Comensal Podcast - História e Filosofia da Alimentação

Felipe Daniel Ruzene

Comensal Podcast – A história do mundo contada pelo que se come e se bebe! 🍷 Pílulas de História e Filosofia da Alimentação, mostrando como o que comemos revela quem somos, em que acreditamos e como vivemos. Entre comida e cultura, o programa transforma ingredientes em pesquisas e sabores em narrativas, mostrando que a alimentação é um arquivo vivo da experiência humana... Apresentado por Felipe Daniel Ruzene, historiador e filósofo da alimentação pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Paraná (PPGHIS/UFPR). Bon Appétit! 🍴

Episodes

  1. #6 - História do Jejum

    Apr 4

    #6 - História do Jejum

    # Episódio 6 - História do Jejum: Teologias da Fome. 🍽️ Nem toda fome é ausência... Algumas são escolha! Neste episódio do Comensal Podcast, investigamos a história do jejum e do ascetismo alimentar como práticas fundamentais na construção das experiências religiosas ao longo do tempo. Se a alimentação pode aproximar o humano do sagrado, o não-comer (a fome voluntária) também se torna caminho de disciplina, purificação e transcendência. Partindo das reflexões sobre dietética na Antiguidade e avançando para o pensamento cristão, analisamos como o jejum deixou de ser apenas uma prática de cuidado de si para se transformar em um princípio moral estruturante da vida religiosa. Com as contribuições de Michel Foucault, exploramos o conceito de poder pastoral e suas implicações no governo dos corpos e das almas, especialmente no contexto do monasticismo medieval, onde o controle do estômago se torna uma das principais formas de vigilância espiritual. Ao longo do episódio, percorremos diferentes tradições religiosas que atribuem significado ao jejum: o Ramadã no Islã, o Yom Kippur no Judaísmo, as práticas ascéticas do Cristianismo — católico, ortodoxo e evangélico — e as reflexões do Budismo sobre o desejo e o consumo. Em todas elas, o corpo que não come fala: expressa fé, arrependimento, disciplina e busca de sentido. Entre o pão e sua ausência, este episódio propõe uma reflexão essencial: o que significa escolher sentir fome? Acompanhe-nos nesta análise histórica, filosófica e cultural sobre o jejum como linguagem simbólica, prática espiritual e técnica de poder. 🎙️ Eu sou Felipe Daniel Ruzene, e este é o Comensal Podcast! Referências Basílio de Cesareia. 2018. De legendis gentilium libris. Chicago: University of Chicago Library. Ewald Kislinger. 2020. Os cristãos do Oriente: regras e realidades alimentares no mundo  bizantino. História da Alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, p. 318-337. Felipe Daniel Ruzene. 2024. Pão nosso de cada dia: religiosidade, dietética e jejum na Igreja Ortodoxa Bizantina. Faces da História, Assis-SP, p. 282-309. João Cassiano. 2015. Instituições Cenobíticas. Juiz de Fora: Edições Subiaco. Letícia Cardoso Carrijo. 2022. Alimentação monástica nos fins da Idade Média: o mosteiro de  Santa Maria de Alcobaça (Portugal, séculos XV-XVI). Goiânia: Universidade Federal de Goiás. Michel Foucault. 2008. Segurança, território, população: curso dado no Collège de France (1977-1978). São Paulo: Martins Fontes. Michel Foucault. 2020. História da Sexualidade: as confissões da carne. Vol. 4. São Paulo: Paz & Terra. Michel Foucault. 2020. História da Sexualidade: o uso dos prazeres. Vol. 2. São Paulo: Paz & Terra. Ficha Técnica Episódio: #6 – História do Jejum. Roteiro e Voz: Felipe Daniel Ruzene. Revisão de Texto: Mayara Bassanelli. Música: “Partita em Lá menor para flauta solo (BWV 1013)”, de Johann Sebastian Bach (1723). Todos os direitos reservados Comensal – História e Filosofia da Alimentação, 2026. ©

    24 min
  2. #5 - Dietas Bíblicas

    Mar 25

    #5 - Dietas Bíblicas

    #Episódio 5 - Dietas Bíblicas: práticas alimentares nos Cristianismos, da Bíblia à Eucaristia. 🥖 Como pão e vinho se tornaram símbolos de fé e mistério sacramental? O alimento, físico e espiritual, perpassa metáforas, parábolas, milagres, restrições, discussões teológicas e, por certo, a centralidade do sacramento eucarístico nas mais diversas tradições cristãs. Práticas como a hospitalidade, a comensalidade e os rituais que envolvem a mesa têm sido centrais para a espiritualidade cristã desde os primórdios do cristianismo. Os diversos escritos que compõem o cânone do Novo Testamento (entre evangelhos, atos e epístolas…) recorrentemente atestam a relevância da temática alimentar. Neste Episódio investigamos como a comida e a bebida foram resignificadas nas diferentes denominações cristãs, em especial no Catolicismo e Protestantismo, tanto no texto bíblico quanto no sacramento eucarístico. 🎙️ Eu sou Felipe Daniel Ruzene e este é o Comensal Podcast! Referências Bíblia Sagrada. 2002. São Paulo: Editora Paulus. Ewald Kislinger. 2020. Os cristãos do Oriente: regras e realidades alimentares no mundo bizantino. História da Alimentação. São Paulo: Estação Liberdade. Felipe Daniel Ruzene. 2024. Pão nosso de cada dia: religiosidade, dietética e jejum na Igreja Ortodoxa Bizantina. Faces da História, Assis-SP, p. 282-309. Jennifer Trafton. 2018. What should Christians cook? faith in the kitchen. Christian History,  Worcester-MA, p. 13-18. Klauss Hock. 2010. Introdução à Ciência da Religião. São Paulo: Edições Loyola. Paula Barata Dias. 2012. A comensalidade nas comunidades cristãs primitivas segundo a Primeira Epístola aos Coríntios. Práticas Alimentares no Mediterrâneo Antigo. Rio de Janeiro: NEA/UERJ. Pedro Vasconcellos & Pedro Paulo Funari. 2013. Paulo de Tarso: um apóstolo para as nações. São Paulo: Editora Paulus. Ficha Técnica Episódio: #5 – Dietas Bíblicas. Roteiro e Voz: Felipe Daniel Ruzene. Revisão de Texto: Mayara Bassanelli. Música: “Veni Creator Spiritus”, atribuído a Rábano Mauro (c. 809 d. C.). Todos os direitos reservados Comensal – História e Filosofia da Alimentação, 2026. ©

    23 min
  3. #4 - A adega dos Faraós

    Mar 11

    #4 - A adega dos Faraós

    Episódio 4 - A adega dos Faraós: o vinho sagrado no Antigo Egito. Como o Egito Antigo sacralizou o vinho e espalhou essa ideia por todo o mundo antigo? 🏺 Neste quarto episódio do Comensal Podcast, vamos viajar às margens do Nilo para entender como os egípcios produziam vinho, quem bebia, e por que essa bebida tinha significado político, religioso e médico.Quando pensamos no Antigo Egito, lembramos de pirâmides, faraós, múmias e templos. Mas raramente pensamos em vinho... O senso comum costuma associar o Egito à cerveja de cevada e, de fato, ela era a bebida mais popular.Ainda assim, o Egito antigo foi uma das primeiras grandes civilizações vinícolas da história, responsável por desenvolver técnicas de cultivo da uva e fabricação do vinho que influenciaram o Mediterrâneo por milênios. 🎙️ Eu sou Felipe Daniel Ruzene, e este é o Comensal Podcast. Referências Cláudio Umpierre Carlan. 2012. Vinho: Comércio e Poder no Mundo Antigo. Práticas Alimentares no Mediterrâneo Antigo. Rio de Janeiro: NEA/UERJ. Eugénio José Castro Giesta. 2019. Bastet e Sekhmet: aspectos de natureza dual. Lisboa: Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras. Felipe Daniel Ruzene. 2021. Vinho e vinicultura no Antigo Egito. Mundos em Movimento. Rio de Janeiro: Projeto Orientalismo/UERJ. Joann Fletcher. 2024. Wine in Ancient Egypt. Immortal Egypt, Londres. Maria Rosa Guasch-Jané, Cristina Andrés-Lacueva, Olga Jáuregui e Rosa Lamuela-Raventós. 2006. The origin of the ancient Egyptian drink Shedeh revealed using LC/MS/MS. Journal of Archaeological Science, Amsterdã, p. 98-101. Maura Regina Petruski. 2015. Para além das pirâmides e das múmias: a festa de Bubástis no Egito Antigo. NEArco: Revista Eletrônica de Antiguidade, Rio de Janeiro, p. 141-158. Mu-Chou Poo. 2009. Wine and wine offering in the religion of Ancient Egypt. Nova Iorque: Routledge. Nora Elizabeth Scott. 1958. The Cat of Bastet. The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, p. 1-7. Ficha Técnica Episódio: #4 – A Adega dos Faraós. Roteiro e Voz: Felipe Daniel Ruzene. Revisão de Texto: Mayara Bassanelli. Música: “Return to Ancient Egypt”, de Neural Study. Todos os direitos reservados Comensal – História e Filosofia da Alimentação, 2026. ©

    23 min
  4. #3 - O Banquete dos Deuses

    Mar 4

    #3 - O Banquete dos Deuses

    Episódio 3 - O Banquete dos Deuses: mitologias da alimentação entre gregos e romanos. Antes de a gula se tornar pecado, os deuses comiam... 🏺 Neste terceiro episódio do Comensal Podcast, voltamos à Antiguidade para explorar como as mitologias grega e romana transformaram o alimento em linguagem sagrada, símbolo de poder e instrumento de destino. A partir das obras de Homero, Hesíodo e Ovídio, investigamos como pão, vinho, azeite e carnes aparecem no centro das narrativas que moldaram o imaginário clássico. O mito de Prometeu e a origem do sacrifício, o drama de Deméter e Perséfone e o ciclo do trigo, o tormento eterno de Tântalo, a ambrosia e o néctar que distinguem deuses e homens — todas essas histórias revelam que comer nunca foi um gesto neutro. Entre gregos e romanos, o alimento funda cidades, explica as estações, separa mortais de imortais e estabelece pactos entre comunidade e divindade. A mesa é espaço de encontro, mas também de conflito. O banquete é rito, política e cosmologia.🎙️ Eu sou Felipe Daniel Ruzene, e este é o Comensal Podcast. Referências Felipe Daniel Ruzene. 2022. O mito de Prometeu, os ritos sacrificiais e o consumo de carne na Antiguidade grega. Revista Temporalidades, Belo Horizonte, p. 324-348. Felipe Daniel Ruzene. 2024. Deuses da Antiguidade: ensaio sobre a primeira geração de olimpianos na mitologia e religião da Antiga Grécia. São Paulo: Editora Dialética. Felipe Daniel Ruzene. 2025. Carnes no banquete homérico: historiografia e poesia sobre os ritos alimentares carnívoros da Antiguidade. Revista Temporalidades, Belo Horizonte, p. 1-23. Hesíodo. 2000. Teogonia: a origem dos deuses. Tradução: JAA Torrano. São Paulo: Iluminuras.  Hesíodo. 2012. Os trabalhos e os dias. Tradução: Alessandro Rolim de Moura. Curitiba: Segesta. Higino. 2009. Fábulas. Tradução: Javier del Hoyo e José Miguel García Ruiz. Madrid: Editorial Gredos. Homero. 2014. Odisseia. Tradução: Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34.  Homero. 2020. Ilíada. Tradução: Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34. Ovídio. 2017. Metamorfoses. Tradução: Domingos Lucas Dias. São Paulo: Editora 34. Jean-Pierre Vernant. 2018. Mito e religião na Grécia Antiga. São Paulo: Martins Fontes. Marcel Detienne & Jean-Pierre Vernant (Org.). 1989. The cuisine of sacrifice among the Greeks. Chicago: University of Chicago Press. Maria Regina Candido. 2012. Práticas Alimentares no Mediterrâneo Antigo. Rio de Janeiro: NEA/UERJ. Ficha Técnica Episódio: #3 – O Banquete dos Deuses. Roteiro e Voz: Felipe Daniel Ruzene. Revisão de Texto: Mayara Bassanelli. Música: “Orpheus Odyssey ", de Quiet God (sob a licença Creative Commons). Todos os direitos reservados Comensal – História e Filosofiada Alimentação, 2026. ©

    24 min
  5. #2 - Genealogia da Gula

    Feb 25

    #2 - Genealogia da Gula

    Episódio 2 - Genealogia da Gula: uma teologia alimentar do pecado. Como o prazer à mesa se transformou em ameaça à salvação? 🍎 Neste segundo episódio do Comensal Podcast, investigamos a formação histórica e teológica da gula como um dos pecados capitais. Partindo dos banquetes da Antiguidade e das reflexões morais de Platão e Aristóteles sobre medida e prazer, percorremos o caminho que levou o Cristianismo a transformar o desejo alimentar em risco espiritual. Recorrendo ao texto bíblico e aos escritos dos Pais da Igreja, exploramos como Santo Agostinho compreendeu o desejo desordenado como afastamento de Deus; como São João Cassiano identificou no estômago o primeiro campo de batalha do monge; como São Gregório Magno sistematizou a gula entre os vícios capitais; e como São Tomás de Aquino analisou o apetite excessivo como desordem da razão e da alma. O fruto proibido do Éden, o jejum, a disciplina do corpo, a vigilância dos sentidos — todos esses elementos compõem uma verdadeira teologia da alimentação, na qual o ato de comer deixa de ser apenas biológico e torna-se profundamente moral e espiritual. Referências Agostinho de Hipona. 2020. Confissões. Rio de Janeiro: Editora Petra. Bíblia Sagrada. 2002. São Paulo: Editora Paulus. Felipe Daniel Ruzene. 2024. Pão nosso de cada dia: religiosidade, dietética e jejum na Igreja Ortodoxa Bizantina. Revista Faces da História, Assis-SP, p. 282–309. Florent Quellier. 2011. Gula: história de um pecado capital. São Paulo: SENAC. Michel Foucault. 2020. História da Sexualidade – vol. 4: as Confissões da Carne. São Paulo: Paz e Terra. Tomás de Aquino. 2016. Suma Teológica. Campinas: Editora Ecclesiae. Ficha Técnica Episódio: #2 – Genealogia da Gula. Roteiro e Voz: Felipe Daniel Ruzene. Revisão de Texto: Mayara Bassanelli. Música: “Sonata para piano n.º 14”, de Ludwig van Beethoven (1801). Todos os direitos reservados Comensal – História e Filosofiada Alimentação, 2026. ©

    22 min
  6. #1 - A Comida e O Sagrado

    Feb 18

    #1 - A Comida e O Sagrado

    Episódio 1 – A Comida e o Sagrado Por que comer não é apenas comer? 🛐 No episódio inaugural do Comensal Podcast, iniciamos uma jornada pela História e Filosofia da Alimentação a partir de nosso primeiro eixo temático: A Comida e O Sagrado. Muito além da nutrição, a comida é um sistema simbólico complexo. Ela organiza hierarquias, estabelece normas, cria pertencimentos e aproxima o humano do sagrado. Desde os antigos gregos, passando pelo cristianismo primitivo, budismo e religiões de matriz africana, este episódio apresenta algumas das bases que sustentam esta série inaugural. Ao longo desta temporada, investigaremos:  A invenção da gula e a moralização do apetite;Mitologias alimentares do mundo greco-romano;O vinho como elemento sagrado no Antigo Egito;A presença do alimento na Bíblia Cristã e na Eucaristia;O jejum e as práticas ascéticas no Cristianismo primitivo;A comida no Budismo e na tradição monástica Zen; eA Cozinha de Santo como patrimônio afro-diaspórico no Brasil. Assim, anunciamos o percurso e refletimos sobre por que a alimentação é um objeto histórico privilegiado, capaz de revelar como as sociedades pensam o corpo, o prazer e suas relações com o poder e o sagrado. Se você se interessa por História, Filosofia, Religião, Cultura ou Gastronomia, este é o seu lugar à mesa... Seja Bem-vindo ao Comensal Podcast! Referências Carlos Roberto Antunes dos Santos. 2005. A alimentação e seu lugar na história: os tempos da memória gustativa. Felipe Daniel Ruzene. 2022. À mesa de Platão: filosofia e alimentação nos diálogos socrático-platônicos. Henrique Carneiro. 2003. Comida e Sociedade: uma História da Alimentação. Patricia Rodrigues de Souza. 2018. Comer e Rezar: o papel das práticas alimentares no estudo da religião . Ficha Técnica Episódio: #1 – A Comida e o Sagrado. Roteiro e Voz: Felipe Daniel Ruzene. Revisão de Texto: Mayara Bassanelli. Música: “Il Trillo del Diavolo”, de Giuseppe Tartini(1824). Todos os direitos reservados Comensal – História e Filosofiada Alimentação, 2026. ©

    10 min

About

Comensal Podcast – A história do mundo contada pelo que se come e se bebe! 🍷 Pílulas de História e Filosofia da Alimentação, mostrando como o que comemos revela quem somos, em que acreditamos e como vivemos. Entre comida e cultura, o programa transforma ingredientes em pesquisas e sabores em narrativas, mostrando que a alimentação é um arquivo vivo da experiência humana... Apresentado por Felipe Daniel Ruzene, historiador e filósofo da alimentação pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Paraná (PPGHIS/UFPR). Bon Appétit! 🍴