Nabil Bonduki e o Cotidiano da Metrópole - Rádio USP

Nabil Bonduki

Análises para a Rádio USP sobre cotidiano da capital paulista, feitas pelo arquiteto, urbanista e professor tiular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Nabil Bonduki. Nabil já foi superintendente de Habitação Popular de São Paulo (89-92), coordenou a elaboração do substitutivo do Plano Diretor Estratégico da cidade e os Planos Regionais das subprefeituras da capital. Atuou ainda na coordenação para a elaboração do Plano Nacional de Habitação, foi secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (2011-2) e vereador duas vezes.

Episodes

  1. 08/08/2020

    Reforma do Vale do Anhangabaú é necessária, mas verba poderia ser mais bem distribuída

    Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, comenta o novo projeto do Vale do Anhangabaú, região do centro de São Paulo, que atravessa um período de reformas. Uma imagem recém-divulgada do local foi criticada na internet pela ausência de árvores e abundância de concreto. Para o urbanista, a reforma era necessária, mas “não uma completa destruição do projeto existente, na sua total reestruturação e recomposição”. O projeto original foi criado pelos arquitetos Jorge Wilheim, Rosa Kliass e Jamil Kfouri e teve como principal objetivo “criar uma grande área pública no coração do centro de São Paulo”, lembra o professor. Já o novo projeto teve a consultoria do escritório de arquitetura do dinamarquês Jan Gehl. O professor reconhece que a área possuía inúmeros problemas antes da reforma, “problemas que exigiam mudança e conformação, mas, evidentemente, isso deveria ser feito considerando o projeto existente, já que era um projeto importante de arquitetos relevantes da história de São Paulo”, opina. Embora o novo projeto venha para resolver diversos problemas da região, para Bonduki seu custo é “muito elevado”. “São R$ 94 milhões que poderiam ser aplicados numa reforma mais moderada do Anhangabaú e na implantação de outras áreas públicas, principalmente na periferia da cidade, onde a carência é muito grande”, pontua o especialista ao sugerir também que parte da verba poderia ter sido aplicada no próprio centro de São Paulo, em alternativas de habitação social.

    5 min
  2. 08/08/2020

    Prefeitura deveria criar plano emergencial para abrigar famílias durante pandemia

    Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, discorre sobre a desigualdade de condições de moradia que tem afetado parte da população de renda mais baixa durante a pandemia do novo coronavírus. Para Bonduki, as desigualdades que já são normalmente evidentes em uma cidade como São Paulo estão ainda mais acentuadas hoje. “Os desiguais ficam muito mais desiguais”, pontua o professor, ao ressaltar que cerca de 10% da população dos bairros mais ricos de São Paulo tem a possibilidade de sair da cidade para uma segunda casa, com mais espaço e acesso a áreas abertas, de acordo com levantamento realizado pela Folha de S. Paulo, a partir de dados fornecidos pelo Covid Radar. Sobre a parcela da população que não tem acesso a esse tipo de recurso, Bonduki alerta sobre a situação dramática envolvendo aluguéis e despejos. Dentre as famílias que pagam aluguel na capital paulista, aquelas que perderam sua fonte de renda por causa da quarentena têm enfrentado as piores condições. Além disso, “não foram suspensas as ações de despejo, assim como também não foram suspensas as ações de reintegração de posse”, argumenta ele. De acordo com o professor, é preciso criar um plano emergencial para abrigar famílias durante a pandemia e a Prefeitura não deve promover ações de reintegração de posse. “Um plano emergencial é fundamental para que o Estado mostre que está preocupado com a questão social na cidade de São Paulo”, finaliza.

    5 min
  3. 08/08/2020

    “Temos que ser solidários com os entregadores”

    Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, comenta a situação dos entregadores de aplicativos que, no dia 1º de julho, realizaram uma série de manifestações em diferentes cidades brasileiras, reivindicando melhores condições de trabalho. Para o professor, durante a pandemia, os serviços prestados pelos entregadores foram ainda mais requisitados. Entretanto, a condição de trabalho desses profissionais continua “extremamente precária”. “O entregador de aplicativo é considerado um microempreendedor, então, ele não possui seguro trabalhista, Previdência nem nenhum tipo de garantia de renda”, esclarece Bonduki. Uma pesquisa realizada pela Aliança Bike, a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, em 2019, revelou que a maioria dos entregadores que utiliza a bicicleta é morador de periferias; são negros, jovens de até 22 anos, que trabalham entre 9h e 10h por dia, todos os dias da semana, sem descanso. A média dos rendimentos é de menos de R$ 1 mil. “Um valor extremamente baixo para a condição de risco que esses trabalhadores passam”, pontua o professor. De acordo com Bonduki, lutar por direitos é necessário para evitar a precarização ainda maior das relações de trabalho dos entregadores. “E nós, que de alguma maneira nos beneficiamos desses serviços, temos que estar solidários aos entregadores”, finaliza.

    5 min
  4. 08/08/2020

    Cinemas drive-ins renascem para paulistanos durante quarentena

    Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, comemora a inauguração de dois novos espaços de arte e cultura em São Paulo. Na sexta-feira, dia 12 junho, acontece a primeira sessão de cinema no Arena Estaiada Drive-In, um espaço destinado à exibição de filmes em que o público assistirá à sessão dentro de seu próprio carro, respeitando o isolamento social. Já na próxima semana, no dia 16 de junho, o Memorial da América Latina inaugura o cinema Belas Artes Drive-In, com a mesma proposta. Para Bonduki, o renascimento dos cinemas drive-ins, que foram muito populares no Brasil por volta da década de 1970, é bem-vindo. “É uma oportunidade para quem quer sair de casa, se divertir e passar o dia dos namorados (12) de um jeito diferente.” Entretanto, para o urbanista, o renascimento dos drive-ins é um alento, mas não é a solução para o problema que estamos vivendo. “Eu acredito que, hoje, o estilo de vida baseado no automóvel está superado, ainda que exista e esteja presente na cidade”, afirma. Além disso, Bonduki lembra que o espaço ocupado pelo drive-in entrou em decadência em função do preço dos terrenos. “Os terrenos foram ficando muito caros com a ocupação da cidade e com a exploração dos vazios urbanos. A situação de agora é muito diferente, por isso é difícil um renascimento desse tipo de programa”, esclarece.

    5 min
  5. 06/25/2020

    Critérios de reabertura da cidade devem incluir o acesso a parques

    Nesta edição de Cotidiano na Metrópole, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, repercute artigo que sugere um risco aumentado de transmissão do novo coronavírus em ambientes fechados. “Tudo isso nos surpreende, porque a gente viu o governo do Estado autorizar a abertura do comércio, enquanto os parques estão fechados”, compara. A Prefeitura da cidade São Paulo autorizou o funcionamento do comércio de rua, shoppings centers, imobiliárias e concessionárias de veículos no último dia 11. A medida corresponde à fase dois (laranja) do plano de retomada econômica do governo do Estado, que prevê cinco estágios até a reabertura total dos estabelecimentos. Mas, na fase atual, a Prefeitura não incluiu o acesso a parques. Para Bonduki, a Prefeitura já deveria ter adotado medidas seguras de reabertura dos parques da cidade. O especialista apoia sua opinião em um artigo do imunologista Erin Bromage, professor associado de Biologia da Universidade de Massachusetts Dartmouth, no qual afirma que há muito menos risco em uma caminhada ao ar livre do que em espaços fechados. Bromage indica que os locais com maior probabilidade de surtos são prisões, cerimônias religiosas e locais de trabalho, como instalações de acondicionamento de carne e centrais de atendimento. Assim como há protocolos específicos para o funcionamento desses estabelecimentos na fase dois da reabertura, o urbanista defende que também haja um estudo que calcule a quantidade apropriada de pessoas que estejam no local simultaneamente. Estabelecer um aplicativo que reserve horários de uso, controle nas entradas e regras que evitem o contato entre as pessoas são algumas das soluções propostas por ele. “O importante é correr, caminhar, andar de bicicleta”, comenta, especialmente para as pessoas com condições físicas e emocionais em que a atividade física é essencial na manutenção da saúde. “Muita gente fica andando no shopping ou nas ruas, onde a aglomeração pode ser muito maior e é muito mais difícil de controlar”, aponta.

    5 min

About

Análises para a Rádio USP sobre cotidiano da capital paulista, feitas pelo arquiteto, urbanista e professor tiular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Nabil Bonduki. Nabil já foi superintendente de Habitação Popular de São Paulo (89-92), coordenou a elaboração do substitutivo do Plano Diretor Estratégico da cidade e os Planos Regionais das subprefeituras da capital. Atuou ainda na coordenação para a elaboração do Plano Nacional de Habitação, foi secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (2011-2) e vereador duas vezes.