Uma Voz Negra

Negro Pense

Nosso lugar de fala, de idéias, de narrativas reais, mais um canal de luta contra o racismo. Lugar para exaltar os negros e negras, a nossa arte, nossa cultura e nossas vivências em um país escravocrata.

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  1. O que é racismo

    08/15/2020

    O que é racismo

    O que é racismo? Mas, antes deixa eu tentar explicar a diferença entre racismo, discriminação e preconceito. Porque não é tudo a mesma coisa. Preconceito, como o nome já diz é um julgamento antecipado, julgar algo ou alguém sem conhecer. Discriminação é o ato de tratar pessoas de modo diferente, seja pela cor, pela etnia, status social. Então o Racismo é uma forma de preconceito ou discriminação, é uma crença babaca que muitas pessoas ainda acreditam que uma raça, etnia ou até certas características físicas sejam superiores a outras. Tipo, eu sou mais alto, então sou melhor do que quem é baixo, sou magro, sou melhor de quem,  Os europeus por exemplo, consideravam, em sua visão eurocêntrica, que seriam superiores, mais inteligentes e capazes de prosperar e que por isso podiam dominar e escravizar outros povos. Ainda dentro dessa visão, negros e indígenas foram considerados, como animais. Precisamos entender que o racismo não acontece somente contra os negros, ele pode se manifestar contra qualquer raça ou etnia, sejam asiáticos, indígenas, ok? O racismo pode se caracterizar de várias formas, e no próximo vídeo eu vou falar um pouco sobre tipos de racismo, aguardem. O racismo pode se manifestar tanto em nível individual, como em nível institucional, através de políticas como a escravidão, o apartheid, o holocausto, entre outros. Vale a pena lembrar que a prática do racismo, no Brasil, é considerado um crime inafiançável, com pena de até 3 anos de prisão.

    3 min
  2. Ela disse não!

    06/27/2020

    Ela disse não!

    Rosa Parks se recusou a se levantar, para que um homem branco pudesse se sentar. Rosa tinha 42 anos, negra, costureira e sem querer se tornou um símbolo da luta pelos direitos civis dos negros lá nos EUA. Mas antes precisamos entender, o contexto da época. Ná década de 1960, nos estados do sul dos EUA, e no Alabama não era diferente, os negros eram considerados pessoas inferiores. Não podiam votar, eram proibidos de entrar em certos clubes, lojas e igrejas e, no transporte público, tinham que dar preferência aos brancos. Mas no dia 1º de dezembro de 1955, a segregação foi questionada por uma costureira(minha mãe é costureira) A mulher estava cansada e com dores nos pés, depois de um dia longo de trabalho, pegou um ônibus, sentou-se em um dos assentos localizados no meio do coletivo. Quando alguns brancos entraram no ônibus e ficaram em pé, o motorista exigiu que Rosa e outros três negros se levantassem para dar o lugar aos brancos. Enquanto os outros três se levantaram, Rosinha disse não! Senta aí branco, em qualquer lugar. "Eu não imaginava que ficaria envolvida até o pescoço no Movimento Pelos Direitos Civis e muito menos que meu ato naquele dia teria um impacto tão grande. Mas já ansiava e lutava por mudanças há muito tempo." Vamos entender como era a regra nos ônibus, era simples. TInha a parte de brancos e a parte dos negros. Brancos sentavam na frente e negros na parte de atrás. Mas, se tivesse uma pessoa branca em pé, o motorista teria que mover para trás(tinha uma placa que indicava o limite). Essa ação do motorista fazia com que os negros que estivessem mais à frente fossem para a parte de trás ou  ficarem de pé.Mas Rosinha, rosinha disse hoje não. O motorista do ônibus pediu que a mulher levantasse. “Não”, respondeu simplesmente. “Bem, então vou fazer com que a prendam”, falou James Blake, o motorista do transporte em que ela estava. De maneira intransigente, Parks ainda disse: “pode fazer isso”. Dito e feito, A polícia foi chamada e Rosa Parks foi detida e levada para a prisão por violar a lei de segregação do código da cidade de Montgomery apesar de não estar sentada nas primeiras cadeiras. No dia seguinte, Rosa foi solta depois que teve a fiança paga por Edgar Nixon, presidente da NAACP(National Association para o Progresso de Pessoas de Cor) e por seu amigo Clifford Durr. A prisão de Rosa provocou um grande protesto que resultou em um boicote aos ônibus urbanos, quando os trabalhadores negros e os simpatizantes da causa passaram a caminhar quilômetros em direção ao trabalho, causando grande prejuízo para a empresa. (rsrsrs se fuderam) Os protestos receberam o apoio de várias personalidades que se engajaram no movimento, entre eles, Martin Luther King, que era pastor na cidade de Montgomery, e a cantora gospel Mahalia Jackson, que realizou uma série de shows para ajudar os ativistas que estavam presos. Em 13 de novembro de 1956, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou inconstitucional a segregação racial nos transportes públicos do país. Em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, sacerdote branco, entraram juntos em um ônibus e ocupam os primeiros lugares. Rosa Parks foi reconhecida nacionalmente como a “mãe do moderno movimento dos direitos civis”. "Vivíamos uma segregação racial legalizada e andávamos de cabeça baixa. Os brancos pensavam que eram superiores e não houve um único dia em que eu não tenha me sentido humilhada. Hoje, temos os mesmos direitos que eles. Mas ainda há muita desigualdade e injustiça. O caminho é longo", explicou a ativista. As dificuldades não pararam, Rosa sofreu ameaças de morte e teve dificuldade de conseguir emprego. Em 1957 mudou-se para Detroit, Michigan. Em 1964 tornou-se diaconisa da Igreja Episcopal Metodista Africana (AME). Em 1992, Rosa publicou sua autobiografia, “Rosa Parks: MY Story”. Em 2002, viúva e com dificuldades financeiras, foi despejada de seu apartamento. Com a grande comoção nacional, Rosa recebeu ajuda da igreja batis

    8 min
  3. Ansiedade: Um bloqueio na sua mente.

    05/19/2020

    Ansiedade: Um bloqueio na sua mente.

    Já passava das 13h, hora em que costumo me arrumar pra ir trabalhar. Foi quando tudo começou a ficar pequeno. Caminhei em direção a varanda em busca de ar, eu precisava respirar... Na rua, pessoas passam, vivendo suas rotinas, indo e vindo aceleradas. Me deitei no chão e olhei, observei ao meu redor. Tinha uma nuvem branquinha, parecia um pedaço enorme de algodão na imensidão do céu azul, o vento balançava as roupas da minha filha no varal, num bailar lento e descompassado. O silêncio me machucava, cortava meu peito como lâmina afiada. Não tinha sangue, mas lágrimas queimavam meu rosto com incertezas e tinha o suor, que derretia minhas ideias. As mãos tremiam, eu não tinha o controle delas, nem dos meus pensamentos. E lá no fundo uma voz me dizia: respira! Eu não a via, mas ouvia muito bem, respira Edu. Meus olhos abertos não enxergava nada além de angústia e medo. Meu coração estava inerte na minha mente, e a voz cada vez mais próxima e nítida dizia: isso mesmo, você consegue. Respira mais forte Edu. Mas meu coração estava parado, eu sei que estava. O braço adormecido, a respiração ofegante, o caos dominava o meu corpo. E a voz estava lá, me acalmando, me dizendo como respirar e meu coração voltou a bater, a dormência do braço sumiu, o suor secou, o ar voltou... Eu estava respirando, era como andar de bicicleta, eu estava vivo outra vez. Meus olhos enxergaram a voz doce que me ajudara, era minha amiga, minha companheira, minha mulher, mãe da minha filha, era o meu amor.

    6 min

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