Olá!! Como vai você? Tudo bem? Por aqui, eu e Janaina Mendes estamos saindo de uma boa virose, e caso você esteja me ouvindo via podcast, e se deparar com um voz “meio capenga”, me dê um desconto, por favor... mas, cá estou! Pronta para compartilhar esse artigo escrito a duas mãos, e que acreditamos que vai falar com você. Vamos fechar juntas a nossa série sobre IDENTIDADE. Aqui no Clube, abordamos outros tantos temas de trabalho, mas posso te afirmar sem medo: tudo começa na nossa percepção sobre nós mesmos. E nesse sentido, nos aprovar ou reprovar, implica diretamente na forma como vamos viver ou sobreviver neste mundo. Se como indivíduos isso é fulminante, como pais e mães isso gera desdobramentos capazes de alcançar gerações, seja para o bem ou para a dor. Como quem tem cicatrizes causadas pela rejeição e aprendeu a valorizá-las, enquanto trabalhava nesse texto, entre percepções, entendimentos, estudos e pesquisas, a frase que me marcou foi: Todo aquele que está carente de ser reconhecido é porque não tem convicção da sua identidade. Essa verdade, lançada de forma veemente, não veio de um badalado especialista comportamental, nem de um renomado pesquisador ou algum coach de sucesso, mas de um teólogo. Paulo Borges Jr, é teólogo e engenheiro, alguém que por formação escolheu o transcendente e o racional. Sua afirmação sobre identidade tem como base a graça diante de um Deus que nos ama incondicionalmente. O interessante disso, é que Dan P. McAdams, renomado professor de desenvolvimento humano e política social, um dos principais pesquisadores do mundo no campo da psicologia narrativa, famoso por estudar histórias de aceitação e redenção do ponto de vista científico, afirma: A identidade assume a forma de uma história completa, com cenário, cenas, personagens, enredo e temas. Ou seja, você não tem uma identidade simplesmente porque existe, mas você a constrói ativamente ao longo do tempo, narrando para si mesmo a sua versão da vida e seus fatos, a partir da sua própria interpretação. Ficou claro? Os dois estão falando, basicamente, a mesma coisa: A busca por reconhecimento é uma necessidade inerente daquele que tem sua identidade fragmentada. Na prática, a forma como interpretamos o mundo, as circunstâncias, os relacionamentos, as aprovações, rejeições, alegrias ou tristezas da vida, está profundamente ancorada em quão amada e aceita uma pessoa, realmente, se sente. A forma como essa história é construída começa dentro de casa, nas nossas relações parentais. Somente na nossa adolescência e na vida adulta, começamos a “editar a nossa versão sobre quem somos ou desejamos ser”. É o que McAdams chama de identidade narrativa, a história de vida interna e dinâmica que um indivíduo constrói para entender sua vida. Ao longo das últimas semanas, temos falado sobre como nossos sentimentos não são capazes de nos definir porque eles oscilam de acordo com o quanto uma pessoa se sente amada, pertencente, aceita ou importante. Por isso, temos afirmado: Sua identidade é a base fundamental da sua saúde emocional. Se ela é sólida, você não confundirá o que sente, em momentos de vulnerabilidade, com quem você, de fato, é. Até aqui, nós já passamos por alguns pontos cruciais sobre reconhecermos quem somos em essência. Mas, calma! Reconhecer onde nossa identidade está vulnerável, e precisa de atenção, é só a primeira parte desse processo. A segunda, e mais difícil, é mudar. A terceira e imprescindível, é: diante de erros e acertos, nos manter conscientes de que sabemos quem, de fato, somos. Independente do quanto ainda seremos comparados, questionados e confrontados. Por isso, para fechar essa série precisamos falar sobre coragem, mudança e processo. A CORAGEM DE MUDAR Saber não é o mesmo que agir. Você pode ter se reconhecido ao longo de cada artigo dessa série. Pode ter se visto em cada linha sobre rejeição, performance e pertencimento. Pode ter sentido aquela fisgada no peito, aquele “é exatamente isso” e, ainda assim, seguir fazendo tudo do mesmo jeito. E não é porque você é fraco. É porque mudar dói. Mesmo quando a mudança é boa. Existe um paradoxo curioso na jornada do autoconhecimento: quanto mais você se enxerga com clareza, mais sente a responsabilidade de agir de acordo com o que agora vê. Claro que é mais fácil, e muito mais confortável, continuar sendo o personagem que aprendeu a ser do que enfrentar o trabalho de se tornar quem você realmente é. Contudo, quem precisa se esforçar para sentir-se parte, sabe como é exaustivo tentar agradar aos outros sendo quem você não é. Se esforçar para ser aprovado, para sentir-se amado e pertencente nos corrói por dentro. Mas, saiba: a mudança real não começa com uma decisão grandiosa, mas, sim, com aquela decisão pequena e honesta. Aquela que você tem medo de admitir até para si mesmo. Começa quando você para de culpar o ambiente e pergunta: O que eu tenho feito com o que eu sei? Até quando vou suportar a dor de não me aprovar? De permitir que os outros definam meu valor? Ainda assim, assusta abrir mão da versão mais conveniente de si mesmo. Aquela que achamos ser a mais conveniente por que acreditamos ser a que mais agrada a todos. Quando nos sentimos assim, precisamos compreender: o que rejeitamos em nós a ponto de não termos coragem de sermos nós mesmos? Todos tem defeitos e qualidades, a forma como lidamos com cada uma das nossas características define qual delas prevalecerá. Por exemplo, uma pessoa ser melancólica não é necessariamente algo ruim, porque melancolia não é sinônimo de depressão. Como traço comportamental, a melancolia está presente em pessoas mais analíticas, criativas, observadoras e introspectivas. Como estado emocional passageiro, que expressa tristeza ou reflexão mais profunda, a melancolia pode ser usada como trampolim para uma maior compreensão sobre seus sentimentos e perspectivas, porque ela não nega a dor que a aflige. Por outro lado, se uma pessoa aceita a melancolia como um transtorno de humor, no qual a tristeza prevalece, se torna muito difícil viver com ela. E isso se encaixa perfeitamente nas respostas encontradas nos estudos de Dan P. McAdams, onde ele alega que a maneira como as pessoas constroem histórias coerentes sobre suas vidas, impacta diretamente em sua saúde psicológica, influenciando até o bem-estar das próximas gerações, e na aceitação da vida, especialmente em contextos de sofrimento e adversidade. Percebe? Mudar não significa virar outra pessoa. Significa ter a coragem de ser, ou resgatar, quem você já é em essência. Reconhecendo defeitos e qualidades, lidando com cada um deles de forma madura e construtiva. Nesse processo, muita gente espera sentir coragem antes de agir. No entanto, a coragem não vem antes, ela vem durante. Ela nasce no exato momento em que você, mesmo com medo, dá o primeiro passo. Por que, de fato, coragem nunca foi ausência de medo. Você não vai acordar amanhã sem medo de ser rejeitado, sem o reflexo condicionado de se diminuir, sem a voz que lhe diz que é perigoso demais ser você mesmo. No entanto, você pode aprender a reagir e mudar, apesar disso. A pergunta não é: quando vou estar pronto? A pergunta é: o que farei hoje com o que já sei? O PROCESSO Muitos de nós tem como maior inimigo nessa jornada não se aprovar. Quem não se aprova se torna inseguro e dependente da validação alheia. Por isso, atente: Autoaceitação não significa que você não reconhece seus desafios ou defeitos. Muito pelo contrário: significa que ao se reconhecer em sua totalidade, você pode, de forma honesta, encarar suas qualidades e defeitos de forma construtiva, aprendendo a superar o que não é legal e a validar o que é bom. Nós, adultos, mesmo ajustando aquilo que sabemos que precisa de mudança, naturalmente, vamos conviver com os gatilhos de uma vida inteira habituada a nossa versão anterior. E o mais interessante é que, gradualmente, os gatilhos se tornam alertas positivos, que nos ajudam a não voltar atrás, nem permitir que nos coloquem de volta em caixas que nunca nos couberam. E não podemos esquecer que vivemos na era digital, onde performar se tornou epidemia coletiva. Rotina, casa, trabalho, viagens, lifestyle…. tudo isso se tornou comparável em tempo real. Ser emocionalmente saudável em um mundo mentalmente adoecido é um desafio real. Ter clara noção do seu valor em meio a uma geração que foi conduzida a acreditar em justificativas emocionais para não confrontar verdades incômodas, é algo ousado! Ter opinião própria e posicionamento coerente aos seus valores em ambientes polarizados é difícil. Por mais lowprofile que sejamos, mesmo que não queiramos nos comparar, ao abrir um instagram ou linkedin, nos deparamos com o sucesso do outro. E, acredite, dia a dia, a comparação uma hora ou outra vai emergir. Quando menos esperamos, sem a menor pretensão, estamos julgando o outro. Pior, à medida que continuamos, repetidamente a colocar parte da atenção nesse ambiente, ou apenas a consumir a vida dos outros nele, tendemos a nos tornar ainda mais julgadores do que aprovamos ou desaprovamos também em nós. Validar nossa identidade pessoal é algo processual porque também estamos vivendo em uma identidade social, na qual o ambiente tanto nos influencia quanto nos cobra ser parte dele. Nesse cenário, uma das maiores armadilhas do processo de transformação é achar que ele precisa acontecer em silêncio, na força do esforço individual, sem que ninguém saiba que você está mudando. Contudo, o verdadeiro pertencimento, aquele do qual falamos ao longo de toda esta série, também se aplica à sua própria jornada. Você precisa de espaços seguros para errar enquanto muda. Precisa de relações que não lhe cobrem a versão finalizada de si mesmo antes do processo. Precisa de v