Se Não Sabes Pergunta

Paulo Anjos

| Um podcast de Paulo Anjos | Setubalense da Fonte Nova paulomauanjos.substack.com

  1. 2d ago

    Jerónimo Matias: o operário que se fez autarca

    Neste sétimo episódio, convidei um homem profundamente ligado ao mundo do trabalho, à política, ao PCP e às autarquias. Nasceu numa mina de carvão em 1946, mais precisamente, na mina de Jungéis, ou mina da Ordem, na freguesia de Santa Susana, em Alcácer do Sal, mesmo na fronteira entre os distritos de Setúbal e de Évora. A mina fechou em meados do século passado e dela e das casas dos mineiros apenas restam ruínas, mas o Jerónimo Matias, esse cá continua, e bem irrequieto, passados oitenta anos. São muitos anos, e ele ocupou-os muito bem a fazer a revolução, a defender os trabalhadores, a construir coisas nas autarquias por onde andou, muitas vezes com as próprias mãos. O Matias foi operário, coordenador da comissão de trabalhadores de uma das maiores empresas portuguesas, a Setenave, presidente da que foi uma das maiores Juntas de Freguesia do país, a de São Sebastião, membro de comissões de moradores em Setúbal, vereador em Alcácer do Sal e responsável pelo Parque Municipal de Poçoilos, em Setúbal, irreconhecível depois de tudo o que ele lá fez durantes os mandatos da CDU. O Matias deu-me a honra de escrever uma nota introdutória num pequeno grande livro que editou em fevereiro passado e que acaba de reeditar, com mais informação. Logo nas primeiras linhas deste livro, a que chamou “História de Vida”, explica-nos de onde lhe vem a profunda consciência de classe. Aí, afirma-se como “filho de trabalhadores rurais, órfão de mãe, desde os dois meses de idade. Ainda que sendo mais novo que as duas irmãs, desde muito cedo”, diz, cedo se apercebeu das “dificuldades e amarguras da vida”. Tinha 13 ou 14 anos quando deu o salto para Setúbal, para a casa de uma tia que morava no Bairro Afonso Costa. Por aqui ficou desde então. É um setubalense da mina de Jungéis. Get full access to Paulo Anjos at paulomauanjos.substack.com/subscribe

  2. Jul 3

    Constantino Alves: Padre e Operário

    Na verdade, Constantino Alves nasceu em Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, em 1948, e chegou a Setúbal em 1978. Embora tivesse já concluído os estudos de teologia, não veio para ser imediatamente padre. Aqui chegado, em época de salários em atrasos, de fome, de enormes dificuldades, de sucessivos encerramentos de empresas, viria a ser ordenado padre, em 1 de novembro de 1980, pelo primeiro Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins. Na verdade, foi ordenado padre operário, um movimento que tem origem em França, na década de quarenta do século passado, e, mais tarde, muitos pontos de ligação com a teologia da libertação nascida na América Latina. Embora nenhum dos movimentos se definisse como marxista, ambos recorreram, em diferentes graus, a instrumentos de análise inspirados no marxismo para compreender as relações de exploração económica e social. Além de padre, de operário metalúrgico, de dirigente sindical, tem também um mestrado em Serviço Social, concluído em 2012 na Universidade Católica, que dedicou ao tema “Percursos de Vida de Trabalhadores Desempregados de Setúbal – Mundo do Trabalho em Mudança”. É bem conhecido dos setubalenses, não pelo percurso académico, mas acima de tudo pela obra notável que tem desenvolvido na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, numa das zonas mais desfavorecidas do concelho. Aí, criou um restaurante social e uma clínica dentária para acudir aos que que mais dificuldades têm. Get full access to Paulo Anjos at paulomauanjos.substack.com/subscribe

  3. Jun 30

    Padre Constantino Alves em grande entrevista no "Se Não Sabes Pergunta"

    Embora tivesse já concluído os estudos de teologia, não veio de Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, em 1978, para ser imediatamente padre. Aqui chegado, em época de salários em atrasos, de fome, de enormes dificuldades, de sucessivos encerramentos de empresas, viria a ser ordenado padre, em 1 de novembro de 1980, pelo primeiro Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins. Na verdade, foi ordenado padre operário, um movimento que tem origem em França, na década de quarenta do século passado, e, mais tarde, muitos pontos de ligação com a teologia da libertação nascida na América Latina. Ainda que nenhum dos movimentos se definisse como marxista, ambos recorreram, em diferentes graus, a instrumentos de análise inspirados no marxismo para compreender as relações de exploração económica e social. A fé, para estes padres operários e para os seguidores da teologia da libertação, não era vista apenas como realidade espiritual, mas também como um compromisso concreto na transformação da sociedade. Além de padre, de operário metalúrgico, de dirigente sindical, tem também um mestrado em Serviço Social, concluído em 2012 na Universidade Católica, que dedicou ao tema “Percursos de Vida de Trabalhadores Desempregados de Setúbal – Mundo do Trabalho em Mudança”. Uma tese que é, aliás, percorrida por uma análise de base marxista, e se não for assim terei todo o gosto em ser contrariado por Constantino Alves. É bem conhecido dos setubalenses, não pelo percurso académico, mas acima de tudo pela obra notável que tem desenvolvido na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, numa das zonas mais desfavorecidas do concelho. Aí, criou um restaurante social e uma clínica dentária para acudir aos que que mais dificuldades têm. É, sobretudo, conhecido por estar ativamente ao lado dos que são pobres, não de forma passiva, mas sempre a lutar contra essa pobreza e a contribuir com as soluções para a atenuar, se não mesmo para a eliminar. Foi notória esta postura na demolição das habitações precárias na Quinta da Parvoíce e na antiga Mecânica Setubalense, postura que, aliás, não o livrou de ser olhado como um radical na forma de atuar. Get full access to Paulo Anjos at paulomauanjos.substack.com/subscribe

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