Hora da ciência

Poraquê

Este é o podcast da revista Poraquê.

Episodes

  1. 1d ago

    Episódio 16, de 02.10.2026

    Hey! I'd love to hear your thoughts, send me a voice note. Neste episódio, Fabrício Marques conversa com o biólogo Eduardo Eizirik (02:15), professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). O pesquisador fala sobre a identificação de uma nova espécie de felino, a primeira em mais de 100 anos: o gato selvagem Leopardus tilcayo. O animal pesa cerca de 1,3 quilograma, tem manchas que lembram as de um leopardo e habita florestas da Cordilheira dos Andes, na Bolívia. A descoberta foi publicada em um artigo na revista Current Biology, que também traz outras novidades sobre a história evolutiva dos felinos selvagens. Terra indígena (15:49) O convidado especial do programa é o fotojornalista Rafael Vilela. Há seis anos, ele documenta a vida de um grupo de 700 indígenas guaranis que se mobilizam pela preservação de seu território: um pequeno trecho de floresta espremido entre duas grandes rodovias ao redor do Pico do Jaraguá, nas franjas da maior metrópole brasileira, São Paulo. A terra indígena, que tem oficialmente apenas 1,6 hectare de extensão, deverá incorporar 532 hectares de floresta em seus arredores. Jogos eletrônicos e violência (27:10) Jogos eletrônicos violentos geram comportamentos agressivos em seus usuários? Hora da Ciência entrevista Rodrigo Queiroz de Aguiar, que investigou o tema em uma pesquisa de mestrado em sociologia na Universidade Federal de Goiás (UFG). Seu trabalho sugere que manifestações de agressividade de jogadores não são produto do caráter violento dos jogos, mas sim dos ambientes hostis de comunidades de jogos on-line, marcados por alta competitividade e isolamento social. Consumo de peixe (37:41) Mariana Bender, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, apresenta um estudo, publicado na revista Nature Food, que sugere um conjunto de estratégias para aumentar o consumo de carne de peixe no Brasil sem incorrer em uma ampliação da pesca, que já é excessiva em muitas áreas do litoral. O consumo médio de pescados no país, de 5,3 kg per capita por ano, é inferior à metade do nível recomendado. Degradação da vida aquática (47:54) Fechando o programa, o biólogo Luis Schiesari, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), explica como o processo de urbanização causou o colapso dos ecossistemas de riachos que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo. Seu grupo avaliou 30 microbacias na região do Alto Tietê e mostrou que mesmo aquelas com apenas 12,5% de ocupação urbana já sofriam uma forte degradação da vida aquática.

  2. Sep 25

    Ep. 15 | 25.09.26

    Hey! I'd love to hear your thoughts, send me a voice note. Neste episódio, Hora da Ciência conversa com o neurocientista Dráulio Barros de Araújo (2'54"), professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ele fala sobre um estudo realizado por um consórcio internacional de pesquisadores que mostrou que compostos psicodélicos aumentam a conectividade de áreas do cérebro e tornam a atividade cerebral mais integrada e menos rígida. O trabalho, publicado na revista Nature Medicine, analisou onze conjuntos de dados de pessoas submetidas a ressonância magnética funcional sob efeitos de cinco diferentes drogas psicodélicas: a psilocibina, o LSD, a mescalina, a DMT e a ayahuasca. A convidada especial do programa é Renata Fontanetto (15'40"), jornalista especializada em ciência, saúde e meio ambiente e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no Rio de Janeiro. Ela discute o potencial das ferramentas oferecidas pelo Observatório da Transição Energética, plataforma criada por jornalistas e pesquisadores que monitora os impactos gerados por empreendimentos de energia renovável em terras indígenas e quilombolas, unidades de conservação e assentamentos de reforma agrária no país. Hora da Ciência traz, ainda, uma entrevista com a bióloga Fernanda Silva (29'39"), da organização The Nature Conservancy, especialista em conservação de peixes de água doce da bacia amazônica. A pesquisadora apresenta os resultados do relatório ‘Peixes esquecidos da Amazônia’, um documento que combina evidências científicas e conhecimentos tradicionais sobre as 2.700 espécies de água doce do maior sistema fluvial do mundo. O programa mostra também as conclusões de um artigo que avaliou a reação de funcionários públicos do Brasil e dos Estados Unidos a ataques desferidos contra a burocracia pública no primeiro governo de Donald Trump, entre 2017 e 2021, e no de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022. A entrevistada do programa é a autora brasileira dessa pesquisa comparativa: Mariana Costa Silveira (40'09"), professora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP. Fechando o programa, a socióloga Maíra Saruê (50'03"), diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, discute os resultados de um levantamento que mostra como o medo da violência afeta as mulheres de maneira mais intensa do que os homens. De acordo com a pesquisa, 94% das mulheres afirmaram se sentir inseguras diante da violência no cotidiano, ante 84% dos homens. Em deslocamentos pela cidade, a diferença também aparece, embora seja menor: 94% das mulheres e 90% dos homens disseram sentir medo da violência nessas situações.

  3. Sep 18

    EP 14 | 18.09. 2026

    Hey! I'd love to hear your thoughts, send me a voice note. Neste episódio, Hora da Ciência conversa com o físico Saulo Ribeiro de Freitas (3'00"), pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele é um dos responsáveis pela criação do Monan, sigla para Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera, um novo sistema computacional de previsão do tempo e do clima. Freitas explica como o modelo foi desenvolvido com participação de instituições do Brasil e de países latino-americanas e o impacto que terá na qualidade das previsões meteorológicas. A bióloga Patricia Ruggiero (14'11"), que faz pós-doutorado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), apresenta uma análise dos efeitos do crédito rural na expansão de atividades agrícolas e pecuárias na Amazônia. Uma das conclusões de seu estudo, publicado na revista PNAS, é que o crédito rural tanto pode contribuir para o desmatamento, quando expande atividades sobre novas áreas de floresta, como também pode poupar a vegetação nativa, quando as atividades se concentram em áreas já cultivadas, aumentando a produtividade. Hora da Ciência também traz uma entrevista com a nutricionista Jacqueline Wahrhaftig (23'54"), estudante de doutorado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela avaliou os progressos do Brasil em relação ao cumprimento das metas de 2030 para reduzir fatores de risco de doenças crônicas não transmissíveis, que são enfermidades como câncer, diabetes e infarto. O trabalho mostra que as metas estabelecidas para fatores de risco como o tabagismo e o consumo de bebidas serão alcançadas e superadas. Na contramão, o consumo de álcool está em alta, principalmente entre mulheres. Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) observaram que a implantação de escolas de tempo integral no estado de São Paulo reduziu a incidência de crimes contra o patrimônio nos arredores das escolas. A diminuição de roubos e furtos foi mais significativa no horário escolar e os crimes cometidos por menores de idade caíram de maneira destacada. Hora da Ciência entrevista um dos autores da pesquisa, Alei Santos (37'56"), professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV. Fechando o programa, Ana Arnt (50'41"), professora do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), conta quais foram os destaques do 4º Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciências (EBDC). O evento, realizado no Instituto Principia, em São Paulo, entre os dias 5 e 7 de setembro, discutiu a produção de ciência e a comunicação científica em países do Sul Global, especialmente na América Latina e África.

  4. Sep 11

    EP 13, | 11.09.2026

    Hey! I'd love to hear your thoughts, send me a voice note. Hora da Ciência conversa com Luciana Caetano (2'24"), professora do Instituto de Psicologia da USP, sobre um estudo realizado com 643 adolescentes de Pernambuco e São Paulo. Os jovens revelaram suas percepções sobre mensagens emitidas por amigos, pais e professores em relação à igualdade de pessoas homossexuais e heterossexuais - se são mensagens positivas, a favor da inclusão, ou de conotação negativa e homofóbica. Spoiler: o grupo que mais emitiu mensagens positivas sobre igualdade independentemente da orientação sexual foi o dos professores. O programa também traz uma entrevista com a agrônoma Christiane Paiva (16'39"), pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), uma das vencedoras da 8ª edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia. Primeira mulher a receber o prêmio, que é concedido desde 2019 pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a agrônoma foi reconhecida pelo desenvolvimento de soluções biológicas para a agricultura. Ela estuda microrganismos que ampliam a oferta de nutrientes para as plantas, estimulam seu crescimento e ajudam no controle de doenças. O sociólogo Arilson Favareto (28'59"), professor da Universidade Federal do ABC e diretor científico do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), apresenta um estudo segundo o qual a manutenção dos modelos vigentes de produção de energia e de alimentos vai custar mais caro do que investir na transformação desses modelos. O documento, produzido pelo Cebrap e o Instituto ClimaInfo, sustenta que a transição ecológica é uma oportunidade para reposicionar a economia brasileira em um cenário internacional marcado pela descarbonização e pela reorganização de cadeias produtivas. A convidada especial do programa é Mariana Lenharo (42'24"), jornalista brasileira especializada em ciência e saúde, repórter de ciências da vida da revista Nature. Ela analisa os resultados de um artigo que mostrou que o cérebro de pessoas com depressão tem um desempenho aparentemente pior na produção de novos neurônios do que o cérebro de quem não tem o transtorno. Em agosto, a jornalista escreveu uma reportagem em que mostra como esse estudo avança na compreensão da doença e pode auxiliar na busca por novos alvos terapêuticos. Fechando o programa, o químico Rivelino Cavalcante (53'04"), professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), avalia a extensão da contaminação de caranguejos em manguezais dos estados do Ceará e Pernambuco com substâncias que podem ser nocivas à saúde humana, os análogos de bisfenol, usados como aditivos na produção de plásticos. Seu método para detectar análogos de bisfenol no organismo dos caranguejos pode ajudar a verificar a vulnerabilidade dos manguezais à poluição doméstica e industrial.

  5. Sep 4

    EP 12 | 04.09. 2026

    Hey! I'd love to hear your thoughts, send me a voice note. Neste episódio do Hora da Ciência, a bióloga Santuza Teixeira (2'44"), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fala sobre avanços recentes no desenvolvimento de terapias e imunizantes de RNA mensageiro para combater o câncer e doenças tropicais. Também conta como o Brasil está investindo nesse tipo de estratégia terapêutica. Pesquisadora do Centro de Tecnologia em Vacinas, ligado à UFMG e à Fiocruz, ela coordena o recém-criado Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA, sediado em Belo Horizonte. Daniela Chiaretti (18'38"), jornalista especializada na cobertura dos impactos da crise climática e repórter especial do jornal Valor Econômico, explica por que houve poucos resultados concretos na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, que terminou no dia 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia. Embora a delegação dos Estados Unidos tenha bloqueado avanços nos tópicos mais relevantes da conferência, como a definição de um protocolo global contra as secas, outros países, entre os quais o Brasil, conseguiram evitar grandes retrocessos. Hora da Ciência também traz uma entrevista com o geólogo Cristiano Mazur Chiessi (32'11"), professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, sobre a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), sistema de correntes oceânicas que vem perdendo força por conta do aquecimento global. Ele apresenta os resultados de um estudo que concluiu que o funcionamento desse sistema é mais complexo do que se considerava: no passado, a Amoc teve ganhos inesperados de intensidade em fases em que se encontrava enfraquecida. O programa mostra como vai ser a Review-a-thon, uma maratona global em que pesquisadores e estudantes irão avaliar preprints em tempo real. Preprints são versões iniciais de estudos científicos que ainda não foram avaliados por especialistas, ou seja, ainda não passaram pela etapa de validação conhecida como revisão por pares. O entrevistado do Hora da Ciência é um dos pesquisadores que coordenam o evento no Brasil, Carlos Herold Junior (42'27"), professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná. Fechando o programa, a historiadora Monica Martins (50'17"), professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ), faz um relato sobre a criação da base de dados Inventiva Brasileira, que reuniu na internet informações sobre quase 2 mil patentes concedidas no Brasil no século XIX. As informações foram levantadas em um projeto de pesquisa sobre exposições universais, grandes eventos internacionais em que os países apresentavam seus produtos e invenções, e sobre a relação dessas exposições com o processo de inovação no Brasil naquela época.

  6. Aug 27

    EP 11 | 28.08.2026

    Hey! I'd love to hear your thoughts, send me a voice note. Neste episódio, Fabrício Marques conversa com a socióloga Bianca Lombarde, estudante de doutorado e integrante do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP). Ela fala sobre os resultados de um estudo que analisou um efeito inesperado do uso de câmeras corporais pela Polícia Militar de São Paulo: o aumento no registro de boletins de ocorrência de violência doméstica contra mulheres. A explicação para esse aumento é que policiais usando câmeras seguem com mais rigor os protocolos e conduzem com mais frequência até delegacias da mulher os envolvidos em violência doméstica. Hora da Ciência também traz uma entrevista com o agrônomo Nuno Madeira, pesquisador da Empresa Hortaliças, em Brasília, sobre o lançamento no mercado de cultivares de duas hortaliças – bertalha e caruru – que pertencem ao grupo de Plantas Alimentícias Não Convencionais, as chamadas Panc. As Panc são vegetais em geral produzidos em pequena escala, mas que têm boa qualidade nutricional e podem ajudar a diversificar a dieta das pessoas. O convidado especial do programa é Igor Zolnerkevic, jornalista científico e físico. Ele relata que pesquisadores de um experimento internacional de física – o Beijing Spectrometer III – detectaram pela primeira vez uma partícula que possui as propriedades previstas para ser uma ‘glueball’. Até então hipotética, a glueball seria composta por um aglomerado de glúons, os responsáveis por manter os quarks unidos dentro de cada próton e nêutron. O anúncio da provável detecção foi feito no Brasil, no início do mês, durante a Conferência Internacional de Física de Altas Energias, realizada em Natal. O programa mostra, ainda, que pegadas de 130 milhões de anos encontradas em uma pedreira de arenito no extremo sul de Santa Catarina trazem novas pistas sobre a evolução de mamíferos. O tamanho das pegadas, de 10 centímetros de comprimento por 12 de largura, sugere que um ancestral de mamífero significativamente maior do que as espécies da época conhecidas até então andava pela paisagem desértica daquela região nos tempos dos dinossauros. A paleontóloga Aline Ghilardi, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica a importância da descoberta. Fechando o programa, a médica Bárbara Sarni Sanches, estudante de doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta como disparidades sociais e regionais no Brasil influenciam as taxas de mortalidade de um tipo comum de câncer pediátrico: a leucemia linfoide infantil. A letalidade aumentou no Brasil entre 2000 e 2021 na população com até 19 anos, mas principalmente em regiões com maior vulnerabilidade social, como o Norte e o Nordeste, enquanto as regiões Sul e Sudeste tiveram taxas estáveis ou em declínio.

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