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Este podcast busca indagar sobre questões cotidianas da vida psíquica e promover discussões, com profissionais da área e de áreas vizinhas, sobre algumas das interpretações acerca da formação psíquica, cultural e social do ser humano.

  1. 4월 15일

    A VIENA DE FREUD

    Entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, Viena consolidou-se como um dos polos intelectuais mais dinâmicos da Europa. A capital do Império Austro-Húngaro reunia uma elite cultural que, em meio às tensões políticas e sociais, produziu algumas das ideias mais influentes da modernidade. O ambiente cosmopolita, marcado pela convivência de diferentes tradições linguísticas e culturais, favoreceu debates intensos sobre ciência, filosofia, arte e identidade. Nos cafés vienenses, como o Café Central, escritores, cientistas e artistas se encontravam para discutir projetos e teorias que moldariam o século seguinte. Na filosofia, nomes como Ludwig Wittgenstein e Karl Popper revolucionaram a reflexão sobre linguagem e ciência, enquanto Ernst Mach influenciava diretamente o pensamento de Einstein. Na psicanálise, Sigmund Freud inaugurava uma nova compreensão da mente humana, desafiando convenções morais e científicas. No campo das artes, a Secessão de Viena, liderada por Gustav Klimt, rompeu com o academicismo e abriu caminho para a estética moderna, acompanhada por Egon Schiele e Oskar Kokoschka. Na literatura, Arthur Schnitzler e Hugo von Hofmannsthal exploraram os dilemas da subjetividade e da crise cultural. A música também foi transformada: Gustav Mahler expandiu a forma sinfônica e Arnold Schoenberg introduziu a técnica dodecafônica, redefinindo os limites da composição. Esse florescimento intelectual, contudo, convivia com a instabilidade política e social do império, que se desintegrou após a Primeira Guerra Mundial. A anexação da Áustria pelo regime nazista em 1938 intensificou a perseguição a intelectuais, especialmente judeus, levando muitos ao exílio. Apesar disso, o legado vienense permaneceu duradouro: suas contribuições em filosofia, ciência, arte e música continuam a influenciar debates contemporâneos sobre racionalidade, estética e subjetividade. Viena, nesse período, foi não apenas uma cidade, mas um verdadeiro laboratório cultural da modernidade.

    51분
  2. 4월 15일

    MEMÓRIAS E ESQUECIMENTOS

    O episódio “Memórias e Esquecimentos em Psicanálise” do Podcast de Filosofia e Psicanálise explora de forma aprofundada a tensão entre lembrar e esquecer, articulando a história dos conceitos filosóficos com os mecanismos de defesa descritos pela psicanálise. Na filosofia, desde Platão, a memória foi pensada como uma espécie de “armazenamento” da alma, enquanto Aristóteles a vinculava à experiência sensível e à imaginação. Séculos depois, Santo Agostinho refletiu sobre a memória como interioridade e como lugar da verdade espiritual. Já na modernidade, Descartes e Locke destacaram a memória como função da consciência e da identidade pessoal, e Nietzsche problematizou o excesso de memória como peso cultural, contrapondo-o ao esquecimento criativo. Heidegger e Derrida, por sua vez, trouxeram leituras que enfatizam a memória como abertura temporal e como escrita, sempre marcada por ausência e diferença.Na psicanálise, Freud revolucionou o tema ao mostrar que lembrar e esquecer não são processos neutros, mas atravessados pelo inconsciente. O esquecimento pode ser efeito do recalque, mecanismo de defesa que mantém conteúdos dolorosos fora da consciência, mas que retorna em sintomas, sonhos e atos falhos. Outros mecanismos de defesa, como a negação, a formação reativa e a racionalização, também operam na relação entre memória e esquecimento, revelando como o sujeito lida com experiências traumáticas. Lacan, retomando Freud, enfatizou que a memória não é um arquivo estático, mas uma construção simbólica, sempre mediada pela linguagem e pelo desejo. O esquecimento, nesse sentido, não é falha, mas parte constitutiva da estrutura psíquica: o sujeito se constitui justamente naquilo que não pode ser plenamente lembrado.O podcast mostra que a clínica psicanalítica é o espaço privilegiado para trabalhar essa dialética. O paciente traz lembranças fragmentadas, narrativas incompletas e esquecimentos significativos, e o analista escuta não apenas o que é dito, mas também o que é silenciado. A filosofia ajuda a compreender o estatuto da memória como verdade interpretativa, enquanto a psicanálise revela que o esquecimento é ativo, uma defesa e, ao mesmo tempo, uma condição para novas elaborações. Em síntese, o episódio destaca que memória e esquecimento não são opostos, mas forças complementares que estruturam a subjetividade, e que a psicanálise, em diálogo com a filosofia, oferece uma leitura singular dessa tensão, fundamental para pensar tanto a clínica quanto a cultura contemporânea.

    39분

소개

Este podcast busca indagar sobre questões cotidianas da vida psíquica e promover discussões, com profissionais da área e de áreas vizinhas, sobre algumas das interpretações acerca da formação psíquica, cultural e social do ser humano.

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