Quando alguém se sente triste, ansioso ou com raiva, o reflexo de muitos, principalmente entre os mais jovens, é abrir um chatbot e pedir um conselho. Estudos recentes mostram que 19,2% dos jovens americanos entre 12 e 21 anos e 22% dos adultos já fizeram isso. Mas existe um efeito menos discutido: quanto mais delegamos o esforço de pensar ao modelo, mais treinamos o cérebro para não pensar. Pesquisas já associam esse fenômeno, chamado de cognitive offloading, à diminuição do pensamento crítico. Neste episódio do Papo de Psiquiatra, retomamos o debate sobre o impacto da inteligência artificial na saúde mental, agora com foco nos riscos. Discutimos a tendência desses modelos de querer agradar e prender o usuário, comparando o engajamento infinito das IAs ao scroll infinito das redes sociais, e o impacto no aprendizado, principalmente de estudantes, com os conceitos descritos na literatura como deskilling, never-skilling e miss-skilling, que mostram como o mau uso pode comprometer a aquisição de habilidades, enquanto o bom uso pode transformar a IA em um professor particular. Abordamos também os dados do relatório da OpenAI de outubro de 2025, que identificou indicadores explícitos de intenção suicida em 0,15% das conversas semanais do ChatGPT, cerca de 1,2 milhão de pessoas, e possíveis sinais de psicose ou mania em 0,07%, próximo de 500 mil por semana. Esclarecemos que ainda não há literatura que comprove causalidade entre o uso dessas ferramentas e quadros como psicose e mania, embora os casos de exacerbação mereçam atenção clínica. E avisamos que o podcast passará por uma reformulação, publicando em frequência menor por um tempo, com novidades como a newsletter que estamos preparando. Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios: papodepsiquiatra.com.br Hosts: Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranas Dr. Marcos Croci @drmarcoscroci Dr. Pedro Rosa @pedrogomesrosa