Basta Uma Palavra

Paulo R. Ilarindo Jr

Nossas palavras, por melhores que sejam, não bastam. Nossas decisões e nossos gestos, ainda que cheios de boa vontade, não são o suficiente para abrir um caminho no deserto e fazer a terra seca florescer. Se sua vida tem sido solo árido, se sua casa se tornou um lugar de penúria e desamor, busque a Palavra de Jesus. Uma só Palavra vinda dele tem o poder de endireitar seus passos vacilantes, dar-lhe uma sabedoria nova e fazê-lo enxergar as que vêm depois do sofrimento. A Palavra do Senhor é o bastante para algo novo começar em sua vida.

  1. 30. Um semblante transformado

    08/30/2020

    30. Um semblante transformado

    No pensamento de muitas pessoas, a palavra "cristão" é mal compreendida. Para elas, "cristão" significa apenas "aquele que é da religião de Cristo", ou que "professa o cristianismo". Entretanto, essa palavra tem um significado bem mais amplo e profundo do que apenas ser da religião de Cristo. A palavra "cristão" significa "semelhante a Cristo". A palavra "cristão", no sentido genuíno, não tem outra conotação que esta verdade: "semelhante a Cristo", "da mesma natureza do Senhor", "igual a Ele". Ela não significa simplesmente "aquele é um seguidor dos ensinos de Jesus, ou ele é um seguidor das doutrinas do Senhor". Ser um cristão traz entre outras coisas a compreensão que sobre a Terra não existem milhares de religiões. As pessoas frequentemente dizem que existem milhares de religiões. Entretanto, diante dos olhos de Deus só existem dois tipos de religião: a religião que segue os planos de Deus, e a outra, que segue os planos dos homens. Estive na Índia e dizem que lá tem mais de trinta milhões de deuses e milhões de religiões. Os homens podem até pensar assim, mas diante de Deus não existem milhões de religiões. Aos olhos dele só existe luz e trevas. "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." (2 Coríntios 3.18). Esta é uma mensagem que não exclui ninguém. O próprio texto que Paulo citou, acima, deixa claro: "e todos nós..." Ela é pertinente ao momento em que estamos vivendo, há esse tempo, mas acima de tudo, ao grito do nosso coração. A Bíblia diz que "Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." (Tiago 4.6). Hoje, as pessoas estão correndo somente em busca de coisas. "Ah! Eu quero o meu carro, o meu apartamento, o meu caminhão." Estamos trocando os valores espirituais pelos valores materiais. Buscamos as coisas que são perecíveis com elas, rejeitamos as que são eternas. Nós precisamos buscar a vida. Precisamos buscar o Autor e Consumador, JESUS CRISTO, de nossa fé para que a sua imagem seja estampada em nós o Senhor diz: "Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo." (Gênesis 4.7). A chave está em suas mãos. É uma escolha. Se procederes bem...

    5 min
  2. 29. Podes ir

    08/30/2020

    29. Podes ir

    Teu filho vai viver. É a garantia que Jesus dá ao homem cujo filho estava a beira da morte. No texto de hoje mais uma vez estamos diante de um milagre ou simplesmente sinal, característica fundamental do Evangelho de Jesus Segundo São João. Jesus conforme nos narra o evangelho, sai da sua terra e vai para Galileia. Como era de esperar, depois de tantos milagres e prodígios que fizera em Jerusalém, aquando da celebração da páscoa é bem recebido. E por encontrar receptibilidade continua fazendo milagres. É de salientar que apesar de Galiléia ser uma região predominantemente gentílica, com presença de descendentes de colonos judeus, fora em Caná da Galileia que tinha transformado a água em vinho por causa da fé daqueles homens. Hoje neste trecho do Evangelho salienta-se mais um sinal, um milagre. O milagre da vida como sendo o dom de Deus. Evangelho de São João, respondendo ao apóstolo Tomé, afirma com toda a sua autoridade: “Eu Sou a Vida” (Jo 14,6). Muitas vezes me pergunto sobre o profundo sentido dessa afirmativa. Em outro tópico Ele parece completar o que ali está dito: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em plenitude” (Jo 10,10). Outra afirmação categórica de Jesus a Maria, irmã de Lázaro, é esta: “Eu sou a Ressurreição e a Vida” (Jo 11,25). Isto vale a dizer: “Sou o princípio, o autor também da nova vida, após a morte”. Quem n’Ele procura a vida sempre a encontra. Veja a certeza com que pronuncia as belas palavras ao funcionário do rei: Podes ir, que teu filho está vivo. Para os homens com grande fé como o alto funcionário do rei, novos céus e nova terra existirão. Porque na verdade reconhecem o Evangelho como Palavra de Salvação eterna. A plenitude da vida que Jesus nos veio trazer não se restringe aos horizontes fechados da vida presente, como pensavam muitos humanistas e utopistas. A vida humana, acima de tudo, é dom de Deus: vem de Deus e se realiza na posse terrena e eterna de Deus. Foi essa a vida que Deus concedeu a nossos primeiros pais e Jesus nos veio reconquistar pela Encarnação, pelo mistério de sua vida, morte e Ressurreição. Por isso Santo Agostinho afirma, com tanta propriedade: “O nosso coração está inquieto até que descanse em Vós”. De regresso a casa, «ele creu, com todos os da sua casa». Gente que não viu nem ouviu Jesus acredita nEle. Que ensinamento se retira daqui? É preciso acreditar nEle sem exigir milagres: não é preciso exigir a Deus provas do Seu poder. Basta acreditar nas Suas palavras: O teu filho vai viver. Os teus serão libertos da situação em que se encontram. Acredite. É Jesus quem está falando! Ele quer curar todas as nossas feridas e enfermidades. Quer libertar os nossos de todos os vícios e pecados. Ele quer ressuscitar os membros do nosso corpo e dar-lhes nova vida. Nos nossos dias, quantas pessoas mostram um maior amor a Deus depois de seus filhos ou sua mulher terem recebido alívio na doença? Ontem como hoje Ele continua fazendo milagres e prodígios. Mesmo que os nossos votos não sejam atendidos, é preciso perseverar nas ações de graça e de louvor. Permaneça ligado a Deus mesmo na adversidade, no abandono, na dor, na tristeza ainda que a morte venha bater a sua porta. Não perca a esperança de que os teus hão de viver, e viver para sempre. Confiar, e esperar com fé firme em Deus é optar pela vida. Por isso, escolha, pois a vida descansando nos braços e no colo de Jesus para que tenha vida e vida em abundância.

    7 min
  3. 27. Vida nova e não remendos

    08/28/2020

    27. Vida nova e não remendos

    A reclamação era porque os seus discípulos não estavam jejuando. Os discípulos de João Batista jejuavam, porque não os seus? Reclamação de fariseu. E Jesus: “Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha”. Que roupa velha é essa? Que remendo de pano novo é esse? Tudo que Jesus estava ensinando era como um pano novo. Sua presença era uma novidade sem precedentes. Seu Evangelho era a roupa nova. São Paulo falou clarinho numa carta: “Tirem essa roupa velha. Vistam-se do homem novo, que renasceu em Cristo”. A roupa velha é o homem velho, o ser humano segundo o pecado, a pessoa humana representada por Adão. Com Jesus, chegou o tempo do homem novo. Nele, qualquer um, qualquer uma que crer renasce, ressurge, é nova criatura. Na segunda carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo ensinou: “Quem está em Cristo é nova criatura. Tudo novo. O que era antigo já passou”. Não é mais tempo de roupa velha. É tempo de revestir-se de Cristo, do homem novo, do ressuscitado. Falando em roupa, vem logo à lembrança aquela história do cidadão que foi tirado da sala da festa porque não estava com a roupa apropriada. Que roupa seria essa? Ainda não tinha se revestido de Cristo. Não estava revestido do homem novo. Não tinha se convertido ao Evangelho do Senhor. Vejam que Evangelho quer dizer boa nova, quase dá pra dizer: roupa nova. Claro, não dá para por remendo de pano novo em roupa velha. O Evangelho é esse pano novo. O evangelho é o próprio Jesus, nos diz claramente o evangelista João. Querer por remendo de pano novo em roupa velha, sabe o que é? É não entender a novidade do Evangelho que renova e restaura cada um e cada uma e toda a realidade humana. É usar o Evangelho como remendo no seu modo velho de viver. É claro que isso não dá certo. Acolher Jesus e seu Evangelho é vestir-se com a roupa nova que o Pai da parábola do filho pródigo revestiu seu filho arrependido. Encontrar-se com Jesus, crer nele, aderir ao seu Evangelho é reencontrar a vida nova, a salvação, o perdão. Guardando a mensagem A novidade da presença de Jesus vai além de apenas repetir a prática do jejum da religião dos antigos. É mais do que ser muito religioso. E muito piedoso. Quem encontrou Jesus e o seu Evangelho encontrou a própria vida, na sua fonte, no seu dinamismo. É nova criatura. Não dá pra fazer deste pano novo apenas um remendo no seu modo velho de viver. Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha (Mt 9, 16)

    6 min
  4. 26. Quem é você?

    08/27/2020

    26. Quem é você?

    A razão de ser e de existir da pessoaestá contida na sua identidade, nos seus gestos e ações e práticasconcretas, trazendo como consequência a alegria e a felicidade da vida.É uma festa permanente, com apoio numa consciência de fé. A vida do cristão acontece sob a açãode símbolos e gestos, que trazem consigo significados, revelando a açãodo amor de Deus para com o seu povo. Vemos isto nos nossos momentosfestivos e celebrativos, como acontece numa festa de casamento. O perfil do cristão caminha no mundomarcado pela retidão, pela justiça e fidelidade. Mesmo na diversidadeentre as pessoas e entre os dons, há um esforço constante de unidade,procurando não excluir ninguém, lutando para a conquista do bem comum eo valor da naturaza. Na identidade cristã é importante superar asdistinções raciais, sociais e nacionais. A unidade não significauniformidade, mas complementariedade rica e saudável. As pessoas nãopodem ser feridas nas suas originalidades, no seu próprio ser. É fundamental ter em vista que cadapessoa tem uma história real de vida, tem um modo todo próprio de ser,de falar e de agir na construção do bem comum. A identidade pessoalcorrobora com a identidade coletiva. A humanidade busca sempre usufruir dafesta da vida, daquilo que lhe faz feliz, mas nem sempre está preparadapara isto. Muitos estão desligados dos compromissos que alimentam aqualidade da festa. Faltam a sensibilidade, a solidariedade e a justiça. Encontramos pessoas que vivem naopulência total e no esbanjamento desmedido, sem escrúpulo e temor deDeus. Há uma insensibilidade ética em relação ao todo, buscandointeresses injustos, violentos e até criminosos. Isto estraga a açãodos bem intencionados. Têm identidade feliz aquelas pessoasque conseguem ter o sabor da sabedoria divina, a bondade, a verdade, ocuidado com a vida e com as pessoas, com o meio ambiente, com a água ecom a terra. É preciso mudar aquilo que dificulta uma vida saudável echeia de esperança.

    8 min
  5. 25. Quando as coisas fogem do controle

    08/26/2020

    25. Quando as coisas fogem do controle

    Muitas vezes costumamos usar frases como “estou passando por uma tempestade” para falar que estamos passando por uma situação difícil. E quantas vezes também dizemos que nossa comunidade esta navegando em “águas tranqüilas” ou de “vento em popa”. Com isso queremos dizer que o momento não há dificuldades, que tudo vai bem, as pessoas se entendem e de fora não há maiores ameaças que possam destruir o espírito comunitário. Mas, é assim que sentimos normalmente a comunidade? Ou tem outras figuras que explicam melhor o que se passa? Por exemplo: parece que o “barco esta afundando” ou uma “tempestade” atingiu nossa comunidade, ou ainda, tem muita “onda brava” querendo nos arrasar. Que significa isso? Que mar de nossa sociedade está tão cheio de perigos, ameaças que a gente não consegue mais se defender. Ou que os ventos do espírito de egoísmo e consumismo invadem tudo. E nós, ficamos com medo ou resistimos com confiança e coragem? Como sentimos a presença de Jesus que acalma a tempestade? Marcos usa essa mesma linguagem para mostrar como as suas comunidades estavam trinta e sete anos após a morte e ressurreição de Jesus. Explico-me melhor. Quando surgiu o Evangelho de Marcos, por volta dos anos 70, suas comunidades estavam sendo perseguidas pelo Império Romano. A situação de medo, pavor e intranqüilidades fez com que Marcos comparasse suas comunidades com um barquinho perdido no mar da vida, açoitado por ventos fortes o impedido de chegar ao porto. Para os Judeus o mar era o lugar da morada dos monstros e dos poderes da morte, onde a frágil vida do homem estava em constante perigo. Para os membros das comunidades, Jesus parece estar dormindo, pois não aparece nenhum poder divino para salvá-las das perseguições. É em vista desta situação de desespero que Marcos na hora de escrever o seu Evangelho, como resposta positiva para as comunidades se animarem, recolhe vários episódios da vida que revelam qual o Jesus presente no meio das comunidades. Com esse episódio Marcos procura abrir os olhos dos membros da sua comunidade para mostrar-lhes que o contrário da fé não é a incredulidade, mas sim o medo. E que o medo impede de compreender Jesus como o Senhor da vida, que triunfa sobre a morte. Jesus é vencedor! Não há motivo para elas terem medo. Este é o motivo do relato da tempestade acalmada. Foi um dia pesado, de muito trabalho. Terminado o discurso das parábolas, Jesus diz: “Vamos para o outro lado!”. Do outro lado do mar da Galiléia ficava uma região de gente “pagã”, que não pertencia ao povo israelita. Os discípulos sentiam medo de entrar em contato com essa gente. Do jeito que Jesus estava, eles o levam no barco, de onde tinha feito o discurso das parábolas. De tão cansado, Jesus deita e dorme. Este é o quadro inicial que Marcos pinta. Quadro bonito, bem humano. O mar era um lugar que dava medo. O povo daquele tempo pensava que no mar moravam grandes monstros e onde o demônio andava solto. Quem mandava no mar eram os demônios. Por isso, na Bíblia, muitas vezes mar não tem só o sentido de grande extensão de água, mas também símbolo de perigo e das forças do mal. Só que muita gente não sabe que o “Mar da Galiléia” na verdade não passava e não de um grande lago cercado de altas montanhas. Às vezes, por entre as fendas das rochas, o vento cai em cima do lago e provoca tempestades repentinas provocando as inúmeras interpretações, como as que já vimos. Vento forte, mar agitado, ondas… São também símbolos de agitação, ligados ao mar. Quando as primeiras comunidades cristãs refletiam esta passagem do Evangelho, lembravam-se das suas dificuldades e das ameaças de destruição que enfrentavam. Os discípulos eram pescadores experientes. Se eles acham que vão afundar, então a situação é perigosa mesmo! A barca era um instrumento para navegar. Mas, era também um símbolo da comunidade dos primeiros cristãos. Eles sentiam a sua caminhada como um barco navegando no mar. Por isso, no texto fala não só da barca onde este Jesus, mas também de ou

    7 min
  6. 24. Trazidos de volta

    08/25/2020

    24. Trazidos de volta

    Assim como fez com aquele homem, Jesus nos cura para que possamos cumprir, no mundo, na nossa casa e no meio em que vivemos, a missão que nos foi destinada pelo Pai, de amar e ajudar os nossos semelhantes. No entanto, muitas vezes, continuamos reféns e escravos das artimanhas dos espíritos do mal e continuamos perambulando no mundo como quem caminha dentro de um cemitério. Insistimos em viver a cultura da morte. Não reconhecemos a Deus como nosso Pai e provedor e persistimos em lutar com armas que, ao invés de nos libertar são como algemas e correntes que nos prendem à mesma situação durante muito tempo da nossa vida. Os mortos que hoje nos cercam são o orgulho, a autossuficiência, o egoísmo, amor próprio e outros males que também nos afligem, como o medo, o desânimo, os ressentimentos, as mágoas, etc., todos, consequência do nosso ser pecador. Porém, o Pai não quer que se perca nenhum dos Seus filhos, por isso, ainda hoje Jesus Cristo vem a nós a fim de nos libertar dos “espíritos maus” que nos perseguem. Porquanto, Ele nos perdoa, nos purifica e nos ressuscita a fim de nos tirar do sepulcro jogando para longe de nós os espíritos que nos prendiam. Depois que somos curados e libertados Jesus nos envia para amar e cultivar relacionamentos saudáveis a partir da nossa casa, na nossa família. Ele nos tira do meio dos sepulcros e nos conduz a uma vida de paz e harmonia conosco e com o próximo, bastando para isso que nos rendamos ao Seu poder amoroso. – Você ainda continua lutando com as armas que o mundo lhe impõe ou já se rendeu ao poder do Deus que liberta o homem do pecado? – Quais são os “espíritos maus” que insistem em prender você no meio dos sepulcros? – Você ainda se vê caminhando entre os mortos ou já se sente capaz de amar na sua própria casa? Pense nisso!

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Nossas palavras, por melhores que sejam, não bastam. Nossas decisões e nossos gestos, ainda que cheios de boa vontade, não são o suficiente para abrir um caminho no deserto e fazer a terra seca florescer. Se sua vida tem sido solo árido, se sua casa se tornou um lugar de penúria e desamor, busque a Palavra de Jesus. Uma só Palavra vinda dele tem o poder de endireitar seus passos vacilantes, dar-lhe uma sabedoria nova e fazê-lo enxergar as que vêm depois do sofrimento. A Palavra do Senhor é o bastante para algo novo começar em sua vida.