Estante Católica

Raylson Novais

Um mergulho nos grandes livros da fé católica, episódio a episódio. Começamos pela patrística — os escritos dos Padres da Igreja como Santo Agostinho, Santo Inácio de Antioquia e São João Crisóstomo — e seguimos pelas obras dos santos que moldaram a espiritualidade cristã ao longo dos séculos. Cada episódio apresenta o contexto, as ideias centrais e a atualidade de uma obra, de forma acessível para quem quer conhecer as raízes da fé. Novos episódios toda semana.

  1. Oct 5

    Padres da Igreja #90 · São Cipriano de Cartago — A Unidade da Igreja Católica: De um só rebanho e um só pastor

    assada a perseguição, o perigo mudou de endereço. Já não era o magistrado que ameaçava a Igreja de fora: era o cristão que se separava dela por dentro, sem deixar de se chamar cristão. Cipriano escreve para dizer, sem rodeios, o que se perde nessa separação. Escrita em 251, logo depois da perseguição de Décio, e revista pelo próprio autor poucos anos depois, A Unidade da Igreja Católica vai do diagnóstico — o inimigo trocou a perseguição aberta pela heresia e pelo cisma — à unidade fundada em Pedro e no episcopado uno e indiviso, passa ao que o cismático perde, batismo, sacrifício e martírio, e termina falando aos confessores que tinham acabado de sofrer pela fé: ter confessado o nome de Cristo não põe ninguém acima da unidade da Igreja. É a obra em que estão a túnica inconsútil, o rebanho e o pastor, e a frase que atravessou dezessete séculos: já não pode ter Deus por pai quem não tem a Igreja por mãe. O episódio trata também do capítulo 4, que chegou até nós em duas redações; as duas acompanham o texto deste episódio. *Tolle, lege* — toma e lê. 🎧 Episódio anterior: Padres da Igreja #89 · Santo Agostinho — A Cidade de Deus, Livro XXII: A ressurreição e o sábado sem fim ⚠️ Conteúdo de áudio gerado por inteligência artificial a partir da tradução do latim original, feita a partir do Corpus Corporum (Migne) e, para a variante do capítulo 4, de Hartel (CSEL 3.1).

  2. Sep 30

    Doutores da Igreja #09 · Santa Teresa do Menino Jesus — Manuscrito C: O amor atrai o amor

    Entre junho e o começo de julho de 1897, doente e dentro da provação da fé, Teresa do Menino Jesus escreve as últimas páginas dos seus manuscritos. Fala de emprestar sem nada esperar, de noviças que a acham severa, de uma irmã enferma que ela conduzia ao refeitório. E as últimas linhas, a lápis, terminam assim: pela confiança e o amor. Na segunda metade do Manuscrito C, dirigido à priora Madre Maria de Gonzaga, Teresa passa da caridade exterior à caridade puramente espiritual: nem os pensamentos recebidos de Deus lhe pertencem, e quem se crê dono deles é, na imagem dela, o asno carregando relíquias. Conta como formou as noviças, pequeno pincel na mão de Jesus, e por que prefere o vinagre ao açúcar. Fala da oração que é um simples olhar lançado para o Céu, do terço que lhe custa, da Irmã São Pedro e dos dois missionários que recebeu por irmãos. Depois encontra num versículo do Cântico dos Cânticos, atraí-me, nós correremos, o meio de rezar por todos, e toma de empréstimo a oração de Jesus ao Pai na última noite. O episódio fecha o volume onde o texto termina: ela parou de escrever ali e morreu em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. Tolle, lege — toma e lê. 🎧 Episódio anterior: Doutores da Igreja #08 · Santa Teresa do Menino Jesus — Manuscrito C: A pequena via e o túnel da fé ⚠️ Conteúdo de áudio gerado por inteligência artificial a partir da tradução do francês original, feita a partir dos manuscritos autógrafos de Santa Teresa do Menino Jesus (transcrição das Archives du Carmel de Lisieux).

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