Contra o Século Podcast

André Assi Barreto

Somos Contra o Século e a favor da recuperação do transcendente contra o positivismo, o relativismo, o socialismo e o liberalismo e outras ideologias revolucionárias modernas. André Assi Barreto é especialista em extrema-esquerda. Anti-nachinalista. Todas as ideologias modernas são revolucionárias. Bom = Belo = Verdadeiro. Autor. Substack com pílulas de reflexão sobre cultura, com ênfase antissecular; textos diários. andrassibarreto.substack.com

  1. 5d ago

    Kassab entregou o jogo: o centrão não está neutro — está com Lula

    This is a free preview of a paid episode. To hear more, visit andrassibarreto.substack.com Chegamos a agosto. Depois de meses de contexto, especulação e algumas elucubrações — boa parte delas, até aqui, corretas —, o cenário está bem mais definido. Estamos a cerca de 45 dias do primeiro turno. Menos de 60 dias do pleito. É o momento em que o boletim deixa de ser exercício de antecipação e passa a ser leitura do tabuleiro que já está sobre a mesa. Esta é, até agora, a análise mais importante que publiquei neste ciclo. Não porque eu tenha uma bola de cristal. Porque, pela primeira vez neste ano, o que se vê na superfície — pesquisas, silêncio do PT, movimentação do centrão — se encaixa com o que se ouve nos bastidores. O quadro geral é este: polarização consolidada entre Lula e Flávio Bolsonaro, terceira via limitada e rejeição mútua alta. A campanha começa revelando uma disputa acirrada, marcada por movimentações ocultas do centrão e pelo ressurgimento de um escândalo no círculo presidencial. Nada disso, sozinho, decide a eleição. O conjunto decide o modo como ela será jogada. Duas coisas precisam ser ditas logo, antes da pesquisa e antes do caso Lulinha. A primeira: as verdadeiras forças que comandam o país não precisam estar no cargo executivo principal para exercer poder. MDB e PSD não precisam da faixa. Precisam das máquinas, das bancadas, do tempo de TV, da capacidade de destrancar ou emperrar pauta. Observar o que essas forças fazem e o que dizem é uma forma de deduzir a eleição com mais precisão do que olhar só a margem do Datafolha. A segunda: o PT continua calmo. Hoje é 26 de agosto. As inserções de TV ainda não começaram. Mesmo assim, o partido segue no modo silencioso — sem partir para cima, sem desgaste pesado contra Flávio. Para quem espera ver o PT fora do Palácio, isso é um mau sinal. Partido quieto, neste ponto do calendário, costuma ser partido que se sente confortável. Há quem olhe as pesquisas e veja um Flávio competitivo. Empate técnico em Minas, 31 a 30, recuperação da direita, teto de vidro do petismo. Tudo isso existe. A pergunta que esta análise faz é outra: essa performance é força real do candidato do PL — ou a tranquilidade do PT significa que há carta na manga? A carta pode ser narrativa. Pode ser horário eleitoral. Pode ser algo menos elegante. Eu não fecho essa conta ainda. Mas também não finjo que o silêncio é acaso. O elemento que amarra as duas pontas — o silêncio do PT e o movimento do centrão — tem nome e sobrenome. Gilberto Kassab. O que ele disse a empresários é o trunfo analítico deste boletim.

    Kassab entregou o jogo: o centrão não está neutro — está com Lula
  2. Aug 11

    [BOLETIM geopolítico de AGOSTO] Ormuz fechado: o preço de US$ 126 e a nova desordem global

    O Estreito de Ormuz permanece funcionalmente fechado. O que começou como uma crise regional transformou-se, em julho de 2026, no maior choque de oferta energética desde os anos 1970. Mais de 20 milhões de barris de petróleo por dia e cerca de 20% do comércio global de GNL transitam normalmente por essa passagem de apenas 34 km. Hoje, aproximadamente 2.000 navios e 6.000 marinheiros estão retidos. O Brent já superou os US$ 126 por barril. A liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas não foi suficiente para conter a onda inflacionária que se espalha da Europa aos Estados Unidos, atingindo não só a energia, mas também fertilizantes, amônia, alumínio e hélio. O Memorando de Islamabad, mediado pelo Paquistão em 17 de junho, prometia o fim simultâneo dos bloqueios. Colapsou em 8 de julho, depois que o Irã atacou novos navios comerciais — incluindo um petroleiro de GNL do Catar. Washington respondeu retomando os ataques aéreos da Operação Epic Fury e revogando isenções de sanções. O resultado é um “duplo bloqueio”: a Marinha americana e aliados cerceiam portos iranianos, enquanto o IRGC mina a navegação comercial com minas ocultas, spoofing de GPS e enxames de drones e lanchas. Os prêmios de seguro de risco de guerra multiplicaram-se por quatro a seis vezes. Além do petróleo, a cadeia de suprimentos oculta já sente o impacto. O Catar interrompeu produção de GNL e os preços do gás na Europa dispararam 45%. Entre 30% e 35% das exportações mundiais de ureia e 20% a 30% da amônia passam normalmente por Ormuz. Cortes na produção de alumínio no Bahrein e interrupções no suprimento de hélio afetam diretamente manufatura e tecnologia. A crise acelerou o realinhamento estratégico. Enquanto a OTAN enfrenta divisões internas em Ancara — orçamentos tensionados, frentes simultâneas na Ucrânia e no Golfo, e crescente dependência de fornecedores como a Coreia do Sul —, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram o Pacto de Meca. Uma nova arquitetura de defesa independente das garantias exclusivas dos Estados Unidos. O Paquistão emerge como corretor regional: ponte logística para a China, mediador e fiador militar das monarquias do Golfo. O que estamos vendo não é apenas um fechamento de estreito. É o teste de estresse da ordem comercial construída nas últimas décadas. Problemas regionais latentes podem explodir de forma súbita. O “de-risking” logístico deixou de ser teoria e virou questão de sobrevivência. Este é apenas o panorama. Assinantes pagos têm acesso ao boletim completo de agosto, com cenários de risco para o segundo semestre, implicações para o Brasil e a análise detalhada do Pacto de Meca. Assine agora e receba as próximas edições diretamente no e-mail. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit andrassibarreto.substack.com/subscribe

  3. Jul 3

    Consciência em Colisão: O Legado de Antígona

    Neste episódio, mergulhamos na Grécia Antiga para desvendar por que a tragédia de Antígona, de Sófocles, continua a ser o espelho das nossas crises éticas e jurídicas mais profundas. O Conflito Central: A trama se desenrola em Tebas, logo após uma guerra civil fratricida. O novo rei, Creonte, decreta que Etéocles, defensor da cidade, receba honras fúnebres, enquanto Polinices, o “traidor”, deve permanecer insepulto — um destino terrível para a mentalidade grega, que acreditava que o repouso da alma dependia do sepultamento. Antígona, irmã de ambos, desafia o Estado a cumprir o que considera um dever sagrado e inalienável. Destaques da Discussão: * Leis Divinas vs. Leis Humanas: Analisamos o choque entre o Direito Natural (as leis não escritas e eternas invocadas por Antígona) e o Direito Positivo (os decretos do Estado representados por Creonte). * A Visão de Hegel: Exploramos a interpretação do filósofo alemão, que vê na peça não uma luta entre o “bem” e o “mal”, mas um embate trágico entre duas esferas legítimas de eticidade: a família (oikos) e o Estado (pólis). * O Nascimento do Sujeito: Discutimos como o agir consciente de Antígona rompe a unidade da vida grega, revelando uma nova forma de consciência-de-si que assume a responsabilidade e as consequências de seus atos, mesmo diante da morte. * O Desfecho Trágico: O episódio encerra com a queda de Creonte, que, ao tentar preservar a ordem pública por meio da rigidez, acaba por destruir sua própria família e sua paz interior, aprendendo a prudência apenas por meio do sofrimento extremo. Por que ouvir? Este resumo prepara você para entender como uma obra escrita há mais de dois milênios antecipou debates modernos sobre desobediência civil, direitos humanos e os limites da autoridade política. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit andrassibarreto.substack.com/subscribe

  4. Jun 29

    O Custo Fatal da Compaixão Sem Limites

    A empatia suicida é um conceito desenvolvido pelo psicólogo evolutivo Gad Saad para descrever o malfuncionamento de uma das virtudes mais celebradas da humanidade. Embora a empatia seja um traço biológico essencial para a cooperação em espécies sociais, ela se torna patológica quando é aplicada sem critérios, em excesso, ou aos alvos errados, ignorando a lógica, a justiça e a sobrevivência do próprio grupo. De acordo com as fontes, esse fenômeno ocorre quando a compaixão substitui completamente o cálculo racional e a prudência na formulação de políticas públicas. Nas sociedades ocidentais contemporâneas, essa empatia desregulada manifesta-se em políticas que priorizam, por exemplo, o bem-estar de criminosos em detrimento das vítimas, ou a manutenção de fronteiras abertas sem considerar a capacidade de assimilação cultural dos imigrantes. Saad argumenta que esse estado emocional é frequentemente precedido por “ideias parasitas” — como o relativismo cultural —, que paralisam a capacidade do indivíduo de fazer julgamentos de valor sobre comportamentos destrutivos, rotulando qualquer crítica como intolerância. O resultado desse processo é o que o autor denomina “sepuku civilizacional”: um suicídio coletivo ritualístico onde o Ocidente, consumido por um sentimento de culpa e pelo desejo de demonstrar virtude moral, destrói suas próprias proteções e valores. Para reverter esse quadro, as fontes sugerem que a compaixão deve ser sempre balizada pela responsabilidade e pelo pensamento crítico, garantindo que o desejo de ser bondoso não resulte na aniquilação dos sistemas que permitem a existência da própria bondade. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit andrassibarreto.substack.com/subscribe

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