Chá com TEA

Mário Sérgio e Noemi Ribeiro

Um podcast com os psicólogos Mario Sérgio e Noemi Ribeiro. Um espaço de conversa qualificada, leve e sem fórmulas prontas sobre psicologia, neuropsicologia e os bastidores da clínica na vida real. Aqui, mergulhamos no universo da neurodivergência como Autismo, TDAH, Superdotação, diagnósticos tardios, mascaramento e a busca por pertencimento. Com base em teoria e vivência, fugimos do conteúdo superficial da internet para trazer reflexões profundas sobre identidade e autoconhecimento. Para quem tem curiosidade constante e quer conversar de verdade, com acolhimento e seriedade.

Episodes

  1. Jul 21

    #6 - Meltdown e shutdown no autismo: entenda de verdade

    Neste vídeo eu converso com a Noemi sobre meltdown e shutdown a partir de experiências reais nossas, sem ficar só na teoria. A gente fala sobre como essas crises podem aparecer de formas diferentes no autismo: às vezes como explosão, choro, grito, irritação, desespero e sensação de perder completamente o controle; outras vezes como travamento, silêncio, desligamento, exaustão e dificuldade de reagir ou continuar funcionando. Ao longo da conversa, a gente traz várias lembranças pessoais que ajudam a entender melhor isso na prática. Falamos de situações da infância e adolescência em que a gente era visto como “birrento”, “difícil” ou “dramático”, mas que hoje fazem muito mais sentido dentro da ideia de desregulação. Também lembramos de momentos em festas, aniversários, carnaval, viagem, show e outros contextos em que o excesso de gente, barulho, mudança de plano, cansaço e frustração iam se acumulando até virar crise. A conversa mostra como o meltdown e o shutdown nem sempre começam de um jeito óbvio. Muitas vezes a pessoa vai segurando, tentando se adaptar, tentando parecer bem, tentando continuar, até que o corpo simplesmente não aguenta mais. E aí tudo pode desorganizar de uma vez, ou então a pessoa pode entrar num estado de colapso silencioso, sem energia para responder, falar ou sustentar o que está acontecendo ao redor. Esse vídeo também ajuda a entender como essas respostas podem ser confundidas com teimosia, descontrole ou falta de educação, quando na verdade são sinais de sobrecarga extrema. A gente conversa bastante sobre isso a partir da própria história, do jeito que a gente viveu e interpretou essas crises ao longo do tempo, e de como hoje faz muito mais sentido pensar em crise autista como uma resposta do corpo e do sistema nervoso do que como um problema de comportamento. Se você já viveu algo parecido, talvez se reconheça em vários trechos dessa conversa.

  2. Jul 21

    #5 - Cérebro Sem Freio: Quando a adrenalina e as neurodivergências te colocam em perigo

    Neste vídeo eu converso com a Noemi sobre uma parte muito importante da experiência autista que nem sempre é vista de fora: a relação entre sobrecarga, impulsividade, sensação de perigo, adrenalina e essa pulsão de viver que às vezes aparece em momentos de muito caos interno. A partir de histórias nossas e de situações que a gente já viveu, a conversa vai mostrando como, quando a pessoa está muito desregulada, ela pode acabar se colocando em risco sem perceber de forma clara o que está acontecendo naquele momento. A gente fala sobre festas, shows, barulho, excesso de gente, vontade urgente de ir embora, aceitar carona de desconhecido, insistir em permanecer em lugares que já passaram do limite e tomar decisões no impulso só para sair logo da situação. Mas o vídeo não fica só na ideia de fuga. A gente também conversa sobre como, em alguns momentos da vida, principalmente na adolescência e juventude, pode existir uma busca por intensidade, por adrenalina, por viver tudo no máximo, como se o corpo precisasse sentir alguma coisa forte para dar conta do excesso interno. Ao longo da conversa, a gente tenta mostrar que isso não é simplesmente imprudência, falta de noção ou drama. Muitas vezes é sobrecarga, urgência, desorganização emocional e uma tentativa de aliviar um estado interno que já ficou insuportável. Por isso, esse vídeo é uma conversa muito honesta sobre autismo, risco, fuga, intensidade e os jeitos que o corpo encontra para sobreviver quando tudo fica demais. Esse vídeo é uma conversa muito real sobre autismo, sobrecarga, risco, fuga, intensidade e também sobre essa vontade de viver tudo no limite que às vezes aparece quando a pessoa já passou por muito, já segurou demais e já está tentando encontrar um jeito de continuar existindo no meio do caos. Se você já viveu algo parecido, talvez esse vídeo faça bastante sentido para você.

  3. Jul 8

    #4 - Clima, luz e Questões sensoriais: nossas vivências de sobrecarga sensorial no Autismo.

    Neste episódio, a gente conversa de forma leve, mas profunda, sobre um tema muito importante: como as questões sensoriais podem impactar pessoas autistas no dia a dia. Ao longo da conversa, falamos sobre como o clima, a luz, o vento, os cheiros, o som e até a paisagem podem influenciar diretamente o corpo, a energia, o humor e a capacidade de funcionar de forma confortável.A partir de vivências reais, a gente mostra que muitas vezes o que parece “preguiça”, “falta de disposição” ou “drama” na verdade pode ser sobrecarga sensorial, fadiga, desregulação emocional e dificuldade de processamento. No autismo, o cérebro pode perceber e organizar os estímulos de forma diferente, o que faz com que situações comuns para outras pessoas se tornem muito cansativas ou até dolorosas.Durante a conversa, a gente comenta exemplos práticos como dias nublados, ambientes muito brancos, frio intenso, vento no rosto, cheiros fortes, barulhos altos, roupas desconfortáveis e lugares com excesso de estímulo. Também falamos sobre como reconhecer os sinais de sobrecarga e quais adaptações podem ajudar, como ajustar a iluminação, escolher roupas mais adequadas, proteger os sentidos e respeitar os próprios limites.Esse vídeo é um convite para olhar com mais atenção para o próprio corpo e para entender que o desconforto sensorial é real. Validar essas experiências é fundamental para construir uma rotina mais possível, menos exaustiva e mais respeitosa com a neurodivergência.Se você é autista, talvez se identifique com várias falas deste episódio. Se você convive com pessoas autistas, este conteúdo pode te ajudar a compreender melhor por que certos ambientes, temperaturas, sons ou estímulos geram tanto desgaste.Falamos também sobre estratégias práticas para o cotidiano, a importância de não forçar o corpo além do limite e como pequenas mudanças no ambiente podem fazer muita diferença na regulação sensorial.Assista até o final, compartilhe com alguém que precisa entender mais sobre autismo e questões sensoriais, e aproveite para seguir nosso trabalho nas outras plataformas. Também deixamos referências e conteúdos complementares para quem quiser se aprofundar no tema.link para aprofundar: https://mariopsicologo.com/2026/06/16/quando-o-clima-desregula-frio-vento-luz-e-sobrecarga-sensorial-no-autismo/

  4. Jun 23

    #3 - Diagnóstico Tardio na vida adulta: Tudo agora é autismo, TDAH ou altas habilidades?

    Neste episódio de "Chá com TEA", conversamos sobre um tema cada vez mais presente nas redes sociais, nos consultórios e nas conversas entre pessoas neurodivergentes: o diagnóstico tardio de condições do neurodesenvolvimento, especialmente autismo, TDAH e superdotação. A conversa parte de uma pergunta que muita gente tem feito: por que tantas pessoas só descobrem na vida adulta que sempre funcionaram de forma diferente? Falamos sobre como é passar anos escutando que você é “estranho”, “preguiçoso”, “desatento”, “esquisito”, “intenso” ou que “tem muito potencial, mas falta foco”, sem perceber que isso pode estar relacionado a um perfil neurodivergente. Ao longo do episódio, explicamos por que parece que “todo mundo virou autista” ou “todo mundo tem TDAH”, mas isso não significa que essas condições tenham surgido agora. O que mudou foi o acesso à informação, a evolução dos critérios diagnósticos, a maior visibilidade do tema e a capacidade dos profissionais de reconhecer perfis que antes passavam despercebidos. Também falamos sobre como o diagnóstico tardio pode gerar sentimentos mistos. Para muitas pessoas, receber um nome para o que sempre sentiram traz alívio, validação e a sensação de finalmente entender a própria história. Ao mesmo tempo, pode surgir um luto importante: o choque por não ter sido identificado antes, a dor de olhar para a infância e para a adolescência com outros olhos e a reflexão sobre quantas dificuldades poderiam ter sido evitadas com apoio mais cedo. Neste episódio, você vai entender: - por que o diagnóstico tardio tem sido tão comum; - como o mascaramento pode esconder sinais por muitos anos; - por que mulheres e perfis menos estereotipados costumam ser identificados mais tarde; - o que o DSM-5-TR traz em termos de critérios diagnósticos; - como funciona a avaliação na prática; - a diferença entre avaliação psiquiátrica e avaliação neuropsicológica; - por que não existe exame de sangue ou ressonância que confirme autismo, TDAH ou superdotação; - como a história de vida e os sinais desde a infância são fundamentais para o diagnóstico; - o que muda depois que a pessoa recebe o laudo. Também discutimos o impacto real de um diagnóstico na vida adulta: entender limites, reorganizar a rotina, buscar psicoterapia, considerar acompanhamento psiquiátrico quando necessário, lidar melhor com estímulos, reduzir autocobrança, desenvolver autocompaixão e construir uma relação mais saudável com o próprio funcionamento. Além disso, reforçamos a importância de buscar profissionais capacitados e de evitar interpretações superficiais ou estereotipadas sobre neurodivergência. Autismo, TDAH e superdotação não são modismos, não são rótulos vazios e não podem ser reduzidos a frases de internet. Estamos falando de condições reais, com critérios definidos e impacto significativo na vida da pessoa. Se você já se perguntou se pode ser neurodivergente, se recebeu um diagnóstico recentemente, se convive com alguém que está passando por esse processo ou se quer entender melhor o assunto com seriedade e acolhimento, este episódio é para você.

  5. Jun 11

    #2 - Pessoas típicas x pessoas atípicas: diferenças, adaptações e neurodiversidade

    No episódio de hoje de "Chá com TEA", a conversa gira em torno de um tema essencial para entender melhor o desenvolvimento humano: pessoas típicas x pessoas atípicas. Falamos sobre como a sociedade costuma chamar de “normal” aquilo que se encaixa no padrão esperado de desenvolvimento, comportamento e socialização. Explicamos que, no campo da neurodiversidade, o termo neurotípico se refere a quem segue esse padrão considerado típico, enquanto atípico descreve funcionamentos diferentes, que não são inferiores, apenas distintos. Durante o vídeo, conversamos sobre como esse padrão típico costuma ser visto no dia a dia: a forma de falar, aprender, se relacionar, lidar com estímulos, barulhos, rotinas e interações sociais. Também trouxemos exemplos práticos de como pessoas atípicas podem sentir o mundo de forma mais intensa, como maior sensibilidade sensorial, maior necessidade de previsibilidade, dificuldade com sobrecarga e mais esforço para se adaptar a ambientes feitos para outras pessoas. Abordamos ainda como muitas pessoas neurodivergentes crescem sem perceber suas diferenças, porque essas características são naturalizadas dentro da família ou da rotina. Falamos sobre o impacto disso na vida adulta, no trabalho, nos relacionamentos, nas viagens, nas festas, nas filas, no mercado e em situações cotidianas que para muitos parecem simples, mas para outros exigem muito mais energia. Outro ponto importante foi a ideia de que não existe um funcionamento melhor que o outro. Existem formas diferentes de perceber, sentir e viver o mundo. O problema não é ser atípico, e sim viver em um mundo que muitas vezes não foi construído para essas diferenças. Também falamos sobre a importância de reconhecer limites, fazer adaptações, respeitar a própria forma de funcionamento e usar recursos que ajudem a diminuir a sobrecarga. A terapia aparece como um espaço importante para isso: para entender necessidades, identificar prejuízos, construir estratégias e aprender a se posicionar sem culpa. No fim, reforçamos que o mais importante não é tentar encaixar todo mundo no mesmo molde, mas sim compreender que há diferenças reais de funcionamento e que elas precisam ser respeitadas. Cada pessoa tem sua maneira de existir, sentir e lidar com o mundo — e isso precisa ser visto com mais empatia e menos julgamento.

Trailers

About

Um podcast com os psicólogos Mario Sérgio e Noemi Ribeiro. Um espaço de conversa qualificada, leve e sem fórmulas prontas sobre psicologia, neuropsicologia e os bastidores da clínica na vida real. Aqui, mergulhamos no universo da neurodivergência como Autismo, TDAH, Superdotação, diagnósticos tardios, mascaramento e a busca por pertencimento. Com base em teoria e vivência, fugimos do conteúdo superficial da internet para trazer reflexões profundas sobre identidade e autoconhecimento. Para quem tem curiosidade constante e quer conversar de verdade, com acolhimento e seriedade.