Entre Linhas e Leis

ESA OAB SP

O Entre Linhas e Leis é um podcast da Escola Superior de Advocacia da OAB SP, concebido pelo Coordenador Acadêmico, Erik Chiconelli Gomes, que propõe um encontro entre a literatura e o direito como espaços complementares de interpretação do mundo. A proposta é atravessar as fronteiras tradicionais da formação jurídica, convidando a escuta sensível, o pensamento complexo e o olhar atento às experiências humanas — sobretudo àquelas que revelam injustiças, disputas de poder e silenciamentos históricos.

  1. 30/01 · BÓNUS

    2ª temporada

    A nova temporada do Entre Linhas e Leis investiga uma questão fundamental para a advocacia contemporânea: como o direito moderno, que proclama racionalidade, universalidade e igualdade, produz sistematicamente resultados que contradizem essas promessas? Através de dez obras-primas da literatura modernista do início do século XX, exploramos as fundações invisíveis sobre as quais se construiu o sistema jurídico que herdamos - fundações que incluem não apenas princípios iluministas de razão e justiça, mas também traumas históricos, violências coloniais, e pressupostos sobre subjetividade que se revelaram muito mais frágeis do que os códigos jurídicos admitem. O percurso se divide em dois movimentos complementares. Na segunda temporada, lançada no primeiro semestre de 2026, acompanhamos a formação e a crise do sujeito jurídico moderno, investigando como categorias fundamentais do direito - responsabilidade, culpa, causalidade, temporalidade processual - repousam sobre concepções de consciência individual que a literatura modernista revela serem profundamente problemáticas. Na terceira temporada, lançada no segundo semestre de 2026, confrontaremos diretamente o direito como tecnologia de dominação forjada na experiência imperial e colonial, cujas estruturas persistem na advocacia brasileira através do racismo estrutural, da violência policial, e da aplicação seletiva de normas que se proclamam universais. Esta não é uma temporada sobre curiosidades culturais ou ornamentos eruditos para conversas de corredor. Cada episódio oferece instrumentos conceituais específicos para advogados que lidam cotidianamente com clientes traumatizados que não narram linearmente seus casos, com réus cuja responsabilidade moral não coincide com culpa jurídica formal, com sistemas processuais que privilegiam sistematicamente determinadas classes e raças, e com instituições que reproduzem violências históricas através de procedimentos formalmente corretos. Para a advocacia comprometida com transformação social genuína, estas obras são ferramentas profissionais indispensáveis, não luxo intelectual. Este primeiro bloco confronta uma ilusão central do direito moderno: a presunção de que existe um sujeito racional, consciente e responsável capaz de compreender normas, controlar suas ações, e ser responsabilizado por suas escolhas. Cinco obras revolucionárias do modernismo europeu revelam que essa concepção de subjetividade é ficção jurídica construída sobre fundamentos psicológicos extremamente instáveis. Exploramos como culpa opera em consciências neuróticas que não distinguem claramente responsabilidade de autopunição obsessiva, como trauma de guerra desestrutura capacidade narrativa que o processo judicial pressupõe, como a contingência fundamental de todas as normas corrói pretensões de objetividade jurídica, como burocratização paralisa instituições que deveriam decidir, e como temporalidade fragmentada da memória desafia pressupostos sobre linearidade processual. Para advogados que trabalham com direito penal, família, ou qualquer área onde psicologia individual encontra categorias jurídicas abstratas, este bloco oferece compreensão sofisticada sobre por que o direito frequentemente fracassa em capturar realidades humanas complexas.

    4 min

Sobre

O Entre Linhas e Leis é um podcast da Escola Superior de Advocacia da OAB SP, concebido pelo Coordenador Acadêmico, Erik Chiconelli Gomes, que propõe um encontro entre a literatura e o direito como espaços complementares de interpretação do mundo. A proposta é atravessar as fronteiras tradicionais da formação jurídica, convidando a escuta sensível, o pensamento complexo e o olhar atento às experiências humanas — sobretudo àquelas que revelam injustiças, disputas de poder e silenciamentos históricos.