Mundaréu

Mundaréu

Mundaréu, podcast de Antropologia produzido pelo Labjor/Unicamp

  1. APR 1

    O Complexo de Golgi

    Nessa série de podcast e na minha dissertação de mestrado, elaborei um exercício de figuração feminista, inspirado no trabalho da Donna Haraway. Você me acompanhou aqui em  uma viagem pela célula. Foi organizando essa viagem que eu construí a minha metodologia de pesquisa e conduzi minha análise. Resolvi dividir a viagem na visita a cada uma das diferentes organelas que compõem a célula. Fui pensando em como cada organela funciona e de que formas essas funcionalidades poderiam ajudar a responder às minhas perguntas de pesquisa, e apresentar o material empírico que eu levantei.  E se você chegou até aqui, significa que você topou embarcar comigo nessa viagem! Te agradeço pela companhia.  Nosso salto dá certo. A gente alcança a estrutura próxima, que é formada por pilhas ordenadas até próximo da membrana, estamos nas cisternas do Complexo de Golgi! Essa é uma parte celular responsável pela exportação de substâncias para fora da célula. Toda célula tem suas próprias estruturas e funções, só que apenas funcionando em conjunto é que elas fazem um corpo como o nosso funcionar. E esse diálogo entre a célula e o corpo é mediado pela exportação de substâncias pelo Complexo de Golgi.   A bióloga feminista estadunidense Anne Fausto-Sterling discute que não é razoável pedir para que todos os biólogos se tornem proficientes em teorias feministas, nem o contrário. Mas é razoável pedir que cada grupo de acadêmicos entenda a limitação do conhecimento obtido apenas com uma disciplina. Para ela, apenas grupos multidisciplinares não-hierárquicos podem produzir um conhecimento mais complexo sobre o corpo humano. Cada campo do conhecimento é como uma célula isolada. Pensando aqui na nossa viagem pela célula, o que será que poderia funcionar como um Complexo de Golgi para favorecer o diálogo interdisciplinar? Como essa ponte entre o dentro e o fora da produção científica?   Vem comigo saltar pelas cisternas do Complexo de Golgi?   Mais Informações Transcrição completa do episódio Currículo Daniela Tonelli Manica Currículo Hannah Cowdell Currículo Malin Ah King WESTER, Fernanda Mariath Amorim. Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco. 2025. Dissertação (Mestrado em Divulgação Científica e Cultural) – Instituto de Estudos da Linguagem, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo,  Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 2025.    Materiais Extras Estranha célula das entranhas, Episódio Oxigênio, 2018. Uma antropóloga na sala de cultura, Episódio no Podcast Mundaréu, 2020. HARAWAY, Donna Jeanne. O manifesto ciborgue. In: SILVA, Tomaz Tadeu da. Antropologia do ciborgue: As vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica. 2000. FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. 1 ed. New York, NY: Basic Books, 2000.   Expediente de Produção Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath Agradecimentos: À Capes pela bolsa de mestrado (Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), à FAPESP pela bolsa Mídia Ciência (Processo: 2025/16311-2 e 2024/15321-1), aos funcionários do Labjor, às professoras Germana Barata e Marina Nucci, a toda equipe do Mundaréu e do Labirinto que contribuíram para produção dessa série, aos meus amigos e minha família! Vamos adorar saber o que você achou, entre em contato: podcastmundareu@gmail.com

    37 min
  2. MAR 25

    A Mitocôndria

    Nessa aventura pela célula, ainda não encontramos um caminho para responder: ‘é possível fazer uma pesquisa feminista com células?’ Nesse momento, estamos refugiadas dentro de uma Mitocôndria, uma estrutura celular responsável pela produção de energia, potencializando o funcionamento da célula. O tempo todo eu tava procurando um caminho novo para trilhar uma ciência feminista com células. E talvez, seja sobre olhar para trás e somar no movimento que já está em curso. Como nas respostas feministas à ciência discutidas pela Sandra Harding, a figuração de Haraway que nos convida a habitar nossa pesquisa e ficar com o problema, a clonagem feminista da Deboleena Roy que nos instiga a criar conexões e comunicações horizontais entre biologia molecular e feminismos, as estratégias de neurocientistas feministas descritas por Marina Nucci…  Não existe uma única forma de se fazer uma ciência feminista, uma saída específica, mas existem muitas entradas. O importante é continuar fazendo perguntas, experimentando e acumulando direcionamentos, dúvidas e possibilidades. Como o movimento dos elétrons vai se somando, se acumulando até produzir energia.  Além de produzir energia para toda a célula, a mitocôndria tem seu próprio material genético e capacidade de formar outras mitocôndrias. Ela tem uma origem independente do resto da célula. Segundo Teoria da Endossimbiose, consolidada pela cientista Lynn Margulis, a origem das nossas células, como a que estamos mergulhada agora, só foi possível ao englobar uma outra célula, que deu origem a uma mitocôndria. Uma célula envolvendo outra célula em um abraço para seu interior.   Os estudos feministas têm suas próprias produções teóricas e métodos, como o DNA circular e o maquinário mitocondrial. É preciso juntar as contribuições e conhecimentos dos estudos feministas por meio de um diálogo interdisciplinar. A gente pode construir modelos e metodologias experimentais com células na pesquisa biomédica, a partir de uma inserção séria e robusta das categorias sexo e gênero. E assim, endereçar interesses das mulheres e diminuir iniquidades na saúde entre homens e mulheres. Finalmente, eu encontro um caminho para uma ciência feminista com células.  Vem comigo escalar as cristas da Mitocôndria?   Mais Informações Transcrição completa do episódio Currículo Aryella Maryah Couto Correa Currículo Daniela Tonelli Manica Currículo Bruno Paranhos   Materiais Extras HARDING, Sandra G. The science question in feminism. Ithaca: Cornell University Press, 1986. HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: Fazer parentes no Chthluceno. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo, SP: N-1 Edições, 2023. HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 5, p. 7–41, 2009.  BENJAMIN, Ruha. People’s science: bodies and rights on the stem cell frontier. Stanford (Calif.): Stanford university press, 2013. MARGULIS, L. Symbiosis in Cell Evolution. New York: W. H. Freeman; 1981. NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015.  ROY, Deboleena. Molecular Feminisms: Biology, Becomings, and Life in the Lab. Seattle: University of Washington Press, 2018. (Feminist technosciences).   Expediente de Produção Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath

    31 min
  3. MAR 18

    O Lisossomo

    As células do sangue menstrual têm muitas qualidades interessantes para serem escolhidas para experimentos. Excelente sobrevida, proliferam bastante e ainda são de fácil obtenção. Diferente de outras células mesenquimais, que, em sua maioria, exigem procedimentos complexos e invasivos, como punções e cirurgias. Ou ainda momentos específicos, como um parto. O sangue menstrual pode ser coletado nos dias de maior fluxo durante a menstruação. Um material extremamente abundante e interessante. Incrível, né? Só que o que a pesquisa da Daniela Manica, com Karina Asensi e Regina Goldenberg encontrou é que essas células basicamente não são utilizadas. Mesmo existindo pessoas trans ou intersexo que menstruam, e mulheres que não menstruam, o sangue menstrual é marcado como feminino, o que é entendido como uma barreira para a escolha dessas células.  Por um lado, as células e os modelos chamados de masculinos alcançam o patamar de modelo universal. Eles podem representar todos os nossos corpos e são preferidos na prática científica. E fluidos e partes corporais sem marcação de gênero, como fezes, urina e sangue, são rotineiros no laboratório. Por outro lado, apesar disso, uma célula entendida como “feminina” vem sendo descartada como um modelo possível. E o engajamento do sangue menstrual nas pesquisas causa estranhamento, nojo até.  O que torna o sangue menstrual tão diferente de sangue, fezes, urina, células e órgãos? O que faz com que não seja bem-vindo na sala de cultura? Dando voltas nessa viagem pela célula, a gente retorna para a pergunta que nos fez embarcar nessa aventura. O sexo da célula faz diferença? E, no caso, o sexo do fluido corporal está presente nele? Como? A gente tá buscando essas respostas nessa viagem pela célula. Nesse momento, estamos agarradas em uma proteína, sendo carregadas por uma vesícula pelo Citosol. Essa vesícula fez uma curva e está se voltando para o interior da célula. E estamos quase colidindo contra uma pequena estrutura arredondada, bem menor que o Núcleo. Então, se segura!  Vem comigo enfrentar as ciladas dos Lisossomos?     Mais Informações Transcrição completa do episódio Currículo Julia Helena Barros Currículo Daniela Tonelli Manica Currículo Regina Coeli dos Santos Goldenberg Currículo Karina Dutra Asensi   Materiais Extras MANICA, Daniela Tonelli. Estranhas entranhas: de antropologias, e úteros. Amazônica – Revista de Antropologia, v. 10, n. 1, p. 22–41, 2018.  MANICA, Daniela Tonelli. PEREIRA, Brunno Souza Toledo. Células-tronco adultas, potências condicionadas e biotecnologias de transformação. In: Rohden, Fabíola. Pusseti, Chiara. Roca, Alejandra (org.). Biotecnologias, transformações corporais e subjetivas: saberes, práticas e desigualdades. Brasília, DF: Aba Publicações, 2021. MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022.  MANICA, Daniela Tonelli; GOLDENBERG, Regina Coeli Dos Santos; ASENSI, Karina Dutra. CeSaM, as Células do Sangue Menstrual: Gênero, tecnociência e terapia celular. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 20, n. 1, 2018.  MARIATH, Fernanda; MANICA, Daniela. Stem cells, menstrual blood and feminist perspectives. EASST-4S 2024 Amsterdam: Making and Doing Transformations. 2024. MARTIN, Emily. A mulher no corpo: uma análise cultural da reprodução. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.  PRENDERGAST, Brian J.; ONISHI, Kenneth G.; ZUCKER, Irving. Female mice liberated for inclusion in neuroscience and biomedical research. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 40, p. 1–5, 2014. CRITCHLEY, Hilary O.D.; BABAYEV, Elnur; BULUN, Serdar E.; et al. Menstruation: science and society. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 223, n. 5, p. 624–664, 2020. DELOUGHERY, Emma; COLWILL, Alyssa C; EDELMAN, Alison; et al. Red blood cell capacity of modern menstrual products: considerations for assessing heavy menstrual bleeding. BMJ Sexual & Reproductive Health, v. 50, n. 1, p. 21–26, 2024. GRABEK, Anaëlle; DOLFI, Bastien; KLEIN, Bryan; et al. The Adult Adrenal Cortex Undergoes Rapid Tissue Renewal in a Sex-Specific Manner. Cell Stem Cell, v. 25, n. 2, p. 290-296.e2, 2019. FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. 1 ed. New York, NY: Basic Books, 2000. ROHDEN, Fabíola. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. 2nd. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz Editora, 2001. (Coleção antropologia e saúde).  SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001. NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015.    Expediente de Produção Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath

    35 min
  4. MAR 11

    O Citosol

    Até agora, nosso percurso pela célula se aproximou mais de uma corrida de obstáculos. No Núcleo, esbarramos nas limitações de se atribuir sexo e gênero a uma célula. Mas também nadamos em possibilidades para contorná-las, como o conceito de sexo contextual proposto pela professora Sarah Richardson. Nos perdemos no Retículo Endoplasmático, dando de cara com vários becos sem saída. Principalmente, na falta de rigor das publicações científicas. Nos frustramos ao perceber que células de uma mulher negra, as células HeLa obtidas sem consentimento de Henrietta Lacks, sempre estiveram no centro da experimentação com células. E isso não garantiu o endereçamento dos interesses das mulheres na pesquisa biomédica, especialmente, das mulheres negras.  Mas a gente continua agarrada na discussão de diferenças entre os sexos. O principal impacto dessa política de inclusão de modelos femininos foi o aumento desse tipo de publicação, que compara um modelo feminino a um modelo masculino. Será que não acrescentaram a isso nenhum direcionamento para resolver as iniquidades na saúde entre homens e mulheres, como essa política prometia?  Nesse momento, estamos agarradas também a uma proteína, sintetizada a partir de um trecho de um cromossomo sexual. Somos carregadas no interior de uma vesícula pelo citosol. O citosol é o líquido gelatinoso que preenche toda a célula, como a clara do ovo. É nele que ficam as organelas e partes celulares imersas. E aqui estamos, boiando nele suspensas, no interior de uma pequena bolsa em movimento, juntas da proteína. Quantas voltas serão necessárias para encontrarmos uma saída?  Bora dar umas voltas pelo Citosol?   Mais Informações Transcrição completa do episódio Currículo Tais Hanae Kasai Brunswick Currículo Sarah Richardson Site GenderSci Lab   Materiais Extras Política “Sexo como variável biológica” do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos  MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022.  WOITOWICH, Nicole C; BEERY, Annaliese; WOODRUFF, Teresa. A 10-year follow-up study of sex inclusion in the biological sciences. eLife, v. 9, p. e56344, 2020. BEERY, Annaliese K.; ZUCKER, Irving. Sex bias in neuroscience and biomedical research. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 35, n. 3, p. 565–572, 2011. BALASSA, Katalin; ANDRIKOVICS, Hajnalka; REMENYI, Peter; et al. Sex-specific survival difference in association with HLA-DRB1∗04 following allogeneic haematopoietic stem cell transplantation for lymphoid malignancies. Human Immunology, v. 79, n. 1, p. 13–19, 2018. Richardson, Sarah S. Sex Contextualism. Philosophy, Theory, and Practice in Biology 14, 2022. ROHDEN, Fabíola. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. 2nd. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz Editora, 2001. (Coleção antropologia e saúde).  SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001. ZHAO, Helen; DIMARCO, Marina; ICHIKAWA, Kelsey; et al. Making a ‘sex-difference fact’: Ambien dosing at the interface of policy, regulation, women’s health, and biology. Social Studies of Science, v. 53, n. 4, p. 475–494, 2023. Greenblatt, David J., et al. Zolpidem and Gender: Are Women Really At Risk? Journal of Clinical Psychopharmacology, vol. 39, no. 3, 2019.   Expediente de Produção Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath  Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath  Revisão da transcrição do episódio: Maxie Viana

    40 min
  5. MAR 4

    O Retículo Endoplasmático

    Seja bem-vinda, bem-vindo e bem-vinde à nossa viagem pela célula! Neste episódio, vamos perseguir um RNA mensageiro. Um pequeno resumo: na nossa primeira parada, o Núcleo, a gente encontrou limitações na inclusão de células femininas na pesquisa biomédica. Dizer que uma célula é feminina não significa muita coisa, ou melhor, pode significar muitas coisas diferentes. E também esbarramos nos perigos, científicos e sociais, de nos limitarmos às opções masculino e feminino. Mas continuo me perguntando se escolher uma célula atribuída como feminina pode ser uma mudança positiva para o avanço da saúde das mulheres.  Por isso, estamos perseguindo essa pequena cópia do material genético, o RNA. Ele carrega parte das informações para fora do Núcleo. As orientações que vêm do material genético serão traduzidas em proteínas. São elas, as proteínas, que comandam a estrutura e funcionamento da célula. Vamos ver o que é produzido a partir da utilização de uma célula atribuída como feminina. Será que o sexo do modelo determina de quem é o corpo que está sendo considerado na pesquisa biomédica? Faz diferença isso para outros corpos, de outros sexos, outras raças? Escolher uma célula marcada como feminina pode direcionar a pesquisa a favor dos interesses das mulheres? Vem comigo se perder e se encontrar pelo Retículo Endoplasmático?   Mais Informações Transcrição completa do episódio Currículo Bruno Paranhos Currículo Aryella Maryah Couto Correa   Materiais Extras MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022.  MANICA, Daniela Tonelli. PEREIRA, Brunno Souza Toledo. Células-tronco adultas, potências condicionadas e biotecnologias de transformação. In: Rohden, Fabíola. Pusseti, Chiara. Roca, Alejandra (org.). Biotecnologias, transformações corporais e subjetivas: saberes, práticas e desigualdades. 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São Paulo: Hucitec Editora, 2020.    Expediente de Produção Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Projeto de pesquisa relacionado a este episódio: E-28/2021 – Programa de apoio a projetos temáticos no estado do Rio de Janeiro 2021 Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath  Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath  Revisão da transcrição dos episódios: Igor Pereira e Maxie Viana Identidade visual da série: Bianca Bursi  Trilha sonora da série: Gabriel Marcal  Sonoplastia: Fernanda Mariath  Montagem do teaser: Fernanda Mariath  Conteúdo do sítio eletrônico: Fernanda Mariath  Divulgação: Fernanda Mariah  Financiamento: FAPESP, CAPES, CNPq e Unicamp Agradecimentos: À Capes pela bolsa de mestrado (Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), à FAPESP pela bolsa Mídia Ciência (Processo: 2025/16311-2 e 2024/15321-1), aos funcionários do Labjor, às professoras Germana Fernandes Barata e Marina Nucci, a toda equipe do Mundaréu e do Labirinto que contribuíram para produção dessa série, aos meus amigos e minha família! Vamos adorar saber o que você achou, entre em contato: podcastmundareu@gmail.com

    37 min
  6. FEB 25

    O Núcleo

    Você sabe qual é o sexo das suas células? E qual é o sexo das células utilizadas na pesquisa biomédica? Será que masculino ou feminino são as únicas opções para essa resposta? Ou existem células femininas, masculinas, não-binárias, intersexo? Existem células queer? Que embaralham, disputam e desafiam o que é entendido como masculino e feminino? Nas nossas células, cabe a diversidade dos nossos corpos? O Núcleo armazena todo o material genético da célula, é como uma central de comando. Só que as orientações para estrutura e funcionamento da célula, em vez de estarem salvas em computadores, estão armazenadas em códigos bioquímicos nas fitas e mais fitas de DNA, que se enroscam e se entrelaçam, formando cordões em formato de X, os cromossomos. Como os cromossomos sexuais, que no discurso tradicional da biologia, definem o sexo das nossas células.  Na pesquisa com as células do sangue menstrual, a antropóloga Daniela Manica mostrou que o fato dessas células serem entendidas como “femininas” representa uma barreira para seu uso em pesquisas com células-tronco. Elas são explicitamente descartadas como um bom modelo, possível de ser amplamente adotado. Essa marcação se dá por causa da sua fonte. E a gente se perguntou no episódio passado: será que sexo e gênero são sempre levados em conta como fatores na escolha de modelos experimentais com células-troncos? Toda célula usada em pesquisas científicas é obtida a partir de partes dos nossos corpos. Corpos que têm sexo, gênero, raça ou etnia. Será que todas as nossas células são associadas a um sexo específico? Como essa atribuição é feita? E será que feminino ou masculino são as únicas opções realmente existentes? No Núcleo das nossas células, não caberia também a diversidade dos nossos corpos? Justamente por causa dessas perguntas, a gente veio parar aqui. A nossa primeira parada nessa viagem pela célula. Vem comigo nadar pelo núcleo à procura dos cromossomos sexuais?   Mais Informações Transcrição completa do episódio Currículo Daniela Tonelli Manica Currículo Sarah Richardson Site GenderSci Lab Currículo Julia Helena Barros Currículo Bruno Paranhos Currículo Amiel Vieira Instagram do Núcleo de Consciência Trans (NCT) da Unicamp   Materiais Extras Política “Sexo como variável biológica” do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos  Diretrizes SAGER (Sex and Gender Equity in Research) em periódicos  Aprovação Cotas Trans na Unicamp SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, 20(2). 2017.  VELOCCI, Beans. The history of sex research: Is “sex” a useful category? Cell, v. 187, n. 6, p. 1343–1346, 2024. VIEIRA, Amiel. COSTA, Anacely Guimarães. PIRES, Barbara Gomes. CORTEZ, Marina. Intersexualidade: desafios de gênero. Periódicus. 2021, n.16, v.1, p.01-20. FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. 1 ed. New York, NY: Basic Books, 2000. PAPE, Madeleine; MIYAGI, Miriam; RITZ, Stacey A.; et al. Sex contextualism in laboratory research: Enhancing rigor and precision in the study of sex-related variables. Cell, v. 187, n. 6, p. 1316–1326, 2024.  GRABEK, Anaëlle; DOLFI, Bastien; KLEIN, Bryan; et al. The Adult Adrenal Cortex Undergoes Rapid Tissue Renewal in a Sex-Specific Manner. Cell Stem Cell, v. 25, n. 2, p. 290-296.e2, 2019. HARAWAY, Donna Jeanne. O manifesto ciborgue. In: SILVA, Tomaz Tadeu da. Antropologia do ciborgue: As vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica. 2000. BARAD, Karen. Performatividade queer da natureza. Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 3(11), 300-346. 2021   Expediente de Produção Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath  Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath  Revisão da transcrição dos episódios: Igor Pereira e Maxie Viana Identidade visual da série: Bianca Bursi  Trilha sonora da série: Gabriel Marcal  Sonoplastia: Fernanda Mariath  Montagem do teaser: Fernanda Mariath  Conteúdo do sítio eletrônico: Fernanda Mariath  Divulgação: Fernanda Mariah  Financiamento: FAPESP, CAPES, CNPq e Unicamp Agradecimentos: À Capes pela bolsa de mestrado (Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), à FAPESP pela bolsa Mídia Ciência (Processo: 2025/16311-2 e 2024/15321-1), aos funcionários do Labjor, às professoras Germana Fernandes Barata e Marina Nucci, a toda equipe do Mundaréu e do Labirinto que contribuíram para produção dessa série, aos meus amigos e minha família! 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    46 min
  7. FEB 18

    A Célula

    Você lembra o que são células? Das aulas de biologia da escola? As células são essas pequenas estruturas arredondadas que formam os nossos corpos e de todos os seres vivos. Tem a aparência de um ovo frito. A gente consegue ver as células através dos microscópios.  As nossas células, e de outros animais, são uma ferramenta importante na pesquisa biomédica. Elas servem para fazer de conta que é um corpo humano que está ali, e mostram como o corpo funcionaria em determinadas condições. Na pesquisa científica, a gente as chama isso de modelos in vitro. São   células cultivadas em placas de vidro, as placas de Petri. Pesquisar com células permite que diversas perguntas científicas sejam feitas com mais controle e precisão. Realizando experimentos com esses modelos in vitro, a gente aprende um pouco mais sobre o funcionamento dos nossos corpos ou de alguma doença. E isso direciona a produção de novas tecnologias em saúde, como medicamentos, vacinas, equipamentos de diagnóstico… Mas de quem é esse corpo que tem suas especificidades e interesses representados nesses modelos? De quem são as características e necessidades consideradas na escolha dessas células?  Quem se beneficia com as tecnologias em saúde que são produzidas?  Quando eu era estudante na Farmácia, a sala de cultura, esse espaço dedicado ao cultivo de células, parecia permanecer isolada dos meus problemas feministas, asséptica a todas essas inquietações. Será que não é possível fazer uma pesquisa feminista com células? Com modelos in vitro? Será que, em uma placa de Petri, as práticas feministas não cabem? Eu realmente ia ter que escolher entre ser cientista ou feminista?  Vamos juntas contaminar a sala de cultura? Uma contaminação feminista!   Mais Informações  Transcrição completa do episódio Currículo Daniela Tonelli Manica Currículo Regina Coeli dos Santos Goldenberg Currículo Karina Dutra Asensi   Materiais Extras Dissertação de mestrado “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022.  MANICA, Daniela Tonelli; GOLDENBERG, Regina Coeli Dos Santos; ASENSI, Karina Dutra. CeSaM, as Células do Sangue Menstrual: Gênero, tecnociência e terapia celular. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 20, n. 1, 2018. MANICA, Daniela Tonelli. Estranhas entranhas: de antropologias, e úteros. Amazônica – Revista de Antropologia, v. 10, n. 1, p. 22–41, 2018. ASENSI, Karina Dutra. Alta resistência ao estresse oxidativo: possível vantagem terapêutica das células estromais mesenquimais derivadas do sangue menstrual no infarto do miocárdio. 2016. Tese (Doutorado em Fisiologia) – Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2016.  ASENSI, Karina Dutra. Sangue menstrual como fonte de células tronco resistentes ao estresse oxidativo. 2012. Dissertação (Mestrado em Fisiologia) – Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2012. FRANKLIN, Sarah. In Vitro Anthropos: New Conception Models for a Recursive Anthropology? The Cambridge Journal of Anthropology, v. 31, n. 1, 2013. BENJAMIN, Ruha. People’s science: bodies and rights on the stem cell frontier. Stanford (Calif.): Stanford university press, 2013. MARIATH, Fernanda. LOPES, Luis Philipe Nagem. A forma farmacêutica em perspectiva: cartas-diários como modos de fazer ciência feminista. Em: Modos de fazer e contar no labirinto: metodologias in(ter)disciplinares, feministas e criativas. MANICA, Daniela Tonelli; COSTA, Clarissa Reche Nunes da; CAMARGO, Fernando Monteiro (ORG.). Campinas, SP: Portal de Livros de Acesso Aberto, 2025. p. 296–325. CASTRO, Rosana; FLEISCHER, Soraya. Scientific policies and ethical economies in the development of vaccines against Zika. Ilha Revista de Antropologia, v. 22, n. 2, p. 63–95, 2020. HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: Fazer parentes no Chthluceno. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo, SP: N-1 Edições, 2023. SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001. Expediente de produção Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath  Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath  Revisão da transcrição dos episódios: Igor Pereira e Maxie Viana Identidade visual da série: Bianca Bursi  Trilha sonora da série: Gabriel Marcal  Sonoplastia: Fernanda Mariath  Montagem do teaser: Fernanda Mariath  Conteúdo do sítio eletrônico: Fernanda Mariath  Divulgação: Fernanda Mariah  Financiamento: FAPESP, CAPES, CNPq e Unicamp Agradecimentos: À Capes pela bolsa de mestrado (Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), à FAPESP pela bolsa Mídia Ciência (Processo: 2025/16311-2 e 2024/15321-1), aos funcionários do Labjor, às professoras Germana Barata e Marina Nucci, a toda equipe do Mundaréu e do Labirinto que contribuíram para produção dessa série, aos meus amigos e minha família! Dedicatória: À minha avó, Silvia Mariath, que teria adorado gravar o som da gargalhada como efeito sonoro.   Vamos adorar saber o que você achou, entre em contato: podcastmundareu@gmail.com

    37 min
  8. FEB 11

    Feminista In Vitro

    Você já se perguntou como os medicamentos que você toma são testados? São anos de pesquisa pré-clínica com modelos de células, em animais, e mais alguns anos em ensaios clínicos com humanos. Antes disso, são décadas de pesquisa básica. Existe um tipo de célula que pode estar presente em todas essas etapas da pesquisa em tecnologias em saúde, da pesquisa básica à clínica: as células-tronco.  E se eu te contasse que no sangue menstrual é possível obter células com qualidades muito interessantes para serem escolhidas como modelo experimental em um laboratório? As células mesenquimais do sangue menstrual são abundantes, de fácil obtenção, super resistentes e rápidas de serem cultivadas. Mas… elas quase não são utilizadas!  Mesmo existindo diversos corpos que menstruam e mulheres que não menstruam, essas células são entendidas como femininas e, por isso, são descartadas como um modelo possível.  Só que, ao mesmo tempo, a pesquisa biomédica tem uma preferência histórica por modelos masculinos. Cientistas justificam que é possível extrapolar dados obtidos em modelos masculinos para todos os nossos corpos diversos. Se o sexo de uma célula dita masculina não é uma barreira, qual é então o problema de se escolher uma célula marcada como feminina? O sexo do modelo faz diferença?  Nessa série de podcast, eu, Fernanda Mariath,  vou te levar em uma viagem pela célula! E a partir das organelas, as partes pequeninhas dentro dela, vou te contar sobre as células do sangue menstrual e trazer discussões feministas sobre a pesquisa biomédica com células-tronco. Vem comigo por uma viagem pela célula?   Materiais Extras Transcrição completa do episódio Dissertação de mestrado “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” Artigo CeSaM, as Células do Sangue Menstrual: Gênero, tecnociência e terapia celular Revisão sobre a proporção de artigos com as células do sangue menstrual nas publicações com células mesenquimais   Expediente de produção: Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp) Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3) Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ) Projeto relacionado: Regina Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR  Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath  Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath  Revisão da transcrição dos episódios: Igor Pereira e Maxie Viana Identidade visual da série: Bianca Bursi  Trilha sonora da série: Gabriel Marcal  Sonoplastia: Fernanda Mariath  Montagem do teaser: Fernanda Mariath  Conteúdo do sítio eletrônico: Fernanda Mariath  Divulgação: Fernanda Mariah  Financiamento: FAPESP, CAPES, CNPq e Unicamp Agradecimentos: À Capes pela bolsa de mestrado (Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), à FAPESP pela bolsa Mídia Ciência (Processo: 2025/16311-2 e 2024/15321-1), aos funcionários do Labjor, às professoras Germana Barata e Marina Nucci, a toda equipe do Mundaréu e do Labirinto que contribuíram para produção dessa série, aos meus amigos e à minha família! Vamos adorar saber o que você achou, entre em contato: podcastmundareu@gmail.com

    5 min

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Mundaréu, podcast de Antropologia produzido pelo Labjor/Unicamp