Narrativas, com Flávia Gasi

Flávia Gasi

Bem-vindos ao Narrativas, o podcast onde mergulhamos nos símbolos, mitos e figuras que moldam nossa cultura. Com a apresentação da Flávia Gasi (oiê, eu mesma, doutora em narrativa e games), cada episódio é uma jornada através do tempo, desvendando como essas imagens surgiram, o que significaram no passado e como se transformaram até os dias de hoje.Apoie: https://www.catarse.me/flaviagasi

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  1. 3d ago

    #05 - Lilith | E a sua recusa

    Em Narrativas, conduzimos uma expedição intelectual através dos arquétipos e mitologias que fundamentam nossa compreensão do mundo. Com uma abordagem que entrelaça literatura, filosofia, psicanálise e antropologia, cada episódio é uma imersão profunda nos símbolos que nos habitam - desde as narrativas clássicas até suas reverberações na cultura contemporânea. Este podcast é independente e feito com paixão. Sua contribuição no Catarse garante a continuidade do projeto e oferece recompensas exclusivas, como: Acesso a conteúdos extras e episódios antecipados. Participação em comunidades de debate (Discord). 🔗 Junte-se a nós: catarse.me/flaviagasi CONECTE-SE 📩 narrativas@flaviagasi.com.br 📱 @flaviagasi (Instagram/Bsky) EPISÓDIO #05: LILITH | E SUA RECUSAPor que Lilith, que aparece uma única vez na Bíblia, e apenas como uma palavra solta no meio de ruínas, se tornou uma das figuras mais reconhecíveis do imaginário ocidental? E como a mulher que se recusou a deitar por baixo, num texto satírico medieval, acabou transformada em estampa de camiseta e curso de "energia feminina selvagem"? Neste episódio, desvendamos a fabricação de Lilith: da Mesopotâmia ao mercado, camada por camada: A arqueologia de um medo. O lilû, o lilītu e o ardat lilî da Babilônia e da Assíria: demônios do vento e da noite, temidos e nunca adorados. Como a mortalidade infantil virou nome, e o nome virou amuleto. O Alfabeto de Ben-Sira. O texto hebraico medieval, satírico e não-bíblico que inventa a história inteira. Lilith criada do mesmo barro que Adão, a briga sobre quem fica por cima, a fuga pelo Nome Inefável, os três anjos no Mar Vermelho e o pacto selado em amuletos. Silvia Federici e a caça às bruxas como acumulação primitiva. A expropriação do saber feminino e o cerco ao trabalho reprodutivo. Uma tese forte, que o episódio apresenta como contestada, e não como consenso. Alexandra Kollontai, a recusa levada à política. Creche, lavanderia pública, cozinha comunitária, salário. O que o mito não podia dizer, porque não basta dizer não: tem que ter pra onde ir. O deserto, o voo e o espelho. A imaginação material da recusa em Gaston Bachelard, a terra que resiste, o peso vencido pelo voo, e a boca que fala nos símbolos teriomórficos de Gilbert Durand. Bibliografia do Episódio: ALFABETO DE BEN-SIRA. In: PATAI, Raphael. A Deusa Hebraica. São Paulo: Perspectiva, 1967. BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos. São Paulo: Martins Fontes, 1989. [1942]. BACHELARD, Gaston. A terra e os devaneios da vontade. São Paulo: Martins Fontes, 1990. [1948]. BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002. DURAND, Gilbert. Estruturas antropológicas do imaginário. São Paulo: Martins Fontes, 2002. FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017. KOLLONTAI, Alexandra. O comunismo e a família. 1920. Disponível em: marxists.org/portugues/kollontai/ KOLLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. Disponível em: marxists.org/portugues/kollontai/ MACDONALD, George. Lilith. Londres: Chatto & Windus, 1895. PLASKOW, Judith. The coming of Lilith: essays on feminism, Judaism, and sexual ethics, 1972–2003. Boston: Beacon Press, 2005. ROSSETTI, Dante Gabriel. "Lilith" [também publicado como "Body's Beauty" e "Lady Lilith"]. In: Ballads and sonnets. Londres: Ellis and White, 1881. AGRADECIMENTOS ESPECIAIS Luis Otávio Ribeiro, Hemanuel Jhosé Alves Veras; Henrique Zoccoli Franco; J Felipe Oliveira Araujo; Jaqueline Valentina da Costa; Juliana Gomes Martins; Leticia Passos Affini; Raquel Ribeiro Albert; Sabrina Rodrigues

    #05 - Lilith | E a sua recusa
  2. Aug 27

    #04 - Sangue | Para o vampiro

    Em Narrativas, conduzimos uma expedição intelectual através dos arquétipos e mitologias que fundamentam nossa compreensão do mundo. Com uma abordagem que entrelaça literatura, filosofia, psicanálise e antropologia, cada episódio é uma imersão profunda nos símbolos que nos habitam - desde as narrativas clássicas até suas reverberações na cultura contemporânea. Este podcast é independente e feito com paixão. Sua contribuição no Catarse garante a continuidade do projeto e oferece recompensas exclusivas, como: Acesso a conteúdos extras e episódios antecipados.Participação em comunidades de debate (Discord).🔗 Junte-se a nós: ⁠catarse.me/flaviagasi⁠   CONECTE-SE 📩 ⁠narrativas@flaviagasi.com.br⁠ 📱 @flaviagasi (Instagram/Bsky)   EPISÓDIO #04: SANGUE | PARA O VAMPIRO Por que o vampiro, esse morto-vivo que bebe sangue, é a personificação perfeita de um sistema econômico? E como a criatura folclórica, que antes era um camponês faminto, se transformou em um aristocrata imobiliário na literatura vitoriana? Neste episódio, desvendamos a metamorfose do vampiro: do camponês sérvio que saía da cova para sugar a vitalidade do clã, ao Conde Drácula que compra propriedades em Londres e planeja sua expansão financeira: A mudança de classe do vampiro: do feudalismo da escassez ao capitalismo da acumulação.A leitura materialista de Karl Marx: o capital como "trabalho morto que vive apenas sugando trabalho vivo".A análise de Franco Moretti sobre Drácula como monopolista e capital estrangeiro.O sangue como "água espessa" — a materialidade da intimidade violada em Gaston Bachelard.A teriomorfia e o regime noturno da imagem em Gilbert Durand: o humano que se torna animal, o medo do devoramento.  Bibliografia do Episódio: BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos. São Paulo: Martins Fontes, 1989. [1942]. BACHELARD, Gaston. A terra e os devaneios da vontade. São Paulo: Martins Fontes, 1990. [1948]. BARBER, Paul. Vampires, Burial, and Death: Folklore and Reality. New Haven: Yale University Press, 1988. DURAND, Gilbert. Estruturas antropológicas do imaginário. São Paulo: Martins Fontes, 2002. MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013. MORETTI, Franco. Dialética do medo. In: Signos e Estilos da Modernidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. STOKER, Bram. Drácula. Tradução de Luiz Antonio Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. [1897]. FLÜCKINGER, Johannes. "Visum et Repertum" (1732), relatório sobre Peter Plogojowitz.    AGRADECIMENTOS ESPECIAIS  Hemanuel Jhosé Alves Veras; Henrique Zoccoli Franco; J Felipe Oliveira Araujo; Jaqueline Valentina da Costa; Juliana Gomes Martins; Leticia Passos Affini; Raquel Ribeiro Albert; Sabrina Rodrigues

    #04 - Sangue | Para o vampiro
  3. 11/25/2025

    #03 - Ouroboros | A serpente que morde o próprio rabo

    Em Narrativas, conduzimos uma expedição intelectual através dos arquétipos e mitologias que fundamentam nossa compreensão do mundo. Com uma abordagem que entrelaça literatura, filosofia, psicanálise e antropologia, cada episódio é uma imersão profunda nos símbolos que nos habitam - desde as narrativas clássicas até suas reverberações na cultura contemporânea. Flávia Gasi, sua narradora e guia nesta jornada, combina rigor acadêmico com uma narrativa envolvente, revelando como esses elementos imaginários continuam a moldar nossa psique coletiva, nossas criações artísticas e nossos dilemas existenciais. EPISÓDIO #3: "OUROBOROS: ENTRE A TRANSFORMAÇÃO E A PRISÃO DA ETERNIDADE" Por que a serpente que devora a própria cauda é, ao mesmo tempo, símbolo máximo da renovação e armadilha do eterno retorno? Neste episódio, desvendamos a jornada milenar desta imagem que desafia o tempo: A aparição do anel da Grande Serpente em A Roda do Tempo de Robert Jordan, e como ele nos introduz ao paradoxo do infinito.A transformação do Ouroboros de protetor da ordem material no Egito (Mehen) a operador de transmutação na Alquimia medieval.A crítica materialista de Gaston Bachelard à mordida como ato central: o veneno que vira fermento de vida.A oscilação da serpente entre o Regime Noturno (proteção, ciclo) e o Regime Diurno (autodestruição, sistema fechado) na teoria de Gilbert Durand.A leitura psicanalítica: da pulsão de morte em Freud ao gozo autoerótico em Lacan.A apropriação pelo capitalismo: como o Ouroboros se tornou o símbolo ideológico do ciclo infinito de exploração e fetichismo da mercadoria.A representação contemporânea em Dark: o tempo como jaula e a reificação da consciência neoliberal.Bibliografia do Episódio: JORDAN, R. A Roda do Tempo: O Olho do Mundo.BACHELARD, G. A Terra e os Devaneios do Repouso.DURAND, G. As Estruturas Antropológicas do Imaginário.FREUD, S. Além do Princípio do Prazer.LACAN, J. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise.MARX, K. O Capital, Livro I.LUKÁCS, G. História e Consciência de Classe.Tabula Smaragdina [Tábua de Esmeralda].Dark (Série, 2017-2020).Apoie o Narrativas!Este podcast é independente e feito com paixão. Sua contribuição no Catarse garante a continuidade do projeto e oferece recompensas exclusivas, como: Acesso a conteúdos extras e episódios antecipados.Participação em comunidades de debate (Discord).Encontros de escrita criativa e materiais exclusivos.🔗 Junte-se a nós: ⁠catarse.me/narrativasflaviagasi⁠ CONECTE-SE Participe da construção coletiva deste projeto:📩 ⁠narrativas@flaviagasi.com.br⁠📱 @flaviagasi (Instagram/Twitter) AGRADECIMENTOS ESPECIAIS  Hemanuel Jhosé Alves Veras; Henrique Zoccoli Franco; J Felipe Oliveira Araujo; Jaqueline Valentina da Costa; Juliana Gomes Martins; Leticia Passos Affini; Raquel Ribeiro Albert; Sabrina Rodrigues

    #03 - Ouroboros | A serpente que morde o próprio rabo
  4. 09/23/2025

    #02 - Corvos | Os mensageiros do nunca mais

    Em Narrativas, conduzimos uma expedição intelectual através dos arquétipos e mitologias que fundamentam nossa compreensão do mundo. Com uma abordagem que entrelaça literatura, filosofia, psicanálise e antropologia, cada episódio é uma imersão profunda nos símbolos que nos habitam - desde as narrativas clássicas até suas reverberações na cultura contemporânea. Flávia Gasi, sua narradora e guia nesta jornada, combina rigor acadêmico com uma narrativa envolvente, revelando como esses elementos imaginários continuam a moldar nossa psique coletiva, nossas criações artísticas e nossos dilemas existenciais. EPISÓDIO #2: "CORVOS: ENTRE A SABEDORIA DIVINA E O PRESSÁGIO MORTAL" No Episódio #2: "Corvos: Os Mensageiros Ambíguos da Alma Humana" Por que o corvo é ao mesmo tempo sagrado e amaldiçoado, criador e destruidor? Neste episódio, mergulhamos na jornada milenar desta ave enigmática: A cena icônica de O Corvo de Edgar Allan Poe — e como ela sintetiza o desespero romântico e a sombra da mente moderna.A transformação do corvo de mensageiro dos deuses nórdicos (Odin) e trickster criador indígena para símbolo do diabo na Idade Média.Leituras de Marvin Harris e Michel Pastoureau sobre como interesses materiais e manipulação simbólica distorceram sua imagem.A psicologização do mito em Tzvetan Todorov e a internalização do monstro em Poe.A visão de Charles Baudelaire sobre o corvo como alegoria da consciência humana presa no tempo.Bibliografia do Episódio: POE, E.A. O Corvo e Outros Poemas. Tradução de Fernando Pessoa. Penguin Classics, 2018. HARRIS, M. Vacas, Porcos, Guerras e Bruxas. Civilização Brasileira, 2014. PASTOUREAU, M. Uma História Simbólica do Ocidente Medieval. Teorema, 2006. HUTTON, R. The Triumph of the Moon. Oxford University Press, 1999. TODOROV, T. Introdução à Literatura Fantástica. Perspectiva, 2015. BAUDELAIRE, C. As Flores do Mal. Nova Fronteira, 2015. OVÍDIO. Metamorfoses. Cotovia, 2007. SHAKESPEARE, W. Macbeth. Simon & Schuster, 1992. Apoie o Narrativas!Este podcast é independente e feito com paixão. Sua contribuição no Catarse garante a continuidade do projeto e oferece recompensas exclusivas, como: Acesso a conteúdos extras e episódios antecipados.Participação em comunidades de debate (Discord).Encontros de escrita criativa e materiais exclusivos.🔗 Junte-se a nós: ⁠catarse.me/narrativasflaviagasi⁠ CONECTE-SE Participe da construção coletiva deste projeto:📩 ⁠narrativas@flaviagasi.com.br⁠📱 @flaviagasi (Instagram/Twitter) AGRADECIMENTOS ESPECIAIS  Hemanuel Jhosé Alves Veras; Henrique Zoccoli Franco; J Felipe Oliveira Araujo; Jaqueline Valentina da Costa; Juliana Gomes Martins; Leticia Passos Affini; Raquel Ribeiro Albert; Sabrina Rodrigues

  5. 07/15/2025

    #01 - Sirenas | Metamorfoses através dos séculos

    Em Narrativas, conduzimos uma expedição intelectual através dos arquétipos e mitologias que fundamentam nossa compreensão do mundo. Com uma abordagem que entrelaça literatura, filosofia, psicanálise e antropologia, cada episódio é uma imersão profunda nos símbolos que nos habitam - desde as narrativas clássicas até suas reverberações na cultura contemporânea. Flávia Gasi, sua narradora e guia nesta jornada, combina rigor acadêmico com uma narrativa envolvente, revelando como esses elementos imaginários continuam a moldar nossa psique coletiva, nossas criações artísticas e nossos dilemas existenciais. EPISÓDIO DE ESTREIA: "SEREIAS - A METAMORFOSE DE UM MITO ATRAVÉS DOS SÉCULOS" No Episódio #1: "Sereias: Entre o Canto e a Perdição"Por que o canto das sereias ecoa há milênios como metáfora de desejo e perigo? Neste episódio, exploramos: A cena icônica da Odisseia onde Ulisses resiste às sereias — e o que ela revela sobre controle e liberdade.A transformação das sereias de aves para peixes na Idade Média, e como a Igreja as tornou símbolos de pecado.Leituras de Freud, Adorno e Horkheimer sobre o mito como luta entre natureza e civilização.A conexão entre águas, morte e feminino em Gaston Bachelard. Bibliografia do Episódio: HOMERO. Odisseia. Ubu Editora, 2018.BRANDÃO, J.S. Dicionário Mítico-Etimológico. Vozes, 1992.FREUD, S. O Mal-Estar na Civilização. Companhia das Letras, 2010.ADORNO & HORKHEIMER. Dialética do Esclarecimento. Zahar, 1986.BACHELARD, G. A Água e os Sonhos. Martins Fontes, 1989. Apoie o Narrativas!Este podcast é independente e feito com paixão. Sua contribuição no Catarse garante a continuidade do projeto e oferece recompensas exclusivas, como: Acesso a conteúdos extras e episódios antecipados.Participação em comunidades de debate (Discord).Encontros de escrita criativa e materiais exclusivos.🔗 Junte-se a nós: ⁠catarse.me/narrativasflaviagasi⁠ CONECTE-SE Participe da construção coletiva deste projeto:📩 ⁠narrativas@flaviagasi.com.br⁠📱 @flaviagasi (Instagram/Twitter) AGRADECIMENTOS ESPECIAIS Juliana Gomes Martins Sabrina Rodrigues Ana Carvalho

    #01 - Sirenas | Metamorfoses através dos séculos

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Bem-vindos ao Narrativas, o podcast onde mergulhamos nos símbolos, mitos e figuras que moldam nossa cultura. Com a apresentação da Flávia Gasi (oiê, eu mesma, doutora em narrativa e games), cada episódio é uma jornada através do tempo, desvendando como essas imagens surgiram, o que significaram no passado e como se transformaram até os dias de hoje.Apoie: https://www.catarse.me/flaviagasi

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