Um Poema Por Dia

Um Poema Por Dia

Olá! Já pensou, você receber um poema todos os dias, daqueles que nos enche o peito de alegria, arranca suspiros e sorrisos e nos permite levar um dia mais leve? Então: “Um Poema por dia” é um projeto do Programa de Educação Tutorial do CEFET-MG e está aí, para nos ajudar a passar de forma mais leve, por esse tempo necessário de reclusão. De alma livre e coração aberto, esperamos, que vocês desfrutem desse momento de inspiração junto com a gente!

  1. 08/15/2020

    Fragmento de Vida e Proezas

    Fragmento de Vida e Proezas por Sérgio Gomide " [...] Lembrei-me de certa manhã, num Pinheiro encontrei um casulo, no instante em que a borboleta dentro dele rompia a casca e se preparava para surgir. Eu esperava, esperava, estava demorando e eu tinha pressa. Então me inclinei sobre ela e comecei a aquecê-lá com o meu hálito, impacientemente eu aquecia e um milagre começou a se desenrolar diante de mim com um ritmo veloz e antinatural, a casca abriu-se completamente e a borboleta surgiu. Jamais esquecerei o meu horror, suas asas ficaram frisadas, não se desdobraram, todo seu corpinho esforçava-se para desenrolá-las, mas não conseguia. Com o meu hálito, eu também me esforçava para ajudá-la, em vão, ela necessitava de um paciente amadurecimento e desdobramento ao sol, mas agora já era tarde. Meu sopro havia forçado a borboleta a surgir antes da hora, enrugada e temporam. Saiu imatura, moveu-se desesperada e logo depois morreu na palma da minha mão. Acho que esse penugento corpo morto da Borboleta é o maior peso que carrego na consciência. Eu compreendi então em profundidade, é pecado mortal infringir as leis eternas, temos o dever de seguir o ritmo perpétuo com confiança. Para assimilar calmamente essa reflexão de ano novo empolerei-me em um Rochedo. Aí se eu pudesse, dizia para mim mesmo, neste novo ano ritmar minha vida assim: sem paciência histéricas. Se essa pequena borboleta que eu matei porque tive demasiada pressa para fazer viver, voasse sempre diante de mim mostrando-me o meu caminho e assim uma borboleta que morreu precocemente talvez ajudasse uma irmã, uma borboleta humana a não se apressar e a conseguir desenrolar as asas em ritmo lento [...]" Autor: Alexis Zorbas

    2 min
  2. 08/14/2020

    Cântico Negro

    Cântico Negro por Odilon Esteves. "Vem por aqui" — dizem-me alguns com olhos doces, Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre a minha Mãe. Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde, Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois, sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos... Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátrias, tendes tectos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios. Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca princípio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei para onde vou, Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí! Autor: José Régio. Assista este poema narrado pelo Odilon Esteves também no Youtube pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=7ZA4mfovFOM

    3 min
  3. 08/12/2020

    Elegia

    Elegia por Odilon Esteves. Um dia, amor, tudo o que existe agora, Tudo o que forma o nosso grande orgulho, A pureza e o esplendor de nossas almas, Terá morrido, sem deixar lembrança, Na velha terra indiferente aos homens. Nada do que hoje nos parece eterno Terá ficado do naufrágio imenso. Esquecidas de nós, as novas almas Levantarão para as estrelas mudas O milagre feliz dos novos sonhos, Sem talvez meditar que a terra outrora Vira prodígios e deslumbramentos Semelhantes aos seus, sob um céu puro. Uma névoa de pó terá coberto As cidades vaidosas, onde os homens Hoje, lutando, desvairados, sofrem. E apenas raros monumentos tristes Lembrarão, no candor da branca pedra, A fronte sacratíssima de um sábio, De um herói, de um guerreiro, de um poeta, Que a glória cinja com a divina palma. Novos deuses, em templos majestosos, Receberão, no plácido silêncio, O murmúrio das preces comovidas, O perfumado fumo das oblatas E o amor das multidões... Ah! nesse tempo Eu terei recebido dos destinos O bem do esquecimento imperturbável... Deste homem que hoje sou - das minhas crenças, Dos meus sonhos de amor, dos meus desejos, Das minhas ambições mais rutilantes - Nada mais restará, nada, na terra! Mas, quem sabe? Talvez, um dia, um homem, Amigo das pesquisas minuciosas, Visite longamente as bibliotecas, Onde durmam os livros seculares, Que as traças lentas vão destruindo a custo. E esse homem, cheio de um amor antigo, Curioso do viver das eras mortas, Talvez encontre, entre outros livros velhos, Estes versos que escrevo, e em que minha alma Fala à tua alma em longas confidências. E então, meu lindo amor, como evadidos De um sepulcro, nós dois ressurgiremos Aos olhos caridosos desse amigo, Vindos das densas sombras do passado. Talvez... Seremos belos! Nossa fronte, Há de doirá-la a mesma juventude, Que hoje nos cerca de um clarão sagrado! Haverá nos teus lábios esse mesmo Beijo vibrante que me trazes hoje! E nos olhos terás o mesmo encanto Que neles me seduz e prende agora! Sim: no milagre desse instante ardente, Nessa ressurreição maravilhosa, Nós brilharemos juntos, aureolados De um novo amor e de um carinho novo! E então esse paciente amigo nosso Volverá para nós, nos dias de hoje, Toda a sua saudade religiosa, E invejará, talvez, piedosamente, Essa breve, ligeira hora de sonho, Que hoje os destinos deixam que vivamos... Autor: Múcio Leão. Assista este poema narrado pelo Odilon Esteves também no Youtube pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=IzW8roQ95Gw

    5 min
  4. 08/10/2020

    Para Pintar o Retrato de Um Pássaro

    Para Pintar o Retrato de Um Pássaro por Odilon Esteves. Primeiro pintar uma gaiola com a porta aberta pintar depois algo de lindo algo de simples algo de belo algo de útil para o pássaro depois dependurar a tela numa árvore num jardim num bosque ou numa floresta esconder-se atrás da árvore sem nada dizer sem se mexer… Às vezes o pássaro chega logo mas pode ser também que leve muitos anos para se decidir Não perder a esperança esperar esperar se preciso durante anos a pressa ou a lentidão da chegada do pássaro nada tendo a ver com o sucesso do quadro Quando o pássaro chegar se chegar guardar o mais profundo silêncio esperar que o pássaro entre na gaiola e quando já estiver lá dentro fechar lentamente a porta com o pincel depois apagar uma a uma todas as grades tendo o cuidado de não tocar numa única pena do pássaro Fazer depois o desenho da árvore escolhendo o mais belo galho para o pássaro pintar também a folhagem verde e a frescura do vento a poeira do sol e o barulho dos insetos pelo capim no calor do verão e depois esperar que o pássaro queira cantar Se o pássaro não cantar mau sinal sinal de que o quadro é ruim mas se cantar bom sinal sinal de que pode assiná-lo Então você arranca delicadamente uma das penas do pássaro e escreve seu nome num canto do quadro. Autor: Jacques Prévert. Assista este poema narrado pelo Odilon Esteves também no Youtube pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=6OP3j5eVD0o

    3 min

About

Olá! Já pensou, você receber um poema todos os dias, daqueles que nos enche o peito de alegria, arranca suspiros e sorrisos e nos permite levar um dia mais leve? Então: “Um Poema por dia” é um projeto do Programa de Educação Tutorial do CEFET-MG e está aí, para nos ajudar a passar de forma mais leve, por esse tempo necessário de reclusão. De alma livre e coração aberto, esperamos, que vocês desfrutem desse momento de inspiração junto com a gente!