Deu Tilt

Podcast sobre tecnologia para os humanos por trás das máquinas.

  1. 4 HR AGO

    Com IA ameaçando os devs, ainda vale entrar na computação? Paulo Pelaes e Luís Lamb respondem

    A pandemia fez dos desenvolvedores um artigo de luxo. Faltava profissional, sobrava vaga. Isso bagunçou a lógica do mercado. Agora, são esses profissionais os ameaçados. E o motivo é o avanço da inteligência artificial generativa, usada cada vez mais para criar códigos de computador, até então reduto inalienável dos programadores, diz Paulo Pelaez, fundador e CTO da Lovel, em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas. A startup dele vê isso na prática, já que faz o meio-de-campo de firmas que necessitam contratar especialistas em tecnologia. Para Pelaez, a emergência sanitária da Covid-19 fez muitos devs perderem algo que todo trabalhador tem: o medo de ser demitido. A explicação é simples: demanda crescente e inesperada por digitalização forçou firmas de todos os segmentos a acelerar a implementação de plataformas e produtos digitais, o que deu poder de barganha ao desenvolvedor. Se a empresa não topasse pagar mais, tinha quem topasse, e muita gente viu o salário disparar. O conforto ruiu com a chegada da IA generativa à programação. Se antes o desenvolvedor era remunerado por horas de trabalho, a IA encurtou esse tempo. O resultado? Os salários pararam de subir. As contratações caíram. E as empresas cobram produtividade maior de times menores. Não basta ser desenvolvedor, é preciso ser melhor, diz Pelaez. Mas isso é só o começo. É um tremendo exagero falar que a inteligência artificial generativa vai acabar com os desenvolvedores, diz Pelaez. Para ele, o discurso sobre o desaparecimento da profissão está impregnado de interesse do mercado e é influenciado pelas grandes empresas de tecnologia que vendem as plataformas de IA. Mas algo, com certeza, morreu, diz Pelaez: não foi o dev, mas o escrevedor de código. Esse profissional está com os dias contados, só que, no seu lugar, começa a surgir outro, o orquestrador de soluções tecnológicas. É alguém que usa IA, entende seu contexto, avalia os caminhos e toma decisões melhores com base no negócio em que a aplicação está inserida. A pergunta agora é: quais habilidades mais importam agora? Para Pelaez, o novo profissional de tecnologia precisa combinar cinco pilares: inglês, fundamento técnico, entendimento de produto, IA e conhecimento do negócio.  Diante do avanço da inteligência artificial, muita gente pergunta se ainda vale a pena estudar ciência da computação. Para o professor Luís Lamb, professor e vice-presidente de pesquisa da Catholic Institute of Technology, universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, a resposta é “sim”, acompanhada de um “hoje talvez mais do que nunca”. Em entrevista ao Deu Tilt, ele é enfático: usar ferramentas de IA não é a mesma coisa que entender computação. Chatbots, geradores de texto e sistemas escrevedores de código facilitam a vida, mas o profissional da área não pode ser mero usuário dessas tecnologias. Desenvolver inteligência artificial de verdade requer domínio de lógica, matemática, probabilidade, arquitetura de sistemas e, claro, de linguagens de programação. Ainda assim, Lamb reconhece: a IA já mudou a dinâmica na sala de aula. Essas ferramentas chegam cada vez mais cedo à vida dos alunos, e as universidades não estão preparadas para uma transformação tão rápida. Isso não é ruim, mas só se a IA funcionar como apoio ao aprendizado e não para substituir o raciocínio. Equilíbrio é a chave. Como chegar a esse ponto é um desafio sobre o qual Lamb está debruçado.  A IA já mudou a vida do programador: programar ficou mais fácil, processos foram acelerados e a produção aumentou. Mas a formação em computação mudou? “Não”, diz Luís. E ele dá a receita do sucesso: os melhores profissionais ainda são aqueles com capacidade de raciocínio lógico, de compreender a relação entre sistemas e de resolver problemas complexos com profundidade. A IA já consegue assumir tarefas mais simples e repetitivas? Sim, Lamb concorda com isso, mas ela é limitada para criar sistemas novos, lidar com alta complexidade e atuar em áreas críticas como saúde, defesa, energia e indústria aeroespacial, onde qualquer erro pode ter consequências gravíssimas. É nesse ponto que entra a IA neurosimbólica, área em que Lamb é referência mundial. Ela estuda modelos de IA que, ao combinar reconhecimento de padrões das redes neurais e as lógicas matemática e simbólica, são capazes de explicar como chegaram aos resultados. No futuro, diz Lamb, essa abordagem pode tornar o uso mais confiável e seguro.

    55 min
  2. 17 MAR

    EUA contra cabo de internet da América do Sul; vício das redes; IA x software; ‘zeladores de robô’

    A disputa entre Estados Unidos e China não está mais restrita aos chips e à inteligência artificial. Ela agora chegou ao fundo do mar. O novo capítulo dessa guerra envolve um projeto estratégico para instalar um cabo submarino ligando diretamente o Chile à China. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz como a primeira conexão entre América do Sul e Ásia sem depender de infraestrutura norte-americana corre o risco de não sair do papel devido à pressão da Casa Branca. Enquanto Washington acena com um suposto risco à segurança da região, a situação, na prática, revela algo maior: o interesse dos EUA em manter a América Latina dentro de sua própria zona de influência econômica, mas também digital. Hoje, boa parte dos cabos submarinos da região ancora nos Estados Unidos ou depende de empresas norte-americanas para se conectar ao resto do mundo. Um cabo direto entre Chile e China mudaria esse cenário, criando uma rota mais autônoma para a América do Sul.  Um julgamento em curso nos Estados Unidos pode mudar o funcionamento das redes sociais. Uma jovem de 20 anos, identificada só como Kaley, e sua mãe acusam Instagram e YouTube de a terem estimulado, desde a infância, a desenvolver o uso compulsivo dessas plataformas, o que levou a graves problemas de saúde mental. Neste episódio os apresentadores contam a grande novidade do caso: pela primeira vez, ele não mira o conteúdo disseminado nas redes ou práticas que afetam rivais, mas, sim, o próprio desenho das plataformas. Scroll infinito, autoplay, notificações, botão de curtir e sistemas de recomendação são apontados pela acusação como parte de uma estrutura criada para prender a atenção e prolongar o tempo de tela. Nas palavras dos advogados de Kaley, é a “arquitetura do vício”. A acusação vai além. Sustenta que as empresas não só conhecem os riscos, mas seguem apostando em ferramentas para ampliar o engajamento de crianças e adolescentes. O que está em jogo é sério: a Justiça pode reconhecer que o problema das redes sociais não é só o conteúdo, mas também a forma como elas funcionam. Se a tese avançar, a discussão sobre responsabilidade pode atingir em cheio a operação das plataformas mais populares das big techs. Tem mais... A alta das ações de gigantes como Nvidia, Alphabet e Microsoft mostra como a inteligência artificial é a bola da vez, mas encobre um movimento que acendeu um alerta em outra ala das big techs, o das empresas que vendem software por assinatura –o SaaS (software as a service). Investidores apostam que, com o avanço da programação com IA, muitas empresas poderão criar seus próprios sistemas e reduzirão a dependência de plataformas de prateleira. É o que explica a queda na Bolsa de empresas como Salesforce e IBM. No caso da IBM, bastou a Anthropic prometer que sua IA poderia modernizar um sistema como o COBOL para o mercado reagir. Já é cedo para decretar o fim do SaaS ou muito código vai rolar por essa tela? E para finalizar... A promessa da automação foi a de livrar as pessoas dos trabalhos braçais e repetitivos. A realidade, no entanto, é outra. Um exemplo curioso vem da Waymo, empresa de veículos autônomos do Google. Como os carros não saem do lugar com a porta entreaberta, a empresa passou a pagar entregadores de outra firma para irem até os automóveis somente para fechar suas portas. E não para por aí. Já existem trabalhadores encarregados de resgatar robôs entregadores tombados, travados ou que precisem de limpeza, recarga e atualização. “Zelador de robô” ou “babá de robô". As formas de encarar as novas ocupações são muitas. No fim, o caminho é um só: a automação eliminou trabalhos humanos mequetrefes para criar novas ocupações que são “bicos dentro dos bicos”.

    55 min
  3. 24 FEB

    Ficção científica prevê o presente mais do que revela o futuro, diz mais expert do Brasil

    A ficção científica sempre tentou imaginar o futuro, mas talvez ela seja mais certeira quando nos ajuda a entender o presente. Em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, o escritor, tradutor e professor universitário Fábio Fernandes parte de Metrópolis, clássico lançado em 1927, para discutir como o gênero vai muito além de antecipar avanços tecnológicos ou inventar sociedades alienígenas. O filme não previu smartphones nem inteligência artificial generativa, mas colocou no centro da narrativa a relação entre tecnologia, trabalho e poder. Ao longo da conversa, Fábio argumenta que a ficção científica não funciona como bola de cristal, mas amplia tendências do seu próprio tempo e as projeta em cenários extremos para revelar tensões sociais que já existem. O robô de Metrópolis, por exemplo, não é apenas uma máquina, mas um instrumento de manipulação e desmobilização. Esse debate ganha força quando a conversa chega à inteligência artificial. Durante décadas, o gênero associou a IA à ameaça e destruição. Mas, segundo Fábio, a produção mais recente já começa a explorar uma abordagem mais próxima da convivência. Longe de apenas entreter, as obras do gênero trazem à tona temas como poder, modelos de sociedade e formas de controle e, mesmo quando imagina mundos distantes, a ficção científica discute valores humanos como identidade, diferença, liberdade e solidariedade.

    55 min
  4. 10 FEB

    Marcelo Zuffo aposta que o Brasil pode virar uma potência dos chips

    As mega fábricas de chips exigem investimentos bilionários, consomem volumes gigantescos de água e energia, geram resíduos muito tóxicos e só podem existir em países que topam o custo ambiental gigantesco.  Adotar uma delas no Brasil seria um erro, conta Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP e diretor do InovaUSP, em entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, apresentado por Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes. É dessa crítica que surge a Pocket Fab, o conceito das micro fábricas de chip nascido na Universidade de São Paulo. Em vez de instalações gigantescas e rígidas, a proposta é uma fábrica pequena, modular, automatizada e sustentável, pensada para atender demandas estratégicas da indústria nacional. Segundo Zuffo, o custo do wafer, a base onde os circuitos são fabricados, não muda, seja lá qual for o tamanho da fábrica. É essa lógica que dá viabilidade econômica ao projeto. Nas contas do professor, com cerca de 20 wafers por dia, a Pocket Fab poderia produzir milhões de chips por ano, o bastante para abastecer, por exemplo, toda a indústria automotiva brasileira. Além disso, o projeto aposta no uso eficiente de água e energia, redução de resíduos tóxicos e forte automação, com robótica e inteligência artificial. A proposta já tem apoio nacional e internacional e, para Zuffo, coloca o Brasil no centro de um novo modelo global de produção de semicondutores.

    54 min
  5. 3 FEB

    Isabella Henriques: por que crianças e redes sociais não combinam. E mais: a IA pode ser cristã?

    A Austrália já proibiu menores de 16 anos nas redes sociais. A França vai na mesma direção. No Brasil, a lei do ECA Digital, em vigor desde o fim do ano passado, obriga plataformas digitais a garantir espaço seguro a crianças e adolescentes, o que pode restringir a presença desse público nas redes sociais. Em entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Isabella Henriques, diretora executiva do Instituto Alana, explica como mudou a percepção do mundo sobre as redes sociais após sociedade, família e organizações sociais lutarem durante anos para conscientizar governos e reguladores de que esses ambientes não são feitos para crianças. Há mais de duas décadas, o Alana atua no debate público para a construção de um ambiente digital mais saudável para crianças e adolescentes. “Como um produto, que é colocado no mercado e utilizado massivamente por crianças e adolescentes, não foi pensado, no seu planejamento e ao longo da sua vida útil, no impacto que ele terá para esse público”, conta ela. Para exemplificar como esses ambientes digitais reservam verdadeiras armadilhas para os baixinhos, ela detalha os riscos escondidos nessas plataformas, conhecidos como "quatro Cs": conduta, conteúdo, contrato e contato. Com a maior presença dos jovens nas redes sociais e a entrada deles cada vez mais cedo —alguns com bem menos que 6 anos—, esses fatores de risco se intensificam e viram danos graves à saúde física e mental dos mais novos. As plataformas até oferecem a pais e mães ferramentas de supervisão, mas elas não resolvem o problema estrutural, já que o design das plataformas segue priorizando retenção de atenção e lucro. E no Brasil há um fator complicador: a desigualdade socioeconômica. "Maiores vulnerabilidades na vida offline estão conectadas a maiores vulnerabilidades na vida online”, ressalta. Muitas famílias não conseguem  sequer acessar as ferramentas de controle parental. Num ambiente assim, diz a especialista, apenas a regulação é capaz de equilibrar a relação desigual entre crianças e empresas de tecnologia.

    54 min
  6. 27 JAN

    ‘ChatGPT brasileiro’ e supercomputador da IA: o que já é realidade no Plano Brasileiro de IA?

    O PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) foi anunciado no fim de 2024 e prometia R$ 23 bilhões para emplacar o Brasil na corrida global da IA. Em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Hugo Valadares, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), diz como o plano já tem saído do papel: R$ 6 bilhões para inovação em empresas, 140 mil pessoas capacitadas, atualização do supercomputador Santos Dumont, investimentos em infraestrutura de dados, novos cursos de graduação em IA em universidades públicas. Comparada aos esforços de Estados Unidos e China, a iniciativa brasileira soa modesta. Valadares afirma que, por outro lado, o investimento brasileiro é compatível com o observado na Europa nos planos de França e Reino Unido. "EUA e China estão num patamar de poder tecnológico, não só tecnológico, mas financeiro, que não tem como disputar de igual para igual. Se existe uma Champions League, esses dois disputam sozinhos. Nem a Europa tem essa capacidade. E, se você pensa nessa perspectiva, não adianta falar que amanhã a gente vai competir. Quando você olha o ecossistema de IA por completo, não tem como se comparar com a China, em quantidade de pessoas, engenheiros e computação e o poder de comprar máquinas (…) O Brasil precisa jogar o jogo que lhe cabe", diz o secretário. Para ele, o país "vai andar o mais rápido que conseguir de maneira a participar desse jogo global, seja a série que for, A ou B. Mas não acho que é a C". "O Brasil é um líder mundial e a gente está no quartil superior dos países com maior desenvolvimento tecnológico."

    55 min

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