Angola 50 anos de independência

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Nos 50 anos da independência de Angola, a RFI propõe-lhe uma viagem até ao terreno ao contacto dos angolanos para fazer o diagnóstico do país, um olhar sobre o passado e o presente e os anseios em relação ao futuro.

Episodes

  1. 11/12/2025

    Angola, 50 anos depois: o legado e o futuro

    Cinquenta anos após a independência, Angola debate o significado da liberdade. O filósofo Domingos da Cruz lembra que o país conquistou a terra, mas não os direitos prometidos. Em 2015, o caso 15+2 expôs o autoritarismo e os limites da democracia. A memória oficial, diz o investigador Vasco Martins, silencia vozes e heróis esquecidos. Em Cabinda, Raúl Tati fala em “nova colonização”. Meio século depois, Angola vive entre orgulho e desencanto, resistência e esperança. Em Novembro de 1975, Angola tornou-se livre. Meio século depois, o país olha para trás e confronta duas verdades que coexistem: a libertação de um território e a persistência de um défice profundo de direitos. Entre avanços económicos intermitentes e desigualdade estrutural, a pergunta “o que significa ser livre?” continua a ecoar nas ruas, nas canções e nas vozes de quem nunca desistiu de reivindicar o seu sentido. O filósofo e activista Domingos da Cruz, um dos 15+2 detidos em 2015 por defenderem a mudança pacífica e a liberdade de expressão, faz um balanço severo do percurso pós-colonial. Reconhece que a independência cumpriu o essencial no plano territorial, mas falhou no plano dos direitos. “A ideia dos angolanos terem a posse do território no sentido físico”, recorda. “Um dos pais da independência, Holden Roberto, o seu movimento FNLA tinha como lema liberdade e terra. Isso efetivamente concretizou-se. Nesse sentido, quando combinamos esse espaço, esta terra, a presença de um povo e as instituições que funcionam como elas, como é óbvio, são demasiado conhecidas as disfuncionalidades institucionais de Angola. Não basta a existência e o controlo de um território no qual habita um povo e instituições disfuncionais, é necessário que esse povo desfrute os direitos fundamentais básicos sobre os quais faziam referência durante o período da luta anticolonial. Esses sim, esses direitos, infelizmente, não se concretizaram.” O caso dos 15+2 ficou, para muitos, como o retrato dos limites da liberdade em Angola. Para Domingos da Cruz, a prisão foi o momento em que a ilusão caiu: “Acho que o momento em que nós fomos presos, o caso em si, para mim representava uma espécie de ponto de não retorno. Mas, ao mesmo tempo também se pode concluir que a luta pela liberdade, a luta contra a ditadura que nos permitirá transitar para a democracia dependerá exclusiva e efetivamente do povo angolano. Ou seja, é a luta interna que vai determinar a nossa libertação.” Mesmo no exílio, o autor mantém esperança, ainda que uma esperança sem chão sob os pés. “Hoje não se pode falar efectivamente em liberdade. Podemos falar em resistência, não é? Aqueles que se posicionam contra a forma como as coisas vão seriam os resistentes, mas não estariam a viver a condição de liberdade no sentido físico. Embora possamos falar de uma liberdade interior. Há um futuro que é muito baseado na ideia puramente humana, no sentido de não podermos perder esperança. Mas é preciso darmos vazão à esperança infundada. Essa é uma esperança infundada que eu me refiro, sem qualquer base a partir da qual podemos nos agarrar, que não seja só mesmo uma natureza humana.” A disputa sobre a liberdade também se trava no terreno da memória. O investigador Vasco Martins tem estudado a arquitectura simbólica do país: heróis, mitos e silêncios, e como ela moldou a identidade oficial. “As lógicas do heroísmo, da moralidade e da virtude, portanto, dos valores essenciais para aquilo que era o novo país que o MPLA foi construindo, vão-se criando heróis, ou seja, personagens modelo, homens e mulheres (muito mais homens que mulheres) que se pautavam por estas características todas.” Mas fora dos grandes memoriais erguidos pelo Estado, corre uma memória popular, fragmentada e, cada vez mais, digital. Vasco Martins descreve o desfasamento entre o monumento e a cidade que o rodeia: “O memorial António Agostinho Neto é em larga medida visitado por crianças de escola com visitas organizadas e por turistas. E o trabalho que nós fizemos sobre o memorial mostrou dois elementos complicados para a possibilidade de disseminar uma memória com a qual os angolanos se identifiquem. Um deles é que, na esmagadora maioria das entrevistas que há, a única pessoa que aparece é Agostinho Neto. Portanto, a ideia que passa é que foi Agostinho Neto, sozinho, que combateu, trabalhou, negociou e trouxe a independência a Angola. Isso não só silencia a FNLA e a UNITA, mas também quadros importantíssimos do próprio MPLA.” O investigador acrescenta que o memorial é ainda marcado por um “aparato policial muito grande nas portas daquele espaço, sobretudo com a guarda do Presidente da República, militares armados, etc.”. Além disso, situa-se “num sítio muito pouco acessível, onde os angolanos realmente não passam”, e impõe “um código estético de vestuário que os angolanos não têm. A maioria anda de chinelos, por exemplo, e a ideia é que só se pode entrar com sapatos e calças”. Estas contradições, diz, revelam “as dimensões trágico-cómicas da sociedade angolana”, reproduzindo nos espaços memoriais as mesmas exclusões que marcam o país. Assim, “a população não vai sabendo, não vai aprendendo estas questões e vai partindo para outras coisas. E é aí que também Jonas Savimbi surge, porque Jonas Savimbi não surge num memorial fechado, surge no smartphone, num discurso. Os discursos do Savimbi são usados como toques de telefone. É uma coisa muito mais popular do que necessariamente aquela memorialização de modelo mais europeísta”. Quando se escutam as margens, a narrativa muda de tom. “E a história que emerge é uma história bonita porque é uma história que não reflecte de todo estas divisões que nós estamos aqui a falar”, explica. “Reflecte, em larga medida, histórias muito comuns: a ideia da emancipação, do desenvolvimento, da independência, de serem angolanos e de quererem uma Angola melhor. Portanto, é uma história muito mais bonita do que aquela que se vai contando.” Também em Cabinda, enclave separado do resto do território, a memória da independência tem outra gramática. O teólogo, deputado e académico Raúl Tati recorda a véspera da liberdade sob o som dos canhões: “Eu estava exactamente debaixo do fogo. Tínhamos abandonado a cidade de Cabinda porque havia já aqui batalhas entre as forças da FLEC e as forças do MPLA apoiadas por cubanos. Pela primeira vez na minha vida ouvia o truar de canhões e de armamento pesado. A questão do 11 de novembro passou de forma impercetível para nós, estávamos debaixo da guerra aqui em Cabinda.” Angola está a celebrar a sua independência e Cabinda está a registar 50 anos da sua opressão Cinquenta anos volvidos, Raúl Tati sustenta que o enclave ficou fora do pacto fundador e que esse afastamento ainda pesa. “Cabinda esteve à margem. Cabinda não foi representada, aliás, e não quiseram que isso acontecesse. Cinquenta anos depois, Angola está a celebrar a sua independência e Cabinda está a registar mais um marco: 50 anos da sua opressão, da sua nova colonização pelo MPLA e de um conflito armado que ainda está aí, sem solução à vista e completamente esquecido pela comunidade internacional e até mesmo por Portugal.” O desencanto, nota o académico, generalizou-se no país: “Eu creio que a maior parte dos angolanos hoje olha para a independência com algum desencanto. Muito mais se podia ter feito para o bem-estar dos angolanos. Infelizmente, passados 50 anos, cerca de 15 milhões de angolanos estão no limiar da pobreza. São milhões que passam fome neste momento, milhares e milhares de desempregados. Muitas crianças morrem antes de atingir os cinco anos, dizem que uma em cada quatro morre antes dessa idade.” E, na política, a normalidade pluralista continua por cumprir, “mesmo depois da instauração formal do regime de democracia multipartidária, ainda há muito por se fazer. Ainda temos perseguições políticas em Angola. Neste momento, vários cidadãos angolanos passam o 11 de novembro 50 anos de independência nas cadeias, por serem presos por delito de opinião. Os heróis de ontem são os vilões de hoje. Os perseguidos de ontem pelo poder colonial são os perseguidores de hoje. As vítimas de ontem são hoje os protagonistas da opressão do seu próprio povo.” Da emoção de quem cantou a liberdade ao fogo cruzado de Cabinda, das celas de Luanda ao confronto de memórias em disputa, Angola chega aos 50 anos com um balanço ambivalente: libertação e continuidade, orgulho e desilusão, resistência e medo. A liberdade, em 2025, talvez seja isto: continuar de pé, mesmo cansado; não calar o que dói, nem esquecer o que abriu caminho; insistir, contribuir, lembrar, questionar, mesmo quando parece que nada muda. Porque talvez a liberdade more nessa voz que resiste, nas canções que regressam e no murmúrio teimoso das ruas onde o país ainda procura reconhecer-se a si próprio. Nota da Redacção: a cobertura dos 50 anos da independência de Angola foi realizada exclusivamente à distância, dado que as autoridades de Luanda não validaram atempadamente o pedido de visto submetido pela RFI. Todos os episódios sobre os 50 anos da independência de Angola no site da RFI

    11 min
  2. 11/11/2025

    Mulheres e juventude: os herdeiros da independência

    Angola celebra 50 anos de independência entre memórias de luta e desilusões. Bonga recorda a emoção de 1975, mas lamenta “não termos motivo para comemorar”. Mulheres como Henriqueta Pedro e activistas como Sizaltina Cutaia e Laura Macedo expõem desigualdades e silêncios. Meio século depois, Angola continua a procurar a liberdade plena que o sonho da independência prometeu. Angola assinala esta terça-feira meio século de independência, cinquenta anos de uma história marcada por lutas, esperanças e reinvenções. Mas, para muitos angolanos que herdaram o sonho de 1975, a realidade de hoje nem sempre corresponde à promessa da liberdade. Poucos nomes traduzem tão bem essa travessia como Bonga, voz incontornável da identidade nacional e testemunha de todos os tempos da pátria. O músico recorda que, no dia da independência, se encontrava em Paris, “com o meu grupo, porque já havia começado uma faceta muitíssimo importante que depois ficou por uma data de anos, continua”, e confessa que recebeu a notícia “com a lágrima no canto do olho, muita emoção, abraços fraternos”, mas também com inquietação: “sobretudo o pensamento de qual seria o futuro da nossa terra, da nossa gente”. Meio século depois, o balanço é amargo. “Esse futuro foi aquilo que a gente menos esperou e menos cria. É uma turbulência tremenda. Sofremos bastante e continuamos a sofrer. Não temos motivo para comemorar”, lamenta. A turbulência a que Bonga se refere é a de uma guerra civil que mergulhou o país em décadas de violência, destruição e desigualdade. Entre os herdeiros dessa história, persistem as feridas e as contradições. As mulheres, por exemplo, foram o pilar silencioso da luta de libertação: alimentaram as tropas, sustentaram as famílias e muitas empunharam armas. Henriqueta Pedro, que integrou a luta clandestina em 1964, primeiro na UPA e depois na FNLA, recorda que “aquilo era uma luta clandestina que cada qual fazia o seu trabalho no local onde se encontravas. Apenas nós começamos a nos cruzar a partir de 1974, mas antes disso nós não podíamos nos cruzar. E o chefe do grupo dizia mesmo: vocês não podem se encontrar, porque depois um é agarrado pela PIDE e descobre os outros”. Com a chegada da independência, a esperança rapidamente deu lugar à confusão. “Antes de 75 aqui foi um artilho”, diz Henriqueta Pedro. “Nós não esperávamos nem contávamos com aquilo. A FNLA foi o primeiro partido que começou no governo de transição, mas depois que chegou aquilo foi uma confusão terrível. Começamos a sentir forças estranhas no país, principalmente entre os cubanos. A juventude na altura quase que não entendia nada. Era o grupo dos Muquaxos, matavam os seus próprios irmãos, torturavam os portugueses aonde quer que estivessem. Foi um momento muito difícil, muita matança, muita morte inocente, sem necessidade.” A antiga combatente lamenta que “o governo de transição que tinha previsto que cada um governasse a sua parte até chegar às eleições, e depois das eleições viria aquele que ganhasse. Infelizmente as eleições foram interrompidas. Angola não lhe foi dada a independência, porque aquilo foi uma guerra. Deixaram Angola para ir assinar os Acordos de Alvor, que definiam o 11 de Novembro como a data da independência. Esperaram 11 de Novembro e cada qual proclamou no sítio onde estava”. Hoje, Henriqueta Pedro decreve um país marcado pela corrupção e pelo nepotismo. Meio século depois, as suas palavras encontram eco nas gerações mais jovens, que tentam construir um novo sentido para a liberdade. A activista social Laura Macedo explica não ser uma activista política, mas sim uma activista social: "Não tenho é a culpa que a política seja a vida, que a política esteja a interferir com a vida dos cidadãos. E quando digo política, estou a falar em política partidária. A política partidária interfere na vida dos cidadãos e manieta-os a todos os níveis.” Na reconstrução da memória colectiva, o investigador português Vasco Martins observa que “na construção da memória oficial, os heróis são muito mais homens que mulheres”. A activista Sizaltina Cutaia concorda e acrescenta que “quando se conta a história da independência, conta-se uma luta de libertação protagonizada por homens. É uma nação que foi parida, entre aspas, por homens, não reconhecendo o lugar de protagonistas que as mulheres tiveram. Muitas vezes referem-se às mulheres como as que contribuíram, as que ajudaram, mas não se pensa nelas como protagonistas desta luta. Há um silenciamento muito grande em relação à contribuição das mulheres que participaram na luta ao lado da FNLA, por exemplo.” Esse silenciamento estende-se à vida contemporânea, onde a desigualdade de género permanece entranhada. Laura Macedo sublinha que “nas famílias de renda mais baixa, os pais continuam a optar por dar mais formação aos filhos, quando não têm possibilidades de pôr todos na escola. As mulheres são sempre as preteridas, porque acham que as mulheres vão casar e o marido terá o dever de as manter, de as sujeitar”. Recorda ainda que “há tempos o Presidente da República empossou uma senhora num cargo e teve o cuidado de dizer, de forma sensível: ‘estou a pôr mulheres no governo, mais uma, e se se portarem bem outras entrarão’.” Para a activista Sizaltina Cutaia, o desafio é diário: “As mulheres zungueiras, que todos os dias resistem à violência pública, à invisibilidade e à exclusão, são mulheres que merecem ser respeitadas e admiradas.” Angola é hoje um país jovem, onde a maioria da população nasceu depois da guerra. O secretário-geral da UNITA, Álvaro Chikwamanga Daniel, sublinha que “o valor simbólico do 11 de Novembro é que os angolanos passaram a ser eles próprios a definir o destino do seu povo”. Mas, para o economista Francisco Paulo, essa liberdade política não se traduziu em liberdade económica. “A população como um todo continua a não ter emprego digno”, afirma. “Se todos tivessem igualdade de oportunidades, se houvesse maior liberdade económica, o país não estaria nesta situação em que, dos 12 milhões de pessoas empregadas em Angola, 10 milhões estão no mercado informal.” Sizaltina Cutaia acredita que as aspirações da juventude passam por “viver num país onde se possam realizar, garantir as suas necessidades sociais e pessoais, sem necessariamente ter de se afiliar a um partido político. Em Angola parece que é muito mais fácil existir como militante de um partido do que como cidadão livre.” Para o filósofo e activista Domingos da Cruz, “hoje não se pode falar efectivamente em liberdade. Podemos falar em resistência. A luta pela democracia dependerá exclusiva e efectivamente do povo angolano. É a luta interna que vai determinar a libertação. O resto virá por acréscimo.” A geração que conheceu a guerra pede aos mais novos que saibam preservar a paz. Álvaro Chikwamanga Daniel deixa um aviso: “A minha mensagem para os jovens que não conheceram a guerra e que nasceram no momento da paz é que saibam preservá-la, saibam defender a paz, saibam desenvolver a concórdia entre cidadãos, porque viver em paz é muito melhor do que em conflito.” Bonga, que cantou a independência e hoje questiona o seu legado, apela à consciência cívica de cada um: “Todos os dias devíamos fazer um pouco de reflexão, mas contribuir com alguma coisa, com um telefonema, um simples telefonema, é um contributo. Uma canção de intervenção é um contributo, um ralhete a alguém que esteja a proceder mal é um contributo. Qualquer contributo que for possível, façam, porque nesta hora do campeonato é fundamental. Senão vamos ficar eternamente naquele do mal, continuar sempre mal e fazer mal e depois não vamos a lugar nenhum.” Cinquenta anos depois, os herdeiros da independência não questionam o marco de 1975, mas lutam pela concretização da liberdade que lhes foi prometida. Entre a memória dos combatentes e o inconformismo dos jovens, Angola continua a procurar a sua verdadeira independência, aquela que se mede em justiça social, dignidade e oportunidades. A resiliência das mulheres, a energia da juventude e a voz dos artistas mantêm vivo o sonho de uma Angola progressista, com comida, escola e liberdade. E, tal como o Semba que acompanha a sua história, a liberdade é um ritmo que precisa de ser constantemente tocado e dançado por todos. Nota da Redacção: a cobertura dos 50 anos da independência de Angola foi realizada exclusivamente à distância, dado que as autoridades de Luanda não validaram atempadamente o pedido de visto submetido pela RFI. Todos os episódios sobre os 50 anos da independência de Angola no site da RFI

    14 min
  3. 11/10/2025

    Meio Século de Independência de Angola: as cicatrizes da guerra

    Cinquenta anos depois da sua independência, Angola continua marcada pelas feridas da guerra civil e pelas promessas não cumpridas da liberdade. Entre memórias de dor, medo e esperança, antigos combatentes, pensadores e activistas reflectem sobre um país dividido entre a riqueza do petróleo e a pobreza do povo, onde a reconciliação e o sentido de pátria permanecem os grandes desafios da nação. Angola celebra esta terça-feira o quinquagésimo aniversário da sua independência. No entanto, a data de 11 de Novembro de 1975 continua a ser inseparável das memórias dolorosas da guerra civil que se lhe seguiu. Foram 27 anos de combates, de desilusões e de cicatrizes ainda visíveis numa nação que, meio século depois, continua a interrogar-se sobre as suas origens e sobre a sua memória colectiva. A esperança que floresceu com o fim do domínio colonial dissipou-se rapidamente. A fragilidade da transição e as antigas divisões étnico-regionais mergulharam o país numa turbulência profunda. O antigo primeiro-ministro Marcolino Moco é peremptório ao identificar as raízes desse conflito: “Aí que nos enganamos. O sonho [do MPLA, UNITA e FNLA] não era o mesmo. Os sonhos eram mais ou menos étnico-regionais.” O dirigente recorda que “a FNLA nasceu como União das Populações do Norte de Angola, representando sobretudo os Bakongo”, enquanto “o MPLA, embora invocasse Angola inteira, partiu também de uma base parcial, ligada ao povo ambundo”. Já a UNITA, acrescenta, “teve o seu próprio sonho parcial”. Esta fragmentação dos movimentos de libertação, associada ao Acordo de Alvor, “totalmente desajustado e irrealista”, precipitou o país no abismo. O coronel português João Andrade da Silva, testemunha do processo de descolonização, reconhece responsabilidades externas. “Somos responsáveis também por haver guerra civil”, admite, evocando as “alianças inaceitáveis” feitas entre oficiais portugueses e forças locais antes da independência, que acabaram por alimentar divisões e violências que se seguiram. O 11 de Novembro de 1975, data da proclamação da independência, amanheceu sob o som das bombas e dos canhões. O dia que deveria ser de júbilo transformou-se em pânico e medo. Henriqueta Pedro, antiga combatente da FNLA, relembra “a confusão terrível” causada pela entrada das forças cubanas e pelos massacres que se seguiram. “A Angola que nós lutamos não é esta Angola que estamos a viver”, lamenta. “Crianças a comer nos contentores, pessoas que desaparecem do dia para a noite... Não sei se valeu a pena.” A guerra e a repressão deixaram marcas profundas. O cantor Bonga descreve o 27 de Maio de 1977 como “o inferno na Terra”. “As pessoas foram amedrontadas”, afirma. “Nem sabemos quantas foram as vítimas... Ficámos enlutados. É difícil falar nós entre nós, porque há medo da ingerência abusiva nos nossos lares.” A sua voz exprime a dor de uma geração marcada pelo medo e pela desconfiança. Também Álvaro Chikwamanga Daniel, actual secretário-geral da UNITA e combatente durante os últimos anos do conflito, guarda lembranças que ainda o assombram. “Lembranças tristes de ver companheiros a ficarem pelo caminho, casas queimadas, mulheres violadas, crianças perdidas em pleno combate.” São memórias que continuam a ecoar num país onde a reconciliação se mostra incompleta. Vinte anos depois do fim formal da guerra, Angola vive uma paz que muitos consideram incerta. O filósofo e activista Domingos da Cruz compara a estabilidade actual à Pax Romana: “Uma paz baseada na violência, uma paz injusta, a paz da espada.” Para o académico, “não houve avanço efectivo das liberdades” e “o movimento que tomou o poder é responsável pelo estado de coisas em Angola”. A reconciliação nacional, que deveria unir o país, permanece frágil. O dirigente da UNITA reconhece que “a reconciliação é ainda um processo que tem de ser continuado com muita coragem”. Apesar disso, mantém esperança: “Tem que haver coragem para enterrar o passado e olhar o futuro de maneira diferente, com vontade de ter o outro mais próximo do que longe.” O investigador português Vasco Martins vê a sociedade angolana presa a uma sobrevivência diária que impede uma reflexão profunda. “Os angolanos pensam a liberdade e a reconciliação com o estômago e não com a cabeça”, afirma. Enquanto persistirem “a pobreza extrema” e a desigualdade, a verdadeira reconciliação “não acontecerá necessariamente”. O medo continua a dominar o dia-a-dia, a activista Laura Macedo descreve um país onde “a censura interior se tornou norma” e onde “o poder político interfere directamente na justiça”. “O cidadão tem medo do regime”, diz, “mas o mais engraçado é que o medo do cidadão faz com que o cidadão às vezes tenha atitudes de revolta. Os governantes têm medo dos nossos medos.” A contradição entre riqueza e pobreza é uma ferida económica que se arrasta. O economista Francisco Paulo lembra que “96% das exportações dependem do petróleo e do gás, sectores que pouco emprego geram”, e que “mais de 80% da força de trabalho vive no mercado informal”. “Reconstruiu-se o país, sim”, admite, “mas a população continua sem emprego digno e sem conseguir satisfazer as suas necessidades básicas.” Entre memórias e desencantos, o coronel João Andrade da Silva sintetiza o desejo de muitos: que Angola e Moçambique alcancem finalmente “o desenvolvimento, a democracia e o respeito que lhes são devidos”. Já Henriqueta Pedro, voz de um passado combativo, deixa um apelo às novas gerações: “Sem sentido de pátria nós nunca teremos Angola. Para podermos dizer que esta é a Angola que nós lutamos, temos que ter sentido de pátria.” Meio século depois, Angola continua à procura da sua liberdade plena. Entre as ruínas da guerra e as promessas incumpridas da paz, o povo angolano espera pelo dia em que a força do seu território e a coragem se transformem, enfim, numa vida digna, justa e verdadeiramente livre. Nota da Redacção: A cobertura dos 50 anos da independência de Angola foi realizada exclusivamente à distância, dado que as autoridades de Luanda não validaram atempadamente o pedido de visto submetido pela RFI. Todos os episódios sobre os 50 anos da independência de Angola no site da RFI

    18 min
  4. 11/09/2025

    11 de Novembro de 1975: o nascimento de um país

    Na noite de 11 de Novembro de 1975, Agostinho Neto proclama em Luanda a independência de Angola, pondo fim a cinco séculos de domínio português. O país nasce dividido: FNLA e UNITA também declaram governos próprios. Marcolino Moco recorda “três independências”. Entre euforia e medo, começa a guerra civil. Cinquenta anos depois, activistas e antigos combatentes questionam se a promessa de uma verdadeira independência foi cumprida. Na noite de 11 de Novembro de 1975, Luanda vive um misto de euforia e incerteza. No Palácio do Povo, o médico e poeta Agostinho Neto, líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), ergue a voz perante uma multidão cansada, mas expectante. Depois de cinco séculos de dominação portuguesa e catorze anos de guerra colonial, proclama: Proclamamos solenemente a independência da República Popular de Angola. Do lado de fora, uma multidão de milhares de pessoas assiste, emocionada, à bandeira vermelha, preta e dourada subir lentamente no mastro. Soldados cubanos, diplomatas estrangeiros, mulheres e crianças olham com lágrimas nos olhos. Nas ruas, ouvem-se buzinas, batuques e gritos de “Viva Angola!”. Contudo, a mesma noite que em Luanda é celebrada como libertação, marca também o início de uma nova divisão. No norte, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), liderada por Holden Roberto, proclama o nascimento de uma república própria. No centro, nas cidades do Huambo e do Bié, Jonas Savimbi, à frente da UNITA, anuncia igualmente a independência. Angola nasce, mas em guerra consigo própria. “Foi uma revelação amarga, porque foram proclamadas três independências”, recorda Marcolino Moco, antigo primeiro-ministro e académico, que em 1975 tinha 22 anos e militava no MPLA. “Eu estava no Huambo, era do MPLA, e a UNITA proclamou lá a sua independência. O bilhete de identidade português deixou de ter valor e o bilhete de identidade passou a ser o cartão da UNITA. Como eu não tinha esse cartão, fiquei encurralado, fui logo preso.” Marcolino Moco recorda ter sido libertado “graças à influência do meu pai, uma grande autoridade tradicional”, mas pouco depois voltou a ser detido. “Levaram-me outra vez, já para me matarem mesmo. Só que essas coisas acontecem... culpam-se os líderes, mas são coisas que nascem espontaneamente.” O jovem militante viria a escapar à morte pouco antes da chegada das tropas cubanas ao Huambo. “Fui levado para a cadeia uns dias antes da libertação do Huambo pelas tropas do MPLA, apoiadas por Cuba. Eu era militante do MPLA no local errado”, conta, sublinhando a violência da época. Para Marcolino Moco, o país nasceu dividido desde o princípio. “Quando começou a guerra, Angola ficou dividida em três. O MPLA controlava Luanda com apoio de Cuba e da União Soviética; a FNLA e a UNITA tinham o Zaire, os Estados Unidos e a África do Sul do seu lado. Era a Guerra Fria a entrar em África.” O académico aponta também responsabilidades externas. “Os Estados Unidos foram renitentes em reconhecer a independência. O chamado mundo ocidental teve dificuldade em aceitar uma independência unilateral, não proclamada no âmbito de Alvor”, afirma. “Os Acordos de Alvor partiram da ideia utópica de que tudo se resolveria com eleições, sem perceber que aqueles três movimentos de libertação não eram partidos políticos. Eram estruturas étnico-regionais, sem um projecto nacional comum.” Do outro lado do Atlântico, o mundo observava: Em Havana, Fidel Castro garantia que “os soldados cubanos permanecerão em Angola enquanto for necessário para defender a liberdade do povo angolano”. Em Pretória, o regime do Apartheid reagia com inquietação, temendo o nascimento de um Estado aliado do Congresso Nacional Africano (ANC). Em Lisboa, o governo saído da Revolução dos Cravos cumpria os Acordos de Alvor, mas a retirada portuguesa foi apressada e desordenada. “A transição não se fez como devia”, observa Marcolino Moco. “As Nações Unidas, no artigo 73 da sua Carta, previam uma passagem gradual, que permitisse preparar as elites locais para governar. Mas a União Soviética forçou a aceleração, para multiplicar aliados nas Nações Unidas. O resultado foi que os países africanos ficaram independentes sem estar preparados, e Angola foi um dos exemplos mais trágicos disso.” A imprensa internacional descrevia o novo país com preocupação: O Le Monde titulava “Angola, nova República nascida em guerra”, enquanto The Guardian escrevia “Independência e conflito: Angola divide-se ao nascer”. Para muitos angolanos, a independência foi um dia de alegria contida. Álvaro Chicalanga Daniel, actual secretário da UNITA, tinha apenas sete anos na altura. “Lembro-me que era festa. Todo o mundo estava eufórico, e a perspectiva era de que teríamos um país melhor, um país onde nós, os angolanos, seríamos donos do nosso próprio destino.” Mas o sonho depressa se desfez e “à medida que fomos crescendo, verificámos o contrário. O país transformou-se num território de guerras, separações de famílias, luto e terror. Todas as expectativas criadas com a independência foram frustradas”, afirma. A sua própria infância foi marcada pela violência: “cresci longe dos meus pais durante 16 anos. Deixei de os ver aos oito e nunca mais os revi. Perdi o irmão que estava comigo neste conflito e, mais tarde, perdi doze irmãos. Quem viu as agruras da guerra está em melhores condições de dizer: guerra, nunca mais. Reconciliação, sim.” Nas ruas de Luanda, a noite da independência misturava júbilo e medo, “havia alegria, mas também o som distante da artilharia”, recordam testemunhas da época. Os aviões sul-africanos sobrevoavam o sul do país, enquanto colunas de blindados cubanos avançavam pela estrada de Catete. Cinquenta anos depois, a promessa de 1975 continua incompleta. Para a activista Sizaltina Cutaia, a independência foi “a ferramenta através da qual aqueles que lutaram queriam realizar a sua cidadania e a sua humanidade, que lhes tinham sido negadas”. No entanto, considera que o país não cumpriu essa promessa: “Nós, que nascemos já livres, achávamos que uma nação independente não deveria ter certas limitações. Com o potencial agrícola e os recursos naturais que Angola tem, é incompreensível que ainda dependamos da importação para alimentar o povo. Cinquenta anos depois, já não devíamos falar em soberania alimentar.” Para o investigador português Vasco Martins, a compreensão da noite de 11 de Novembro de 1975 exige reconhecer as suas duas faces: a da libertação e a da violência. “As promessas de 1975 foram promessas de emancipação e de fim da exploração colonial, e nesse sentido cumpriram-se e os angolanos passaram a decidir o seu próprio destino”, observa. “Mas é preciso lembrar que o 11 de Novembro não foi apenas festa. Foi também medo. O discurso de Agostinho Neto ouviu-se com o som das bombas ao fundo, enquanto Angola era invadida a norte pela FNLA e a sul pelas forças sul-africanas. Era um país que nascia em guerra", acrescenta. Meio século depois, o investigador da memória política angolana considera que essa ambiguidade continua a marcar a identidade nacional. “A independência foi o ponto de partida para uma nova forma de domínio interno e para a construção de uma memória oficial do poder”, afirma. “O MPLA transformou a narrativa da libertação e, mais tarde, da reconstrução, numa ‘segunda luta de libertação’. Essa leitura histórica, que associa o partido à própria sobrevivência do país, moldou a forma como Angola olha para o passado e entende o seu presente.” Entre a memória e a crítica, persiste a reflexão sobre o que significa ser independente. “A independência foi um acto político, mas partimos mal”, admite Marcolino Moco. “Foi uma independência unilateral, fonte de uma guerra de 27 anos. E, no fim da guerra, voltámos à ideia de eleições livres e justas, mas com protagonistas que nunca se entenderam. Hoje, temos um partido que se apresenta como único capaz de governar. Bloqueou todos os mecanismos de alternância. Quando se fala em alternância, falam em derrubar o MPLA, e não em exercer um direito natural num país democrático.” Nota da Redacção: A cobertura dos 50 anos da independência de Angola foi realizada exclusivamente à distância, dado que as autoridades de Luanda não validaram atempadamente o pedido de visto submetido pela RFI. Todos os episódios sobre os 50 anos da independência de Angola no site da RFI

    22 min
  5. 11/08/2025

    50 anos de Independência de Angola: o sonho da liberdade

    Na noite de 11 de Novembro de 1975, Angola tornou-se independente. Em Luanda, Agostinho Neto, poeta e médico, líder do MPLA, proclamava o nascimento de uma nova nação após quase cinco séculos de colonização portuguesa. Mas a conquista da liberdade, celebrada por uns, seria também o início de uma longa guerra e de um país dividido pelas visões distintas de independência. Durante quase 500 anos, Angola foi colónia portuguesa. O regime de Lisboa explorava o território em nome de uma suposta "missão civilizadora", enquanto o trabalho forçado, a segregação racial e a ausência de direitos cívicos marcavam o dia-a-dia da maioria africana. “Muito antes, os brancos não se cruzavam com os pretos. E mesmo que estivéssemos a estudar, os pretos eram sempre penalizados”, recorda Maria Henriqueta Pedro, antiga combatente da UPA, depois FNLA. “O que nos incentivou mesmo foi a perseguição da PIDE. Éramos crianças, mas víamos: fulano foi preso porque estava do lado da UPA. Sentíamo-nos oprimidos. Então, se eles lutavam para que fôssemos livres, decidimos participar nessa luta.” Nos anos 1950, as ideias de independência começaram a circular entre estudantes e trabalhadores, influenciadas pelo pan-africanismo e pelos ventos de descolonização que sopravam do Gana e do Congo. Em Fevereiro de 1961, o país foi abalado por revoltas e massacres que marcaram o início da guerra colonial. O então coronel português João Andrade da Silva, que combateu em Angola entre 1961 e 1962, lembra a doutrinação que precedia o embarque: “Nós aprendíamos que Angola, Moçambique e Guiné eram Portugal, como a minha Madeira. Íamos combater os chamados terroristas, que nos diziam que faziam mal à população e não representavam ninguém. Só mais tarde comecei a pensar que muita daquilo que chamavam incompetência militar era, afinal, resistência à guerra.” A 15 de Março de 1961, a UPA, liderada por Holden Roberto, atacou posições coloniais no Norte. O regime português respondeu enviando milhares de soldados. Nasciam então três movimentos de libertação — a FNLA, o MPLA e a UNITA — unidos no objectivo da independência, mas divergentes na visão do país que queriam construir. “Entrei na UPA em 1964. Fazíamos o trabalho de mobilização em segredo, de boca a boca. Havia a PIDE atrás de nós e, entre os membros, ninguém sabia quem era quem”, recorda Henriqueta Pedro. A guerra em Angola internacionalizou-se: o MPLA recebeu apoio da União Soviética e de Cuba, a FNLA dos Estados Unidos e do Zaire, e a UNITA da África do Sul. Angola tornou-se palco da Guerra Fria. Em Abril de 1974, em Portugal, a Revolução dos Cravos pôs fim à ditadura e precipitou a descolonização. “Os militares não estavam motivados. Nenhum queria continuar a guerra”, afirma o coronel Andrade da Silva. “Queríamos acabar com ela, mas o processo de descolonização ultrapassou-nos. Houve militares desarmados e humilhados. E o que aconteceu em Angola, com as lutas em Luanda, foi uma tragédia.” Em Janeiro de 1975, os três movimentos assinaram em Alvor, no Algarve, um acordo que previa um governo de transição e eleições gerais. Por um breve momento, pareceu possível uma Angola unida e democrática. “Tive oportunidade de integrar a comissão que recebeu a delegação da FNLA no aeroporto 4 de Fevereiro”, recorda Henriqueta Pedro. “Trabalhámos para o governo de transição e fiquei como coordenadora de um comité no Rangel, que já existia clandestinamente antes de ser oficial.” Mas o sonho desfez-se em meses. As tensões entre o MPLA, FNLA e UNITA explodiram em confrontos armados em Luanda. Cada força passou a controlar partes diferentes do território. “Em 1974 foi um horror”, lembra Henriqueta. Na noite de 10 para 11 de Novembro de 1975, cada movimento preparava a sua proclamação. O MPLA, em Luanda, viria a ser o primeiro. “Eu estava no Nzeto, antigo Ambrizete, na província do Zaire. No dia da independência, o administrador português desceu a bandeira de Portugal e o delegado da FNLA, André Paulo, ergueu a bandeira da FNLA. Tudo correu calmo, graças a Deus. Mas pouco depois chegaram os cubanos e a guerra começou”, relata Henriqueta. Agostinho Neto proclamou então a República Popular de Angola, com apoio de Cuba e da União Soviética. Poucos depois, o país mergulhava numa guerra civil que duraria 27 anos. Milhares de pessoas fugiram para o exílio. Henriqueta Pedro viveu dez anos na República do Zaire e regressou em 1985 a um país devastado. “Muitas vezes penso: será que valeu a pena? Porque hoje não somos independentes. Não temos liberdade de expressão. Lutámos por uma Angola que não é esta. A corrupção, o nepotismo… às vezes nem sabemos por que lutámos.” Ainda assim, mantém o ideal: “Sem sentido de pátria nunca teremos Angola. Temos de nos despir do nepotismo e vestir a pátria. Só assim poderemos dizer que valeu a pena.” Cinquenta anos após a independência, Angola continua a olhar para esse passado com emoção e feridas abertas. A luta pela liberdade deu origem a uma nação soberana, mas também a décadas de guerra e desigualdade. Nas vozes de antigos combatentes e soldados, persiste, contudo, a memória de um sonho comum: o de ser dono do próprio destino. “Uma pessoa livre é outra pessoa”, defende Henriqueta Pedro. Nota da Redacção: A cobertura dos 50 anos da independência de Angola foi realizada exclusivamente à distância, dado que as autoridades de Luanda não validaram atempadamente o pedido de visto submetido pela RFI. Todos os episódios sobre os 50 anos da independência de Angola no site da RFI

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Nos 50 anos da independência de Angola, a RFI propõe-lhe uma viagem até ao terreno ao contacto dos angolanos para fazer o diagnóstico do país, um olhar sobre o passado e o presente e os anseios em relação ao futuro.