que, no vinho, 20 anos representam apenas 20 tentativas. 🌎 Cinco marcas, cinco identidades Viñedo Chadwick, Seña, Arboleda, Caliterra e Errázuriz trabalham regiões, escalas e propostas distintas. O ponto em comum é a busca por revelar, com precisão, o potencial de cada lugar. 🏔️ Aconcágua como um Chile em miniatura Da Cordilheira dos Andes ao Oceano Pacífico, o vale reúne influência marítima, ventos, diferentes solos e inúmeros microterroirs, permitindo produzir desde Chardonnay e Pinot Noir até Cabernet Sauvignon, Carménère, Malbec e Syrah. ⏳ O vinho como laboratório do tempo Com safras de Don Maximiano preservadas desde 1983, a equipe consegue avaliar décadas depois como decisões envolvendo madeira, variedades, extração e maturação afetaram a evolução dos vinhos. ⚡ Acidez, frescor e potencial de guarda Tomás desmonta a ideia de que potência é sinônimo de longevidade. Menos álcool, menos extração e madeira mais equilibrada podem produzir vinhos mais elegantes, prazerosos e preparados para envelhecer. 💧 Sustentabilidade com precisão Sensores de umidade, irrigação por gotejamento, testes subterrâneos e análise constante do clima ajudam a utilizar melhor a água e adaptar os vinhedos a safras cada vez mais extremas. 🤖 Tecnologia sem perder o fator humano A inteligência artificial começa a apoiar a análise de dados e as decisões no campo, mas Tomás reforça que nenhuma tecnologia substitui completamente a experiência de quem observa o vinhedo diariamente. 🇧🇷 A importância do consumidor brasileiro O Brasil é apresentado como um mercado estratégico para os vinhos de alta gama do grupo, com um público cada vez mais interessado em aprender, experimentar e viver o vinho para além da taça.