Com Ciência

Brasil de Fato MG

Quinzenalmente o professor e biólogo Renan Santos traz análises sobre os mistérios da vida e da ciência

  1. Minoxidil: o produto que promete fazer crescer barba e cabelo

    07/28/2023

    Minoxidil: o produto que promete fazer crescer barba e cabelo

    Se você frequenta barbearias já deve ter visto por lá produtos à venda que prometem uma barba mais cheia. Sempre me perguntava se eles realmente funcionam. Assim, fui procurar saber o que as pesquisas científicas dizem a respeito. A substância mais utilizada para esse fim é o minoxidil. Ele está presente em loções, xampus e comprimidos de uso oral que prometem aumentar o crescimento da barba e corrigir falhas na mesma. Também é vendido como promessa de cura para a calvície, ao barrar a queda dos fios. O minoxidil era usado originalmente no tratamento de pressão alta, nos anos 1970. Pessoas que tomavam esse medicamento relataram um aumento no crescimento de pelos, principalmente na face e em mulheres. Assim, esse efeito inesperado da substância passou a ser estudado. Diversas pesquisas de lá para cá confirmaram a eficácia do minoxidil. De fato, a substância apresenta um efeito positivo sobre os pelos. O mecanismo por trás disso ainda não é completamente entendido. Mas, ao que tudo indica, a substância induz um aumento no calibre e no número dos vasos sanguíneos próximos à raiz dos pelos. E isso faz com que os pelos cresçam e durem mais tempo. Portanto, o uso do Minoxidil para aumentar o crescimento de pelos na barba é eficaz. Há um aumento considerável no número de pelos, e um leve espessamento. Sobre contribuir no combate à calvície, as pesquisas também apontam resultados satisfatórios. O uso tópico, na forma de loção, e o uso por via oral contribuíram para diminuir a queda de cabelo e aumentar o crescimento de novos fios. O tratamento com a substância demora alguns meses para surtir efeito e não apresenta efeitos colaterais graves. A má notícia é que o efeito só dura enquanto a substância é utilizada. Ou seja, ao interromper o tratamento, tanto a barba quanto o cabelo voltarão a ser como eram antes. E o minoxidil também não é capaz de fazer pelos crescerem em áreas onde antes não estavam presentes. O que limita os resultados para algumas pessoas. Isso representa uma cura para a calvície? Infelizmente, não. A calvície é uma condição genética que afeta mais comumente os homens, devido aos maiores níveis de testosterona. O que a substância consegue fazer é retardar e atenuar os efeitos da calvície. Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de ensino de Minas Gerais.

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  2. Experimentos científicos e a astrologia

    07/22/2023

    Experimentos científicos e a astrologia

    No último texto, vimos que os fundamentos da astrologia, apesar de históricos, não fazem sentido sob o ponto de vista da ciência atual. A força gravitacional que os astros exercem sobre nossos corpos é praticamente nula. E não é plausível crer que a organização do céu determina mais a personalidade de alguém do que sua história de vida e as pressões genéticas, ambientais e sociais a que está submetida. Mas, deixemos isso de lado. Vamos considerar que há algum mecanismo desconhecido pela ciência que relaciona a disposição do céu com acontecimentos aqui da Terra. Diversos estudos científicos partiram desse pressuposto e testaram se as afirmações astrológicas se verificam experimentalmente. Vamos a alguns exemplos.  França, 1978. Estudo científico testa a relação entre o zodíaco e o sucesso profissional de 15 mil europeus. Não foi observada nenhuma correlação estatística entre o signo das pessoas e o sucesso profissional. África do Sul, 2011. Pesquisa analisa a correlação entre o perfil psicológico de 65 mil sul-africanos e os signos solares. Conclui-se que a configuração planetária não afeta a personalidade das pessoas analisadas.  Holanda, 2013. Publicação analisa 27 anos de pesquisa científica sobre astrologia. A partir de dados estatísticos, vê-se que a taxa de acerto de astrólogos ao analisar mapas astrais e relacionar com indivíduos ou fatos é igual a de pessoas comuns. Suécia, 2020. Análise sobre a compatibilidade astrológica de casais e o número de casamentos e divórcios entre 1968 e 2001. Os padrões astrológicos não se confirmam a partir da análise dos dados.Espanha, 2023. Estudo conclui que não há qualquer relação entre os eventos de guerras ocorridos no século 20 e a posição dos planetas em relação às constelações zodiacais.  A lista de exemplos poderia seguir por páginas e páginas... Algo interessante que alguns desses estudos apontam é que a crença em astrologia faz com que fatores de personalidade compatíveis com os signos sejam reforçados. É a chamada autoatribuição. Quem acredita que a agressividade é um traço característica do seu signo de Áries, por exemplo, acaba por reforçar essa característica em si mesmo. Ou seja. A observação de padrões que reforcem os pressupostos astrológicos provavelmente se deve ao viés de confirmação, aquele mecanismo psicológico já descrito pela ciência que nos faz prestar mais atenção naquilo que reforça nossas crenças, e menos no que as enfraquece. Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de ensino de Minas Gerais. Foto: Canva

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  3. Será que a posição dos astros no céu influencia quem somos?

    07/14/2023

    Será que a posição dos astros no céu influencia quem somos?

    Sabe quem supera com folga o número de evangélicos e de flamenguistas no Brasil? O das pessoas que acreditam em astrologia. Segundo estimativas, cerca de 42% dos brasileiros se encaixam nesse grupo. Será que elas creem em algo que faz sentido hoje do ponto de vista científico? A astrologia é um sistema de crenças bem antigo. Estima-se que exista há pelo menos 5 mil anos e que tenha surgido em diferentes civilizações. Baseia-se na ideia de que a posição de certos astros no céu é capaz de influenciar eventos da vida cotidiana em nosso planeta. A humanidade sempre olhou para os astros e buscou conhecê-los. Isso nos foi útil, como na navegação e na contagem do tempo. Em algum momento, passamos a relacionar a forma como o céu estava com quando determinado evento se deu, por exemplo, uma praga devastou a lavoura e Marte se alinhava com a constelação de Áries. Será que não deveríamos nos preocupar quando esse alinhamento voltasse a ocorrer? Daí foi um pulo para que se fizesse a relação entre a posição dos astros na hora do nascimento de uma pessoa, as características e a vida dela. Surgia assim todo um sistema de signos do zodíaco, mapas astrais e horóscopos. Com o desenvolvimento da ciência moderna, os cientistas passaram a se perguntar se a astrologia fazia sentido a partir dos novos conhecimentos adiquiridos sobre o cosmos. A Terra deixou de ser o centro do universo e muita coisa mudou. O que aprendemos nos últimos séculos sobre genética, psicologia, sociologia e educação nos mostra que a formação da personalidade de alguém é um processo complexo. Somos como somos pela síntese dos genes que herdamos com toda a nossa história de vida, pressões ambientais e sociais que a influenciam. Não faz sentido mais crer que a posição de corpos celestes no momento do parto exerça uma força maior do que todo o resto na determinação de nossa personalidade. Nas aulas de física da escola, aprendemos sobre a lei da gravitação universal de Newton. Com cálculos simples, vemos que a força que a lua, os planetas do sistema solar e outras estrelas exercem sobre nós aqui na Terra é praticamente nula. Matematicamente, sabemos que a força gravitacional que o corpo do médico exerce sobre o do bebê no momento do parto é maior do que a de qualquer coisa que vemos no céu. Defensores da astrologia argumentam que ela não se baseia na gravidade, e sim em alguma energia desconhecida até hoje pela ciência. Complicado, né? Mas vamos assumir que isso é possível e continuar essa prosa em nosso próximo encontro. Um abraço e até a próxima! Foto: Canva

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