Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação

Ana Isabel Ramos

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  1. 4h ago

    Episódio 63. Falar sobre o crítico interno (e o crítico interno a gritar)

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana quero contar-vos sobre uma experiência recente que tive que me mostrou, mais uma vez e sempre, que esta coisa da recuperação do super-perfeccionismo é um processo, sempre um processo e não uma obra terminada. Neste episódio mencionamos: “Não há partes más”, de Richard C. Schwartz “A tua Bússola Interior”: já estão abertas as inscrições para esta formação “Desenhamos Juntas”: sessões semanais de desenho, em conjunto, em que desafiamos o crítico interno e convidamos a nossa criança interior para brincar Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero contar-vos sobre uma experiência recente que tive que me mostrou, mais uma vez e sempre, que esta coisa da recuperação do super-perfeccionismo é um processo, sempre um processo e não uma obra terminada. Porque, pfff, o que é que vos posso dizer? Por muito que gostasse de dizer que já não sou perfeccionista, só posso dizer que já não sou tão perfeccionista. Mas vamos a isto, comecemos então por nos localizar no Festival Tresmalhadas, em Oeiras. Aqui há uns meses, recebi um convite amoroso da organização para fazer uma palestra no âmbito deste festival da lã e das artes manuais organizado pelas Tricotadeiras de Oeiras. Quando recebi o convite, nem hesitei e aceitei logo, e deixei para a Billy do futuro a nervoseira de ir falar em público. A Billy do futuro que lidasse com esse tema, porque a daquele presente estava mais focada em pensar sobre o que é que gostaria de partilhar com o pessoal do Festival. Bem, e assim foi, até que o futuro se fez presente e foi altura de ir ao festival falar. Em primeiro lugar, deixem-me que vos diga, porque eu até acho que tem graça: desenvolvi uma constipação tal dois dias antes da palestra que eu nem sabia para que lado me virar. Só me apetecia estar enroscada numa sala escura e silenciosa e um festival é tudo menos uma sala escura e silenciosa. Na véspera da minha palestra, tomei um medicamento e fui ao festival – e depois foi tão bom. Foi maravilhoso rever amigas, conhecer pessoas novas, conviver com pessoas apaixonadas pelas mesmas coisas que eu. Para além do tricot e dos fios e tuditudo, ao jantar falámos sobre línguas e diferentes formas de comunicação de diferentes culturas, e se há coisa que me apaixona são estas nuances entre pessoas. Adorei ir ao jantar e até esqueci momentaneamente a constipação. Depois regressei a casa, preparei tudo para o dia seguinte e fui-me deitar. Adivinhem o que aconteceu? Não dormi nada, coisa que atribuo (ainda que relutantemente) aos nervos. Mas no dia lá fui e adivinhem só: adorei estar a falar com as pessoas sobre coisas que me apaixonam. O tema da minha conversa foi a importância das actividades “só porque sim” para voltarmos ao nosso centro. No fundo, que papel têm estas actividades que fazemos só porque sim, já que não servem para absolutamente mais nada a não ser darem-nos prazer, no regresso a nós próprias e no auto-conhecimento. A questão com as actividades “só porque sim” é que elas existem para nos dar prazer e não têm mais utilidade que essa. Como tal, e porque estamos tão condicionadas a atender a tudo e a todos antes de atendermos às nossas necessidades, essas actividades vão ficando relegadas para segundo, quero dizer, terceiro, vigésimo terceiro plano. Essas actividades, se não reservarmos tempo e espaço mental para elas, ficam para quando tudo estiver organizado, despachado, feito. E quando é que tudo fica organizado, despachado e feito? Nunca. Portanto, essas actividades podem ficar para nunca, se não tivermos cuidado. As actividades “só porque sim” aparentemente não servem para nada, ou seja, não têm utilidade, o que é um pecado mortal na nossa sociedade capitalista, em que tempo é dinheiro e a métrica de sucesso é o dinheiro que se aparenta ter na conta bancária. Mas as actividades “só porque sim” são muito potentes por várias razões, nomeadamente porque são óptimas formas de activarmos o nosso crítico interno e, ao mesmo tempo, de acedermos à nossa criança interior. Espera, o quê? Como assim? Deixem-me rebobinar um pouco: gosto de usar a concepção do mundo interior que Richard C. Schwartz apresenta no seu livro “Não há partes más”. Aqui apresenta o mundo interior formado por um sistema de muitas partes, sendo que todas elas existem para garantir a nossa sobrevivência, cada uma à sua maneira. Dentro destas partes, há duas que são comuns a praticamente todas nós: a criança interior e o crítico interno. Estas duas partes são fundamentais na nossa vida. A criança interior está bem escondida dentro de nós, como se vivesse numa caverna no mais profundo do nosso ser. A criança interior vive escondida porque protege um tesouro: os nossos sonhos e desejos de criança, e que hoje constituem uma fonte de informação que é “ouro em pó”, como dizem os argentinos. Porque esta informação é aquela que nós queremos descobrir para sabermos qual o nosso propósito nesta vida, qual o nosso norte. No fundo, a nossa criança interior detém informação que traça o nosso rumo em direcção a uma vida mais feliz e plena. A nossa criança interior, com a informação que guarda, tem nas suas mãos a nossa bússola interior. (E por falar em bússola interior, já vos vou falar sobre a formação com esse nome que começa já amanhã, e para a qual desde já estendo o meu convite. Mas antes, vamos ouvir sobre o crítico interno, porque afinal de contas é uma das partes mais importantes que existe dentro de nós, com um papel fundamental na nossa existência.) Agora que imaginamos a criança interior a viver escondidinha dentro de uma caverna no espaço mais íntimo e resguardado dentro da nossa mente, imaginem agora assim uma figura tipo guarda-costas meio desajeitado: o crítico interno. A voz do nosso crítico faz-se ouvir sempre que fazemos algo que seja ligeiramente desafiante – e não precisa de ser muito desafiante para a voz se activar. Já contei aqui em episódios anteriores como a voz do meu crítico falou bem alto de uma vez que estava a fazer um bolo e houve um pedaço de farinha que caiu na bancada, e não na tigela. Objectivamente, não é nada de muito grave, nem de muito desafiante, mas por ser um milímetro aquém da perfeição, o crítico falou. Mas se o crítico é ácido, e tão facilmente activável, porque é que é tão importante para nós e para a nossa existência? Porque o crítico existe para nos proteger, mais concretamente para proteger o nosso ego de toda e qualquer beliscadura. Deixar cair farinha na bancada é uma beliscadura para o ego, pois sinaliza logo que nem tudo o que faço é perfeito. Contudo, apesar de beliscar o ego, não põe propriamente a minha segurança em perigo. E essa é que é a questão: é que o crítico interno me quer proteger, só que não sabe distinguir entre perigo real e beliscadura para o ego, por isso activa-se sempre. Ou com muita frequência. Agora, voltando à palestra no Festival Tresmalhadas, imaginem o cenário: lá estava eu a falar sobre criança interior, sobre crítico interno, e ao mesmo tempo tinha a voz do meu crítico interno, mais concretamente da minha crítica interna, a quem eu dei o nome de Dona Rosete, a bichanar-me ao ouvido, constantemente. Dizia-me coisas: “ai filha, mas tu estás a gaguejar tanto! Mas vais rápido demais, filha, já estás a dizer o que está no slide a seguir!” Confesso-vos: parecia quase uma realidade paralela em que eu estava a falar sobre estes temas e, ao mesmo tempo, tinha a minha Dona Rosete aos gritos dentro da minha cabeça. E, digo-vos, isto é de levar uma pessoa à loucura. Até que decidi fazer exactamente o que faço nas sessões de Desenhamos Juntas, que é dizer em voz alta as coisas que a Dona Rosete me diz dentro da minha cabeça. E, por artes mágicas, parece que aquilo que ela diz perde a força que tinha antes. Quando vos conto isto, não estou à espera que me venham fazer

  2. Sep 29

    Episódio 62. O mito da vida arrumada

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, quero contar-vos algo que pertence aos bastidores e que raras vezes aparece à vista do público. Não é segredo que adoro ouvir podcasts, mais ainda quando estou a fazer caminhadas ou os meus treinos de corrida, adoro ter a sensação de alguém a segredar-me ao ouvido. E não é difícil de imaginar que aquelas pessoas que me segredam ao ouvido estão num estúdio fantástico, com isolamento acústico, os melhores microfones, o melhor equipamento e ainda uma pós-produção espectacular, enquanto gravam e fazem aqueles episódios importantes e seguramente com um número de escutas que impressiona qualquer pessoa. Neste episódio mencionamos: “Trabalha a tua luz”, oráculo de Rebecca Campbell Treino áudio gratuito “Stop Piloto Automático!” Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero contar-vos algo que pertence aos bastidores e que raras vezes aparece à vista do público. Não é segredo que adoro ouvir podcasts, mais ainda quando estou a fazer caminhadas ou os meus treinos de corrida, adoro ter a sensação de alguém a segredar-me ao ouvido. E não é difícil de imaginar que aquelas pessoas que me segredam ao ouvido estão num estúdio fantástico, com isolamento acústico, os melhores microfones, o melhor equipamento e ainda uma pós-produção espectacular, enquanto gravam e fazem aqueles episódios importantes e seguramente com um número de escutas que impressiona qualquer pessoa. Agora, deixem-me que vos conte: este episódio não está a nascer num ambiente assim. Bem, confesso-vos aqui uma coisa: nenhum episódio deste podcast foi gravado em estúdio, pelo contrário. São gravados comigo de pé, entre armários com portas abertas para a roupa que está lá dentro diminuir os ecos e melhorar a acústica, muitas vezes com as persianas descidas para diminuir o ruído exterior. Digamos que a sua natureza já é esta, mesmo, dado que estes episódios costumam nascer de uma ideia um pouco difusa, por vezes expressa numa frase meio solta, pouco concretizada, e depois começo a puxar pelo fio como quem puxa por uma meada e as ideias começam a encadear-se e a formar um discurso com nexo, pelo menos é o que eu espero. E, deixem-me que vos diga, adoro fazer este trabalho de puxar pelo fio e encadear as ideias numa sequência lógica, como se vos estivesse a contar uma história, a segreda-la aos vossos ouvidos. Quando é dia de escrever episódios de podcast, gosto de entrar em modo criativo de uma forma muito intencional. Começo com uma cerimónia de cacau e uma meditação, gosto de ir buscar uma carta ao meu oráculo favorito, o “Trabalha a tua luz” da Rebecca Campbell (vou deixar o respectivo link nas notas deste episódio), enfim, gosto de ritualizar este processo para o tornar mais agradável, para que a minha mente se relaxe e comunique melhor com a minha criança interior para ouvir o que ela tem para me dizer. Mas hoje, confesso-vos, o panorama está longe de ser esse. Estou numa sala ruidosa, em meio a dois recados daqueles próprios da logística familiar, com música alta e pessoas a conversarem, e eu com os fones nos ouvidos, tentando construir uma redoma de vidro à minha volta e à volta da minha concentração. Poderão estar a perguntar-se: mas porque é que estou com esta conversa toda, um preâmbulo que é quase do tamanho de todo o episódio? Pois hoje conto-vos tudo isto para ilustrar algo que acho que por vezes tendemos a esquecer, que é: não é preciso ser tudo perfeito para avançarmos. E porque é que falo nisto? Porque esta ideia de que as coisas têm de estar todas ordenadas, arrumadas, alinhadas antes de darmos um salto, ou fazermos um investimento, ou tomarmos uma decisão é uma falácia. Uma falácia que nos pode inclusivamente custar bem caro, e é por isso que é bom reconhecê-la mais cedo do que mais tarde. Hoje as minhas condições estão longe de ser ideais, não houve meditação nem cerimónia de cacau, mas isso não me impediu de respirar fundo, fechar os olhos, tomar umas notas no meu caderno e depois sentar-me a escrever este episódio. Esta questão de querermos ter tudo resolvido antes de tomar uma decisão pode parecer trivial, mas não é. Aparece nas nossas vidas de maneiras subtilmente diferentes, mas são sempre manifestações da mesma crença limitante, que nos diz que não podemos fazer x enquanto não tivermos feito y, z e alfa. Quando vemos uma oferta de trabalho que pensamos que poderia ser óptima para nós, mas não preenchemos todos os requisitos pedidos, pensamos: “quando souber fazer tudo o que pedem para esta posição, eu candidato-me”. Quando nos convidam para ir fazer uma caminhada e pensamos que ainda não estamos em forma o suficiente, pensamos: “quando estiver em forma, eu vou”. Quando pensamos em descansar, ou fazer algo só por nós, e pensamos: “quando tiver arrumado a casa e a cozinha e dobrado a roupa lavada, eu descanso”. Pois hoje quero romper esse padrão e convidar-te a tomar uma decisão por ti própria, para ti própria, uma decisão que te vai beneficiar a ti, antes de todos os outros, mas cujos efeitos positivos serão também sentidos por quem te rodeia. Já aqui usei a metáfora das máscaras de oxigénio no avião várias vezes, mas hoje vou trazê-la outra vez: tal como no avião, em caso de perda de pressurização, temos de pôr a nossa máscara de oxigénio antes de ajudarmos as outras pessoas à nossa volta, tomarmos esta decisão vai ajudar-nos a nós, para que depois tenhamos condições para ajudarmos quem nos rodeia. Hoje quero convidar-te a participar na formação gratuita que começa já amanhã, o meu treino áudio gratuito com o nome de “Stop Piloto Automático: três mudanças mentais que precisamos de fazer para uma vida mais a cores”. Este treino destina-se a mulheres cansadas de tomar conta de tudo e de todos, antes de si próprias, mulheres conscientes que se sentem sobrecarregadas pela carga mental e presas na operacionalidade do dia a dia, ocupadas e assoberbadas com o esforço logístico para manter a vida só a funcionar. As três mudanças mentais que vamos ver no treino áudio gratuito são passos essenciais para começar a sair do piloto automático e voltar a nós próprias, voltar a encontrar o nosso propósito, o nosso norte, para uma vida mais alinhada com os nossos desejos, mais plena, mais consciente. Este treino é composto por três áudios que serão publicados nos dias 30 de Setembro, 2 e 5 de Outubro de 2026. Ou seja, o primeiro numa quarta-feira, o segundo numa sexta-feira e o terceiro na segunda-feira seguinte. E depois o treino culmina numa sessão zoom que terá lugar no dia 7 de Outubro de 2026 em que iremos rever as mudanças mentais e fazer uma série de exercícios para consolidar as aprendizagens da semana. Esta sessão será gravada para aquelas pessoas que não tiverem oportunidade de assistir em directo. Posto isto, pergunto-te: e se esta semana cuidasses de ti? E se esta semana te pusesses em primeiro lugar? Sem conversas de “antes preciso de terminar x e fazer y”. Acredito que este treino é muito potente. Cada áudio tem cerca de 15 minutos, que poderás ouvir quando te for conveniente, e apesar de não serem muito longos, cada um deles traz mudanças mentais que são muito potentes. E não sou só eu que o digo: nos inquéritos de feedback que partilhei com as participantes de edições anteriores, várias me contaram a sua experiência de transição de uma vida assoberbada e um pouco a preto e branco para uma vida vivida com mais consciência, prazer, sabor e cor. Passaram de sentir que a vida passava por elas para sentirem que eram elas a viver a vida, com consciência, com capacidade de encarar as coisas más que nos acontecem a todas, e ainda com capacidade de saborear e celebrar as coisas boas que também nos acontecem a todas. Estou muito, muito, muito entusiasmada com este treino e mal posso esperar por que seja lançado o primeiro áudio. Estou desejosa de vos ler e de conhecer as

  3. Sep 22

    Episódio 61. Crítico Interno, Culpa e Piloto Automático: a Trindade que Esgota

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana quero falar-vos da próxima formação gratuita que vou dar: “Stop Piloto Automático! Três mudanças mentais que precisamos de fazer para uma vida mais a cores”. Tenho que dizer que é grande o entusiasmo que sinto com esta formação gratuita que vai começar já no dia 30 de Setembro de 2026 e cujas inscrições já estão abertas. Vou deixar-vos o link nas notas do episódio, mas também o poderão encontrar no meu site, www.airdesignstudio.com Neste episódio mencionamos: Inscrições abertas para o treino áudio grauito: “Stop Piloto Automático! Três mudanças mentais que precisamos de fazer para uma vida mais a cores”  Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero falar-vos da próxima formação gratuita que vou dar: “Stop Piloto Automático! Três mudanças mentais que precisamos de fazer para uma vida mais a cores”. Tenho que dizer que é grande o entusiasmo que sinto com esta formação gratuita que vai começar já no dia 30 de Setembro de 2026 e cujas inscrições já estão abertas. Vou deixar-vos o link nas notas do episódio, mas também o poderão encontrar no meu site, www.airdesignstudio.com Esta formação destina-se a todas nós que estamos cansadas de cuidar de todos os outros antes de nós próprias. Andamos cansadas, a arrastar-nos mesmo depois das férias, com noção de que as coisas não podem continuar assim, mas sem saber ao certo o que fazer para as mudar. Uma participante de uma edição anterior contou-me que quando começou este treino se encontrava exausta, em modo de sobrevivência, em piloto automático. Não tinha energia para mais do que já lhe era exigido: gerir crises, cuidar de terceiros, aquilo a que dizemos vulgarmente de “apagar fogos”. A sobrecarga era tal que ela sabia que não podia continuar assim, mas não fazia a menor ideia do que fazer. Para piorar o que já não é fácil, é habitual estarmos constantemente a ouvir a voz do nosso crítico interno, que nos aponta toda e qualquer falha, real ou surreal. Já não bastava ralo, agora também azedo, como dizem os alentejanos: já não bastava andarmos tão sobrecarregadas e a dar o máximo, era escusado vir a nossa voz crítica interna dizer-nos que este máximo que estamos a dar não é assim tão nota vinte como nós imaginamos, mais a mais estamos a desleixar não sei quantos outros aspectos da nossa vida, etc etc etc. A voz do crítico não se cala mesmo, e somada à sobrecarga, o panorama fica cada vez mais denso. Mas a cascata de efeitos nefastos não fica por aqui! Até parece um anúncio de televendas, porque com a sobrecarga e a voz constante do crítico interno ainda levamos a culpa de bónus! É uma promoção leve 3 e pague nenhum, ou, no caso, leve 3 e pague infinitos, porque a energia que investimos só a sobreviver, no meio de tudo isto, é praticamente infinita. Esta trindade de efeitos vem ser composta também pela culpa, que se revela de maneira discreta e insidiosa: relembra-nos que antes de podermos descansar, ainda temos de estender aquela máquina de roupa, ou de dobrar a roupa no estendal. Ainda há uma cozinha por arrumar, e naturalmente não poderá ser arrumada depois de descansar. Porque, sejamos sinceras, quando nos lembramos que a cozinha está por arrumar nem sequer conseguimos desligar e finalmente descansar. Essa é a falácia da sequência, que se desenrola mais ou menos assim: “antes de fazer x, ainda tenho de fazer y. E antes de y, ainda tenho de fazer z”. Agora imaginem que x é descansar, e antes de descansar, ainda tenho de ir pôr roupa a lavar; mas antes de pôr roupa a lavar, ainda tenho de estender a roupa que lavou há pouco; mas para estender essa roupa, tenho de apanhar a outra que está no estendal, e ainda dobrá-la e arrumá-la. E de repente, uma tarefa que era “pôr roupa a lavar”, transforma-se em: apanhar roupa e dobrá-la, estender outra máquina de roupa e finalmente pôr uma nova máquina a lavar. Depois disto, finalmente, posso descansar. É um pensamento falacioso porque na verdade não é necessário tudo isto para podermos finalmente ir descansar. Podemos descansar com a roupa por lavar, por estender, por dobrar, e não cai um unicórnio alado do céu. O problema é que não nos lembramos, e o nosso crítico interno faz de vigilante para que esse pensamento não ganhe espaço na nossa cabeça. A coisa boa é que quando tomamos consciência destas coisas, desta maneira de encarar a vida, podemos então começar a desarmar cada uma destas armadilhas, para que possamos encontrar momentos só nossos, de descanso e de reconexão connosco próprias. Porque reconectarmo-nos connosco próprias significa recuperarmos a nossa ligação à nossa criança interior. E porque é que é importante recuperar a relação com a criança interior? Porque é ela quem sabe quais são os nossos verdadeiros sonhos e desejos. É ela quem sabe o que nos faz feliz, mesmo quando dá trabalho. É ela que conhece o nosso propósito, o norte em direcção ao qual queremos caminhar para termos uma vida mais plena, mais satisfatória, mais realizada. E a formação gratuita “Stop Piloto Automático! Três mudanças mentais que precisamos de fazer para uma vida mais a cores” é precisamente o fio da meada que não sabíamos bem onde procurar. Quando te inscreveres no treino áudio gratuito, terás acesso imediato à plataforma, onde encontrarás logo o áudio de boas-vindas, com todas as instruções e os próximos passos. Depois, nos dias 30 de Setembro, 2 e 5 de Outubro sairão três áudios, um de cada vez, com mudanças mentais que precisamos de fazer para parar o ritmo vertiginoso da vida em piloto automático, para encontrares caminhos de reconexão contigo própria e com a tua criança interior. No primeiro áudio, saberás dar o primeiro passo para sair do modo de sobrevivência que é o piloto automático. Veremos para que serve esta estratégia e quando nos é útil, e veremos também quando deixa de ser útil, para sabermos identificar e desligar o piloto automático em segurança, sem risco de nos esborracharmos contra o primeiro rochedo metafórico que a vida nos puser à frente. No segundo áudio, encontrarás uma maneira de representar o teu mundo interior e com as partes que o compõem. Aprenderás a importância da criança interior, a guardiã dos nossos desejos, e do crítico interno, uma espécie de guarda-costas brutamontes que só sabe proteger-nos dizendo coisas bem ácidas, para não dizer tirânicas. No terceiro áudio, entramos num tema que exige muita coragem e muita paciência connosco próprias. Vamos desmontar a ideia de aguentarmos tudo sozinhas, estoicamente, até ao limite dos limites, e de começamos a cuidar de nós sem que seja necessário ficar doente ou entrar em crise. Esta não é uma mudança mental fácil, mais a mais quando temos tanto condicionamento da sociedade para sermos produtivas todo o tempo e, claro está, conciliarmos todos os aspectos da vida, assim como uma malabarista com cinquenta e quatro mil trezentos e vinte pinos no ar. No dia 7 de Outubro, a formação culmina com uma sessão zoom em directo, em que, todas juntas, iremos destilar, consolidar e sedimentar as aprendizagens feitas. Esta vai ser uma sessão muito especial, pois terá uma componente prática muito presente. Se não for possível assistir em directo – porque, afinal de contas, a vida acontece – a respectiva gravação ficará disponível umas horas depois e até ao dia 23 de Outubro de 2026. Estou mesmo muito entusiasmada com esta formação porque nos abre caminhos para nos voltarmos a conectar connosco próprias: começamos por pôr um nome e apelido àquilo que sentimos, este cansaço, esta sensação de vida a passar a correr, esta sensação de sobreviver, mais do que propriamente viver. E depois mostra-nos como nos voltamos a conectar connosco próprias: melhorando a relação com o crítico interno e recuperando a relação com a criança interior. Finalmente, mostra-nos como cri

  4. Sep 15

    Episódio 60. O piloto automático que ninguém te avisou que tinhas

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, quero falar-vos sobre cansaço. Sobre impasse. Sobre aquela sensação de que a vida nos está a acontecer, mas que não a estamos realmente a viver. É uma sensação incómoda, esta, que arredamos para um canto da nossa mente enquanto nos escudamos no desempenho das mil quatrocentas e vinte sete tarefas que temos constantemente, qual malabarista que mantém os malabares no ar. Neste episódio mencionamos: “I don’t know how she does it”, filme com Sarah Jessica Parker Conectar para Liderar(-me) Inscrições abertas para o treino áudio grauito: “Stop Piloto Automático! Três mudanças mentais que precisamos de fazer para uma vida mais a cores” Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero falar-vos sobre cansaço. Sobre impasse. Sobre aquela sensação de que a vida nos está a acontecer, mas que não a estamos realmente a viver. É uma sensação incómoda, esta, que arredamos para um canto da nossa mente enquanto nos escudamos no desempenho das mil quatrocentas e vinte sete tarefas que temos constantemente, qual malabarista que mantém os malabares no ar. Como está a tua agenda? Provavelmente, parecida com um jogo de tetris, agora que as férias terminaram e estamos a voltar ao trabalho, à rotina habitual de escola, trabalho, família, cuidado da geração abaixo, cuidado da geração acima. Aqui há uns anos, vi um filme com a Sarah Jessica Parker em que ela acordava de noite a pensar n’ “A Lista”. O filme chama-se, em inglês, “I don’t know how she does it”, traduzido livremente por mim seria algo como “não sei como é que ela consegue”, e a actriz desempenha o papel de uma mãe trabalhadora que conjuga todos os deveres possíveis e mais algum, claro, como nos acontece tantas vezes a todas nós. A personagem dela acorda várias vezes durante a noite a pensar na lista mental de tarefas para o dia seguinte, desde “preparar a lancheira das crianças” até “pagar a conta da luz”. Bem, se são exactamente estas as tarefas em que ela pensa, já não me recordo. Mas se não são exactamente estas, são parecidas. Quando vi este filme ouvi falar, pela primeira vez (pelo menos que me lembre), em carga mental. Eu, ainda muito longe de ter crianças a cargo, mesmo assim revi-me em muitas das situações em que a personagem estava. Da sobrecarga mental de pensar em tudo o que precisa de ser feito, só para manter a vida a rodar. E hoje lembro-me desse filme e de quantas de nós nos encontramos numa situação semelhante, mas sem o penteado, as roupas e os sapatos ultra produzidos que Sarah Jessica Parker usa no filme (e que, aqui entre nós, lhe ficam mesmo bem). A verdade é que muitas de nós nos sentimos num impasse, em piloto automático, porque só pondo a nossa completa atenção na operacionalidade do dia-a-dia é que conseguimos ir vivendo, ainda que talvez lhe pudéssemos chamar “sobrevivendo”. E depois os dias sucedem-se a uma velocidade vertiginosa, e depois as semanas, os meses e de repente é outra vez Natal. Aqui há tempos falei com algumas participantes da primeira edição do meu programa principal, o Conectar para Liderar(-me), e todas elas me falaram desta sensação de vertigem, ao mesmo tempo de impasse, e, como se não bastasse, de algum ou muito isolamento. Por alguma razão, sentimos que estamos sozinhas nisto de estar à beira do abismo, e que deve haver alguma coisa esquisita em nós porque só nós nos sentimos assim. Mas não. Não estamos sozinhas e felizmente demo-nos conta de que nos sentimos assim, porque esse é o primeiro passo para deixarmos de nos sentir assim, cansadas de tomar conta de tudo e de todos, e sem tempo para nós mesmas. Desligar o piloto automático que nos trouxe até aqui pode inspirar algum medo, até porque a questão se impõe: como vamos desligar o piloto automático sem que nos esborrachemos contra a primeira rocha (ou dificuldade) que me aparecer? A coisa boa é que é possível, e com companhia fica mais fácil. No treino áudio gratuito “Stop Piloto Automático! Três mudanças mentais que precisas de fazer para uma vida mais a cores”, vamos fazer precisamente isso: aprender o que precisamos de fazer para reconhecer o piloto automático, poder desligá-lo com confiança, e começar (ou retomar) uma jornada de volta a nós próprias. Tudo isto, apesar de poder parecer assustador, tem o grande benefício de nos trazer uma vida mais feliz, mais plena, mais a cores, vivida com mais consciência, com mais presença. E, minha nossa, não é que o tempo de repente comece a andar mais devagar, mas sem dúvida que vai ser aproveitado de maneira diferente. Parece magia, mas não é. No treino “Stop Piloto Automático!” vamos ver, então, três mudanças mentais para que possamos desligar este modo de sobrevivência e começar, ou recomeçar a viver com mais presença, com mais consciência. Eu, que sou das artes e do design, imagino sempre que viver de uma forma mais plena e mais consciente é como ver uma fotografia cheia de cores saturadas e com o contraste adequado. É como quando olhamos para uma paisagem num dia nublado, e todas as cores perdem saturação, parecem todas meio cinzentonas, ou quando olhamos para essa paisagem num dia de sol, e todas as cores ficam brilhantes. Abro aqui um parêntesis para fazer uma confissão: eu adoro dias nublados e os dias de chuva não me aborrecem muito. Mas que as cores ficam mais vívidas e brilhantes nos dias de sol, isso não posso negar! Mas adiante. Contava-vos eu sobre o treino gratuito, em formato áudio, “Stop Piloto Automático”. Como vos disse, as inscrições estão abertas e, para quem possa ter dúvidas, deixem-me contar-vos como se vai desenrolar. O treino é em formato áudio, ou seja, nos dias 30 de Setembro, 1 e 5 de Outubro, serão lançadas três lições em áudio, uma por cada mudança mental, áudios esses que poderão ser ouvidos onde, quando e as vezes que quiseres durante as seguintes três semanas. No dia 7 de Outubro, uma quarta-feira, teremos uma sessão online, por zoom, às 13h de Lisboa, 20h de Macau e 9h de Brasília. Nessa sessão, iremos consolidar e sedimentar as aprendizagens dos áudios, todas juntas, num contexto de grupo privado e seguro. Dizia-vos que conversei com algumas das participantes da primeira edição da minha formação principal e o que elas me contaram foi “ouro em pó”, como dizem os argentinos para algo que é precioso. Para mim, foi um tesouro. Contaram-me então que quando se inscreveram, se sentiam perdidas, num impasse, a precisar de ajuda sem saber. E que graças ao espaço que criámos juntas encontraram o fio à meada, perceberam os próximos passos que podiam tomar e viram que caminho podiam seguir. Um pouco como um jogo de pistas em direcção a uma vida mais satisfatória, criaram estratégias para encontrarem a primeira informação, depois outra e depois outra, e passados estes meses têm uma vida muito mais a cores do que tinham nessa altura. Uma das participantes usou uma metáfora visual linda, que tento parafrasear aqui com o devido pedido de desculpas se não a estiver a repetir com exactidão: que ao fazer o programa, sentiu que estava a abrir um leque de possibilidades à sua frente. Pensar nesta metáfora traz-me lágrimas aos olhos, porque, verdade seja dita, quando ela o disse, eu senti que tinha sido exactamente o que eu própria também tinha sentido, uns anos antes, quando desliguei o piloto automático da minha vida e me pus à procura daquilo que era o meu verdadeiro propósito e de como queria viver o resto da minha vida. No treino áudio “Stop Piloto Automático” iremos, então, dar o primeiro passo dessa jornada para saltarmos (em segurança) desse comboio de alta velocidade que é a vida em piloto automático, assoberbadas com as rotinas e as obrigações que todas temos, para fazermos pausa e procurarmos, dentro de nós, o caminho mais alineado connosco, com os nossos desejos, os nossos talentos, e começarmos a viver uma vida com mais a

  5. Sep 8

    Episódio 59. Cansada de tratar de todos, menos de ti?

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana quero falar contigo, sim, contigo que estás em piloto automático há demasiado tempo. Em primeiro lugar quero dizer-te uma coisa: não estás sozinha. O piloto automático é uma estratégia óptima e muito válida para lidar com períodos de muita intensidade na vida. Neste episódio mencionamos: Inscreve-te aqui para receberes as notícias primeiro  Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero falar contigo, sim, contigo que estás em piloto automático há demasiado tempo. Em primeiro lugar quero dizer-te uma coisa: não estás sozinha. O piloto automático é uma estratégia óptima e muito válida para lidar com períodos de muita intensidade na vida. Às vezes, parece que acontece tudo ao mesmo tempo. No meu caso, confesso-te que 2023 foi um destes anos: à minha volta tive muitas pessoas muito queridas doentes; uma delas, a minha prima, acabou por morrer de cancro. Mas nesse ano também morreu uma tia minha, um antigo colega de liceu, e aqui no bairro, deixem-me que vos diga, foram várias as pessoas que morreram em 2023, entre elas os nossos vizinhos da porta da frente. Não exagero se vos disser que foi um ano muitíssimo duro, não só pelas muitas mortes como também pelo peso das várias doenças. Enfim, foi um ano francamente difícil. Nesse ano, o piloto automático entrou em acção mais que uma vez, não vou negar. Não se trata de preguiça nem de falta de vontade. Muitas vezes, é uma questão de “serviços mínimos”. Quando a nossa energia é requisitada para gerir crises, cuidar dos outros, responder às urgências, é natural que a pessoa perca o fio à sua própria meada, e que se esqueça de como voltar ao centro. O piloto automático é útil, claro. O problema é quando se vai mantendo, e mantendo, e mantendo… e a vida vai ficando mais igual a si própria, mais a preto a branco. A vida passa a ser uma coisa que nos acontece, em vez de ser uma coisa que vivemos plenamente. Nestas alturas, ao mesmo tempo que nos desligamos dessa vida a cores, acontece um outro fenómeno: o crítico interno ganha espaço. É curiosa a actuação do crítico interno, porque, reparem, ele vive para nos proteger a nós de todo e qualquer risco. Apesar da nobre missão, o problema está na execução que o crítico faz dessa missão: qualquer pequena coisa é vista pelo crítico como arriscada, e como não sabe fazer de outra maneira, tenta impedir-nos de a fazer com as palavras mais ácidas e por vezes tirânicas que conhece. Quando estamos em piloto automático, as palavras do crítico interno ganham um peso que noutras circunstâncias talvez nem tivessem, e vão fechando cada vez mais o nosso mundo. Vamos acreditando que o que o crítico nos diz é a realidade, sem percebermos de que não o é. O crítico interno passa a ter um poder demasiado grande sobre nós e transforma-se numa postura habitual em relação a nós próprias: sempre que tentamos dar um passo, o crítico fala, quando não grita, vá, e o pior é que nós acreditamos no que diz e começamos a limitar-nos a nós mesmas. Claro, num ambiente destes, em que o crítico assume um papel de protagonista, vêm também os sentimentos de culpa quando queremos tratar de nós, quando nos queremos dedicar ao ócio, ao descanso ou simplesmente fazer algo por nós e pelo nosso bem-estar. O crítico, claro, não descansa: “como assim, descansar, quando a cozinha está este caos que estamos a ver?” ou “como assim, ir dormir uma sesta quando tens tanta roupa suja por tratar?”. Acho que já todas ouvimos variações destas muito pouco lindas e extremamente poderosas frases do nosso crítico interno. E sabem o que é pior? É que muitas vezes lhe fazemos caso e vamos mesmo tratar da roupa, ou da loiça, ou de outra qualquer tarefa que não é de todo mais prioritária que cuidar de nós. E a culpa, minha nossa, a culpa que sentimos quando de facto escolhemos descansar? São muitos anos a absorvermos por todos os lados que as nossas necessidades vêm apenas quando todas as necessidades de todas as outras pessoas à nossa volta já estão atendidas. Ai vida… a nossa cabeça pode ser um inferno! Enfim, tudo isto conduz a quê, querida ouvinte que me ouves e pensas, “espera aí, esta sou eu…”? Isto conduz-nos ao esgotamento. Às vezes é em forma de burn out, outras vezes é um esgotamento físico, outras vezes dá depressão, outras, incapacidade quase de tomar decisões, enfim, eu posso dizer-vos que em mim se revela como um cansaço que não se resolve com dormir bem e, novidade do último ano, tonturas. Mas há quem faça depressões profundas, há quem se sinta completamente sozinha, sem saber para que lado se virar. Nós sabemos que precisamos de mudar alguma coisa, mas não sabemos nem o quê, nem o como. E, pior de tudo, sentimo-nos sozinhas, isoladas neste estado de aperto. E não: não é normal estarmos assim tão cansadas, em piloto automático, e também não, não estás sozinha. Na semana que vem, abrimos as inscrições para um treino áudio gratuito que quero muito partilhar contigo porque, sabes, não estás sozinha e lá vais encontrar não só um mapa para sair deste estado, para passar do piloto automático a uma presença mais consciente na tua vida, como também vais encontrar tantas outras mulheres que se sentem também assim. Antes deste treino, é possível que te sintas isolada, ou que até tenhas dificuldade de pôr o que sentes em palavras. E, se o consegues fazer, pode ser que tenhas alguma vergonha de o fazer. Mas a comunidade que criamos com cada treino encontra força na partilha, encontra segurança no círculo que a rodeia. Com muita calma e tranquilidade, vamos dando pequenos passos para sairmos da vida assim meio a preto e branco, em que os anos se sucedem e nós nem damos bem pelo tempo passar, ocupadas que estamos a atender a todas as solicitações que temos. Gosto muito de dar esta formação áudio porque é uma maneira de eu própria reforçar o meu regresso ao meu centro, e também é lindo ver isto paulatinamente a acontecer com as participantes. As suas partilhas na nossa comunidade reforçam muito a minha convicção de que somos uma população bastante desatendida, mas à qual se lhe exige tudo. E por isso quero deixar-te aqui o convite para que venhas juntar-te a nós no treino áudio gratuito. As inscrições abrem no dia 14 de Setembro de 2026 e são para mulheres cansadas de tratar dos outros todos antes de tratarem de si. O que iremos fazer, nesta formação gratuita, é começar a cultivar espaços de bem-estar e de partilha, que funcionarão como bolsas de oxigénio para quem, como tantas de nós, está tão esgotada. Queremos sair do piloto automático e saber como traçar o nosso próprio mapa para uma vida muito mais plena, muito mais a cores e muito, mas muito mais feliz. Talvez não consigamos abrandar o tempo, mas aprenderemos a usá-lo a nosso favor, para nos cuidarmos, para criarmos verdadeiros espaços de conexão com um círculo seguro, onde nos sentiremos cuidadas por nós e por todas. Na primeira edição do programa de grupo Conectar para Liderar(-me), uma das participantes usou a expressão “curiosidade e benevolência” para falar da maneira como começava a olhar para si própria, depois de muito tempo a olhar para si através dos olhos – e da voz – do crítico interno. Essa curiosidade e essa benevolência vão ser os nossos guias na nossa viagem mais importante, a viagem a nós mesmas, e vão ser os filtros que teremos para cada uma das práticas, para cada um dos exercícios que fizermos. Usar uns óculos de curiosidade e benevolência quando nos olhamos e nos vemos verdadeiramente, vai transformar a maneira como nos relacionamos connosco próprias e com o mundo que nos rodeia. E, para muitas de nós, tudo começou no momento em que decidimos dar o passo de nos inscrevermos no treino áudio gratuito, cujas inscrições abrem já no dia 14. Fica atenta à tua caixa de correio para seres a primeira a inscrever-te, at

  6. Sep 1

    Episódio 58. Quem queres que mande: o crítico ou a criança que sonha?

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Quando comecei a desenhar todos os dias, em Janeiro de 2021, não imaginava (por muito tonto que possa parecer) que uma das consequências de repetir essa actividade todos os dias seria a de que, quer quisesse, quer não, iria começar a desenhar com mais facilidade. Para quem não sabe, eu adoro desenhar pessoas. Gosto muito mais de desenhar pessoas do que desenhar coisas, ou paisagens, e por isso, inevitavelmente, agora que já passaram mais de cinco anos desde que comecei, tenho mais facilidade em desenhar pessoas do que tinha antes. Neste episódio mencionamos: “Não há partes más”, de Richard C. Schwartz Inscreve-te aqui para receberes as notícias primeiro Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Quando comecei a desenhar todos os dias, em Janeiro de 2021, não imaginava (por muito tonto que possa parecer) que uma das consequências de repetir essa actividade todos os dias seria a de que, quer quisesse, quer não, iria começar a desenhar com mais facilidade. Para quem não sabe, eu adoro desenhar pessoas. Gosto muito mais de desenhar pessoas do que desenhar coisas, ou paisagens, e por isso, inevitavelmente, agora que já passaram mais de cinco anos desde que comecei, tenho mais facilidade em desenhar pessoas do que tinha antes. Da mesma maneira que desenhar todos os dias me tem dado mais facilidade a desenhar, escrever todas as semanas um episódio de podcast tem-me dado o espaço de pensar sobre o trabalho que faço e de pôr palavras à volta dele. Ao princípio, quando lancei as sessões de Desenhamos Juntas, ainda em 2024, tinha ideia de que seria muito bom desenharmos juntas, mas não fazia ideia de que iríamos trabalhar tanto a nossa relação com o nosso crítico interno, nem tão pouco imaginava que iríamos mudar, uma sessão de cada vez, a nossa ideia de quem nós somos. A verdade é que com a prática semanal de desenho todas passámos de ser “pessoas que não desenhavam” para sermos “pessoas que desenham”. No caminho, fomos trabalhando a nossa confiança, a nossa auto-estima e a nossa relação com o crítico interno. O que é curioso é que o trabalho que se faz naquelas sessões semanais, que poderia parecer que ficaria circunscrito àquele contexto, transborda para todas as áreas: gradualmente, todas ficámos a saber que podemos adquirir um hábito novo que transforma a nossa ideia de quem somos. Voltando ao hábito de escrever guiões de podcast, este tem sido um espaço de reflexão muito importante para mim porque me faz pensar e conversar sobre o que fazemos nas várias formações que dou, desde o Desenhamos Juntas até ao Conectar para Liderar(-me), cujas inscrições abrirão muito em breve. Já vos conto tudo! Para quem já acompanha o meu trabalho há mais tempo, talvez se lembre de uma formação gratuita que dei chamada “Criativa? Quem, eu?” – lembram-se? Nessa formação, queria mostrar às participantes que todas nós já temos uma reserva de criatividade dentro de nós. Na altura, usava a imagem da Lagoa das Sete Cidades, nos Açores, em que há duas lagoas contíguas com água que parece ter cores diferentes. Da mesma forma, eu dizia que dentro de nós existe uma reserva de criatividade e de sabedoria, feitas da mesma matéria mas com cores diferentes. No treino áudio gratuito, cujo nome brincava directamente com uma resistência que muitas pessoas têm, que é acharem que não são criativas, e que a criatividade é coisa de artistas, eu queria mostrar às pessoas que a criatividade não é mais que outra cara da sabedoria, é a capacidade de combinar de uma nova forma duas informações diferentes. Continuo a gostar muito desta metáfora da reserva de criatividade como uma lagoa que temos de alimentar e proteger e à qual vamos beber sempre que precisamos. Mas a dada altura, provavelmente numa meditação, percebi que o fio condutor de todas as minhas formações é a de melhorar a nossa relação com o crítico interno para que possamos estabelecer uma relação em banda larga com a nossa criança interior. A nossa criança interior é a guardiã dos nossos sonhos e desejos e também da nossa criatividade, e é com a nossa criança interior que nós queremos poder comunicar com facilidade. No fundo, a criança interior é a guardiã da nossa criatividade, mas também conhece os nossos sonhos e desejos. A criança interior marca a nossa bússola interna, e é ela que nos diz qual a direcção a tomar para vivermos a melhor vida possível, alinhada com os nossos princípios e valores, e a que permite que façamos o melhor contributo para o mundo. Conectarmo-nos com a nossa criança interior é o que desejamos, e mais ainda uma conexão livre e desimpedida, qual auto-estrada. Mas acontece que dentro do nosso mundo interior existem mais personagens, ou mais “partes”, como diz Richard C. Schwartz, autor do livro “Não há partes más”, cujo link vou colocar nas notas deste episódio. Cada uma de nós tem partes que são ditadas pela sua história, ou pelas suas circunstâncias particulares de vida. Mas há uma parte, a do crítico interno, que é transversal. Todas temos uma criança interior e todas temos um crítico interno e estas partes cumprem papéis fundamentais na nossa vida. Enquanto que a criança interior guarda o mais importante tesouro (os nossos sonhos e desejos) e nos guia como uma bússola em direcção ao nosso norte, em direcção ao nosso propósito mais profundo, o crítico interno existe dentro de nós para nos proteger. Pode parecer paradoxal que o crítico interno nos queira proteger, mais a mais sabendo que muitas vezes nos fala de maneira bem, bem ácida, por vezes tirânica, mas a verdade é essa: o crítico interno existe para nos proteger. Qual é o problema? É que o crítico interno não distingue entre um perigo real para a nossa pessoa de um perigo aparente para o nosso ego. E por isso é tão fácil de activar, basta tentarmos fazer algo de novo, ou fazermos alguma coisa menos bem, para o crítico interno sair a conversar dentro da nossa cabeça. Aquela voz que nos diz: “ai filha, que ideia foi essa de começares a pintar, se a tua mão treme tanto?” Esta é a voz do crítico interno, que quer proteger o nosso ego de passar vergonha. Sendo que, para disparar, basta fazermos algo que fique a apenas um milímetro da perfeição absoluta, e isso é suficiente para que a sua voz tirânica entre logo em acção. Esta voz tirânica, por vezes cruel, é um obstáculo concreto à nossa conexão com a criança interior. Ora vejam: eu sinto que me conecto com a minha criança interior de cada vez que, por exemplo, pego no cavaquinho para tocar. Como não toco particularmente bem, pois comecei a aprender há relativamente pouco tempo, quando não consigo transitar de um acorde para o outro, ou demoro um pouco mais para o fazer, o crítico salta logo: “então que ideia foi esta de tentares aprender a tocar cavaquinho? Logo tu, que não tocas instrumento nenhum?” Imaginem, se eu desse ouvidos ao meu crítico, se calhar pousava logo o cavaquinho e pensava, “pronto, deixa lá, também não gosto assim tanto de tocar cavaquinho”, talvez me dissesse para me consolar. A verdade é que gosto de tocar cavaquinho, por muito bem ou muito mal que toque, e de cada vez que toco sinto aquela energia especial de estar a divertir-me, que eu interpreto como sendo uma conexão directa com a minha criança interior. E se decidisse parar de tocar cavaquinho por causa das palavras do crítico interno, então deixaria de fazer algo que não só me dá prazer como também me ajuda a estabelecer uma conexão com a minha criança interior. Seria uma pena e uma perda, a dobrar. Por isso, melhorar a relação com o crítico interno e trabalhá-la para que a sua voz nos afecte cada vez menos é essencial para restabelecer uma ligação com a nossa criança interior. É essencial e é fundamental. Nas próximas semanas, vamos abrir as inscrições para uma formação gratuita muito especial precisamente para começar a trabalha

  7. Aug 25

    Episódio 57. O piloto automático e o Norte que já não te serve

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Hoje quero falar-vos sobre a vida em piloto automático, conhecem? Tenho a certeza de que em algum momento ou outro, já todas estivemos a viver a nossa vida em piloto automático, uma estratégia muito útil e tremendamente prática para lidar com períodos de muita intensidade, com uma carga emocional alta. Qual é o problema, então, de viver em piloto automático? É que se estivermos nesse modo durante períodos prolongados, sem tempo para viver e integrar a dita intensidade, viver em piloto automático pode transformar a nossa vida em algo com pouco sal, com pouca cor. Pode transformar a nossa vida em algo que nos acontece, em vez de ser algo que estamos activamente a viver. Neste episódio mencionamos: Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Hoje quero falar-vos sobre a vida em piloto automático, conhecem? Tenho a certeza de que em algum momento ou outro, já todas estivemos a viver a nossa vida em piloto automático, uma estratégia muito útil e tremendamente prática para lidar com períodos de muita intensidade, com uma carga emocional alta. Qual é o problema, então, de viver em piloto automático? É que se estivermos nesse modo durante períodos prolongados, sem tempo para viver e integrar a dita intensidade, viver em piloto automático pode transformar a nossa vida em algo com pouco sal, com pouca cor. Pode transformar a nossa vida em algo que nos acontece, em vez de ser algo que estamos activamente a viver. Abro um parêntesis para vos dar uma imagem muito visual desta questão da vida com pouca cor. Aqui há tempos, vi uma publicação no Instagram em que comparavam frames de dois filmes: “O Diabo veste Prada”, de 2006, e “O Diabo veste Prada 2”, que saiu vinte anos depois, em 2026. Quem fez esta publicação queria comparar uma tendência que se observa que é a de que no cinema tem havido uma sucessiva perda da saturação da cor. Enquanto que antigamente, nomeadamente há vinte anos atrás, quando ainda se gravavam os filmes em película, as cores eram muito mais vivas; hoje, com filmes gravados em digital e com orçamentos limitados, as cores são menos saturadas. Seja por que razões for, a verdade é que esta metáfora visual da perda de saturação é muito útil para nos explicar os efeitos de uma vida vivida em piloto automático: a vida perde a cor, perde a emoção, os dias sucedem-se, uns iguais aos outros, e os anos acumulam-se atrás de nós, parecendo que não fizemos grande coisa. O piloto automático é uma estratégia maravilhosa para lidar com períodos de muita intensidade, como vos dizia acima. Porque nos cingimos a viver a vida mergulhadas na parte operacional, acabamos por perder a visão panorâmica que, de vez em quando, precisamos de ter para nos voltarmos a orientar. A vida em piloto automático implica uma certa insensibilização aos estímulos, o que é óptimo como estratégia de sobrevivência quando o período é de grande intensidade. Durante um período de grandes mudanças, ou de grandes perdas, por vezes é o piloto automático que nos ajuda a superar aqueles dias mais difíceis, mais confusos, mais cinzentos. O problema é quando ficamos demasiado tempo em piloto automático e a vida nos começa a acontecer, em vez de sermos nós ao comando de como a desejamos viver. O piloto automático, tal como nos barcos, leva-nos numa determinada direcção, sem questionar. O que pode acontecer – e frequentemente acontece – é que podemos ir esbarrar num rochedo que não demos conta que afinal estava ali. Isto faz-me lembrar uma vez, há uns anos, quando fomos fazer uma caminhada na natureza num sábado de um inverno muito seco. Nesse preciso dia caiu quase toda a chuva que deveria ter caído em toda a temporada. Começámos a caminhada com uns chuviscos, mas já íamos bem lançados no nosso percurso quando o céu desabou sobre nós. Eu levava um chapéu de caminhada de abas largas e impermeável que, para além de me proteger da chuva, também me tapava a metade superior do meu campo de visão. Tinha protecção da chuva, verdade, mas para olhar para a frente precisava de inclinar a cabeça para trás – e expor-me à chuva incessante. De maneira que lá vamos nós, cada vez mais molhados e rabugentos, já que a única maneira de voltarmos ao seco era mesmo continuando em frente, e às tantas, nem sei como vos dizer, o meu mundo estremece completamente. Acho que até os dentes me tremeram, que as suas raízes se desencaixaram, e fui tomada por um clarão e uma dor lancinante na testa. Eu ia em piloto automático, em modo “continuar em frente para chegar a casa”, quando choquei com um calhau que não vi, tapado que estava pela aba do meu chapéu. Passado o choque, fiz um balanço rápido dos estragos: dentadura completa, felizmente, que isto de arranjar dentes é caro a valer, mas abri um belo lanho na testa, lanho esse cuja cicatriz ainda hoje cá está. Hoje, olho para trás e penso que provavelmente não encontraria melhor metáfora para o que acontece quando andamos em piloto automático demasiado tempo. Mas se era escusada a cabeçada tão forte? Se calhar era. Esta conversa do piloto automático e das cabeçadas da vida surge porque tenho estado a pensar muito em como comunicar à minha comunidade o que é que fazemos no programa de grupo Conectar para Liderar(-me), cuja próxima edição será no último trimestre do ano de 2026. Para perceber melhor como comunicar os benefícios do programa, nas últimas semanas tenho estado a entrevistar as participantes das primeiras edições e uma delas disse-me algo que me chamou muito a atenção. Contou-me que quando entrou no programa estava a viver a vida em piloto automático, e que, com as sessões em grupo, passou desse estado automatizado à consciência. Isso fez-me pensar muito nesta questão do piloto automático: no fundo, programamo-lo em direcção a um Norte; depois, quando damos a grande cabeçada, metafórica ou literal, percebemos que esse Norte já não nos serve. No Conectar para Liderar(-me), o que trabalhamos é como passar desse piloto automático a uma vida com mais presença, mais consciente. E, sobretudo, fazemos a grande descoberta de que esse Norte que procurávamos em direcção ao qual caminhar está dentro de nós. Tantas vezes procuramos um norte externo, para depois percebermos que as respostas estiveram sempre dentro de nós, no nosso centro, guardadas pela nossa criança interior. Passar da vida em piloto automático para uma vida mais consciente acarreta alguns riscos: sabem? A vida magoa. E quando vivemos a vida em consciência, presentes, corremos o risco de sofrer. Mas viver traz alegria e sofrimento, e quando nos queremos proteger do sofrimento também nos protegemos da alegria. Então precisamos de escolher como queremos viver: anestesiados, em piloto automático, a sentir que a vida está a passar por nós? Ou em presença, conscientes, vulneráveis às dores da vida, mas também confiantes de que saberemos lidar com elas, e abertos também às alegrias da vida, que – felizmente – também são muitas? Essa é uma questão que nos devemos colocar não só por nós – afinal, esta é a nossa oportunidade de viver uma vida plena – mas também por aqueles que nos rodeiam. Que exemplo queremos dar às pessoas que olham para nós como modelo? Queremos passar-lhes a ideia de que o melhor é passar pela vida anestesiadas? Ou queremos passar a ideia de que a vida é para ser vivida com presença, com consciência, com alegria, aceitando e integrando as dores, quando vêm, e desfrutando dos momentos bons, que também existem? Queremos estar a navegar à deriva, ou numa direcção que já nos serv

  8. Aug 18

    Episódio 56. Quando o crítico grita mais

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Hoje quero levar-te comigo numa viagem não a um país distante, mas a uma situação bem concreta em que muitas de nós, para não dizer todas, já nos encontrámos em algum momento da vida. Neste episódio mencionamos: “Playing Big”, de Tara Sophia Mohr Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Hoje quero levar-te comigo numa viagem não a um país distante, mas a uma situação bem concreta em que muitas de nós, para não dizer todas, já nos encontrámos em algum momento da vida. Sobe para cima deste tapete voador e vamos deslizar pelos ares até àquele momento em que foste finalmente fazer uma aula experimental de dança. Uma aula de dança, qual será o problema, poderás estar a perguntar, e eu vou contar-te qual é o problema para mim: na minha cabeça, sempre me considerei uma tábua a dançar. Aliás, viajando no tempo e no espaço, vou até àquela colónia de férias em que me inscrevi numa aula de dança para depois tentar muito seguir os passos e só conseguir tropeçar nas pessoas ao meu lado, porque quando elas davam dois passos à esquerda, eu dava dois passos à direita, e a formação colapsava ali. Então viemos a esta aula de dança, em que estou a tentar ao máximo seguir os passos, mas com pouca capacidade, em que dos três movimentos faço um, e já não é mau, em que olho para os espelhos e vejo toda a gente a mexer-se como se fossem feitos de água, com uma fluidez que desmente a sua constituição de carne e osso, e lá estou eu, rígida, mais parecida com uma boneca de… nem de borracha, mas sim de madeira. De madeira mesmo. Estou nessa aula, a tentar, a tentar, e tenho o meu crítico interno aos gritos. Grita-me todas estas coisas que vos descrevi, e mais umas quantas novidades, sempre muito ácidas. O meu crítico interno está tão activo que já nem sei o que fazer, nem o que dizer. Sorrio sempre e rezo para que o tormento termine. Saio dessa aula com uma certa sensação de confirmação das minhas suspeitas: “eu não nasci para a dança, não é?”, penso eu com os meus botões. A Dona Rosete, meu crítico interno, lá está de bata e avental com o pano da loiça na mão e os rolos no cabelo e diz-me: “ó filha, mas eu não te tinha dito que era péssima ideia?” E eu estive vai-não-vai para cancelar a aula de experiência, mas não cancelei. E ainda bem. Porque fui. Porque me mexi, porque me ri, porque me diverti, por muito descoordenada que seja, e por muito que tenha tropeçado nos meus companheiros. A verdade é que me ri, o meu corpo mexeu-se e desfrutou, e lá no meio dos gritos da Dona Rosete eu encontrei momentos de pura alegria quando determinados movimentos foram mesmo coordenados com a música que estávamos a ouvir. Podia ter corrido melhor? Podia, sim senhora. Podia ter corrido pior? Também. Mas o que seria mesmo, mesmo mau era se me tivesse negado à partida a oportunidade de ir, de me mover, de desfrutar. Quando estamos nas sessões de Desenhamos Juntas, e eu tenho a câmara do telemóvel mesmo em cima das minhas mãos, a filmá-las a pintar no caderno, tenho a Dona Rosete aos gritos. Está constantemente a chamar-me a atenção de cada vez que a minha mão treme (e treme muito), pergunta-me muitas vezes quem eu penso que sou para estar ali a “ensinar” às pessoas como é que se desenha e como é que se pinta. Diz-me que se as minhas mãos tremem assim tanto, eu deveria estar sossegada e não inventar maneiras de pintar à frente das outras pessoas, enfim, seria uma festa se aquilo que a Dona Rosete me diz fosse agradável. Mas não é. É ácido, e aponta directamente aos pontos mais vulneráveis do meu coração. Bem, mas quando o nosso crítico interno está assim, que devemos fazer? A tentação, claro, é ouvir o que nos diz e parar imediatamente o que quer que seja que estamos a fazer, para ver se ele pára de gritar aquelas coisas tão desagradáveis. Mas esse é um caminho aparentemente fácil, mas, na realidade, muito lamacento. E lamacento porquê? Porque nos vai prender, cada vez mais. As palavras que a Dona Rosete diz, se eu lhes fizer caso, vão-me prender. Vão convencer-me de que eu não devo estar a pintar à frente de ninguém, e muito menos criar um espaço em que desenhamos juntas, eu e outras mulheres que também querem desenhar e não sabem por onde começar. Muitas vezes fiz caso às palavras da Dona Rosete, e de algumas vezes arrependo-me amargamente. Mas, gradualmente, e depois de entender o papel que a Dona Rosete, o nosso crítico interno, tem dentro de nós, é mais fácil mostrar compaixão pelos seus sentimentos, ao mesmo tempo que lhe dizemos com firmeza que queremos continuar a fazer seja o que for que estamos a fazer. Nas sessões de Desenhamos Juntas, partilho alto, com as outras participantes, aquilo que me diz a Dona Rosete. Confesso-vos: ao princípio, tinha algum pudor de o fazer, talvez quisesse passar uma imagem minha mais sólida, ou mais polida, estando no meu papel de facilitadora da sessão. Mas as participantes do Desenhamos Juntas são maravilhosas, mesmo, e o ambiente que geramos em conjunto é de vulnerabilidade e confiança, de círculo sagrado e protegido. E, ao partilhar aí as palavras da Dona Rosete, acontece uma coisa extremamente curiosa, que muito me surpreendeu. Não é que a Dona Rosete não fale, porque fala, e continua a falar muito e com palavras por vezes bem ácidas. É só que aquilo que ela diz já não me afecta tanto. É curioso: é como se me tivesse habituado à sua presença e as coisas que diz já não me tocam, não me abalam. Não me abalam tanto, deixem-me acrescentar. Entender o papel que a Dona Rosete tem dentro de mim é um processo que tenho vindo a fazer desde há muitos anos. A primeira vez que ouvi falar no crítico interno foi quando, em 2012, fiz a mentoria “Playing Big” de uma coach norte-americana chamada Tara Sophia Mohr. Esta coach continua a oferecer este curso, e tem também um livro com o mesmo nome que muito recomendo, e vou deixar links para tudo nas notas deste episódio. Quando penso nesse momento da minha vida, e me lembro dos primeiros passos a trabalhar a minha relação com o crítico interno, e comparo com o dia de hoje, e a minha actual relação com a Dona Rosete, vejo o salto quântico que dei, não propriamente em grandes passos em frente, mas sim num caminho cheio de pequenos passos, dados consistentemente, com avanços e recuos. Mas hoje, a diferença é imensa. No Desenhamos Juntas, descobri que dizer em voz alta o que me diz o crítico interno e partilhá-lo com as participantes é o melhor antídoto para o seu veneno: é como se se desfizesse um feitiço que antes tinha o poder de me fazer agir de outra maneira, uma maneira mais cautelosa, mais contida. E agora, desfeito o feitiço, penso na pena que teria se não tivesse estas sessões semanais que são um espaço privilegiado de pausa consciente, de brincadeira, de prazer e de partilha em círculo sagrado e seguro. Seria uma pena, pelo menos para mim, se um dia tivesse ouvido a Dona Rosete e não me tivesse animado a dar estas sessões de desenho ao vivo. Nos últimos anos, descobri mais uma função essencial da Dona Rosete, ou do crítico interno. Para além de querer proteger o nosso ego a todo o custo de toda e qualquer situação que o possa pôr em perigo, a Dona Rosete também está firmemente plantada no caminho que leva à minha criança interior. Na verdade, quanto mais alto ela fala, mais eu sei que me aproximo da minha criança interior. Quanto mais alto fala a Dona Rosete, mais eu sei que me aproximo dos meus próprios sonhos e desejos, mais eu sei que isto que me proponho fazer é importante para mim e para a minha criança interior. E portanto, o crítico interior tem um papel fundamental dentro das nossas cabeças: tem o papel de proteger o nosso ego de todo e qualquer risco e, de uma maneira retorcida, indica-nos quando nos aproximamos dos nossos verdadeiros

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