O Longo Tempo - Tecnologia, cultura e as forças que estão redesenhando nosso tempo

Jose Mauro Nunes

O Longo Tempo é um podcast de José Mauro Nunes sobre tecnologia, cultura e as forças que estão redesenhando nosso tempo. Inteligência artificial, comportamento, consumo, educação, atenção e futuro são pontos de partida para uma pergunta maior: o que as transformações do presente estão fazendo conosco? Em episódios autorais, ideias, pesquisas e acontecimentos contemporâneos se encontram para olhar além da novidade e compreender mudanças cujas consequências apenas começamos a perceber. Porque viver o presente também exige aprender a enxergá-lo.

Episodes

  1. 6d ago

    Episódio 4 | Quando deixamos de imaginar um futuro diferente?

    Episódio 4 | Quando deixamos de imaginar um futuro diferente? Democracia, crise da representação e o esgotamento das utopias políticas. Vivemos uma época de extraordinária imaginação tecnológica, mas de crescente pobreza de imaginação política. Conseguimos imaginar máquinas inteligentes, sociedades automatizadas e transformações radicais da vida humana. Entretanto, parece cada vez mais difícil conceber alternativas às estruturas econômicas e políticas que organizam nosso presente. Como chegamos ao ponto de imaginar o futuro da tecnologia com tanta facilidade e o futuro da sociedade com tamanha resignação? Neste quarto episódio do Longo Tempo, José Mauro Nunes aprofunda a discussão sobre a crise da democracia contemporânea, examinando o esgotamento das utopias políticas, a naturalização das estruturas econômicas existentes e a transformação da política em administração do inevitável. A partir das reflexões de Mark Fisher, Francis Fukuyama, Cornelius Castoriadis e outros pensadores, o episódio discute o realismo capitalista, os limites da representação democrática e a crescente substituição da imaginação política pelas promessas da inovação tecnológica. Mais do que uma crise institucional, talvez estejamos diante de uma crise da própria capacidade coletiva de conceber e construir futuros diferentes. O futuro não está garantido. Mas também não está encerrado. 🎙️ Longo Tempo é um podcast de José Mauro Nunes sobre tecnologia, cultura e as forças históricas que moldam nosso presente. Porque o presente não começou hoje. Bibliografia de referência FISHER, Mark. Capitalist Realism: Is There No Alternative? Zero Books, 2009.FUKUYAMA, Francis. The End of History and the Last Man. Free Press, 1992.CASTORIADIS, Cornelius. The Imaginary Institution of Society. MIT Press, 1987. Obra original publicada em francês em 1975.BLOCH, Ernst. The Principle of Hope. MIT Press, 1986. Obra original publicada entre 1954 e 1959.POLANYI, Karl. The Great Transformation: The Political and Economic Origins of Our Time. Farrar & Rinehart, 1944.GRAEBER, David. The Utopia of Rules: On Technology, Stupidity, and the Secret Joys of Bureaucracy. Melville House, 2015. Apresentação: José Mauro Nunes 📩 Contato, comentários e sugestões: josemauronunes@uol.com.br 🎧 Disponível no Spotify e nas principais plataformas de podcast.

    Episódio 4 | Quando deixamos de imaginar um futuro diferente?
  2. Oct 18

    Episódio 3 | Por que deixamos de acreditar na democracia?

    Episódio 3 | Por que deixamos de acreditar na democracia? Ortega y Gasset, Christopher Lasch e a crise de confiança nas sociedades contemporâneas No episódio anterior do Longo Tempo, discutimos uma questão que desafia uma das grandes convicções políticas do século XX: o capitalismo ainda precisa da democracia? Neste terceiro episódio, avançamos para uma pergunta igualmente inquietante: por que as próprias sociedades democráticas parecem estar perdendo a confiança na democracia? Para compreender essa transformação, colocamos em diálogo dois pensadores fundamentais: o filósofo espanhol José Ortega y Gasset, autor de A Rebelião das Massas, e o historiador norte-americano Christopher Lasch, autor de A Revolta das Elites e a Traição da Democracia. Separados por mais de seis décadas, ambos identificaram tensões profundas na cultura democrática. Ortega examinou a ascensão do homem-massa, caracterizado pela autossuficiência de suas opiniões e pela dificuldade de reconhecer as condições culturais que sustentam a civilização. Lasch, por sua vez, denunciou o afastamento das elites econômicas, profissionais e intelectuais em relação às comunidades e às responsabilidades coletivas. Entre a rebelião das massas e a revolta das elites, encontramos um problema central do nosso tempo: o enfraquecimento dos vínculos de pertencimento, da confiança nas instituições e da própria ideia de um destino compartilhado. Discutimos também como as plataformas digitais amplificam ressentimentos, fragmentam a experiência social e transformam conflitos políticos em disputas permanentes por atenção e reconhecimento. Mas a crise democrática não começou com a internet. Suas raízes são históricas, econômicas e culturais, e sua superação exige muito mais do que reformas institucionais ou discursos em defesa da democracia. Uma democracia pode sobreviver quando seus cidadãos e suas elites deixam de acreditar que vale a pena construir alguma coisa em comum? Essa é a reflexão que conduz o terceiro episódio do Longo Tempo. Um podcast de José Mauro Nunes sobre tecnologia, cultura e as forças que estão redesenhando nosso tempo. Apresentação: José Mauro Nunes. Contato com o autor: josemauronunes@uol.com.br Porque o presente não começou hoje. Se este episódio provocou alguma reflexão, compartilhe-o e envie seus comentários e sugestões para os próximos programas. Bibliografia Ortega y Gasset, José. A Rebelião das Massas. 1930. Lasch, Christopher. The Revolt of the Elites and the Betrayal of Democracy. Nova York: W. W. Norton, 1995. Lasch, Christopher. The Culture of Narcissism: American Life in an Age of Diminishing Expectations. Nova York: W. W. Norton, 1979. Putnam, Robert D. Bowling Alone: The Collapse and Revival of American Community. Nova York: Simon & Schuster, 2000.

    Episódio 3 | Por que deixamos de acreditar na democracia?
  3. Oct 11

    Episódio 2 | O capitalismo ainda precisa da democracia?

    O capitalismo ainda precisa da democracia? Durante boa parte do século XX, capitalismo e democracia liberal foram apresentados como parceiros naturais de um mesmo projeto de modernidade. Mas essa associação, que parecia consolidada após o fim da Guerra Fria, começa a revelar suas contradições. E uma pergunta cada vez mais incômoda se impõe: o capitalismo contemporâneo ainda precisa das instituições democráticas para prosperar? Neste segundo episódio do Longo Tempo, José Mauro Nunes investiga as transformações políticas e intelectuais que estão redesenhando as relações entre capitalismo, tecnologia e poder. Partindo das contradições históricas entre mercado e democracia, o episódio percorre o pensamento de Mark Fisher, as críticas de Quinn Slobodian às novas configurações do capitalismo e a emergência de correntes intelectuais que desafiam abertamente os fundamentos da democracia liberal. No centro dessa discussão estão o chamado Iluminismo Sombrio, as ideias de Curtis Yarvin, o aceleracionismo e a crescente influência de setores do Vale do Silício na formulação de projetos políticos que colocam em questão a soberania popular, o Estado e os limites do poder econômico. Mais do que examinar personagens ou acontecimentos recentes, o episódio propõe compreender as ideias e as forças históricas que tornaram possível esse cenário — e suas implicações para o futuro das sociedades democráticas, inclusive no Brasil. Longo Tempo é um podcast sobre tecnologia, cultura e as forças que estão redesenhando nosso tempo. Um espaço de reflexão crítica sobre o presente, suas raízes históricas e seus futuros possíveis. Apresentação: José Mauro Nunes Contato: josemauronunes@uol.com.br O presente não começou hoje.

    Episódio 2 | O capitalismo ainda precisa da democracia?
  4. Oct 8

    Episódio 1 | O presente não começou hoje: por que existe o Longo Tempo

    Episódio 1 | O presente não começou hoje: por que existe o Longo Tempo Vivemos em uma época marcada pela aceleração tecnológica, pela transformação das instituições, pelas disputas culturais e por uma sensação permanente de que o mundo está mudando mais depressa do que conseguimos compreendê-lo. Mas será que as grandes questões do nosso tempo são realmente tão novas quanto parecem? Neste episódio inaugural, José Mauro Nunes, professor e pesquisador do Instituto Multidisciplinar de Formação Humana com Tecnologias da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IFHT/UERJ), apresenta o Longo Tempo, um podcast dedicado a investigar as ideias, os processos históricos e as forças sociais, econômicas e culturais que estão moldando o presente e desenhando os contornos do futuro. A proposta é ir além da superfície dos acontecimentos e da urgência das notícias, colocando em diálogo tecnologia, filosofia, história, política, economia e cultura. Não para oferecer respostas fáceis, mas para formular perguntas melhores e recuperar a profundidade que frequentemente se perde no debate público contemporâneo. Porque compreender o presente exige reconhecer que ele não começou hoje. Nossas crises, nossas escolhas e até mesmo nossas expectativas de futuro carregam histórias muito mais longas do que imaginamos. Longo Tempo. Um podcast sobre o presente e o que vem depois. Apresentação: José Mauro Nunes. Entre em contato: comentários, críticas, sugestões de temas e reflexões são bem-vindos. Escreva para josemauronunes@uol.com.br. Se este episódio despertou alguma reflexão, acompanhe o podcast e compartilhe com quem também acredita que compreender o mundo exige olhar além do imediato.

    Episódio 1 | O presente não começou hoje: por que existe o Longo Tempo

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O Longo Tempo é um podcast de José Mauro Nunes sobre tecnologia, cultura e as forças que estão redesenhando nosso tempo. Inteligência artificial, comportamento, consumo, educação, atenção e futuro são pontos de partida para uma pergunta maior: o que as transformações do presente estão fazendo conosco? Em episódios autorais, ideias, pesquisas e acontecimentos contemporâneos se encontram para olhar além da novidade e compreender mudanças cujas consequências apenas começamos a perceber. Porque viver o presente também exige aprender a enxergá-lo.