Olá, que bom ter você mais uma vez aqui na Zysk: além do lucro. Se você perguntar para uma criança o que ela quer ser quando crescer, ela vai dizer que quer ser um astronauta que descobre dinossauros na lua ou uma bailarina advogada veterinária! E quando foi que o nosso sonho virou pagar as contas do mês? Se você conversa com um adulto e pergunta qual o sonho dele ele vai dizer: trabalhar até tantos anos e se aposentar numa casa na praia. Quando foi que pararmos de acreditar que a gente pode tudo que a gente quiser? Por que ser adulto tem que ser pesado? Por que parece que a gente só pode viver depois que se aposentar? Talvez, seja essa a causa da pressa que vemos no mundo de hoje de tanta gente nova querendo se aposentar cedo… E se a gente tornasse a vida mais leve, e se a gente se organizasse para viver enquanto constrói o futuro? Não do jeito pesado de “ai meu Deus, mais um pratinho para equilibrar!” Mas se organizar financeiramente, e na agenda, pra fazer o que nos faz bem! Tomar um café com os amigos ou familiares à tarde, um fim de semana com quem você ama. Se você sempre gostou de pintura, artes, cantar, tocar algum instrumento e acabou entendendo que era melhor escolher outra carreira, por que não ter um hobby relacionado a essa atividade que você tanto gosta? “Ai, mas eu não tenho tempo pra me dedicar e ficar boa nisso…” Mas é aí que está a graça do hobby: você não precisa ser bom nessa atividade, você só precisa ser feliz! Você pode fazer o quadro mais feio, você pode fazer um bolo que ficou solado, você pode cantar mal, você pode dançar de maneira estranha… mas você se divertiu no processo! Se você quiser se aperfeiçoar no seu hobby: “Poxa, eu gosto tanto disso, queria fazer um quadro que desse pra por na sala, um bolo que desse pra ser comido ou cantar de uma forma mais agradável pra mim” Por que não procurar alguns cursos ou vídeos ou aulas pra melhorar? Mas sem a obrigação de tirar 10, só pelo prazer de viver aquele momento. Então apesar da minha reflexão essa semana não parecer ter nenhuma relação com o planejamento financeiro na verdade ela é a mais importante de todo o planejamento. A base de qualquer planejamento financeiro é o autoconhecimento e priorizar o que te importa é equilibrar o presente bem vivido com um futuro proveitoso. Mas o que você vai querer construir para futuro, se não souber o que gosta? Você quer uma casa na praia ou na montanha? Você quer um imóvel de veraneio ou prefere a liberdade de sempre poder viajar para um lugar diferente? Você prefere fazer viagens para lugares perto ou menos viagens internacionais? Você gostaria de aprender algum idioma antes dessas viagens? Ou prefere aprender mais sobre a cultura do lugar antes de ir e quanto ao idioma você vai com guia? Você gosta mais de parques de diversões ou de museus e história? ….Além da planilha Pensando em escolhas eu lembrei de algo que aconteceu quando eu era pequena. Uma vez, eu fui na casa de um amigo e cheguei falando pra minha mãe que a casa dele era muito maior que a nossa. “Por que a gente não muda para o prédio dele?” E a resposta da minha mãe veio rápida: “Por que a gente mudaria? Te falta espaço ou alguma coisa aqui?” “Não, eu gosto daqui” “Então, se você é feliz aqui por que você quer mudar? Só por que alguém tem uma casa maior que a sua?” Às vezes a gente se impressiona de mais com o que o outro tem, admira e quer igual, mas será que o que satisfaz o outro, também é o que satisfaz a gente? Se o meu sonho é morar num sobrado no interior eu posso comprar um triplex no metro quadrado mais caro de São Paulo que eu não vou ficar mais feliz. Se eu tenho medo de voar, ter um helicóptero, por mais que me faça economizar mais tempo, não vai me fazer mais feliz ou confortável. Se eu gosto mais de piscina do que de mar, ter um barco pode não ser a melhor escolha para o meu dinheiro. Ah, mas eu aprendi que sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho! E eu não poderia concordar mais! Mas as dimensões dos seus sonhos fazem sentido com o que você quer e gosta? Não estou falando para você limitar seus sonhos, por causa do seu salário atual, por exemplo, nenhum um pouco! Se eu não posso ter um avião particular hoje, eu posso ter o sonho, a meta de ganhar o suficiente para poder ter um avião! Mas não é porque eu posso ter, que eu preciso ter… Eu ouvi de uma pessoa muito querida uma vez que o sonho dele era poder comprar uma Mercedes 0km! Ele trabalhou, investiu, atingiu um bom patamar financeiro e quando chegou lá, olhou no saldo do banco e falou “Agora eu posso comprar uma Mercedes!”. Ele então fechou o extrato e disse “Eu tenho o dinheiro pra comprar, mas eu não quero comprar”. Ele entendeu que não precisava do carro para mostrar para ninguém que podia, ele sabia que podia e isso bastava. Ah, mas e se ele comprasse? Estaria errado? Nenhum pouco! A gente trabalha e investe para realizar sonhos, só que os nossos sonhos e não os dos outros… Talvez essa pessoa tenha ouvido algum dia que ter uma Mercedes 0km era o sinal de sucesso e por isso esse marco era importante para ele e não o carro em si. Agora, se o sonho da vida dele era ter aquele carro, era só comprar e ser feliz, porque aí sim o carro traria felicidade. Agora se fosse só pra ser um marco de sucesso ou porque alguém disse que tem que ter pra ser alguém, era capaz de ele comprar o carro e nem se sentir tão mais feliz… …Além da cifra O tema do além da cifra de hoje é um clássico da literatura que muita gente conhece de nome, mas que acabou sendo muito mal compreendido ao longo do tempo: o livro Pollyanna, de Eleanor H. Porter (meu livro favorito quando pequena). Você já deve ter ouvido a expressão “síndrome de Pollyanna” sendo usada de forma irônica para descrever alguém bobo, infantil ou alienado, que ignora os problemas do mundo e vive sorrindo. Mas a verdade é que o livro original não trata disso. Na história, a personagem aprendeu o “Jogo do Contente” com seu pai para aprender a encontrar algo pelo qual ser grata em qualquer situação. É o famoso ver o copo meio-cheio, é a história dos 3 “ainda bem que” quando algo de ruim nos acontece que ficou tão famosa recentemente nas redes sociais. No inglês original, a palavra usada não é happy (contente/feliz no sentido comum), mas sim glad, que carrega o significado de um feliz de grato, agradecido. O jogo não nasce de uma vida perfeita; ele nasce da escassez, como uma ferramenta de resiliência para lidar com as dificuldades reais da vida. Ele também não tem a ver com o conformismo, quem já leu sabe que a Pollyanna continuava tendo sonhos, mas isso não a impedia de enxergar a beleza do que tinha no momento. O otimismo real não é ignorar que os problemas existem. É saber que, mesmo em uma semana difícil, a gente pode treinar o olhar para valorizar o que está dando certo. A grande virada do “Jogo do Contente” aplicado à nossa vida, e ao nosso patrimônio, é conseguir ser agradecido, feliz com o que temos enquanto enquanto construímos o que desejamos. É assim que podemos encontrar aquele equilíbrio que conversamos no começo dessa newsletter entre viver bem o presente que temos enquanto construímos o futuro que desejamos. O meu conselho pra você essa semana é: retome essa conversa com você mesmo: hoje, se você pudesse qualquer coisa: o que você seria/faria? E na sua realidade de hoje o que você tem pra ser grato? Até a próxima sexta, Stephanie Kenig Planejadora Financeira, CEA Se essa forma de ver o dinheiro faz sentido para você, te convido a assinar a nossa newsletter para receber as próximas edições This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit zyskconsultoriafinanceira.substack.com