Clube Orekare Podcast

Orekare

Clube de Desenvolvimento Emocional para Pais e Filhos. clubeorekare.substack.com

  1. 4H AGO

    LEGADO EMOCIONAL

    Olá! Como está você hoje? Nessa quarta-feira de cinzas, pós-carnaval, trago um tema que é de suma importância a todos nós. Antes de entrar nele, quero deixar claro que este não é um chamado à vulnerabilidade. Vulnerabilidade significa estado de vulnerável. E vulnerável significa: ferido, sujeito a ser atacado, derrotado: frágil, prejudicado ou ofendido. Portanto, quando dizemos - e eu já errei bastante nisso - que alguém precisa ser mais “vulnerável”, NÃO estamos dizendo que a pessoa precisa ser mais aberta em relação às suas emoções e sentimentos, pelo contrário, estamos dizendo: exponha-se desprotegidamente, corra o risco de ser atacado em sua fragilidade. Por isso, este é um convite a reconhecermos onde nos tornamos vulneráveis devido a tudo que vivemos e experimentamos em família. Consciente ou inconscientemente, para cada dor vivenciada em nossos lares, ao compreendermos o legado emocional que recebemos - acredite! - podemos curar feridas antigas, até esquecidas, e nos tornarmos emocionalmente mais fortes e seguros, capazes de multiplicar saúde emocional para nossos filhos e, inclusive, para as próximas gerações. Por isso, aprender sobre LEGADO EMOCIONAL gera: * Autoconhecimento; * Firma identidade; * Quebra padrões inconscientes; * Melhora nossas relações interpessoais; * É ação preventiva e ativa para a gestão da nossa saúde emocional e mental. Diante disso, decidi compartilhar aqui no Clube, com todos vocês, uma prévia do livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”, livro que escrevi especialmente para assinantes e que aborda a importância desse tipo de legado familiar. Afinal: Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente e inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, valores, comportamentos e todas as áreas da vida; por toda a nossa vida. Nosso mundo precisa disso. Nossos “NÓS” estão se tornando prisões de amargura, ressentimentos, violências, traumas e dores que afetam toda a nossa sociedade. Disponível em áudio e texto, te convido a ouvir ou ler com calma para compreender que toda família tem seu legado ativo, e quanto mais você se conscientizar do seu, maiores são as chances de dar aos seus filhos um legado emocional melhor construído e seguro quanto à saúde emocional para eles e suas próximas gerações. INTRODUÇÃO Pouco tempo atrás me deparei com uma palavra que já habitava em mim e eu nunca a tinha ouvido ou pronunciado: intergeracionalidade. À medida que comecei a entender que ela ampliava meu entendimento sobre o que chamamos de legado emocional, comecei a buscar meios de levar essa percepção de forma mais simples para mais gente. Então, em uma reunião sobre temas de trabalho do Clube Orekare, em meio a sugestões de ações casadas para pais e filhos, ouvi de uma das pessoas mais dedicadas e responsáveis que conheço, a seguinte frase: “Isso é difícil para os pais. As crianças podem dar respostas inesperadas, difíceis de serem compreendidas, porque nem todas as respostas são boas ou fáceis.” Exato!! Seja em nós ou no outro – ainda mais em se tratando de filhos - ninguém se sente confortável diante de uma resposta que coloca em xeque o quê, do nosso ponto de vista deveria ser de um ou outro jeito (?), pois temos dúvidas reais. A questão é: são estas as respostas que nos fazem perceber o quanto precisamos aprender a dialogar sobre o que, realmente, precisa ser dito e compreendido em amor. Ninguém teve uma infância livre de alguma experiência emocional negativa. Mesmo com todo o amor e afeto dos nossos pais, o legado emocional que nos alcança tem em si tanto pontos positivos quanto negativos. Pessoas com as melhores intenções erram e acertam. Creio que é a predominância exarcebada do que recebemos que desequilibra o processo. O negativo, quando muito, destrói. Por outro lado, uma narrativa exclusivamente positiva também é capaz de gerar danos negativos. E isso não se restringe somente a nossa infância. Mas, tudo que acontece nela tem um impacto de enorme repercussão em nossa identidade. Até nas famílias mais saudáveis encontraremos sempre os ônus e bônus presentes na intergeracionalidade. As próximas páginas convidam a olhar primeiro para nós, depois para trás, e, só então, para o que vem à diante. Portanto, se essa leitura te levar a encontrar na sua história algo que precise de ajuste, está tudo bem. Enxergar te dará a chance de ver o que está no seu DNA emocional, esteja ou não visível às pessoas a sua volta. E, caso tenha filhos, o que está sendo impresso no DNA emocional deles através de você. Tenha em mente que quando falamos sobre qualquer coisa que envolva nossas emoções e percepções, isso incluirá compreender e trabalhar seus sentimentos. Na dinâmica familiar essa é uma afirmação ainda mais verdadeira, que permeia profundamente a relação entre pais e filhos. Concordemos: não há como criar uma criança ou adolescente de forma emocionalmente saudável sem cuidar das nossas próprias emoções. Olhar para você e apurar-se, te levará a reparar o que nem sempre é consciente. Assim sendo, te faço um pedido: não se assuste e nem supervalorize o que pode parecer complicado. Respostas chegam quando estamos dispostos a encontra-las. Todos nós seguimos em constante processo de mudança de ciclos, que geram aprendizados e experiências. Nossas escolhas nos fazem crescer, amadurecer e isso é o que chamamos vida. Siga em frente, vai valer a pena. CAPÍTULO 1 Somos uma expressão da nossa família. Tanto que, a construção da nossa identidade é fortemente influenciada por ela, quer concordemos ou não, desejemos ou não, valorizemos ou rejeitemos nossa herança familiar. E não me refiro somente aos nossos pais e irmãos. Geração após geração nossas raízes se atrelam e parte da nossa identidade começa a ser construída antes mesmo de nascermos. Quanto do comportamento, fala, hábitos, jeito e valores dos seus pais podem ser reconhecidos em você? Ou melhor, quanto dos seus pais e avós, sim, avós! Você já parou para pensar sobre isso? A primeira vez que pensei nesse assunto eu devia ter uns 17 anos. Para te contar, preciso voltar um pouquinho mais no tempo. Meus pais sempre foram separados e minha mãe, por um certo orgulho dela, mesmo sabendo que me sustentar sozinha seria complicado, nunca solicitou pensão alimentícia. Minha mãe quebrou financeiramente quando eu tinha 10 anos e, nem assim, ela procurou meu pai para pedir ajuda para o meu sustento. Nem ele, ciente de que tínhamos dificuldades até para colocar comida na mesa, se manifestou para ajudar na provisão dos meus custos. Até que, aos 14 anos, sem opção, decidi eu, pedir que ele pagasse pelo menos minha escola. Ele topou, e como a escola era perto da casa dele passamos a nos ver mais. No primeiro ano tudo correu bem. Já no ano seguinte, tive caxumba no 1º bimestre, catapora no 2º e, no 3º, minha mãe descobriu um problema cardíaco que a fez ficar 3 meses internada em um hospital público. Fui obrigada a morar com meu pai pela primeira vez. A regra do meu pai era simples: more comigo e nada lhe faltará, vá embora e nenhum tostão verá. Morando junto, comecei a ver como era difícil para ele dialogar e até mesmo trocar um olhar afetuoso.Um carinho? Era até estranho, feito meio sem jeito, para logo em seguida retomar ao estilo bruto do “aqui sou eu quem mando”. Mais para o final do ano, minha mãe melhorou e voltou para casa. Já eu, fui proibida de vê-la. Meu pai estava determinado a não me deixar voltar a morar com ela. Sem espaço para o diálogo, fugi. E, obviamente, ira dele acendeu-se! Para piorar a situação, apesar de ter reprovado, ganhei bolsa de estudos integral. Aí meus amigos, a sensação era: liberdade total! Antes pobre e livre do que vivendo em uma cobertura com piscina e sem direito a ver minha própria mãe, que a essa altura estava ainda mais frágil e insegura. Aos 17, mesmo sendo bolsista integral, não estava conseguindo pagar o material didático que a escola cobrava à parte. Morava com minha mãe em um apartamento que cabia na sala do dele (meu pai), e, diante de tudo isso, decidi pedir pensão alimentícia. Sem diálogo, a opção foi entrar com uma solicitação judicial. Pouco antes da primeira audiência, o advogado do meu pai conseguiu adiá-la. Quando entendi os argumentos e justificativas dadas pela parte dele, vi que não havia ali senso de responsabilidade ou coerência, apenas reinava o “do meu jeito ou nada”. Decidi: me viraria sozinha. Lembro de caminhar até um telefone público, ligar e dizer que a partir daquele dia ele estava isento de qualquer responsabilidade a meu respeito. Ao falar com ele, de alguma forma, comecei a ver que precisava de um novo olhar para compreender aquele homem. Foi então, a primeira vez que me lembro de pensar: Foi necessário um tempo para digerir o significado disso. Até que um dia, entendi: meu pai não sabia amar porque não era capaz de se reconhecer como ser amado de forma desinteressada, pura, profunda. Sua história familiar era complexa e não continha o afeto, a segurança e a valorização devidas. Aquele homem carregava as travas de quem passou a maior parte da vida tentando provar e comprovar seu valor, ao mesmo tempo que peitava quem o desvalorizasse. O resultado foi extremamente danoso para tudo que veio a seguir, transformando todos os seus relacionamentos em lugares de dor. Ele foi um péssimo pai, contudo, eu precisava estar disposta a me aproximar de novo e tentar entender mais sobre o que causou tamanho estrago. Não sabia bem como. Só sabia que precisava olhá-lo com mais amor. E sejamos sinceros: quando olhamos os defeitos dos nossos pais, lá no fundo, a gente sempre acha que com a gente vai ser diferente. Phillippa Perry, psicoterapeuta e escritora, nos diz logo na introdução do seu “O Livro

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  2. FEB 6

    A ERA DO CANSAÇO: QUANDO A PRODUTIVIDADE ESCONDE O ADOECIMENTO

    Olá, tudo bem? Como está você? Espero que bem! Hoje, nosso convite para cuidar bem da sua saúde emocional começa com uma pergunta bem simples: aí, do seu lado da tela, está faltando ou sobrando ânimo? Mas, afinal o que, de fato é ânimo? Dando uma olhada no dicionário etimológico, encontrei a seguintes descrição: A palavra ânimo vem do latim animus, que significa a alma, os pensamentos. Em latim, animus era o lado psicológico do homem, a sede dos pensamentos, das ideias, da vontade, das emoções e do caráter. Animus representava a parte do homem que não é física, mas que forma a identidade. Em português, o animus seria a alma, a mente, o coração. E porque falar sobre isso importa? Porque, às vezes, confundimos desgaste emocional com cansaço físico, falta de foco, procrastinação, preguiça… e chamamos isso de desânimo. Normalmente, isso acontece porque estamos tão condicionados a performar, a sorrir no automático e fingir que “tá tudo bem”, que ultrapassamos o limite do saudável e não reconhecemos a falta de ânimo como um sinal de alerta emocional. Para além das nossas questões profissionais e individuais, naturalmente, mães e pais lidam com múltiplas responsabilidades, e rotinas extenuantes geram cansaço físico. Cansaço físico é resolvido com descanso. Contudo, descanso físico não garante descanso mental. E como isso é possível?Tendemos a não prestar atenção ao que pensamos, porque pensamos e como isso nos afeta. Você já ouviu falar sobre estresse adaptativo? Ele acontece quando alguém se habitua tanto a viver sob pressão que passa a ter a sensação de que dá conta de tudo; pois realmente consegue dar conta de atender prazos insanos, virando noites, trabalhando em fins de semana, imparávelmente, e fazendo isso com as melhores intenções e justificativas. E aqui vale uma observação interessante: Quando seu cérebro entende que você está diante de alguma sobrecarga seja ela física, emocional ou cognitiva, ele puxa o freio como quem diz: você precisa corrigir a rota! É por isso que um dia a conta chega. Quando o corpo faz os primeiros alertas, a saúde física começa a sair do eixo. Se não damos a devida atenção, a mente reage em busca de soluções e grita com crises de pânico, ansiedade, depressão… os chamados transtornos mentais que nascem da nossa falta de prevenção e cuidado com a nossa saúde emocional. Agora, veja como isso tem repercutido, por exemplo, no mercado de trabalho brasileiro: Esses dados do Ministério da Previdência Social nos mostram que o Brasil teve mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, batendo recorde nesse quesito pela segunda vez em 10 anos. Infelizmente, banalizamos o uso do termo “estresse”, como se ele fosse parte normal da nossa rotina. Claro que momentos de estresse são sim naturais, contudo viver em estresse, sem reconhecer que existem limites que não podem ser ignorados, é insustentável. É preciso compreender que a grande maioria das pessoas pode facilmente confundir cansaço com estresse. Para te ajudar a compreender isso melhor, quero te contar a minha história. A MINHA HISTÓRIA Em 2024, escrevi o livro "O QUE HÁ EM VOCÊ" - disponibilizado como parte da entrega para quem participou do grupo Beta do Clube Orekare, um grupo muito especial de pessoas desejosas por cuidar melhor da saúde emocional de suas famílias e que nos ajudou a chegar a este formato atual. Nesse livro, relato como, devido à normalização do cansaço, quem está diariamente procurando fazer seu melhor muitas vezes ignora sinais de alerta quanto à sua saúde mental. Abaixo, compartilho um trecho dele, no qual conto como o adoecimento emocional pode alcançar quem a gente menos imagina: nós mesmos. ACONTECE ONDE MENOS IMAGINAMOS. Minha rotina era intensa. Eu produzia, dirigia, era repórter e apresentadora de um programa de tv; além de trabalhar também como assessora de imprensa. A demanda era alta e me fazia viajar muito. Lembro de uma sequencia de viagens que me deixou tão cansada que certo dia ao acordar, olhei em minha volta e pensei: “Caramba, isso aqui parece a minha casa”. Eu estava em casa, e começava ali a acordar e precisar de um tempo para saber onde estava. Achei engraçado, tipo: “acho que acordei, mas minha alma ainda não voltou ao corpo”. E nem pensei em dar qualquer tipo de atenção a isso. Eu não parava! Trabalhava a semana toda e gravava nos finais de semana. Minha vida social e meu círculo de amigos eram muito conectados ao meu trabalho e tudo parecia uma grande festa, só que não. E, como eu amava esse ritmo frenético, não notava que vivia sob pressão, nem como também pressionava outros a andarem no meu ritmo. Muito pelo contrário, eu era dura na queda e a meu ver isso era bem positivo. Emocionalmente, eu sentia que havia algo... que eu não sabia bem o que era... mas tirava por cima. Deu ruim, levanta e vai. Mesmo sentido que havia algo errado comigo, eu olhava para o meu corpo e não para a minha mente ou para as minhas emoções. Por volta 2004 surgiram alguns problemas de saúde e, após alguns exames, o médico disse: seu problema é estresse. Olhando para traz, hoje, sei que naquele momento, meu maior problema era que, além de não saber o que era estresse, havia algo em mim que precisava de ajuda, de cuidado, mas eu também não sabia o que era. As primeiras mudanças mais significativas demoraram a chegar. Somente alguns anos depois comecei me sentir desmotivada, desanimada, tomada por uma tristeza diferente... Eu achava que a vida era assim mesmo. O tempo foi passando e eu segui como um trator, ignorando qualquer alerta. Mais ou menos em 2009, quando sai da tv e passei a me dedicar a assessoria de imprensa, trabalhando em um outro tipo de demanda, notei que estava perdendo concentração, produtividade e memória. Mas, quem não perde a chave do carro todo dia? A tristeza começou a incomodar mais, e na primeira avaliação clínica a depressão foi descarta. Assim, seguindo orientação médica, fui fazer terapia por um tempo. Até que, no final de 2016, após outros tantos sinais ignorados, vi apagar da minha mente a responsabilidade de estar presente em um evento no qual eu deveria estar recebendo os jornalistas; convidados por mim mesma. Acordei com minha cliente ao telefone me perguntando onde eu estava e, só aí, eu entendi que precisava urgentemente de respostas. Fui diagnosticada com distimia, um tipo de depressão crônica que no meu caso afetou não apenas minha memória, mas em especial minha capacidade de concentração, produtividade e desempenho físico…. Foi quando comecei a entender que fatores emocionais como o desânimo, a tristeza e outros sentimentos incômodos, eram alertas reais que poderiam ter sido melhor percebidos, diagnosticados e tratados de forma preventiva. A distimia leva em média dois anos para ser diagnosticada. É caracterizada por uma irritabilidade constante que torna as relações mais difíceis, eleva o senso da autocrítica, da baixa autoestima, do desânimo e da tristeza, além da dificuldade de se concentrar; dentre outros sintomas que podem ser variáveis a depender do grau e da pessoa. Ela pode surgir por fatores bioquímicos, genéticos ou emocionais. O maior risco ocorre quando o paciente apresenta a chamada "Depressão Dupla", que é quando uma crise de Depressão Maior se sobrepõe à distimia pré-existente. A Depressão, especialmente a maior, em casos graves, afeta pessoas de todas as idades e, de 15% a 20% dos seus pacientes tentam ou tentarão o suicídio. Quando eu precisei contar para algumas pessoas porque era urgente mudar meu ritmo de vida e me cuidar, 100% delas me responderam que: ou conheciam alguém muito próximo a elas que tinha o mesmo problema, ou, se reconheciam no mesmo lugar. Após ser diagnosticada recebi a primeira medicação. Era um antidepressivo leve, fácil de entrar e sair dele. Como não surtiu efeito, o psiquiatra que me atendia decidiu dobrar a dose. Eu estava com uma viagem marcada para ficar um tempo no Hawaii e pensei: Como não vou ficar bem? Um mês longe de tudo e de todos, medicação ajustada. Hawaii! Vai dar bom! Não deu. Eu era forte, cheia de fé, cercada de gente boa, trabalhava com o que gostava, ganhava bem... contudo, não entendia muita coisa que sobre mim. Só então comecei a descobrir traumas bem escondidos, alguns esquecidos, e, sem ter consciência disso, lidava todos os dias com um furacão de emoções exaustivas. No meu caso, apesar do meu corpo também sentir o impacto, a minha maior perda foi realmente cognitiva. Concentração, produtividade, memória e desempenho físico nunca mais voltaram a ser como antes. Ficou claro que era urgente me auto conhecer. Caso não fizesse isso, corria o risco de, por não conseguir mais alcançar a performance que eu entendia que precisava ter, fazer com que naturalmente isso me levasse a um nível de frustração e tristeza cada vez maiores. A consequência seria acabar tendo que lidar com a Depressão numa dimensão maior. Cabeça e corpo são uma coisa só. É tolice acharmos que o que afeta uma parte não afetará a outra. Trabalhar minha mente e meu corpo para reaprender a conviver com as novas limitações foi o que me tornou livre da medicação antidepressiva. A lição foi aprendida com sucesso, mas a duras penas. Criei minha própria dinâmica de autogestão e ela funciona bem até hoje. Não preciso de nenhum tipo de medicação antidepressiva ou que seja minimamente similar, como remédio para dormir ou algo parecido. As crises de concentração diminuíram bastante, mesmo assim quando começo a entrar em “looping mental”, que é quando não consigo me concentrar em nada e a produtividade vai para as "cucuias", parar e descansar faz total sentido. A atividade física, qualquer que seja, é fundamental. Se os dias de estresse crescem, cabe primeiro a mim ser paciente e lem

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  3. JAN 28

    CENÁRIO SOCIAL, NOVIDADES SOBRE ASSINATURAS E AÇÕES DO CLUBE OREKARE PARA 2026

    A partir desta semana, o Clube Orekare entra em uma nova fase. Atualmente, compartilhamos nosso conteúdo aqui no Substack - nossa principal plataforma - e o multiplicamos, na íntegra, no Spotify e no YouTube. Até aqui, todo o trabalho de pesquisa, desenvolvimento e produção que chega até você tem sido realizado de forma voluntária e dedicada. Esse esforço nasce de um compromisso profundo com o nosso propósito: Tornar acessível o entendimento sobre como podemos despertar, compreender e exercitar um estilo de vida que previne e promove a saúde emocional familiar. Por isso, a partir desta quarta-feira, 28 de janeiro, estamos liberando a ativação de assinaturas pagas no Clube Orekare. Este é um convite para quem deseja investir conosco na conscientização e no despertar da nossa sociedade para a urgência do cuidado com a família. Se você é um assinante gratuito, não se preocupe: seu acesso continuará ativo. Abaixo, detalho o cenário atual que motiva essa decisão, os formatos de participação e os nossos tipos de entrega. CENÁRIO ATUAL Não é difícil constatar, veja o que uma rápida pesquisa online confirma: * Fiocruz (Dez/2025): Jovens são o grupo com maiores taxas de internação por transtornos mentais no Brasil (579,5 casos por 100 mil habitantes). Referência: G1/Fiocruz - Jovens sofrem mais internações e procuram menos ajuda Referência: Correio Brasiliense - Jovens lideram internações por saúde mental, diz Fiocruz * Relatório da Comissão sobre Conexão Social (Jun/2025): Uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. Entre jovens de 13 a 29 anos, o índice de solidão chega a 21%. Referência: OPAS/OMS - Conexão social associada à melhoria da saúde Referência: Agência Brasil - OMS: uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão * Sociedade Brasileira de Pediatria (Set/2025): A cada 10 minutos, o Brasil registra pelo menos um atendimento de adolescente (10 a 19 anos) por autoagressão. Referência: SBP - A cada 10 minutos, o Brasil registra um atendimento de adolescente por autoagressão * Ministério da Previdência Social (Jan/2026): O Brasil atingiu recordes de afastamentos por transtornos mentais, com mais de 546 mil casos em 2025, 15% a mais que no ano passado. Referência: Portal Gov.br - Estatísticas de Acidentes e Doenças do Trabalho ou Globo - Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde pela segunda vez em 10 anos. * Ministério da Previdência Social (Jan/2026): Os afastamentos por esgotamento profissional (Burnout) no Brasil saltaram 493% entre 2021 e 2024, totalizando recordes de auxílios-doença por saúde mental que já representam 1 em cada 7 afastamentos no país. Referência: Agência DC News - Afastamentos por burnout disparam e gastos com auxílios pressionam Previdência Por outro lado, sabemos que famílias e instituições tem investido na educação socioemocional para crianças e adolescentes como resposta diante desses fatos. Veja: * Educação Socioemocional (Fev/2025): 61% das famílias brasileiras preferem escolas que priorizem a inteligência emocional ao invés de apenas o conteúdo acadêmico. Referência: CNN Brasil - 61% das famílias preferem escolas com inteligência emocional * Impacto Acadêmico (Instituto Ayrton Senna): Estudantes com competências socioemocionais desenvolvidas apresentam melhor desempenho acadêmico, profissional e melhores indicadores de saúde mental na vida adulta. Referência: Instituto Ayrton Senna - A importância do desenvolvimento integral Mesmo com a ativação desses e outros esforços públicos e privados, os números negativos continuam em franco crescimento. A conta não tem fechado porque este é um cenário complexo, multicultural e multigeracional. Sabemos que existem enormes problemas que começam dentro de casa e que famílias emocionalmente quebradas multiplicam danos; assim como famílias saudáveis geram impacto positivo não apenas para os seus membros, mas também para todo o seu entorno. Como sociedade, nunca tivemos tanto conhecimento e tantas ferramentas disponíveis para agir de forma preventiva e ativa quanto à nossa saúde emocional. Mas, sem esse olhar profundo sobre a importância da família para a nossa saúde social, chegamos a 2026 com números crescentes de adoecimento mental e emocional. E esse não é um problema recente! A qualidade de vida dentro de casa e nossas relações parentais são a pedra fundamental da nossa saúde física e mental. Portanto, se não cuidarmos dos pais, não teremos como garantir a saúde emocional de crianças e adolescentes. FAMÍLIA: PROBLEMA E SOLUÇÃO No passado, a família contava com pais, avós, tios, tias, um núcleo maior e mais conectado em suporte. Ao longo das últimas décadas, a família tem se tornado mais individualizada. Parte disso se deve ao fato de que discordâncias e problemas complexos como conflitos, abusos e vícios - que sempre existiram - em vez de serem resolvidos foram se consolidando como motivos e justificativas plausíveis para comportamentos, dores e rupturas. Infelizmente, ao ignorarmos a necessidade de cura emocional e definirmos que o melhor caminho era deixar para trás o que nos machucava - acreditando que era possível recomeçar sem amarras - não enxergamos que cura emocional não funciona assim. Pelo contrário, hoje, colhemos mais dificuldades em dialogar e conectar pais e filhos. Um desdobramento disso é a atual epidemia de transtornos como ansiedade, solidão e tristeza instalada em pessoas de todas as idades. Some a isso questões financeiras, responsabilidades e cobranças diárias. Nesse cenário, até mesmo quem é saudável precisa se manter atento e cuidar de forma preventiva da sua mente e das suas emoções. Portanto, precisamos agir na raiz do problema, conscientes que a dinâmica emocional familiar pode tanto produzir adoecimento quanto cura geracional. O QUE TEMOS FEITO Sabemos que a comunicação tem papel fundamental para que possamos alcançar melhores índices de conscientização e investimento na busca por soluções e ajuda. Entretanto, como a maioria das iniciativas em curso tem foco prioritário nos filhos ou no suporte pedagógico aos pais, identificamos uma lacuna: a urgência de cuidar da saúde emocional familiar de forma integral, começando pelos adultos. Ao investirmos no equilíbrio emocional dos pais, garantimos maior efetividade na prevenção e promoção da saúde mental para os filhos, gerando um impacto positivo dentro e fora de casa. A partir dessa perspectiva, atuamos dialogando com os pais sobre a saúde emocional deles e dos seus filhos. Acreditamos nesse caminho. Embora não tenhamos todas as respostas, sabemos que a mudança de cenário depende do investimento na cura emocional dos pais e na restauração de relacionamentos que gerem legados positivos. Relações familiares saudáveis são a resposta mais eficiente para prevenir transtornos mentais e promover uma sociedade equilibrada. Assim, a cada texto, áudio, entrevista ou depoimento que entregamos, sabemos que quem nos ouve recebe informações que, colocadas em prática, ativam autoconhecimento, autogestão, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável; habilidades socioemocionais essenciais para pais, filhos e seus relacionamentos familiares e sociais. Seguindo este foco, o Clube Orekare avança da primeira para a sua segunda fase de ação. Ao longo de 2025, estabelecemos a qualidade do nosso conteúdo, fomos referendados por especialistas e consolidamos nossa entrega através do Substack. Para 2026, o objetivo é ampliar nossa capacidade de entrega, comunicação e presença nesta e em outras plataformas. Para isso, buscamos o apoio de quem reconhece a urgência dessa causa. FORMATOS DE PARTICIPAÇÃO Você pode nos ajudar a expandir nossa voz e ampliar nosso impacto. O objetivo é levar a mais pessoas a compreensão de que a saúde emocional dos pais é o que determina a qualidade de vida dos filhos — e como isso reverbera em toda a sociedade. As assinaturas gratuitas permanecerão disponíveis para todos, pois nossa missão é democratizar este conteúdo. Queremos que o Clube Orekare seja acessível ao maior número possível de famílias, mas para isso precisamos de ajuda. Existem três formas de se conectar ao projeto. Confira abaixo, escolha a sua e participe conosco. ASSINATURAS PAGAS Ao se tornar um assinante pago, você investe diretamente na missão do Clube Orekare de promover a saúde emocional familiar. Seu apoio financeiro permite que nossa equipe continue desenvolvendo e compartilhando conteúdos de alto impacto. Benefícios Exclusivos: * Acesso completo: Newsletters, matérias especiais, artigos, entrevistas e masterclasses promovidas pelo Clube. * Primeira mão: Acesso exclusivo a prévias de temas e ensaios de referência para novos livros. * Vantagens: Descontos especiais em livros exclusivos e eventos futuros do Clube Orekare. Escolha o plano que melhor se adapta a você: * Assinatura Mensal (R$ 25,00) * Assinatura Anual (R$ 300,00) MEMBROS INVESTIDORES Membros investidores são grandes impulsionadores, que não apenas reconhecem o valor do Clube Orekare para a sociedade, mas também estão dispostos a realizar investimentos estratégicos que nos ajudem a ampliar nossas entregas para todos. Benefícios Exclusivos: * Acesso Integral: Newsletters, matérias especiais, artigos, entrevistas e masterclasses exclusivas. * Curadoria Literária: Acesso antecipado a temas e ensaios de referência para nossos próximos livros. * Vantagens e Eventos: Condições especiais em livros exclusivos e eventos futuros do Clube. * Mentoria e Conexão: Até duas chamadas exclusivas por ano, via Zoom, com a fundadora do Clube Orekare, Zarhi El Malek. O valor sugerido para um membro investidor é de R$ 5.500,00, mas não se limita a este montante. Caso deseje apoiar a missão com um val

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  4. JAN 19

    A RECOMPENSA DO ESFORÇO

    Disponível em áudio e texto. Como vai você, tudo bem? Espero que sim! E nessa nossa primeira news do ano, espero que 2026 tenha chegado cheio de esperança e renovo para você e sua família. Antes de começar pra valer por aqui, deixa eu te dar um spoiler sobre o nosso papo de hoje: não sofra pelo começo, siga em frente, "o final das coisas pode ser bem melhor que o começo delas”. Assim sendo…. ANO NOVO!! Mudança de ciclo, tempo no qual a gente sempre saí multiplicando nossos melhores desejos de esperança, saúde, amor e prosperidade! E, crendo: há de dar tudo certo! Será?! A primeira quinzena de 2026 chegou causando alvoroço no Brasil e no mundo. Escândalos, péssimas notícias quanto a economia e a política… Na saúde, o adoecimento mental não quer dar trégua, nos relacionamentos a solidão lidera rankings como epidemia silenciosa… E tudo isso acontecendo agora! Bombardeando áreas fundamentais para o bem estar social de todos nós. Isso sem falar no mundo, que abriu o ano elevando o grau da nossa já nítida instabilidade geopolítica. Tem ação e reação para que todos os tipos de opiniões sejam dadas; criem elas expectativas positivas, negativas ou, até, apocalípticas. E quando esse som de alarde aumenta o volume, não tem jeito! O burburinho negativo prevalece, paira no ar! E aí, querendo ou não, concordando ou discordando, vamos ouví-lo. Isso nos afeta, seja direta ou indiretamente. Esse ruído aumenta ansiedade, minimiza planos e nos lança em turbulências que a gente nem quer estar. Como então encontrar equilibro e esperança? RECONHEÇA SEUS CICLOS Os ciclos de tempo constituem o processo de construção das nossas vidas. Nesse caminho, periódicamente, precisamos de um tempo para compreender se esse processo está fazendo sentido, se a rota está correta ou se nos perdemos pelo caminho. Sai ano, entra ano, vemos as pessoas falarem sobre expectativas e planos, esperanças renovadas, listas de desejos, reorganização de agenda, finanças e decisões para tornar a vida melhor. Facilmente, seguimos olhando para o futuro a partir dessas expectativas, mas esquecemos que nos dias de hoje precisamos olhar primeiro para dentro, e ter certeza que estamos mental e emocionalmente preparados para seguirmos lutando pelos nossos objetivos sem perder o ânimo. Dito isso, saber como você está interiormente é uma questão chave para o seu bem-estar. Seus sentimentos de hoje são um desdobramento, seja ele positivo ou negativo, de tudo que te trouxe até aqui, porque nada acontece de forma isolada. Além disso, eles influenciam enormemente nas suas decisões e na sua forma de se comunicar com o mundo à sua volta. Tendemos a pensar em ciclos apenas como uma contagem de tempo. Mas, atenção: eles não se limitam apenas a isso quando estamos falando sobre marcos emocionais. Ciclos são feitos de começo, meio e fim. Isso importa porque, quando uma etapa não é concluída devidamente, ela sempre retorna; e, na maioria das vezes, como um alerta que ecoa algum tipo de incômodo ou dor para ser compreendida e tratada. Por exemplo: * uma infância sem segurança tende a gerar um adulto em busca constante de validação; * uma adolescência sem limites, pode levar à impulsividade e insatisfação; * um adulto que tem problemas com rejeição tende a acreditar que não tem valor, que os outros são melhores do que ele, que não é suficiente e muito mais. Algumas dores podem corroer uma vida inteira e afetar profundamente a identidade de quem não consegue reconhecê-las. Mas, tratar ferida também dói e ai, a grande maioria das pessoas, prefere fingir que elas não existem. Adultos que ignoram pendências emocionais, acreditando que elas desaparecerão como mágica, tendem a “funcionar bem” por fora mas correm o risco de colapsar por dentro. Quando alguém ignora dores emocionais, elas podem se disfarçar em desculpas, justificativas e em legado emocional, causando consequências geracionais. Quando pais e mães tem pendências emocionais não resolvidas, essas áreas tendem a afetar profundamente seus filhos e assim, como uma bola de neve, um legado emocional negativo pode afetar gerações inteiras. Isso acontece porque quando um ciclo emocional danoso não é identificado, uma hora a conta chega. Por isso, quando falamos de qualquer tipo de desconforto emocional, sem compreendermos a raiz do problema, vamos continuar tratando os sintomas. Nesse sentido, depressão, ansiedade, pânico, bournout, dentre outros… são expressões visíveis de problemas profundos, enraizados de tal forma no sentir que cobram a conta na mente. Mente e emoções instáveis geram relacionamentos e vidas machucadas e frustrantes. Quando o inverso acontece, e há uma cura emocional que restaura uma pessoa, um ciclo é quebrado e o legado emocional positivo também poderá repercutir por gerações! HÁ RECOMPENSA NO ESFORÇO Estar com a área emocional em ordem, ou colocando em ela ordem, abre nossa visão de sentido e propósito. Nos ajudando a entender melhor o que nos cerca e nos despertando para um futuro que, mesmo diante dos obstáculos, nos convida a continuar porque sabemos que será ainda mais transformador. Quando nossos ciclos são movidos a partir dessa visão, ganhamos a convicção de que o esforço vale a recompensa. É verdade que entrar em um novo ciclo exige coragem e disposição para encarar pendências emocionais, mas, a recompensa é garantida. Portanto, para novos ciclos, comece olhando para dentro. Vasculhe seus sentimentos, explore motivações e comece a colocar tudo no seu devido lugar. A receita é simples: * Experimente parar um instante e verificar que sentimentos se destacam. * Há sentimentos incômodos, quais são eles? * E os bons sentimentos? Encontre-os. * A partir disso, que pensamentos estão dominando sua mente? Quem está no comando? * Consegue reconhecer conexões com ciclos que precisam ser fechados para que você, realmente, entre em nova fase de vida? Esse pequeno exercício te ajudará a compreender melhor suas lutas mentais e emocionais. Isso é importante, porque quando você reconhece contra o quê está lutando, se torna mais eficiente no combate. Seja honesto com você, não se esconda em justificativas e desculpas que você já percebeu que se tornaram prisões. Caso sinta que há algo que machuca mas não sabe nominar, ou é tão assustador que você nem quer olhar, então é hora de buscar ajuda especializada. AJUSTE SEUS PENSAMENTOS Lembre-se: as dores da alma são expressas em sentimentos, as da mente em pensamentos. Seus pensamentos são capazes de colocar seus sentimentos no seu devido lugar. Quando não entendemos isso, nossos pensamentos tendem a acatar os medos, ansiedades e emoções estimulados pelo ruído externo. Se seus pensamentos forem dominados por seus sentimentos sua vida será uma montanha russa insana de emoções. Isso não é emocionalmente sustentável. A vida vai nos desafiar a crescer em meio as adversidades. Diante das mais diversas situações que vamos encontrar, o principal campo de batalha sempre será a nossa mente. Você tem a capacidade de gerir seus pensamentos. Isso te dá poder para escolher se uma palavra recebida terá ou não poder para te ofender ou machucar. FOCO E RESILIÊNCIA LEVAM AO ALVO Mesmo cuidando da gente, continuamos a viver em um mundo instável, caótico e assustador. Nesse cenário, resiliência é um dos maiores ativos para vida contemporânea. Assim como a metáfora do diamante bruto que se torna mais valioso após ser lapidado, dificuldades geram experiência, experiência afia caráter e desenvolve resiliência; resiliência define posicionamento, posicionamento sabe onde está a esperança que impulsiona para o alvo. ASSIM SENDO O melhor caminho para começar bem este ano é discernir o que estamos ouvindo, sentindo e entendendo para decidir como nos posicionar quanto “ao que quer que seja”. Posicionamento muda visão, amplia horizontes e pode ser ato preventivo para sua saúde mental, emocional, familiar, financeira, pessoal, profissional. Posicionamento correto muda tudo, vira o jogo. A partir disso, ao abrir um novo ciclo pessoal ou familiar, sua força e esperança estarão fundamentadas no valor do que te move. Porque propósito impulsiona e encontra formas de superar obstáculos. Por hoje, eu fico por aqui, e espero que essa mensagem tenha feito sentido para você. Como Clube Orekare, acreditamos que a comunicação é ferramenta fundamental para despertar, tratar e curar nossas emoções. Acreditamos profundamente que é impossível termos uma sociedade saudável sem termos famílias saudáveis. Para termos famílias saudáveis precisamos de pais e mães emocionalmente saudáveis. Toda semana estaremos aqui multiplicando ferramentas simples e práticas para que você e para os seus! A gente se vê na próxima semana! Até lá!! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

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  5. 12/23/2025

    NO PRIMEIRO NATAL, DEUS TAMBÉM SE FEZ FAMÍLIA

    Olá!! Como está você? Tudo bem? Espero que sim! Nessa véspera de Natal, você sabe, como cristãos celebramos esta data como o nascimento do salvador do mundo. Por isso hoje, quero te convidar a pensar: Por que o nascimento de Jesus faz com que pessoas de diferentes credos e culturas também vejam no Natal a valorização do tempo em família e a celebração de amor e união? Bom, se você é cristão e conhece um pouco de Bíblia, sabe que esse nascimento foi amplamente profetizado no Antigo Testamento. Sabíamos que seria um menino, descendente de Abraão, que seria da tribo de Judá, da linhagem de Davi, que uma virgem o conceberia, que nasceria em Belém… e que seria o salvador do mundo. Mesmo assim, a chegada desse tão anunciado e esperado salvador, foi marcada pelo inesperado nascimento em um lugar que parece estranhamente inapropriado. E tem mais! José e Maria eram jovens, inexperientes, estavam longe de casa, e, a Bíblia não fala que eles não tinham dinheiro para uma hospedaria. A história nos conta apenas que não havia lugar. Você consegue imaginar o que se passava na cabeça de Maria e José, especialmente, naquele dia? O relato bíblico indica que eles estavam sozinhos e viajaram longos quilômetros entre duas cidades. Estavam bem longe de casa, sem suporte, sem ajuda e procuraram, mas as hospedagens estavam todas lotadas. Até que uma hospedaria vendo a situação, lhes ofereceu a estrebaria, um estábulo, o lugar onde ficavam os animais. Cavalos, vacas, ovelhas e uma manjedoura. Não sabemos se Maria chegou ali com dores ou, se foi lá, que começaram suas contrações de parto. Naquela época, os partos judeus eram eventos em família, comunitários, com parteiras e familiares mulheres dando suporte. Um nascimento era um evento de enorme importância familiar, ainda mais se tratando de um primogênito. O que sabemos é que um bebê nasceu de parto natural. Que José foi o suporte de Maria, fazendo o parto, cortando o cordão umbilical. Imagine a emoção, as circunstâncias, o nascimento! E Deus nessa história? Deus Pai, onipotente, onipresente e onisciente, dono do universo todinho, pegou seu filho e o entregou, confiadamente, a dois jovens que Ele, sabia: estavam comprometidos em ser família. FAMÍLIA O que muita gente esquece é que junto com Jesus, naquela noite, nasciam também um pai e uma mãe. Imagine isso!! Deus podia escolher nos enviar o Salvador de tantas formas, mas escolheu fazê-lo vulnerável e dependente de um pai e uma mãe de primeira viagem. Ele não explica as circunstâncias do nosso ponto de vista, mas deu condições para José e Maria darem conta das responsabilidades que deu a eles. José e Maria sabiam quem era Jesus. Ao longo da história vemos que o parto foi um dos muitos desafios enfrentados por eles. Apesar de não sabermos muito sobre a infância e a juventude de Jesus, sabemos que ele crescia sendo educado e bem cuidado por seus pais. Segundo a fonte mais confiável dessa história, a Bíblia, esses pais, até mesmo eles, precisavam de um salvador. Quanta responsabilidade! Até porque, como todos os pais eles também tiveram suas dúvidas, incertezas e desafios para educar aquele menino. Percebe? Deus deu uma família para Jesus. Uma família que cresceu com a chegada dos seus irmãos. E isso sem contar com avós, tios, tias, primos e todas as alegrias e desafios que vem junto no pacote. Deus deu seu filho a eles porque sabia que havia neles capacidade e disposição para cuidar e educar Jesus com todo o seu amor e responsabilidade. RESULTADO Nessa véspera de Natal, até mesmo países não cristãos, reconhecem e proclamam a sabedoria e importância de Jesus como modelo de humanidade. Como parte disso, gente que tem outra fé, outra cosmovisão, também olha para a José e Maria e reconhecem o valor da sua paternidade e maternidade humanas, reconhecendo-os como família porque eles aceitaram o desafio de serem pais, mesmo diante das mais absurdas circunstâncias. O presépio nos lembra disso: Deus, ao mandar seu Filho para a terra, ao torná-lo humano, fez dEle o filho do homem por que família é um propósito divino. Isso é tão forte para a humanidade, que até hoje, mais de 2 mil anos depois, a comemoração do nascimento de Jesus continua reunindo pessoas, que podem até não compartilhar da mesma fé, mas compartilham da mesma necessidade humana: AMAR E SER AMADO. O Natal se tornou uma data que é vista como um marco de amor, encontro familiar, reconstrução de vínculos e cuidado com o outro. Não existe hoje, no mundo, uma festa que reúna tantas famílias, em tantos países, por tantos motivos diferentes quanto o Natal. Uma celebração cristã, que tornou-se um ritual universal de encontro, porque responde a algo que todas as culturas precisam: FAMÍLIA PERTENCIMENTO TEMPO COMPARTILHADO & ESPERANÇA PARA VER COM AS CRIANÇAS Em meio a uma lista enorme de filmes de Natal que poderíamos compartilhar aqui, que tal imaginar como seria viajar no tempo e ver de pertinho como foi a história do 1º Natal junto com seus filhos? Há um episódio da série Superbook em que Chris, Joy e Gizmo, personagens da série, são levados pelo superbook há dois mil anos atrás para compreenderem o verdadeiro sentido do Natal. Por hoje, eu fico por aqui! A gente se vê na próxima semana! Até lá!! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

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  6. 12/19/2025

    NEWS#15 - COMBATENDO A VIOLÊNCIA CONTRA MENINAS E MULHERES, NA RAIZ DO PROBLEMA

    Conteúdo disponível em texto e áudio Como vai você? Tudo bem? Espero que sim! Hoje, diante do crescimento absurdo dos casos de violência doméstica que temos visto, nossa news é voltada para falarmos sobre a relação direta da infância - e da relação parental - com a violência contra mulheres. Como ponto de partida, entenda: Esse é um assunto complexo, com camadas profundas e não há uma resposta simples do ponto de vista emocional e comportamental. A reflexão que vem a seguir é de fundamental importância, e tem como propósito ampliar nossa percepção sobre como podemos nos posicionar contra a violência dentro das nossas casas e diante do mundo que existe do lado de fora. REALIDADE Vou começar te contando uma história real, que aconteceu em março desse ano. Ela tem pouco mais de 20 anos. Se mostrava dona de um discurso empoderado e morava com o noivo. Certo dia, os vizinhos começaram a ouvir as brigas do casal. Ouvia-se mais ela do que ele. Ela gritava, e, às vezes, chorava. Quando isso acontecia, por várias vezes, os vizinhos mandavam mensagens e o zelador do prédio batia na porta do apartamento deles para verificar o que estava acontecendo. A resposta era sempre a mesma: “está tudo bem”, “não se meta”. Até que um dia, a situação saiu de dentro de casa e chegou à porta do prédio. Nesse dia, em meio a mais uma discussão barulhenta entre o casal, a mãe dela estava presente e tentou tirá-la dali. De repente, o noivo atacou a mãe, literalmente enforcando-a. Como o prédio estava em alerta e monitorava a movimentação, rapidamente conseguiram conter o agressor e chamaram a polícia. A mãe e a moça foram acolhidas; ele saiu de cena. Lembro da mãe dela dizendo: “ele não é assim, só está fora de si porque misturou remédios controlados à bebida”. O fato dos vizinhos presenciarem a cena e chamarem a polícia fez com que ela fosse à delegacia formalizar a queixa. A polícia rapidamente encontrou o agressor e o prendeu. O que veio em seguida? A justificativa: Ele não era mau, foi só um momento de confusão. E assim, ela mesma buscou soltá-lo para não prejudicá-lo. Dias depois, ouvi da boca dela: “ele quer voltar comigo. Eu disse que a gente precisa de um tempo e que ele precisa se tratar primeiro”. No mesmo dia, descobri que, como a entrada dele fora proibida no prédio onde tudo aconteceu, ela havia mentido para mim, e já estava tentando alugar outro apartamento para voltar a morar com ele. Nunca mais ouvi falar dela. E te pergunto: Amanhã, ela poderá ser a próxima vítima fatal de um feminicídio? É possível. Ela sabe? Foi-lhe dito. Acredita? Não. Esta é uma das muitas e diversas histórias que envolvem a violência doméstica contra a mulher. Mas, independe da singularidade que cada uma dessas histórias carrega, há uma similaridade terrível entre todas elas: A enorme dificuldade de muitas mulheres reconhecerem que estão em risco enquanto ainda há tempo de agir. A violência contra mulher extrapola classe social e nível intelectual. E o ciclo é ainda mais desafiador se há filhos, dependência financeira, negócios conjuntos, influência familiar, o desejo de ser pra sempre, de fazer dar certo, o medo ou a vergonha de reconhecer a realidade. Muitas mulheres, mesmo vivenciando algum tipo de violência, abuso, relacionamento tóxico ou doentio, permanecem com seus parceiros. E é comum não conseguirmos compreender por que isso acontece. Tentamos alertá-las, tentamos ajudá-las, mas parece que estão cegas. E é verdade! Mas, essa cegueira tem raízes profundas. A CONEXÃO ENTRE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA E A INFÂNCIA Entre especialistas, há um consenso que prevalece: Experiências familiares disfuncionais tendem a criar crenças internas equivocadas sobre relacionamentos. O disfuncional se torna padrão, justificado com afirmações como estas: “conflitos são normais”, “sofrer faz parte do amor” ou “afeto só vem acompanhado de dor”. Para muitas mulheres isso se torna rotina, algo “administrável”. Assim, o ciclo de tensão, explosão, pedido de perdão e lua de mel faz com que elas “não acreditem no risco”. Pior, naturalizam explosão violenta como temperamento difícil, controle como cuidado e ciúme como prova de amor. De fato, elas permanecem crendo na promessa de mudança, na culpa imposta, no medo de ninguém acreditar nelas ou na vergonha de reconhecer sua realidade. Onde está a raiz disso? Crianças absorvem condutas sociais de gênero, sobre como homens e mulheres devem se comportar, primeiro em casa. Seja essa experiência negativa ou positiva, ela influenciará suas escolhas profissionais, relacionamentos, expectativas emocionais e comportamentais. Assim sendo, a criança que cresce em um ambiente no qual predominam aspectos como: ofensa, injustiça, desrespeito, controle através do medo, rejeição, indiferença, negligência, ausência parental, dentre outras tantas formas de maus-tratos velados, internaliza que “não merece ser bem tratada”, e isso afeta diretamente sua confiança, autoestima, percepção de valor pessoal e a sua noção de “risco emocional”. Quando adulta, essa criança, seja ela ou ele, tende a carregar essa mesma dinâmica para seus relacionamentos futuros, pois a forma como se relaciona com seus cuidadores molda o seu entendimento de amor e define as suas expectativas afetivas no futuro. A IMPORTÂNCIA DE UM LAR SAUDÁVEL É a Teoria do Apego, desenvolvida pelo psicólogo britânico John Bowlby, que comprova: a forma como nos relacionamos com nossos pais molda o nosso entendimento sobre como o amor deve funcionar. Assim, as experiências de relacionamentos iniciais de uma pessoa com seus pais - ou cuidadores - explicam por que alguns adultos são mais inseguros, agressivos, dependentes ou insensíveis do que outros. Essas características psicológicas indicam como sua identidade emocional se desenvolveu ao longo da vida, tendo como base seus relacionamentos da infância. E mais, essa influência tem relevância tanto para a vítima quanto para o agressor, e se conecta com o Estudo ACEs ( Experiências Adversas na Infância) uma das pesquisas mais respeitadas quanto à experiência familiar na infância e sua influência na vida futura. Conduzido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e pela Kaiser Permanente, ainda nos anos 1990, esse estudo mostrou que: Experiências adversas na infância - como formas de abuso, negligência ou testemunhar violência entre os pais - estão associadas a uma probabilidade maior de, na vida adulta, levar o indivíduo a ser vítima ou perpetrador de violência em seus relacionamentos íntimos. Portanto, experiências adversas na infância aumentam a probabilidade de transmitirmos traumas às gerações seguintes, perpetuando um ciclo de adversidade e disfunção familiar. Quanto maior for a exposição, maiores os riscos futuros. A vítima adulta de hoje é a menina de ontem. O agressor de hoje é também o menino de ontem. E os meninos e meninas de hoje, estão ainda mais vulneráveis que os de ontem. As redes sociais nos mostram isso. Crianças e adolescentes em busca de pertencimento, de visibilidade, de atenção e afeto já se tornam vítimas e agressores bem antes dos 18 anos. A família é a base da sociedade, quando ela não vai bem, todo o entorno sofre. Isso ocorre porque esse é um problema intergeracional. Em 2024, no Brasil, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado este ano, o 190, serviço de emergência da polícia militar, registrou 1.067.556 chamadas sobre violência doméstica. Nesse mesmo período foram registradas 3.870 tentativas de feminicídio que resultaram em 1.492 mulheres mortas. Até o último registro de 2025, de janeiro a setembro, segundo dados do Ministério da Justiça, mais de 2.700 mulheres sofreram tentativas de feminicídios e outras 1.075 se tornaram vítimas. Todos os dias, a mídia tem divulgado casos revoltantes como forma de denúncia. Portanto, é natural querermos leis mais duras, mais ação policial, melhor eficiência no combate à violência e na proteção da mulher. Tudo isso é importante. Contudo… Quando a nossa indignação foca no fim da cadeia e não na raiz do problema, se torna ainda mais difícil mudarmos essa realidade. COMO MUDAR ESSE CENÁRIO Para mudar o presente precisamos entender que a resposta começa em nós. E, uma das coisas mais incríveis a nosso respeito é que, ao compreendermos nossas experiências emocionais na infância e ao longo da vida, sejam elas construtivas ou adversas, podemos redefinir o que permitiremos ou não que prevaleça em nós. É fundamental termos consciência de que: Nossa maior ação preventiva é oferecer um lar emocionalmente sadio para meninas e meninos. Entretanto, não vamos conseguir ter um lar estável sem estarmos saudáveis - emocionalmente - para lidar com a vida e seus altos e baixos. Assim sendo, a primeira ação preventiva que pais e mães podem e devem fazer por seus filhos é: Cuidar bem da sua própria saúde emocional para que possam cuidar bem de seus filhos e prepará-los para serem adultos aptos a construírem relacionamentos saudáveis. RECOMEÇANDO Ouvimos muito sobre como educar meninos para, no futuro, tratarem bem mulheres, ou, como educar meninas para serem independentes e não se submeterem à estrutural patriarcal. Ouvimos sobre masculinidade tóxica, machismo, feminismo e outros tantos ismos. Considerando estudos, pesquisas e dados sobre a infância, o que percebemos é que famílias bem estruturadas emocionalmente, com seus papéis parentais bem definidos e equilibrados, mesmo com seus erros e acertos, tendem a derrubar a violência, o preconceito, o desrespeito, as circunstâncias contraditórias e o medo. Vale ressaltar que pais saudáveis nem sempre vieram de famílias saudáveis, parte deles vieram de conte

    22 min
  7. 12/10/2025

    NEWS#14 - TELAS, FILHOS E REDES SOCIAIS. DÁ MESMO PARA CONTROLAR?

    Conteúdo disponível em texto e áudio Telas, filhos e redes sociais. Como dar conta? Esse tema está todos os dias em evidência. E é, hoje, um dos fatores mais determinantes quando falamos de saúde mental e de relacionamento familiar. Muita informação, regras novas, muitas dicas, alertas necessários, riscos reais… e também, alguns alarmismos que apostam no medo para reforçar os perigos do ambiente online. Mas a verdade é que como sociedade, salvo exceções, nos viciamos juntos em telas, redes e na dependência constante de conexão como base de vida prática e funcional. Agora, diante de estudos que escancaram o seu lado sombrio, muitas vezes invisível para a maioria de nós, é natural que seja difícil aceitar que não dá mais para seguir confiando no que nos trouxe até aqui. Até porque, existem outros caminhos possíveis. Caminhos que apontam para um futuro mais saudável e consciente. UMA HISTÓRIA QUE VALE A NOSSA REFLEXÃO Todos nós estamos sendo cobrados quanto a uma educação digital e midiática mais consciente. Mas, é dentro de casa que essa batalha é mais desafiadora. Por isso trago aqui a história de Gay Longworth e Roxy Spiegel, mãe e filha. Segue um breve resumo: Roxy ganhou seu 1º smartphone aos 13 anos. Sua mãe relata: “Administrar as horas de uso já era um desafio, imagine então o conteúdo. As desculpas eram sempre plausíveis o suficiente: preciso para a escola, preciso para planejar, preciso para dormir". O que sua mãe não imaginava era que Roxy, com 13 anos, recebeu no Facebook uma mensagem de um garoto de 17 anos, da sua escola, e pediu para continuar a conversa pelo Snapchat. Ele era mais velho, popular e atraente, e ela se sentiu lisonjeada. Em poucos dias, ele já estava pedindo fotos, e quando ela dizia não, ele parava de mandar mensagens. Quando ele sumia, Roxy se sentia rejeitada. Quando voltava, pedia de novo e dizia que se ela não mandasse fotos, contaria para todo mundo que ela era frígida e chata, e aí ninguém ia querer mais falar com ela. Quando ela mandava as fotos, nunca era o suficiente. Noite após noite, ele seguia exigindo fotos mais explícitas para continuar interessado. Um dia Roxy decidiu não ceder mais e parou de enviar fotos. Foi difícil. Ela precisou de muita coragem. E quando estava começando a se sentir melhor, outro garoto da sua escola entrou em contato pedindo fotos dela nua. Ela tentou ignorá-lo e aí, ele lhe enviou quatro fotos dela, nua, que tinha recebido do outro garoto. Então, o ciclo recomeçou, se tornou de novo insuportável, até que ela o bloqueou de tudo. O resultado? Suas fotos nuas foram enviadas a outros garotos. Na escola, seus amigos pararam de falar com ela, e, por vezes, garotos gritavam das janelas das salas de aulas pedindo fotos para eles também. A diretoria da escola acusou Roxy de enviar fotos nuas para os garotos, e disse mais: “que, felizmente, por consideração a ela, não chamariam a polícia”. Tudo isso fez com que Roxy, acreditasse que a culpa, realmente, fosse dela. Assim, aos 13 anos, após ser aliciada, coagida, chantageada e considerada culpada, ela teve um surto psicótico que quase a matou. Aos 14, ela achava que sua vida tinha acabado, que não tinha mais motivos para viver, e as vozes na sua cabeça diziam que ela era uma “vadiazinha estúpida” que havia arruinado sua própria vida. Tentativas de suicídio frustradas aconteceram, até que um dia ela fugiu. Desesperada, sua mãe acionou a polícia devido o seu desaparecimento. Contudo, ao entender o fato, o policial que a atendeu lhe explicou como era importante denunciar formalmente o que havia ocorrido na escola, para que Roxy entendesse que ela era a vítima. Porque vergonha mata. Roxy foi encontrada, precisou ser internada em um clínica psiquiátrica, e gradualmente seu tratamento foi surtindo efeito. Dos 15 aos 18 anos a solidão e a culpa ainda predominavam. Nesse período, a reconexão com sua mãe aconteceu através de cartas nas quais elas escreviam o que sentiam, pois ainda era difícil falar. O relacionamento delas, mesmo cheio de rachaduras, com muito amor e compreensão foi curado. Depois, as cartas se transformaram em livro. Por fim, Roxy, agora com 23 anos, transformou sua dor em ajuda ao criar o projeto Behind Our Screens - em tradução literal: por trás das nossas telas - porque ela sabe o que é sofrer em silêncio. Juntas, mãe e filha contam sua história no livro “When You Lose It: Two voices”, Ainda sem tradução para o português. O relato delas que trago aqui foi publicado via After Babel. SEGURANÇA DIGITAL Nesse momento há um movimento global que luta pela proibição do acesso às redes sociais para crianças e adolescentes. Países como Dinamarca, Itália, França e Alemanha variam um pouco a idade base, mas de forma geral, mantém o acesso a partir dos 13 anos com consentimento dos pais. 13 anos, mesma idade que Roxy recebeu seu 1º smarthphone. 13 anos, mesma idade em que ela declara que: “Quando aprendíamos sobre “segurança online” na escola, sempre parecia algo completamente distante da nossa realidade. Os professores não entendiam, e as informações pareciam muito distantes das nossas experiências. Os estudos de caso pareciam extremos e, sinceramente, eu achava que jamais seria a pessoa tola o suficiente para acabar nessas situações. Não havia a menor possibilidade de isso acontecer comigo”. Roxy Spiegel, Assim como com a Roxy e sua família, a maioria dos pais e adolescentes que passam por situações similares também nunca acreditaram que algo assim poderia acontecer com eles. No Brasil, a partir de 2026, o acesso as redes sociais para menores de 16 anos passa a depender da vinculação a um responsável e de mecanismos de proteção mais rígidos. Com isso, as recomendações serão as seguintes: * A partir de 12 anos: aplicativos de mensagens (como WhatsApp), desde que os pais possam controlar as funções e o uso; * A partir de 14 anos: chatbots de IA generativa, como ChatGPT, e marketplaces; * A partir de 16 anos: redes sociais, aplicativos com compartilhamento de localização ou coleta de dados, e plataformas que utilizem algoritmos de engajamento contínuo; Até o momento recomendações. Isso ainda não está imposto por lei. A DECISÃO DA AUSTRÁLIA Neste momento, a decisão da Austrália em ser o primeiro país do mundo a aprovar uma lei federal de banimento total das redes sociais para menores de 16 anos, sem opção de consentimento dos pais para acesso mais cedo, é algo inédito e que está dando muito o que falar. A lei australiana passa a valer a partir desta quarta-feira, dia 10 de dezembro. E a plataforma que não cumprir as novas diretrizes, estará sujeita a multas de quase 50 milhões de dólares australianos (no câmbio de hoje, algo em torno de R$ 170 milhões). Com isso, as plataformas passaram as duas ultimas semanas enviando alertas para todas as contas que acreditam serem de menores de 16 anos, informando: “Devido às leis da Austrália, em breve os menores de 16 anos não poderão mais usar as redes sociais”. Até agora, o governo australiano bloqueou dez plataformas: Facebook, Instagram, Snapchat, Threads, TikTok, X, YouTube, Reddit e as plataformas de streaming Kick e Twitch. Está no radar a expansão para jogos online; o que já fez com que Roblox e Discord adotassem verificações de idade em alguns recursos. O Governo Australiano entende que rolagem, conteúdos curtos e inapropriados são danosos, e, que, ao impedir comunicação via redes sociais atuará contra interações de risco. Acesse aqui a Matéria completa ou assista o vídeo abaixo. Reações contra e à favor ganharam relevância e, nesse meio tempo, dois adolescentes decidiram processar seu Governo. Um deles, Noah Jonas, de 15 anos, alega: “Em vez de excluir adolescentes das redes sociais, até porque nós não somos o problema, a gente deveria estar excluindo as coisas ruins das redes sociais, como o bullying online, os predadores e os conteúdos explícitos”. Do alto dos seus 15 anos, Noah acredita no que argumenta porque sua imaturidade não permite que ele perceba algo fundamental: a ausência de predadores ou de conteúdo explícito não muda o fato de que os algoritmos foram criados para capturar e reter nossa atenção. E, assim, independente do tipo de conteúdo consumido, o próprio formato dessas plataformas — veloz, fragmentado, incessante — já é suficiente para produzir perdas cognitivas, impactos mentais e danos comportamentais. Então, como fazer alguém de 15 ou 10, 11, 12, 13 ou 14 anos, que há anos tem seu próprio celular, compreender aquilo que até muitos adultos não conseguem enxergar? REGRAS Nesse sentido, a psicóloga Jean M. Twenge acaba de lançar o livro 10 Regras para Criar Filhos em um Mundo de Alta Tecnologia, no qual ela defende que estabelecer regras é a melhor solução para lidar com esse momento digital. Em seu artigo publicado na Generation Tech, Jean M. Twenge, escreve: Passei a última década focada principalmente em duas coisas: pesquisar o impacto negativo do tempo gasto em frente às telas na saúde mental dos adolescentes e criar três filhos, da infância à adolescência. Como muitos pais, tenho medo pelos meus filhos e me sinto frustrada por não conseguir protegê-los completamente. Mas também estou cada vez mais convencida de que esse problema tem solução. A solução são regras – não regras vagas ou ambiguas, não regras do tipo “cada criança é diferente”, não regras ludicas do tipo “nada de tecnologia”, não regras do tipo “vamos apenas conversar com as crianças”, mas sugestões concretas para adiar e limitar o uso de dispositivos, permitindo que seus filhos participem do mundo moderno da tecnologia. Conversar simplesmente não basta. Crianças precisam de regras porque são crianças. Elas simplesmente não têm o mesmo discernimento ou autocontrole

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  8. 12/02/2025

    NEWS#13 - VOCÊ NÃO TEM QUE DAR CONTA DE TUDO, MAS TERÁ QUE FAZER BOAS ESCOLHAS

    Conteúdo disponível em texto e áudio Como vai você? Tudo bem? Espero que sim! E que, nesses nossos encontros semanais, possamos te ajudar a entender melhor o que contribui ou atrapalha quando o assunto é a sua saúde emocional e familiar. Então, deixa eu te contar! Semana passada, me deparei com essa notícia: A FoloToy, empresa sediada em Singapura, retirou do mercado o ursinho de pelúcia “Kumma”, equipado com inteligência artificial, após ser constatada a verbalização de conteúdos inapropriados como orientações perigosas e conversas sexualmente explícitas. A decisão foi impulsionada por um relatório do US PIRG Educational Fund que revelou falhas de segurança no produto, levando a OpenAI a suspender o desenvolvedor. Acesse aqui a matéria completa. Essa história começou assim: diante da oferta de brinquedos infantis habilitados para o uso com Inteligência Artificial, um grupo de defesa do consumidor começou a testar alguns deles e descobriu que, apesar da aparência inocente, o Kummy era, no mínimo, uma companhia bastante inapropriada. O ursinho, foi construído usando o modelo do Chat GPT-4o - para sua referência, esta é a versão anterior a que está disponível hoje no mercado, a GPT - 5.1, mais conversacional que a versão 4o. Quando perguntaram ao Kumma onde poderiam encontrar uma correspondência, o brinquedo os direcionou para aplicativos de namoro. Quando pressionaram por uma explicação, ele ofereceu uma lista de plataformas populares e depois as descreveu. Mas, não parou aí, o brinquedo identificou e indicou até um aplicativo que atende a encontros e fetiches BDSM, conceito que caso você não conheça, inclui sadismo e masoquismo. O relatório também declarou: “O Kumma da FoloToy nos disse onde encontrar uma variedade de objetos potencialmente perigosos, incluindo facas, pílulas, fósforos e sacolas plásticas”. Oficialmente, Teddy Kumma é vendido por US$ 99 “como um companheiro inteligente que vai além dos abraços, perfeito para promover a curiosidade e o aprendizado. Equipado com excelente tecnologia de IA, interage em tempo real, oferecendo bate-papos amigáveis ​​e conversas profundas para crianças e adultos". Confira aqui. Vale ressaltar, que no site da empresa, toda a comunicação visual do produto está voltada para a primeira infância. Diante desses fatos, me perguntei: Uma criança na primeira infância, em sua fase mais pura de descobertas e conexão com seus pais, precisa mesmo de um brinquedo como este? Uma criança em uma outra fase da vida, deve realmente ter como companhia conversacional uma inteligência artificial? Vivemos uma crise muito além das questões de infância, telas e redes sociais. Lidamos com a dificuldade de conseguir sentar à mesa em família, de cuidar da saúde e performar em bem-estar. Precisamos crescer profissionalmente, e também validar nosso reconhecimento de forma pública, além de ter que colocar comida na mesa enquanto um monte de gente jura que enriquece fácil. Quem dá conta de tudo isso? Ninguém! Não existe performance sem sacrifício. Tudo é uma questão de prioridades! Estamos na luta para dar conta da nossa vida pessoal e profissional, e, é aí, que a Inteligência Artificial se propõe a resolver nossos problemas. Ela está disponível para organizar e solucionar tarefas de casa; monitorar a saúde, o bem estar e a segurança de crianças e idosos; oferecer auxilio educacional; entreter e divertir crianças, facilitar a comunicação e até ajudar a divisão de tarefas entre familiares. O marketing seduz, a cultura normaliza e não podemos negar: falta tempo e precisamos de ajuda. Mas, me diga: a tecnologia voltada para o suporte familiar é válida até onde? É claro que queremos otimizar tempo, recursos e agregar ganhos, mas sendo bem honesta: Quando foi que perdemos a capacidade de gerenciar nossa própria vida? Quando foi que passamos a precisar de tecnologia como suporte para dar conta até de uma simples divisão de tarefas domésticas? São perguntas importantes que, se não as fizermos, talvez percamos mais saúde mental e aumentaremos os riscos de distanciamento de quem mais amamos. Afinal, quando precisamos de um ursinho para conversar com crianças até 5 anos, o que estamos fazendo? Dando um brinquedo inteligente ou terceirizando a uma IA ensinar o que ela considera apropriado a uma criança? LIBERDADE Quanta vezes já ouvimos - especialmente nós, mulheres - aquela máxima que podemos ser tudo ou fazer tudo. Não, não podemos. E não me entenda mal. Podemos seguir o caminho que desejarmos, batalharmos pela profissão e os espaços que sonhamos, enfim, não é sobre esse tipo de escolhas que estou falando. O que estou afirmando é: Ninguém pode ser tudo ou fazer tudo. Nenhum um homem ou mulher consegue. Até máquinas e robôs tem funções específicas e precisam de manutenções periódicas. Se realmente acharmos que podemos dar conta de tudo, passamos a acreditar em uma liberdade e um poder cheio de efeitos colaterais! Conhece a teoria da sociedade do cansaço? Nela, Byung-Chul Han, um filósofo sul-coreano, argumenta que a liberdade se torna uma armadilha quando o excesso de positividade e a imparável busca por realização - ou seja: tudo tem que crescer, melhorar, aperfeiçoar - nos leva ao esgotamento mental e emocional devido as nossas próprias cobranças por performance e sucesso. Exaustão e insatisfação também se fazem presentes quando a grama do vizinho brilha nas redes sociais, nas histórias que a mídia conta… é, a vida alheia instiga! E quando não conseguimos ser tudo isso? E quando não dá para fazer tudo? Como já disse Luis Felipe Pondè: Se não dá para fracassar, não dá para ter saúde mental. PERFORMANCE O que comemos, porque comemos, como devemos nos sentir e nos expressar, o que aceitar, o que rejeitar, novas demandas, como educar filhos, como cuidar do casamento, dos relacionamentos, reconhecer perigos, lidar com a violência que nos ronda… são tantas informações, cobranças e novas definições de conduta, que viver, especialmente para quem tem filhos, virou quase uma maratona diária. Nenhum atleta suporta maratonas diárias. Se você está cansada, precisa descansar ou uma hora seu corpo, ou sua mente, não dará mais conta. Ah, mas não tem jeito! Não vou dar conta de tudo que preciso fazer se não me sacrificar tanto! Realmente, se você estiver fazendo mais do que é necessário ou suportável, não vai mesmo. Falta tempo para quê? Para você? Para estar em família? Para seus projetos pessoais ou profissionais? A regra básica para equilibrar a vida é definir prioridades. E aí? O que fazer? ESCOLHAS As melhores que pudermos. Será natural acertar e errar, mas isso não é justificativa para permanecermos errando. Quanto mais rápido identificarmos e reconhecermos nossos erros, mais rápido viramos o jogo. Sabemos: nossas decisões vão alcançar nossas relações mais íntimas, especialmente, nossos relacionamentos familiares. Como, então, garantir que escolhas difíceis, que nos custam caro, não comprometerão nossos relacionamentos? Desde séculos atrás, famílias saudáveis que deixaram legados emocionais inspiradores, foram geridas por patriarcas e matriarcas que não estudaram para isso. Nada de mentoria, nem coaching, nem terapia para enfrentar dúvidas, medos dificuldades e obstáculos. O segredo deles? Amor, compromisso, respeito, fidelidade e família como prioridade. Eles sabiam: onde e como investimos nosso tempo, atenção e esforço, define o que vamos colher ao longo da vida. Precisamos estar muito bem fundamentados naquilo que acreditamos. Se nossos princípios definem nossos valores, eles refletem na forma como nos vemos e nos entendemos. Nesse caso, até o fracasso trabalhará a favor da nossa saúde mental. Em tudo isso: Maturidade é escolha. Autoconhecimento é o despertar para ela. TECNOLOGIA NÃO SUPRE AFETO Usamos smartphones, smartwatches, aplicativos de saúde que contam passos, calorias, avaliam nosso sono, emoções e humor, acompanhando e registrando tudo de forma sistemática porque a vida em auto monitoramento promete nos dar controle. A tecnologia oferece eficiência como forma de felicidade. Robôs e Inteligência Artificial estão sendo disponibilizados para terapias, companhia e inclusão social para adultos, idosos e famílias. Todavia, para afeto, pertencimento, inclusão e cura da solidão, nenhuma máquina substituirá um ser humano. Não há tecnologia no mundo que possa suprir a ausência paterna, a companhia materna, o colo da avó ou brincar com outras crianças. Presença é fruto das escolhas que fazemos por amor. E ela é insubstituível. Este post é público e gratuito. Se você gostou desse conteúdo e entende a importância do nosso trabalho, compartilhe o Clube Orekare com mais gente! POR FIM Quanto ao ursinho que falamos, apesar dos alertas e da recente repercussão internacional, ele segue e seguirá disponível para compra. Alertas foram feitos, quem dará ouvidos? Obrigada pela sua companhia na nossa news de hoje! Feita com muita curadoria e carinho, para que nesses 14, 15 minutinhos juntos aqui, você pode refletir um pouco sobre como podemos agir de forma preventiva e ativa para a sua saúde emocional e da sua família. O Clube Orekare existe para multiplicar conteúdo carregado de conhecimento, propondo reflexões e experiências que agregarão valor à sua vida! inscreva-se logo abaixo e apoie o nosso trabalho. Por hoje, eu fico por aqui! Nos vemos em breve! Até lá! 1 Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

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