aka CONHECIMENTO CIENTÍFICO x SENSO COMUM O que marca a diferença entre o cientista e o não cientista é o processo de obtenção, justificação e transmissão de conhecimento. • Embora essa fronteira não seja clara e existam muitos pontos de vista diferentes entre os filósofos da ciência, existe um consenso amplo a respeito de certas propriedades que são típicas da atividade científica. • O conhecimento científico é crítico. • Ainda que sua origem seja a experiência, esse conhecimento não fica grudado a ela de modo incondicional. • Enquanto o senso comum habitualmente abraça aos dados imediatos, ou, então, procura explicações nem sempre profundas, o conhecimento cientifico procura bases sólidas, justificações claras e exatas. • Isso não é possível em todos os casos. • A tendência do cientista, porém, é se aproximar gradativamente de fundamentos fortes para seus conhecimentos. • O conhecimento cientifico é, portanto, submetido a uma série de testes, análises, controles que garantam pelo menos uma "chance" alta de obter informações verdadeiras e justificadas. • Por exemplo: todos sabemos que a dinamite explode quando é submetida à ação do fogo. • É por isso que ninguém ousa jogar um fósforo aceso num depósito de dinamite. • Mas nem todos se perguntam pelas razões que explicam esse fenômeno. Os que conhecem as explicações do senso comum só sabem que a dinamite contém certas substâncias responsáveis pela explosão. O químico, no entanto, é capaz de nos explicar com detalhe o que acontece dentro de um explosivo quando ele é submetido à ação do fogo. Pode até nos escrever certas fórmulas que mostram o processo completo: a ação do fogo, seu efeito sobre os componentes químicos, as forças que são liberadas, a intensidade da explosão. • O conhecimento científico é organizado. • O cientista tenta construir sistemas de conhecimento, embora seus anseios nem sempre possam ser coroados pelo sucesso. • Enquanto o senso comum é composto por um conjunto de conhecimentos "avulsos", o cientista visa organizar seu conhecimento num conjunto onde os elementos estejam relacionados de maneira ordenada. • O conhecimento cientifico é prognosticador. • Baseado em certos "princípios" ou "leis", o cientista pode predizer até mesmo com certeza de que maneira acontecerão certos fatos futuros. • Também o homem da rua faz predições: podemos predizer que o verão será-quente, que a inflação continuará aumentando, que o sol sairá amanhã etc. • Mas nossas predições são justificadas apenas por analogias do senso comum. • O cientista tem razões para afirmar que certos fatos haverão de ocorrer. • O conhecimento cientifico é geral. • É conhecimento de conjuntos ou classes de fatos e situações, e não apenas de determinados fatos isolados. • O conhecimento de que nosso cabo de aço conduz a eletricidade é individual, mas é justificado pelo conhecimento geral de que todo corpo metálico conduz a eletricidade. • Um ponto muito importante é o caráter metódico do conhecimento cientifico. • Os filósofos da ciência mais tradicionais (os anteriores a 1970, por exemplo) consideravam que uma característica essencial da ciência é o método. • Segundo eles, a obtenção do conhecimento não é produto de uma sequência de acasos ou situações imprevisíveis. • Para obter conhecimento científico devemos orientar nossa atividade e nossa inteligência em consonância com certos padrões de pesquisa, certa noção de ordem. • Realmente, ainda hoje, a maioria dos filósofos aceita que a ciência possui um método, que nem sempre é único. • Antigamente pensava-se que a ciência constava de um conjunto fixo de regras ou "receitas" para obter conhecimento, hoje aceitamos que o método depende de muitas condições, inclusive psicológicas, sociais e históricas, entre outras. • Lungarzo, C. (1997). O que é Ciência. São Paulo: Editora Brasiliense.