Papo de Psiquiatra

Dr. Pedro Rosa, Dr. Marcelo Brañas, Dr. Marcos Croci

Podcast apresentado por Dr. Pedro Rosa, Dr. Marcelo Brañas, Dr. Marcos Croci sobre Saúde Mental.

  1. 5d ago

    #215 - Riscos do uso de I.A. em saúde mental.

    Quando alguém se sente triste, ansioso ou com raiva, o reflexo de muitos, principalmente entre os mais jovens, é abrir um chatbot e pedir um conselho. Estudos recentes mostram que 19,2% dos jovens americanos entre 12 e 21 anos e 22% dos adultos já fizeram isso. Mas existe um efeito menos discutido: quanto mais delegamos o esforço de pensar ao modelo, mais treinamos o cérebro para não pensar. Pesquisas já associam esse fenômeno, chamado de cognitive offloading, à diminuição do pensamento crítico. Neste episódio do Papo de Psiquiatra, retomamos o debate sobre o impacto da inteligência artificial na saúde mental, agora com foco nos riscos. Discutimos a tendência desses modelos de querer agradar e prender o usuário, comparando o engajamento infinito das IAs ao scroll infinito das redes sociais, e o impacto no aprendizado, principalmente de estudantes, com os conceitos descritos na literatura como deskilling, never-skilling e miss-skilling, que mostram como o mau uso pode comprometer a aquisição de habilidades, enquanto o bom uso pode transformar a IA em um professor particular. Abordamos também os dados do relatório da OpenAI de outubro de 2025, que identificou indicadores explícitos de intenção suicida em 0,15% das conversas semanais do ChatGPT, cerca de 1,2 milhão de pessoas, e possíveis sinais de psicose ou mania em 0,07%, próximo de 500 mil por semana. Esclarecemos que ainda não há literatura que comprove causalidade entre o uso dessas ferramentas e quadros como psicose e mania, embora os casos de exacerbação mereçam atenção clínica. E avisamos que o podcast passará por uma reformulação, publicando em frequência menor por um tempo, com novidades como a newsletter que estamos preparando. Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios: papodepsiquiatra.com.br Hosts: Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranas Dr. Marcos Croci @drmarcoscroci Dr. Pedro Rosa @pedrogomesrosa

  2. Sep 1

    #214 - Transtorno Borderline: O papel da família nos dias sem crise.

    Neste novo episódio do Papo de Psiquiatra, aprofundamos a discussão sobre o manejo intrafamiliar do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). Muitas famílias passam a viver em um modo de emergência permanente, aguardando com apreensão a próxima desregulação. O grande equívoco dessa dinâmica é que o verdadeiro trabalho de estruturação e manejo do transtorno acontece justamente nos dias sem crise. É nesse intervalo de estabilidade que a família aprende a estabelecer uma relação mais saudável com o paciente, evitando que o vínculo se transforme em um processo puramente terapêutico e exaustivo.Costumamos observar duas posturas disfuncionais se repetindo nos lares de pacientes com TPB: o afastamento, que surge do desgaste prolongado e acaba sendo interpretado pelo indivíduo como abandono, e a vigilância excessiva, que cerceia a liberdade e rompe a intimidade. O caminho do meio exige diminuir a intensidade emocional do ambiente sem diminuir o afeto, a presença ou a proximidade. Tornar o ambiente familiar mais calmo e reduzir o excesso de agitação funciona como um andaime de suporte fundamental para que a pessoa se desenvolva com segurança.Para que essa estabilidade seja alcançada, a recomendação central envolve o uso de uma comunicação assertiva, baseada em fatos e livre de julgamentos precipitados, reduzindo a reatividade emocional dentro de casa. Sugerimos que conversas difíceis sejam sistematicamente postergadas para momentos de calma. Além disso, ao investir na construção conjunta de atividades prazerosas que não tenham qualquer relação com o tratamento ou com a doença, a família cria uma reserva inestimável de memórias positivas, fortalecendo os vínculos e prevenindo ativamente novos episódios de desestabilização.Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios e encontrar materiais adicionais: papodepsiquiatra.com.brHosts:Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranasDr. Marcos Croci @drmarcoscrociDr. Pedro Rosa @drpedrogomesrosa.

  3. Aug 25

    #213 - O que fazer durante a crise do seu familiar com Transtorno de personalidade borderline?

    Quando um familiar com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) entra em crise, a reação mais comum de quem está ao lado é rebater a crítica, tentar provar quem tem razão ou apontar que a situação está sendo exagerada. O problema é que, no auge da ativação emocional intensa, o paciente está cognitivamente rígido. Tentar discutir fatos ou corrigir sentimentos nesse momento não produzirá o resultado esperado. Antes de qualquer intervenção lógica, o paciente precisa sentir que não está sozinho e que o ambiente ao redor é seguro o suficiente para que a desregulação diminua.Neste episódio do Papo de Psiquiatra, abordamos o papel fundamental dos familiares no suporte a pessoas com TPB. Inicialmente, desmistificamos a ideia de que a dinâmica familiar é a única causa do transtorno, destacando a relevância central dos fatores genéticos e biológicos. Em seguida, discutimos as orientações amparadas por uma literatura robusta sobre como estruturar o ambiente doméstico para reduzir a frequência das crises. O foco é manter um ambiente calmo, evitar reações defensivas diante de críticas e não tentar resolver problemas complexos durante picos de alta carga emocional.Abordamos também o que fazer e o que evitar no momento agudo, explicando por que os ultimatos feitos sob o desespero tendem a agravar o quadro clínico. Enfatizamos a necessidade de estabelecer limites firmes contra agressões e introduzimos o conceito de "egoísmo saudável", derivado do programa Family Connections, voltado para a proteção e o autocuidado dos cuidadores. A psicoeducação e o apoio profissional revelam-se, assim, ferramentas essenciais para preservar os vínculos afetivos e a saúde mental de todos os envolvidos.Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios: papodepsiquiatra.com.brHosts:Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranasDr. Marcos Croci @drmarcoscrociDr. Pedro Rosa @drpedrogomesrosa.

  4. Aug 20

    #212 - Transtorno de Personalidade Borderline: O que define um bom tratamento?

    Neste episódio do Papo de Psiquiatra, aprofundamos a discussão sobre o que constitui um tratamento verdadeiramente eficaz para o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). Diante de um diagnóstico frequentemente cercado por estigmas, descrença terapêutica e pelo uso excessivo de medicações inadequadas, é fundamental estabelecer quais são os pilares reais que promovem a melhora e a estabilidade a longo prazo para esses pacientes.O eixo central de um bom tratamento para o TPB vai muito além da supressão momentânea de sintomas. Discutimos a importância primordial das psicoterapias estruturadas baseadas em evidências, a necessidade de estabelecer limites claros e alianças terapêuticas sólidas, e como o manejo adequado das comorbidades — como depressão, ansiedade e TDAH — altera positivamente o prognóstico. Além disso, analisamos o papel complementar e restrito dos psicofármacos, combatendo a busca ilusória por uma "pílula mágica" e alertando sobre os perigos da polifarmácia iatrogênica.Abordamos também a importância fundamental do suporte familiar e da psicoeducação, mostrando como o ambiente ao redor do paciente influencia diretamente na regulação emocional e na redução de crises. Um tratamento de excelência exige método, paciência e uma visão integrada que enxergue o indivíduo em sua totalidade, indo na contramão das abordagens superficiais.Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios e encontrar materiais adicionais: papodepsiquiatra.com.brHosts:Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranasDr. Marcos Croci @drmarcoscrociDr. Pedro Rosa @drpedrogomesrosa.

  5. Aug 12

    #211 - Medicações e transtorno de personalidade

    Neste episódio do Papo de Psiquiatra, abordamos um dos temas mais complexos e desafiadores da prática clínica contemporânea: o uso de medicações no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). Diferentemente de transtornos em que a medicação é o alicerce absoluto do tratamento (como no Transtorno Bipolar), no TPB o papel dos psicofármacos é secundário e exige um rigoroso manejo para evitar o excesso de prescrições e a falsa expectativa de cura através da "pílula mágica". A medicação, por si só, não tem eficácia direta sobre os núcleos centrais do transtorno, como a difusão de identidade, o vazio existencial crônico ou as falhas na autonomia interpessoal. No entanto, a regra na clínica é que pacientes com TPB apresentem múltiplas comorbidades. A coexistência de depressão maior, ansiedade, transtornos alimentares ou TDAH demanda tratamento medicamentoso cuidadoso, visto que a melhora do TPB está intimamente ligada ao controle dessas comorbidades. Como abordado no episódio, estudos recentes apontam que tratar os sintomas de desregulação emocional e impulsividade frequentemente antecede a melhora do quadro depressivo como um todo. O raciocínio clínico para a prescrição exige que o psiquiatra identifique sintomas-alvo claros, prescrevendo na menor dose possível e reavaliando periodicamente a eficácia do tratamento. Nesse contexto, os antipsicóticos de segunda geração demonstraram ter o maior tamanho de efeito para a contenção da agressividade e impulsividade em curto prazo. Por outro lado, estabilizadores de humor que outrora representaram uma grande esperança (como a lamotrigina) provaram-se, em estudos randomizados recentes, não ser superiores ao efeito placebo para os sintomas primários do TPB. Acima de tudo, o episódio reforça que a prescrição no TPB deve ser um ato colaborativo, estimulando a auto-observação do paciente. O psiquiatra deve compartilhar decisões e evitar a polifarmácia reativa, frequentemente gerada pelo acúmulo de medicações em idas frequentes ao pronto-socorro. Tratamentos bem estruturados, mesmo que generalistas e não atrelados a uma linha específica de psicoterapia, mostram-se essenciais para a evolução e a proteção da vida desses pacientes.Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios: papodepsiquiatra.com.brHosts:Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranasDr. Marcos Croci @drmarcoscrociDr. Pedro Rosa @drpedrogomesrosa.

  6. Jul 28

    #210 - Inteligência artificial e saúde mental

    Neste episódio do Papo de Psiquiatra, abordamos um tema extremamente contemporâneo e desafiador: o impacto da Inteligência Artificial (IA) na saúde mental. Com a popularização de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), como ChatGPT, Claude e Gemini, tornou-se frequente o uso dessas ferramentas pelo público geral para pesquisar sintomas e buscar conselhos que se assemelham a um processo terapêutico. Embora a IA democratize o acesso à informação e otimize a produtividade, o seu uso irrestrito na psiquiatria esconde riscos severos. Um dos fenômenos mais preocupantes é o comportamento "psicofanta" (bajulador), no qual a máquina é treinada a partir de preferências humanas para concordar com o usuário e induzir vaidade, com o único objetivo de maximizar o engajamento na plataforma. Esse reforço acrítico, somado ao risco de "alucinações" — quando a IA simplesmente inventa dados e referências científicas —, pode levar a interpretações desastrosas e até mesmo amplificar quadros de mania ou psicose. Outro ponto de alerta abordado no episódio é a indução do "efeito nocebo". Como as IAs agregam vastas quantidades de dados da internet, que frequentemente catastrofizam os psicofármacos, os pacientes podem ser persuadidos a rejeitar ou abandonar tratamentos essenciais baseados em vieses algorítmicos. É fundamental lembrar que essas ferramentas comerciais são preditores probabilísticos de texto e não possuem validação em ensaios clínicos para a realização de diagnósticos ou intervenções. Por fim, diferentemente de uma consulta com um psiquiatra ou psicólogo, as plataformas de IA de uso geral não garantem o sigilo médico, expondo a privacidade e a segurança dos dados íntimos dos usuários. Para o uso médico seguro, já existem plataformas exclusivas e treinadas com curadoria científica estrita, como o Open Evidence, mas o raciocínio clínico humano permanece insubstituível. Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios: papodepsiquiatra.com.brHosts:Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranasDr. Marcos Croci @drmarcoscrociDr. Pedro Rosa @drpedrogomesrosa.

  7. Jul 21

    #209 - Desprescrição

    Neste episódio do Papo de Psiquiatra, abordamos um tema fundamental, porém frequentemente negligenciado na prática clínica: a desprescrição. A descontinuação intencional e supervisionada de psicofármacos é uma arte médica que exige rigor, paciência e base empírica, indo muito além da simples interrupção abrupta de uma medicação. Guiados pelo recente consenso da Sociedade Americana de Psicofarmacologia Clínica, publicado no periódico JAMA em 2026, discutimos os princípios norteadores para a redução ou a retirada de medicamentos que se tornaram inapropriados. O processo de desprescrição exige reavaliação periódica das prescrições e a checagem rigorosa da aderência antes de assumirmos que um tratamento falhou. Além disso, alterar apenas uma variável por vez é crucial para que possamos monitorar os desfechos clínicos com precisão. A escolha do momento adequado (timing) também é indispensável, devendo-se evitar grandes mudanças farmacológicas durante períodos de transição de vida, como intercâmbios ou gestação. Um dos problemas mais graves que enfrentamos nos consultórios é a polifarmácia irracional. Não raro, pacientes chegam utilizando múltiplas medicações com o mesmo mecanismo de ação ou consumindo fórmulas manipuladas com microdoses de diversos psicotrópicos. Essa prática, que se assemelha a uma "alquimia" irresponsável, carece de evidências científicas e expõe o indivíduo a interações medicamentosas perigosas e efeitos colaterais cruzados. A boa prática psiquiátrica exige parcimônia, priorizando, sempre que possível, a monoterapia em doses otimizadas e padronizadas. Por fim, o desmame medicamentoso impõe desafios práticos que exigem decisões compartilhadas. O paciente pode experimentar a síndrome de descontinuação, que se manifesta por sintomas físicos desconfortáveis — como cefaleia e tontura —, frequentemente confundidos de forma equivocada com uma recaída do transtorno de base. Somado a isso, há um aspecto comportamental importante: muitos pacientes desenvolvem um forte apego psicológico ao ato de tomar o remédio, sentindo-se inseguros ao retirá-lo. Por essas razões, o acompanhamento médico próximo e a psicoeducação são os verdadeiros pilares para uma desprescrição bem-sucedida. Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios: papodepsiquiatra.com.br

  8. Jul 14

    #208 - Bets, o que mudou 2 anos depois?

    Neste episódio do Papo de Psiquiatra, retomamos um tema que se transformou em uma verdadeira catástrofe de saúde pública: as apostas esportivas online, popularmente conhecidas como Bets. Gravamos nosso primeiro alerta sobre o assunto há quase dois anos e, hoje, em meio à Copa do Mundo, o cenário agravou-se de forma assustadora. Para dimensionar o tamanho do problema, os brasileiros gastaram R$ 852 milhões em apostas online apenas durante este período do mundial.   A hiperdisponibilidade dos aplicativos demonstrou empiricamente que o acesso facilitado e irrestrito aumenta o consumo e o adoecimento. A legalização do setor trouxe uma publicidade massiva em horário nobre, frequentemente protagonizada por celebridades e atletas, o que expõe diretamente populações vulneráveis. Pesquisas recentes indicam que até 63% dos jovens entre 15 e 17 anos já foram expostos a divulgações de apostas na internet. Do ponto de vista clínico, o transtorno do jogo opera como uma dependência comportamental grave, sequestrando o sistema de recompensa cerebral por meio de ciclos de apostas rápidos, pagamentos sem atrito e personalização algorítmica. As consequências psiquiátricas são devastadoras: observamos uma associação direta com maiores níveis de ansiedade, depressão, uso de substâncias, impulsividade e, alarmantemente, aumento da suicidalidade. Os dados estatísticos atestam o colapso iminente do sistema de saúde. O Ministério da Saúde registrou um aumento de 140% na procura por tratamento de jogo patológico no SUS, enquanto mais de 500 mil pessoas já solicitaram autoexclusão das plataformas na tentativa desesperada de frear o próprio descontrole. Globalmente, as buscas na internet por ajuda relacionada ao excesso de jogos esportivos cresceram 23%. Para além da saúde mental, enfrentamos um impacto socioeconômico profundo. Famílias estão comprometendo orçamentos já pressionados, redirecionando recursos que seriam investidos em educação e na própria alimentação para sustentar o vício nas plataformas. Convidamos você a refletir conosco sobre essa epidemia silenciosa e sobre a urgência de pensarmos em saídas sociais para protegermos a população de danos incalculáveis. Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios e encontrar materiais adicionais: papodepsiquiatra.com.br Apresentação: Dr. Marcelo Brañas Dr. Marcos Croci Dr. Pedro Rosa

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Podcast apresentado por Dr. Pedro Rosa, Dr. Marcelo Brañas, Dr. Marcos Croci sobre Saúde Mental.