ConVersando - Entre Versos e Prosas - Por Zodja Pereira

Zodja Pereira

Venha conhecer alguns poemas e textos de diversos autores, além de poemas de sua autoria e publicados no seu livro" ABERTA PARA BALANÇO" publicado pela Ed, Scortecci, em 2018. E, entre uma poesia e outra, Zodja convida amigos a participar, contando suas histórias no teatro, na dublagem, na vida... Você vai gostar!"

Episodes

  1. 11/02/2020

    ConVersando - Os Campos da Minha Terra de Mario Lago

    Um poema de Mario Lago pela voz de Zodja Pereira.  (Poema escrito no livro O povo escreve a história nas paredes, 1948.) OS CAMPOS DA MINHA TERRA Os campos da minha terra têm trigo e têm algodão Os homens pobres da minha terra Não tem coberta quando faz frio Morrem pedindo um pouco de pão Os campos da minha terra têm gado de carne boa têm vacas de leite bom Os homens da minha terra Sabem que o gado tem carne boa Mas custa caro. Comem pirão. As crianças pobres da minha terra Sabem que as vacas têm leite bom, Mas custa caro. Crescem doentes Ou morrem fracas sem nunca terem Provado seu leite bom. Os campos da minha terra Têm árvores que parecem Braços que estão segurando Os céus, tão grandes são. Os homens da minha terra moram em casas de barro e taipa, não têm madeira para seu teto, nem sua cama, nem sua mesa, e comem, sentam, dormem no chão. os homens pobres da minha terra morrem de frio quando faz frio, pois não têm lenha pra seu fogão.  Os campos da minha terra têm rios e têm cascatas que dão pra matar a sede de todos os desertos e energia pra iluminar os quatro cantos do mundo Os homens pobres da minha terra, que estão à margem daqueles rios e estão à beira dessas cascatas de água tão farta, de água tão pura, morrem de febre, morrem de tifo das águas podres que os poços dão. Os homens pobres da minha terra vivem à margem daqueles rios, moram à beira dessas cascatas mas não têm luz no seu barracão. Os campos da minha terra têm tudo que os outros campos das outras terras terão. Os homens pobres da minha terra são como os pobres das outras terras. Não têm nada. Mas terão. Mário Lago.

  2. 10/12/2020

    ConVersando - O milagre de Nossa Senhora da Aparecida de Adelmar Tavares

    Um poema de Adelmar Tavares pela voz de Zodja Pereira. Os homens não tinham peixe para o Conde de Assumar. Os barcos desciam nas águas escuras do rio deserto… Os barcos subiam nas águas escuras do rio deserto… Tornavam subindo… descendo… a tentar […] Lançavam as redes … Puxavam as redes… E as redes vazias! Sem nada pescar! Os homens não tinham peixe para o Conde de Assumar. Domingos Garcia, caboclo valente, Com os braços de ferro, tocava a empurrar A triste canoa, sem nada pescar. Pedroso gritava para os companheiros, Que logo cortaram as águas escuras do rio deserto… “- Olá, companheiros! Olá, canoeiros! Que novas a dar? Que novas a dar?” E a mesma resposta caía da noite, Nos barcos vazios, sem nada pescar… Os homens não tinham peixe para o Conde de Assumar! João Alves, aflito, já sem esperança, Olhando as estrelas se pôs a rezar: “- Santíssima Virgem, tem pena de mim! Rainha Celeste, tem pena de mim! És dona dos peixes que moram nas águas… Ordena que venham encher nossos barcos Que um só de teus gestos nos pode salvar!… Dá-nos peixe pra Dom Pedro, Para o Conde de Assumar!” E a rede atirando, com punho de mestre, A rede nas águas se abriu em estrelas. Caiu… foi ao fundo… João Alves chorava, João Alves rezava, tocado de fé! Puxou de mansinho, que a rede pesava… “- São peixes – dizia – São peixes, enfim… Que Nossa Senhora tem pena de mim… “Mas – oh! – luz estranha que vem dentro à rede, É Nossa Senhora que vem dentro à rede, Do pobre, do humilde, feliz pescador, Que louco de alegre se põe a gritar: – Olá, canoeiros! Olá, companheiros! Olá, pescadores que estais a pescar! Milagre! Milagre! Fazei vossos lanços! Que Nossa Senhora já me apareceu!” E os homens todos tocados De uma alegria sem par, Encheram os barcos de peixes Para o Conde de Assumar. Oh! Nossa Senhora, que ouviste o barqueiro, Que ouviste há dois séculos, de nós não te vás! Nem mesmo um instante, sequer, nos esqueças! Tu, que apareceste, não desapareças Daqui, desta Pátria! Jamais! Nunca mais!

About

Venha conhecer alguns poemas e textos de diversos autores, além de poemas de sua autoria e publicados no seu livro" ABERTA PARA BALANÇO" publicado pela Ed, Scortecci, em 2018. E, entre uma poesia e outra, Zodja convida amigos a participar, contando suas histórias no teatro, na dublagem, na vida... Você vai gostar!"