Terapia no Japão

Letícia Shin - Terapia no Japão

Sou uma psicóloga brasileira morando no Japão e compartilho reflexões sobre imigração, relacionamentos, trabalho, família, pertencimento e saúde mental. Aqui trabalhei em fábricas, vivi e presenciei muitas das experiências que fazem parte da realidade da maioria dos dekasseguis e seus cônjuges. Essa vivência ampliou minha escuta clínica e aprofundou meu olhar sobre as questões humanas que atravessam a experiência migratória. Este canal é um espaço para pensar sobre os desafios, as escolhas e as transformações que acompanham a vida entre culturas. Me siga também no Instagram: @terapianojapão

  1. 4d ago

    139 -FAMÍLIA NUCLEAR X FAMÍLIA AMPLIADA - COMO VOCÊ CRESCEU?

    A família nuclear é um recorte recente. Durante a maior parte da história, criar uma criança envolvia mais gente do que pai, mãe e irmãos. Você lembra da sua infância? Tinha a casa da vó, das tias ou dos primos no mesmo bairro, cidade ou quintal? Finais de semana dormindo na casa de alguém, churrasco, festa, dia de assistir o Domingão ou Sai de Baixo. Lugares onde a circulação era livre e o amparo era certo.  Isso é coisa rara para muitas crianças e adolescentes no Japão. A maioria só tem pai e mãe, às vezes, irmãos. O círculo é menor, é restrito e isso pode causar uma insegurança e fragilidade emocional.Por isso, é importante que mesmo à distância, que o contato com a família no Brasil, nunca seja perdido.  Winnicott descrevia círculos: o colo da mãe, a família, o mundo. Cada um prepara o seguinte. Avós, tias, tios, primos ocupavam o segundo desses círculos, nem tão perto quanto o colo, nem tão distante quanto o mundo lá fora. Um espaço intermediário, onde a criança encontrava outros modos de ser vista. Quando esse círculo falta, o peso que antes se dividia entre várias gerações passa a caber inteiro em dois adultos. Não é ausência de amor, o que resulta disso. É ausência de variedade : poucos espelhos, poucos ângulos diferentes pra uma criança se constituir, se perceber e se identificar. A migração corta esse sistema de forma abrupta. Manter esse laço, mesmo à distância, mantém aberto um círculo que de outro modo se fecharia de vez. As chamadas de vídeos, ligações, cartas e mensagens, precisam continuar existindo, o afeto pode (e deveria) existir mesmo depois de cruzar as fronteiras e atravessar o mundo.  Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista eカウンセラー#terapianojapao

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Sou uma psicóloga brasileira morando no Japão e compartilho reflexões sobre imigração, relacionamentos, trabalho, família, pertencimento e saúde mental. Aqui trabalhei em fábricas, vivi e presenciei muitas das experiências que fazem parte da realidade da maioria dos dekasseguis e seus cônjuges. Essa vivência ampliou minha escuta clínica e aprofundou meu olhar sobre as questões humanas que atravessam a experiência migratória. Este canal é um espaço para pensar sobre os desafios, as escolhas e as transformações que acompanham a vida entre culturas. Me siga também no Instagram: @terapianojapão