Gear in Ear

Renato Rocha Miranda

Sonzeira explicando a Luz www.aobscura.com.br

  1. 1d ago

    O Zine é o cartão de visita que nenhum fotógrafo está usando

    Enquanto você trava há semanas escolhendo a cor do seu novo projeto editorial, decidindo se compra domínio .com ou .com.br, brigando com o Canva pra fazer um logo que “represente sua marca”, em Cozumel, no México, um pintor de rua abre um negócio novo em vinte e quatro horas. Não precisa de designer. Não precisa de servidor. Precisa de um balde de tinta, um pincel e algumas horas de sol. E o vermelho da Coca-Cola que ele reproduz à mão, sem projetor, sem pantone, bate certinho com o original. Essa cena — contada pelo Rafa Lopes, da newsletter Camera Clara, numa live recente aqui da Obscura — não é só uma curiosidade de viagem. É o ponto de partida pra falar de uma das ferramentas mais subestimadas do fotógrafo autoral: o zine. O bloqueio não é técnico, é psicológico A internet nos convenceu de que lançar qualquer coisa exige infraestrutura: domínio, identidade visual, redação de marca, calendário de postagem. E enquanto isso, ali na parede de um bar humilde, um “caos totalmente organizado” de cores — misturadas na hora, sem calibração de monitor — já está em produção, já está vendendo, já está comunicando. O zine ataca esse mesmo bloqueio. Ele não exige ISBN, não exige gráfica industrial, não exige tiragem mínima. Exige uma coisa só: um corpo de trabalho fechado em torno de um tema. E é exatamente essa restrição que o torna poderoso. O zine bota seu pé no chão Um dos pontos mais honestos da conversa: você acha que tem um ensaio fotográfico pronto, abre o Lightroom depois de cinco dias documentando um lugar e descobre que, na verdade, tem vinte fotos boas — não duzentas. O cartão de memória engana. O zine não. Ele te obriga a editar, cortar, e assumir que aquilo ali é o trabalho — não um rascunho eterno esperando “mais material”. E há uma diferença comercial e editorial enorme entre duas coisas que o fotógrafo iniciante costuma confundir: um portfólio — fotos boas, bem fotometradas, sobre temas aleatórios — e um corpo de trabalho — fotos sobre um tema único, sustentado, com começo, meio e fim. Ninguém compra o primeiro. Editoras, curadores e colecionadores compram o segundo, mesmo quando as fotos individuais são tecnicamente mais simples. A matemática real (e por que ela não é sobre lucro) V amos aos números, sem rodeio: * Impressão: entre US$ 2 e US$ 2,80 por exemplar em tiragem pequena (~30 unidades), o que dá um investimento total de cerca de US$ 100 * Venda sugerida: entre US$ 15 e US$ 30 por unidade * Ponto de equilíbrio: vender de 5 a 7 exemplares já cobre o custo total Mas o ponto central da conversa é este: você não vende zine pelo valor da mídia impressa — vende pelo valor do gesto. Ninguém compra um zine achando que está fazendo um investimento. Compra porque quer apoiar um trabalho em que acredita, e porque o zine dá a esse apoio uma forma física e uma desculpa social — sem ele, seu amigo fica sem graça de simplesmente te mandar dinheiro pelo Pix. Depois de recuperar o custo, o resto do lote vira moeda de outro tipo: presentear um curador, um galerista, um editor. Não é sobre faturar: é sobre abrir porta. O precedente tem 170 anos Se essa lógica soa nova, não é. Em 1854, o fotógrafo francês André Disdéri patenteou um formato de retrato pequeno, barato e reproduzível em série: o carte de visite. Custava uma fração do preço de um retrato tradicional, e as pessoas passaram a colecionar, trocar e distribuir esses cartões de si mesmas — e de celebridades — como hoje trocamos cartão profissional ou perfil de Instagram. O fenômeno ficou conhecido como cartomania, e foi, na prática, a primeira rede social fotográfica da história: um objeto barato, replicável, que virou moeda de status e networking. O zine é o carte de visite do fotógrafo documental do século XXI. Muda o suporte, não muda a função. A OBSCURA é a maior publicação independente de fotografia do Brasil e só conseguimos continuar nosso trabalho com a sua ajuda. Torne-se um membro OBSCURA PREMIUM agora mesmo e apoie nossa missão de trazer a você análises, artigos, notícias e muito mais, tudo com alta qualidade e regularmente. Onde deixar importa mais do que quantos você imprime Distribuir 30 zines em qualquer lugar é desperdício. Distribuir 10 no ICP (International Center of Photography) ou no Instituto Moreira Salles, e mais alguns numa galeria ou loja de marca fotográfica, é estratégia. A diferença entre os dois é a curadoria do lugar: você quer que o zine chegue à mão de quem tem sensibilidade pra reconhecer o gesto — não que vire panfleto descartado numa livraria de shopping. O zine como primeiro capítulo, não como produto final Talvez a ideia mais ambiciosa da conversa: cada zine pode ser um fascículo de uma série maior. Volume 1, volume 2, volume 3 — cada viagem, cada tema, vira um novo capítulo. Depois de alguns volumes, a série inteira vira um livro com ISBN, à venda na Amazon, com a arte de parede da capa do próprio zine fotografada como capa do livro — e um QR code na peça física redirecionando para o funil digital, que você pode mudar de destino sempre que quiser, sem reimprimir nada. O zine não é o fim do trabalho autoral. É a prova de que ele existe. Quer aprender a montar o seu? Na comunidade da Obscura vamos abrir esse processo passo a passo — da diagramação no Affinity ao arquivo de especificação da gráfica — nas próximas semanas. Obrigado a todos que assistiram à minha transmissão ao vivo! Junte-se a mim na minha próxima transmissão ao vivo pelo aplicativo. This is a public episode. 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  2. Jun 25

    A Nikon não quer seu dinheiro. Eu tenho o e-mail que prova isso.

    Mandei um e-mail para o CEO mundial da Nikon. Pedi, educadamente, para entender por que o Brasil — um país inteiro, não uma vila — não tem acesso nativo ao SnapBridge, o app que faz a função mais básica que existe: tirar a foto da câmera e colocar no celular. To: Mr. Yasuhiro OhmuraRepresentative Director, President, and CEO Nikon Corporation – Global HeadquartersShinagawa Intercity Tower C, 2-15-3, Konan, Minato-ku, Tokyo 108-6290, JapanSubject: Formal Complaint Regarding Software and Ecosystem Restrictions for Nikon Users in Brazil Dear Mr. Yasuhiro Ohmura,I am writing to you as a dedicated Nikon user based in Brazil to express my deep frustration regarding the recent corporate policies that restrict Brazilian photographers from accessing basic Nikon software and mobile ecosystems. While I understand that Nikon closed its local imaging division in Brazil years ago for restructuring purposes, the current reality has evolved into an unfair regional digital lockout. Recently, I discovered that I am unable to natively download the Nikon SnapBridge app on my iPhone, and software updates like Nikon NX Studio enforce regional login barriers that explicitly reject Brazilian users or fail to authenticate local accounts. Forcing professional and enthusiast customers to use technical workarounds—such as changing Apple ID regions or spoofing digital addresses—simply to transfer photos from a camera we bought to a smartphone is deeply disappointing. This policy severely harms the user experience and damages the reputation of a historic global brand.We choose Nikon because of its optical excellence and reliability. However, digital support should be universal, independent of regional commercial offices. I respectfully urge your new management team to review these regional digital restrictions and restore native app availability and software authentication for the Brazilian photographic community. Thank you for your time and attention to this matter. I look forward to seeing Nikon continue to “unlock the future with the power of light” without leaving its South American loyal users in the dark. Sincerely, Renato Rocha Miranda A resposta não veio do CEO. Veio de uma Stephanie, do suporte, e cabe numa frase: a Nikon saiu do Brasil em 2018, não tem vínculo nenhum aqui, e “não temos informações sobre a disponibilidade futura” do app. Lê de novo essa frase. Uma marca que vendeu pra você um corpo de R$ 20 mil e uma lente de R$ 8 mil não sabe — e não quer saber — quando o aplicativo gratuito, que não custa um centavo de infraestrutura nova, vai funcionar pra quem fotografa aqui. Não é desleixo. É política, e é burra, bem burra. O funil que a Nikon está furando com a própria faca Obrigado por entrar em contato com a Nikon. Como parte de sua reestruturação global, a Nikon viu a necessidade de encerrar todas as suas operações no Brasil em 2018. Não existem mais vínculos de qualquer natureza da Nikon no Brasil. Essa reestruturação está sendo realizada em diferentes áreas e mercados, com o objetivo de fortalecer as bases globais da empresa para um crescimento sustentável a médio e longo prazo. O Snapbridge não conta mais com suporte no Brasil. Não temos informações sobre a disponibilidade futura do Snapbridge. Peço desculpas pelo inconveniente. Caso tenha outras dúvidas ou questões, por favor, responda diretamente a este e-mail. Atenciosamente, Stephanie C Reparem na lógica peculiar: ao mesmo tempo em que diz que não tem fôlego pra manter um app funcionando no Brasil, a Nikon está, do outro lado do mundo, processando a Viltrox na China por violação de patente no protocolo do Z-mount. O efeito colateral já apareceu: a Sirui parou de vender lentes autofoco para Z-mount na China, e a Meike retirou seus produtos das lojas dias depois do processo começar. Pensa no que isso significa pra quem está pensando em migrar de DSLR pra Z. A lente de terceiro barata não é concorrência — é a porta de entrada. É o aluno que aprende a usar um 85mm com uma Viltrox de R$ 2 mil e, dali a dois anos, quer a versão “de verdade” da casa. Tirar essa porta não protege o ecossistema Z. Encolhe ele. A própria Nikon, em nota oficial, disse que incentiva o uso de lentes de terceiros licenciadas pela marca — só que na prática está processando justamente quem não tem esse licenciamento, e o resultado já está sendo sentido nas prateleiras. Você irá gostar desse texto aqui: Resumindo a tese: a Nikon trava a porta de entrada barata (lentes) e desliga o aplicativo de saída fácil (app) — as duas pontas que mais geram desejo represado por equipamento de verdade. Não é proteção de patente. É autossabotagem. Você precisa investir em lentes, câmeras, flashes, laptops, HDS, nuvens, cabos, mas uma empresa centenária, que vende mundialmente, chama de reestruturação o bloqueio do seu acesso a alguns aplicativos da marca. O custo Brasiul tende ser a resposta óbvia para o problema, mas Canon, Sony, Fuji e Panasonic operam normalmente sob as mesmas condições. A Nikon, por decisão própria, se transformou na melhor embaixadora das outras fabricantes. Eu mostro o tamanho do estrago, que muitos fotógrafos não entenderam ainda, aqui: A recomendação da Obscura: Evite a migração para o sistema Z. Pra quem ainda está em DSLR pensando se migra pra Nikon Z: Não migre agora. Não pelo equipamento — as câmeras são ótimas, ninguém questiona isso. Migre quando a marca decidir que o Brasil é um mercado, e não um anexo esquecido em um e-mail de suporte. Pra quem já migrou e já comprou o sistema: aqui vai o nosso manual de sobrevivência involuntário, porque a essa altura você já paga R$ 20 mil por uma câmera que te obriga a fingir que mora em outro país pra usar o app gratuito dela. Manual de sobrevivência do fotógrafo Nikon no Brasil 1. Trocar a região da sua Apple ID Em Ajustes > [seu nome] > Mídia e Compras > Ver Conta, troque o país/região pra Estados Unidos (ou outro onde o SnapBridge funcione nativamente). Você vai precisar de um endereço de cobrança válido daquele país — sim, vai ter que inventar ou usar um de algum amigo lá fora — e zerar o saldo da sua conta brasileira antes de trocar. Depois disso, app some da loja, dado de uso fica “lá”, e você reza pra próxima atualização não te jogar de volta pro limbo. 2. Baixar o APK genérico (Android) Em vez da Google Play, ir direto pro arquivo .apk do SnapBridge em repositórios como Aptoide ou APKMirror, instalando manualmente e autorizando “fontes desconhecidas” no celular. Ou seja: pra usar o produto que você comprou caro de uma marca centenária, seu Android pede a mesma permissão que pede pra instalar um app pirateado. 3. Perder a integração com o Nikon Image Space Sem login regional, sem backup automático na nuvem da própria Nikon. A solução? Backup manual, no Google Fotos ou iCloud — ou seja, você paga pela nuvem da Nikon e usa a nuvem de outra empresa. 4. Repetir o processo a cada atualização de iOS Toda vez que a Apple muda alguma regra de loja regional, o malabarismo do item 1 pode quebrar. Aí você refaz tudo. De novo. Cada item dessa lista é uma função que já vinha incluída no preço do equipamento que você comprou. Não é tutorial. É inventário do absurdo. A Nikon não precisa abrir escritório no Brasil, não precisa loja física, não precisa assistência técnica em cada capital. Precisa, só, deixar os aplicativos gratuitos funcionarem pra quem já é cliente dela. Isso não consome verba de reestruturação nenhuma — consome vontade. E aparentemente é isso que está faltando. Você já passou por algum desses malabarismos com a Nikon, ou viveu algo parecido com outra marca? Comenta aqui — queremos saber se isso é prática isolada ou padrão de mercado. A OBSCURA é uma publicação mantida por seus leitores. Receba novas publicações e apoie meu trabalho, tornando-se um assinante gratuito ou pago. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

  3. Jun 9

    O Instagram Não É Uma Plataforma de Fotografia

    Este post nasceu de uma conversa. Rafael Lopes, da Camera Clara — newsletter de fotografia em inglês com base nos EUA — e eu gravamos o primeiro episódio de uma série de podcasts bilíngues onde usamos a IA como ponto de partida para debater fotografia de verdade. Nosso convidado fixo se chama Cláudio. Ele é virtual, não cobra cachê, e às vezes acerta. Às vezes a gente discorda. É exatamente aí que a conversa fica interessante. Descubra a Câmera Clara Assine a Obscura Existe uma pergunta que o Cláudio respondeu corretamente — tecnicamente, estruturalmente, com todos os bullet points no lugar — e que mesmo assim estava errada. A pergunta era simples: o Instagram é bom para fotógrafos mostrarem seu trabalho? A resposta foi o que você esperaria. Plataforma visual, algoritmo favorece consistência, use hashtags estrategicamente, não esqueça de complementar com um site, correto, adequado. E Inútil. Porque a pergunta certa não é essa. A pergunta certa é: o Instagram foi feito para você, fotógrafo, ou você foi feito para o Instagram? A armadilha tem uma embalagem bonita O Rafa colocou o dedo na ferida logo no começo da nossa conversa. Ele passou quatro horas produzindo cada um de três Reels sobre fotografia analógica — revelação, escaneamento, conversão de negativo para positivo. Tutorial denso, bem executado, conteúdo que de fato ensina alguma coisa. Resultado: cerca de 3 mil visualizações por vídeo. Dias depois, na rua, fez um vídeo de 12 segundos mostrando a câmera que estava usando. Levou um minuto para fazer. Deu o mesmo número. O Instagram tratou as duas coisas como equivalentes. Aqui está o que isso significa na prática: a plataforma não está medindo valor. Está medindo retenção. E um vídeo de 12 segundos tem uma vantagem matemática sobre um tutorial de dois minutos: é mais fácil de assistir até o final. Engajamento completo = sinal positivo para o algoritmo. Não importa o que estava dentro. O Zuckerberg não tem chicote na mão — ele simplesmente construiu um sistema que recompensa o que é fácil de consumir, independente do que vale. E aí vem a parte que dói: quatro horas de trabalho genuíno competindo em igualdade com um minuto de improviso não é uma plataforma de fotografia. É uma plataforma de atenção que tolera fotografia. O formato vertical é um manifesto político Há um detalhe técnico que pouquíssimas pessoas param para analisar — e o Rafa apontou com precisão cirúrgica. O sensor da câmera é horizontal. A esmagadora maioria das fotografias sérias — documentais, jornalísticas, paisagísticas, retratos com composição trabalhada — é produzida na horizontal. Porque é assim que o olho humano funciona em campo aberto. Porque é assim que a tradição fotográfica foi construída, de Cartier-Bresson a Sebastião Salgado. O Instagram prioriza o formato vertical. Isso não é uma preferência estética. É uma declaração sobre o que a plataforma considera relevante. Ela foi projetada para o smartphone na posição em que você o segura enquanto caminha — não para a câmera na posição em que um fotógrafo a usa quando está pensando. 99% das fotos de um fotógrafo experiente já nasceram erradas para o Instagram. E a solução que a plataforma oferece — cortar, rotacionar, adaptar — é uma forma elegante de dizer: suas fotos não cabem aqui do jeito que você as fez. Refaça-as para nós. Isso não é uma parceria. É uma negociação com cláusulas ocultas. Você não tem nada Aqui está a conversa que nenhum guru de Instagram vai ter com você. Se amanhã o Instagram fechar — e plataformas fecham, o MySpace fechou, o Orkut fechou, e o Vine era amado — você perde tudo. Não só os seguidores: perde a capacidade de se comunicar com eles, perde o acesso, o histórico de relacionamento. Perde a audiência que levou anos para construir. Porque ela nunca foi sua. O Instagram não te dá e-mail. Não te dá telefone. Não te dá nada que transcenda a plataforma. Te dá visualizações — que são, na prática, uma janela na parede de uma casa que você não aluga: você mora na casa do Zuckerberg e ele decide quando acende a luz. A newsletter — o Substack, a lista própria, qualquer repositório de e-mails que você controla — é sua casa. Ninguém pode te despejar dela. Se você sair de uma plataforma, sua audiência vem com você. Se a plataforma sair, sua audiência continua lá. Isso não é conceito novo. É o que o marketing direto faz desde os anos 80. A ironia é que uma geração inteira de fotógrafos que cresceu num mundo analógico — onde a propriedade da imagem era sagrada, onde o negativo era seu e de mais ninguém — entregou a própria audiência para uma empresa americana em troca de métricas que ela mesma controla. O fotógrafo ainda está em 1980 Tem uma frase que disse na conversa com o Rafa e que vou repetir aqui, com o risco de incomodar quem merece ser incomodado: o fotógrafo ainda está em 1980. Os criadores de imagem deveriam liderar a corrida nas redes sociais. São pessoas que treinaram o olho para capturar o que importa, que entendem composição, que sabem o peso de um instante. Deveriam ser os mestres do conteúdo visual. Mas não são. Boa parte dos maiores criadores de conteúdo sobre fotografia no Instagram não são fotógrafos — são pessoas desinibidas com câmera na mão dando aula para fotógrafos. Enquanto isso, o profissional com 20 anos de experiência ainda depende de boca a boca, não coleta e-mail, não produz conteúdo com consistência, e quando produz, trata o algoritmo como inimigo — em vez de entender que o algoritmo é apenas um espelho medíocre do comportamento humano médio. O problema não é o algoritmo. O algoritmo é uma consequência. O problema é que a maioria dos fotógrafos nunca se perguntou: o que eu quero construir, e quais ferramentas me ajudam a chegar lá? Em vez disso, entrou no Instagram porque todo mundo entrou, ficou porque parecia errado sair e continuou porque desistir parecia derrota. Dois algoritmos, uma ilusão Outra coisa que o Cláudio não mencionou — e que eu mencionei na conversa com o Rafa — é que o Instagram não tem um algoritmo. Tem vários, operando em paralelo, com lógicas diferentes. O algoritmo de Reels é construído para captação: ele pega você de fora, de quem ainda não te segue, e tenta fazer com que essa pessoa entre no seu perfil. É a porta de entrada. O algoritmo de Carrosséis é construído para retenção: ele alimenta quem já te segue, mantém o relacionamento, aprofunda o vínculo. É o que faz a pessoa continuar lá dentro. Stories é outro sistema. Busca é outro. Cada um com sua lógica, sua recompensa, sua demanda. Para alimentar todos eles com consistência e qualidade — a recomendação genérica do Cláudio — você precisaria de uma equipe. Um roteirista, um editor de vídeo, um gestor de comunidade, um estrategista de conteúdo. Os criadores que faturam milhões no Instagram não são gênios: têm estrutura. Produzem 10 criativos por semana, medem qual performa, ajustam o que não funciona, escalam o que funciona. É um sistema industrial. Um fotógrafo solo, fazendo isso tudo enquanto ainda precisa fotografar, editar, atender cliente e viver — está tentando competir num jogo para o qual não tem os recursos necessários. TikTok: a filosofia que o Instagram teme Na conversa com o Rafa, tocamos num ponto que ele achou revelador: a diferença filosófica entre TikTok e Instagram. Instagram opera como Social Graph — mostra conteúdo de quem você já segue, de quem você já conhece. É um sistema de relações. TikTok opera como Interest Graph — mostra conteúdo baseado no que você demonstrou gostar, independentemente de quem fez. Com 10 seguidores, você pode viralizar amanhã se o conteúdo acertar o interesse certo. Para fotógrafos que produzem conteúdo técnico e específico — tutoriais de filme, análise de equipamento, filosofia de imagem — o TikTok é potencialmente mais justo. O interesse em fotografia analógica é um nicho global. Se o conteúdo é bom, o algoritmo do TikTok encontra quem quer ver. No Instagram, você precisa primeiro construir a audiência para depois chegar nela. O Rafa prometeu experimentar. A gente vai medir junto e gravar um episódio sobre isso. A parceria que o mercado não viu vir Antes de fechar, preciso falar sobre o que este podcast representa — porque é maior do que parece. A Camera Clara é uma newsletter de fotografia em inglês. A Obscura é a maior newsletter de fotografia em português. Juntas, cobrem os dois maiores mercados fotográficos das Américas: Brasil e Estados Unidos. 280 milhões de falantes de português de um lado, 330 milhões de falantes de inglês do outro. A ideia é simples e ousada: gravar em português, fazer autodub para inglês, distribuir nas duas plataformas simultaneamente. Não é tradução — é replicação de audiência. O mesmo conteúdo, o mesmo debate, dois mercados que raramente se falam. Para marcas que querem atingir fotógrafos profissionais nas Américas, isso cria uma oportunidade de patrocínio que não existe em nenhum outro formato no momento: uma voz bilíngue, com autoridade editorial, cobrindo o hemisfério inteiro. É o tipo de coisa que só funciona se for construída com calma e consistência — exatamente o oposto do que o Instagram pede. O que fazer, então? Não estou dizendo para você sair do Instagram, estou dizendo para você parar de morar lá! Use o Instagram como vitrine, não como residência. Poste com inteligência — Reels para captação, Carrosséis para relacionamento — mas saiba que o objetivo de cada post não é a curtida. É levar a pessoa para onde você tem controle: seu site, sua newsletter, sua lista de e-mail. Construa onde você é dono. Alugue onde o tráfego já está. E, acima de tudo: pare de trabalhar para o algoritmo. O a

  4. Jun 3

    A foto estava aqui o tempo todo. Você passou reto.

    No início dessa semana, analisei ao vivo 40 fotos enviadas pela Bianca Campos Silvestre, fotógrafa da Comunidade Obscura. Eram fotos de evento — festa de aniversário, ambiente luxuoso, pessoas felizes, flash funcionando, exposição correta. Tecnicamente, nada estava quebrado. E ainda assim, foto após foto, a mesma sensação: a imagem certa estava dentro daquela imagem. Enterrada. Soterrada por piso demais, teto demais, gente do lado que não dizia nada, braço esticado no ângulo errado. Não é incompetência, é um padrão. E é ensinável. Vou destrinchar aqui os cinco erros que se repetiram com mais frequência — não como crítica, mas como mapa. Porque se você fotografa eventos, casamentos, formaturas ou aniversários, provavelmente está cometendo pelo menos dois deles agora. 1. A grande angular incluindo tudo que não deveria estar ali A Sigma 18–35mm f/1.8 é uma lente excelente. Numa crop sensor, ela entrega uma cobertura generosa, abre bem para ambientes com pouca luz e é rápida o suficiente para eventos. O problema não é a lente — é o reflexo que ela cria na cabeça do fotógrafo: “tenho espaço, vou incluir”. Lente grande-angular é uma ferramenta de contexto, não de conteúdo. Quando você abre o enquadramento esperando que os elementos “se encaixem”, o que acontece na prática é que ar-condicionado, planta de canto, piso de mármore e a perna de alguém que passou aparecem como personagens principais de uma foto que deveria ser sobre duas pessoas se abraçando. O que fazer: antes de clicar, varra o quadro. Dois segundos. Olha a borda esquerda, a borda direita, o que está embaixo. Se tem algo que não contribui para a história da imagem, se aproxime, gire, mude o ângulo — ou feche para 35mm antes de apertar. A foto não está no que você inclui. Está no que você tem coragem de excluir, lembre: Composição é a forma mais forte de ver 2. Enquadramento frouxo — o erro que o ponto de foco central cria Esse aqui é específico e vale atenção: vários fotógrafos ainda trabalham com o ponto de foco central como âncora. Botam o sujeito no meio, travam o foco e não recompõem. O resultado prático, especialmente com grande-angular, é um excesso de “céu vazio” — chão sobrando embaixo, teto aparecendo acima, espaço lateral que não tem função narrativa nenhuma. Enquadramento frouxo não é espaço negativo. Espaço negativo é uma escolha intencional (e super valorizada) onde o vazio amplifica o sujeito. O que vejo na maioria dos casos é simplesmente o inverso: o vazio esmaga o motivo, é a consequência mecânica de não revisar o quadro antes de clicar. A regra prática: os olhos do retratado devem estar no terço superior do quadro. Se estão no meio ou abaixo, a foto está comunicando que você não tinha certeza do que estava fotografando. Feche. Suba. Aproxime. Decida. 3. Falta de direção — o fotógrafo invisível Esse foi o ponto que mais apareceu — e é o mais difícil de aceitar porque exige uma mudança de postura, não de técnica. Havia fotos onde o momento potencial era bonito: mãe e filha próximas, marido olhando para a esposa, criança interagindo com um animal de estimação. Mas a foto entregue era de uma pessoa meio de costas, o braço na frente, o cotovelo em evidência, o olhar perdido para o lado. O fotógrafo viu a cena, enquadrou e esperou. Não interveio. Dirigir não é controlar — é facilitar. É falar “segura ela um pouquinho”, “vira um dedo pra cá”, “deixa o bichinho na frente”. Dois segundos de instrução transformam uma foto descartável num porta-retrato que o cliente vai querer imprimir no dia seguinte. E aqui está o ponto comercial que quase ninguém calcula: numa festa de 4 horas, são 20, 30 oportunidades de porta-retrato. Cada uma dessas fotos, entregue impressa na hora com uma impressorinha portátil, é uma venda adicional de R$50 a R$150. Não como substituto do trabalho — como extensão natural dele. O fotógrafo que dirige vende mais. Sempre. 4. Pose — o cotovelo e a cadeira Dois padrões específicos que aparecem muito e que têm solução simples: O cotovelo levantado. Quando a pessoa coloca a mão na cintura com o cotovelo apontando para a câmera, o resultado é um volume que distorce a proporção do braço e chama atenção para o osso mais ingrato do corpo humano. A versão que funciona é o cotovelo para baixo e levemente para trás — cria a mesma silhueta sem o volume frontal. Mulheres sentadas de frente. Mesmo em corpos magros, a compressão das coxas e do abdômen ao sentar criam volume. A solução não é proibir a pose — é ajustar: pedir para a pessoa sentar na borda, girar levemente o corpo em 3/4, apoiar o peso num lado. A câmera não pega o mesmo ângulo que o olho humano. O que parece neutro ao vivo vira o problema central na foto: a retratada não olhará para a bonita expressão do rosto, mas para o volume indesejado (e completamente evitável) Pequenos ajustes de posicionamento — antes do clique, não depois no Lightroom — mudam completamente a qualidade percebida e garantem entrega imediata das imagens. 5. Iluminação: o flash está certo. O ângulo é que precisa evoluir Aqui vai um elogio antes da sugestão: a iluminação das fotos analisadas estava funcionando. Flash direto, exposição correta, sem rebate exagerado no teto que ilumina o salão inteiro. Isso não é trivial — muita gente ainda erra aí. O próximo nível não é rebater. É tirar o flash da câmera, revelo como fazer isso nessa outra live com o Marcelo Borjaile, vale assistir: Com o flash em cima da câmera, a luz segue exatamente o eixo da lente: ela ilumina tudo que você está fotografando — inclusive o garçom ao fundo, a decoração de canto e o reflexo no painel. Quando você segura o flash lateralmente — mesmo com o braço esticado, mesmo sem tripé — a luz já cria um pequeno modelado. Sombra leve. Dimensão. Diferença visível. O passo seguinte é um assistente com o flash num tripé leve, posicionado a 45 graus atrás e ao lado do sujeito. A distância já foi calculada uma vez — todas as outras distâncias a partir daí são proporcionais. Não precisa fotometrar do zero a cada foto. Esse esquema não exige mais equipamento. Exige mais um par de mãos — e um ajuste de precificação que justifique a estrutura. O que esses erros têm em comum Todos eles acontecem antes do clique. Não na edição, não no Lightroom, não no recorte em pós-produção. A foto que você vai entregar é decidida em 2 segundos antes de apertar o obturador: você vasculhou o quadro? Você instruiu o sujeito? Você escolheu o que excluir? Fotografar evento é fotojornalismo aplicado. Quem vem da escola do jornal sabe: a galera corta sem dó. O espaço é caro. A atenção do leitor é ainda mais cara. Cada elemento no quadro precisa ganhar o direito de estar ali. Seus clientes não sabem nomear o que sentem quando veem uma foto forte. Mas sentem. E é exatamente essa diferença — entre a foto que estava lá e a foto que você trouxe — que separa o fotógrafo que é recontratado do fotógrafo que fica esperando novos contatos. Este post nasceu de uma live de análise de fotos feita ao vivo na Comunidade Obscura. Quer ter suas fotos analisadas na próxima? A Comunidade é o lugar. 550 fotógrafos do Brasil todo, toda semana com conteúdo, análise e trocas reais. Tags: fotografia de evento, enquadramento fotográfico, erros de fotografia, grande angular, direção de fotografia, flash para eventos, fotografia de festa, posicionamento de modelos, fotojornalismo, técnica fotográfica, fotografia profissional, Obscura newsletter, iluminação para eventos, fotografia de aniversário, como dirigir modelos na fotografia Thank you to everyone who tuned into my live video! 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  5. Jun 1

    O flash mais potente ilumina menos — e ninguém enxerga isso

    Existe uma frase que eu repito há anos e que continua provocando revolta toda vez que aparece: a potência do flash não entra na teoria de iluminação. Não é que eu não queira: é que é impossível colocá-la. Recentemente fiz um teste que virou o vídeo mais visualizado do meu canal. Comparei um Nikon SB800, flash de câmera com quatro pilhas AA, com o Godox V1, apresentado pelo mercado como um flash potente, versátil e moderno. O SB800 tem 1 W a menos de potência. Nas mesmas condições — mesma abertura, mesmo ISO, mesmo zoom de 35 mm, carga total — o V1 iluminava até 9 metros. O SB800 chegava a 11 metros. O flash “menos potente” iluminava 22% mais longe. A confusão conceitual tem um motivo simples: vender A explicação não é mistério. Potência mede transformação de energia, não intensidade de luz gerada. Uma lâmpada LED de 15 W ilumina mais do que uma incandescente de 100 W. O V1, com sua bateria e cabeça redonda, é estruturalmente menos eficiente do que um flash convencional com pilhas AA. Ele precisa de mais watts para transformar a mesma quantidade de luz. Descubra no vídeo abaixo, um dos mais assistidos no meu perfil no Instagram: Quando fui além e testaram o V100 — 100 W, 33% mais potente que o V1 — o resultado foi ainda mais revelador. No ETTL, colocado diante da mesma cena, na mesma abertura, o V100 pediu exatamente a mesma carga que o V1: 1/64. O flash que custa US$ 150 a mais entregou a mesma iluminação. Está escrito no manual: o número guia de ambos é 28 metros. Não há como um ser mais potente do que o outro em termos de luz gerada — e ainda assim o mercado vende o V100 como upgrade. Por que isso acontece? Porque o fotógrafo foi ensinado que potência e intensidade são a mesma coisa. E foi ensinado assim por marcas com interesse em vender flashes mais caros, porque links de afiliados remuneram com mais facilidade as macaquices de seus “especialistas”. Equipamentos potentes podem ser ineficientes A teoria de iluminação — qualquer teoria de iluminação, seja para uma vela, um LED ou um flash de estúdio — opera sobre duas variáveis: intensidade e distância. A fórmula é I = 1/D². Dois termos, quatro caracteres. Toda a sofisticação que você busca numa imagem está contida nessa equação. Quando você entende isso, você passa a entender por que um flash com mais watts pode iluminar menos, por que rebater no teto consome oito vezes mais luz, por que afastar o flash muda o contraste da imagem — e não apenas a exposição. O problema é que essa equação foi deliberadamente expulsa do ensino de fotografia. O argumento que circula em cursos, faculdades, mentorias e ebooks é literal: “vou ensinar sem termos técnicos para não machucar a sua cabeça, direto ao ponto, sem enrolação”. “Vou ensinar errado para facilitar sua compreensão” Essa é a maior das enrolações, como é possível ensinar errado e facilitar a compreensão? Como se compreender o comportamento da luz fosse um obstáculo, não uma ferramenta. O resultado está à vista: fotógrafos profissionais que não conseguem explicar tecnicamente por que escolheram um equipamento. Que compram flash mais potente para “vencer o sol” — quando quem vence o sol é a velocidade do obturador, não o número guia. Não é culpa do fotógrafo. É consequência de um mercado que descobriu ser mais fácil vender confusão do que clareza. O V1 é um bom flash para estúdios compactos, modificadores pequenos e situações onde a distância não é uma variável crítica. Ele tem rádio embutido, design ergonômico, bateria conveniente. Para 80% dos fotógrafos de retrato no Brasil, provavelmente atende bem. O problema não é o produto — é a narrativa que o cerca. Quando você chama de “ultra potente” algo que ilumina menos do que o flash de câmera do concorrente, você está vendendo desinformação. Um SB-800, movido a 4 pilhas paleozóicas, ilumina o mesmo que o V1 e o V100 somados E desinformação tem custo. US$ 150 de diferença entre o V1 e o V100, para a mesma iluminação. Meses de tentativa e erro tentando entender por que a luz “não está funcionando” — quando o problema é conceitual, não técnico. Uma dependência crescente de equipamento que não resolve o problema real. A boa notícia é que a saída é simples: entender dois termos e dois números. I = 1/D². A partir daí, você para de comprar confusão e começa a comprar ferramenta. Se você chegou até aqui, já sabe o problema. Agora a pergunta é: quanto tempo você ainda vai gastar chutando exposição, trocando equipamento e assistindo review que não ensina nada? Gravei duas aulas em estúdio — com modelos, com flash, com a teoria completa aplicada ao vivo — para provar uma coisa só: câmera simples, lente do kit e o flash que você já tem são suficientes quando você entende o que está acontecendo. Nas duas aulas você vai sair sabendo: — a exposição de qualquer flash em 3 segundos, sem fotômetro — o que o número guia realmente significa e como usá-lo — como a distância controla a distribuição de luz na cena — por que a posição da luz muda tudo na direção da modelo— a distância correta de qualquer fonte luminosa— como os modificadores funcionam Não é curso. São duas aulas objetivas, únicas no Brasil, gravadas em estúdio real, com resultado visível na tela e com um valor promocional de apenas 67: A OBSCURA é a amior newsletter de fotografia do Brasil, inscreva-se e receba nosso conteúdo no seu email gratuitamente This is a public episode. 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  6. May 19

    Nasceu o Cazuá: dois estúdios fotográficos no coração da maior floresta urbana do mundo

    Tem coisas que parecem contraditórias até você ver com os próprios olhos. Um estúdio fotográfico com 200 m² de área total, fundo infinito de alvenaria, lonas artísticas, camarins climatizados, cozinha e banheiro privativos — silencioso, arborizado, com uma vista que nenhum cenário construído substitui — a menos de 5 min da Estação Jardim Oceânico, com ônibus e vans parando na porta, e estacionamento amplo e gratuito. Esse lugar existe. Chama Cazuá, “local onde o encanto faz morada”. O que você encontra aqui São dois estúdios independentes de 100 m² cada, funcionando 24 horas por dia, cada um com sua infraestrutura completa: * Fundo infinito de alvenaria branca e fundos coloridos de papel * Lonas artísticas para quem busca texturas que nenhum Photoshop entrega * Equipamento completo: flashes, rebatedores, difusores, girafa, tripés, carrinhos * Camarim climatizado com espelho full-length e arara * Cozinha integrada com geladeira e copa * Banheiro privativo com box O segundo estúdio tem um diferencial raro no Rio: janelas generosas que transformam o espaço num estúdio de luz natural — é só abrir e deixar a floresta entrar. Localização que parece mentira O Cazuá fica no Itanhangá, encravado na Floresta da Tijuca — a maior floresta urbana do mundo. Zona Sul, Zona Oeste e Zona Norte chegam fácil: Uber, ônibus e vans param na porta. Metrô Jardim Oceânico está a 5 min. Próximo aos principais hotéis da Barra e do corredor olímpico. O resultado sonoro? Pássaros. Só pássaros. Quem está por trás O Cazuá tem a consultoria de dois fotógrafos com décadas de história no Rio: Paulo Pinho, o Paulão — ex-proprietário da Casa da Foto, nome inscrito na história da fotografia carioca. Renato Rocha Miranda — 17 anos de TV Globo, mais de 10.000 alunos formados, fundador da Obscura. Não é só infraestrutura. É curadoria. Para quem é o Cazuá? Fotógrafos, videomakers, creators, cineastas e produtores de conteúdo que precisam de um espaço profissional, silencioso e com assistência real — sem pagar o preço de estúdios do eixo comercial. Ideal também para workshops, cursos presenciais, gravações de aulas e produções vindas de outros estados que precisam de uma base no Rio. Estúdios Cazuá 📍 Rua Floresta Imperial, 90Itanhangá, Rio de Janeiro A OBSCURA é a maior newsletter de fotografia do Brasil e acaba de inaugurar o mais charmoso estúdio do Rio! :) Assine e participe! This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

  7. Apr 27

    A Nikon matou a melhor 70-200mm do mundo. E isso pode ser uma boa notícia para você.

    A Obscura chegou à informação antes de chegar ao mercado brasileiro: a Nikkor Z 70-200mm f/2.8 VR S — a teleobjetiva zoom que a Digital Camera World chamou de "provavelmente a melhor 70-200mm do mundo" — já tem registrado pelas fontes especializadas japonesas o status de 生産完了 (seisan kanryō): produção encerrada. O mesmo movimento silencioso que aconteceu com a Z 24-70mm f/2.8 S quando surgiu a sua versão II. Sem comunicado oficial. Sem cerimônia. Não há comunicado oficial da Nikon. As marcas raramente fazem isso. Elas simplesmente param de repor o estoque, avisam os distribuidores em silêncio, e o produto some das prateleiras devagar. Foi assim com a Canon EOS 5D Mark IV. Está sendo assim agora com a Z 70-200 original. O que aconteceu, exatamente? Em fevereiro de 2026, a Nikon anunciou a Z 70-200mm f/2.8 VR S II — 26% mais leve (998g, a mais leve da categoria full frame mirrorless), com autofoco 3,5x mais rápido graças ao motor Silky Swift VCM, rastreamento 40% mais preciso com zoom ativo e estabilização de 6 EV. A demanda foi tanta que a Nikon Japão emitiu nota dizendo que as entregas atrasariam por “número esmagador de pedidos”. O primeiro lote esgotou antes de chegar às mãos dos fotógrafos. Com a herdeira em campo e o estoque da versão I se esgotando, o Map Camera registrou a descontinuação. A BH Photo nos Estados Unidos já a oferece com desconto de US$ 500 sobre o preço anterior — sinal claro de liquidação de estoque antes do fim. Não há label oficial de “discontinued” por lá ainda, mas o preço diz tudo. Por que as marcas fazem isso? Não é crueldade. É aritmética. O mercado fotográfico não cresce no ritmo de antes. Os smartphones absorveram boa parte do público casual — e não vão devolver. As grandes fabricantes precisam concentrar linhas de produção, reduzir estoque de componentes e empurrar a base de usuários para produtos de maior margem. Manter dois modelos de uma teleobjetiva profissional em paralelo custa caro: moldes, chips de firmware, peças de reposição, treinamento de assistência técnica. O padrão é sempre o mesmo: lança o sucessor, sinaliza aos distribuidores, remove o produto anterior das listas oficiais sem cerimônia. A lente que custou anos de engenharia vira “descontinuada” num banco de dados em Tóquio. O mercado descobre tarde. A Nikon fez o mesmo com a AF-S 120-300mm f/2.8 F-mount — a última grande objetiva DSLR da marca, também marcada como descontinuada agora, e sem sucessor direto confirmado. Para fotógrafos que ainda operam no sistema F, a situação é diferente: essa lente some sem herdeira certa. O caminho oficial é migrar para o sistema Z. A Nikon sabe disso. É parte do plano. A oportunidade que a descontinuação cria Quando uma lente desta estatura sai de linha, dois movimentos acontecem simultaneamente: o estoque existente entra em liquidação e o mercado de usados começa a oscilar. Para quem ainda não tem uma 70-200mm f/2.8 no sistema Z — e pensa seriamente em esportes, eventos, retratos ou fotojornalismo —, este pode ser o momento mais inteligente de comprar. A Z 70-200mm f/2.8 VR S original não ficou ruim porque a versão II chegou. Ela continua sendo, tecnicamente, uma das melhores teleobjetivas já produzidas para mirrorless. O que mudou foi o preço. A versão II será lançada com sugestão de US$ 3.199 — cerca de 10% mais cara que a original já custava. Quem puder importar a primeira versão agora, com desconto de US$ 500, está comprando óptica de referência a um valor que dificilmente voltará. Já temos cobertura editorial da versão II aqui na Obscura — e ela é, de fato, superior. Mas “superior” e “necessário” são conceitos diferentes. Para a esmagadora maioria dos fotógrafos profissionais, a versão original entrega tudo que a cena exige. O outro lado: a Nikon não está encolhendo Seria fácil ler a descontinuação como sinal de retração. Não é. Na mesma semana em que o mercado assimilava a saída da Z 70-200 original, a Nikon lançou um teaser das novas lentes Z Cinema com autofoco — movimento que confirma a aposta da marca na fusão com a RED para dominar o mercado profissional de vídeo. A empresa que comprou a RED, trouxe o mount Z para câmeras cinema e agora desenvolve ópticas dedicadas com foco automático não está recuando. Está reposicionando ( e enviando uma mensagem evidente: desenvolva habilidades em vídeo) A morte da 70-200 V1 é parte de uma estratégia maior: concentrar capital, simplificar catálogo e liberar engenharia para os produtos que definem o próximo ciclo — lentes cinema, o Z 120-300mm f/2.8 TC VR S (previsto para o segundo semestre de 2026), e o eventual Z9 II. Para o fotógrafo, isso significa uma coisa: o ecossistema Z vai crescer, não encolher. Mas vai custar mais caro à medida que amadurece. Não há como manter uma produção em massa, sem massa. O que fazer agora Se você tem a Z 70-200mm f/2.8 VR S original: não venda. Não há razão para isso, a menos que você precise dos recursos específicos da versão II — peso, AF tracking com zoom, foco mínimo aprimorado — ou que a diferença de preço no mercado de usados justifique a troca. Se você ainda não tem uma: acompanhe o estoque nos próximos meses. O mercado brasileiro costuma demorar a precificar descontinuações americanas. A janela existe. Se você opera no sistema F e depende da 120-300mm: a situação merece atenção diferente. Não existe substituta direta confirmada no mount Z ainda. Migrar agora, às pressas, pode ser prematuro, mas entenda uma coisa (de uma vez por todas, pelo amor de Deus): a migração é mandatória, nem a Nikon se concentra mais em DSLR. A OBSCURA é a maior newsletter de fotografia do Brasil, inscreva-se agora e receba nossos posts no seu email gratuitamente A Obscura monitora movimentos de mercado como este porque acreditamos que informação técnica e editorial de qualidade é o que separa decisões de compra inteligentes de arrependimentos caros. Se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem precisa saber. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

  8. Apr 22

    A Morte da Autoria: Por que o seu "Copia e Cola" está tornando sua fotografia descartável

    A fotografia, em sua essência, é um ato de escolha. Escolher a luz, o enquadramento, o momento, a referência. No entanto, o mercado fotográfico atual vive um paradoxo sufocante: nunca produzimos tanta imagem, mas nunca a nossa fotografia foi tão genérica. Em uma live recente para a A Obscura, recebi Villy Ribeiro — fotógrafo, ex-produtor de cinema e um dos palestrantes confirmados do Photo in Rio — para discutir o que está acontecendo com a alma da nossa profissão. A conclusão foi inevitável: estamos vivendo a era da “fotografia de prateleira”, onde o preço é a única métrica de sucesso, e a referência técnica está sendo sacrificada no altar da rapidez. O Fim da Produção: O “Tiro no Pé” que todos deram Villy iniciou a conversa tocando em um ponto nevrálgico: a eliminação da equipe de produção. Antigamente, um ensaio contava com stylists, maquiadores e produtores. Hoje, o mercado, saturado e movido pela obsessão de “ganhar mais dinheiro”, eliminou essa estrutura sob a justificativa de barateamento. “É um tiro no pé”, sentencia Villy. O resultado? Uma fotografia que, embora tecnicamente correta em termos de iluminação, é pobre em construção. Quando o fotógrafo se torna o “faz-tudo”, ele perde o olhar clínico para o detalhe — a meia torta, a gola desalinhada, a pose corporativa sem vida. A direção de cena não é fraca por falta de talento, é fraca porque o fotógrafo está ocupado demais tentando resolver problemas que seriam de competência de uma produção profissional. “Olhar Pobre, Foto Pobre”: O peso das Referências Um dos momentos mais brilhantes da nossa troca foi quando discutimos a crise de referências. Vivemos uma geração que busca inspiração no “fotógrafo famosinho do bairro” e ignora os gigantes que moldaram a linguagem visual. Para Villy, a fórmula é direta: olhar pobre gera foto pobre. Não importa se você tem o melhor kit de iluminação ou uma câmera de médio formato; se o seu repertório visual é raso, o resultado final será limitado. “Eu devo ter gasto mais dinheiro com livros de fotografia do que com equipamento ao longo da minha carreira”, confessa. E o conselho que ele deixa para quem deseja sair da mesmice é provocativo: transforme grandes nomes em sua fonte de estudo, independentemente do seu nicho. Se você fotografa gestantes, por que não estudar a luz de Irving Penn? Se faz corporativo, por que ignorar a força estética de Richard Avedon ou a irreverência de David LaChapelle? A evolução que acontece no esforço de traduzir a linguagem de um mestre para o seu próprio trabalho é o que separa o apertador de botão do artista. IA: O Fantasma da Banalização vs. A Resistência Artesanal A Inteligência Artificial foi um tema central. Villy não a vê como o fim da fotografia, mas como um catalisador para a banalização. Se o fotógrafo entrega apenas o “clichê do mercado”, a IA o fará de forma mais rápida e barata. No entanto, há um fio de esperança. Marcas de luxo, que sofreram com a desvalorização visual nas redes sociais, começam a buscar novamente a exclusividade do trabalho manual. A volta das produções artesanais, com pessoas reais e equipes de especialistas, surge como um movimento de resistência. O fotógrafo que se torna apenas um “escritor de prompt” está fadado a ser um operador de máquina, enquanto o profissional que entrega experiência e olhar torna-se o verdadeiro artigo de luxo. O convite para a Resistência: Nos vemos no Photo in Rio A conversa, que poderia ter durado horas, deixou uma lição clara: ser fotógrafo hoje exige coragem. Coragem para dizer não a clientes que não valorizam o processo, coragem para manter o uso do fotômetro como ferramenta de precisão , e coragem para ser autoral em um mundo de cópias. Villy Ribeiro é um desses raros profissionais que mantém a assinatura intacta, navegando entre a moda e o retrato infantil com a mesma reverência. Ouvi-lo é um lembrete de que a fotografia não nasceu em 2020 e que o futuro — para quem quer ser relevante — passa, obrigatoriamente, pelo estudo do passado. A sua fotografia merece mais do que o “mais do mesmo”. Villy Ribeiro estará no Photo in Rio, nos dias 9 e 10 de junho, trazendo todo o seu repertório de produções autorais e discussões sobre o mercado real. Este não é um evento para quem quer dicas de “como configurar a câmera”, mas para quem quer entender como ser um fotógrafo de alma, com assinatura própria e visão de negócio. Não deixe para a última hora. O ambiente do evento é um convite à imersão, e a oportunidade de estar lado a lado com nomes que estão moldando o mercado é única. A OBSCURA é a maior newsletter de fotografia do Brasil, assine e receba nossos posts gratuitamente no seu email This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

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